Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Uma nova casa
Sobre os monopólios
Domingo, 11 de Janeiro de 2009
A lei do tabaco
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Sobre a Monarquia
O Samuel começa por definir legitimidade. Para o fazer recorre a Max Weber, segundo o qual a legitimidade se pode dividir em três tipos: legal/racional, tradicional/história e carismática. Apesar de achar que cai no erro de assumir uma teoria como verdade, o que é manifestamente uma falácia, quando não justificamos a teoria em que nos apoiamos, vou seguir a sua linha de raciocínio. Para o Samuel, um Presidente da República tem menos legitimidade que um Rei, porque ao passo que a legitimidade do Presidente lhe é apenas conferida pela sua eleição – tendo só legitimidade legal/racional – a legitimidade do Rei é-lhe conferida pelo facto de estar, de certa forma ligado a um elemento transcendente, a mais das vezes religioso – legitimidade carismática – e porque repousa no Rei o peso da História da Nação que representa. Para além disso, em algumas situações, pode também o Rei ter legitimidade legal/racional.
Caindo eu no risco de considerar que sou um fundamentalista laico – belo oxímoro este – atrevo-me a dizer-lhe que não vejo legitimidade para a chefia do Estado num Rei pelo facto de ele estar ligado a um qualquer elemento transcendente. Defendo o Estado Laico e defendo uma sociedade plural, na qual a política não esteja afecta a uma religião em particular, deixando de parte todos as que a não professam. Aceito plenamente a existência de um líder religioso, um Dalai Lama versão portuguesa, mas que não tenha responsabilidades de Estado, pois a religião e a política não se devem misturar, do mesmo modo que a economia e a política também não o devem fazer. Quanto à legitimidade tradicional/histórica, tenho as mais sérias dúvidas quanto ao facto de o Rei ter sobre si o peso da História e da nação que representa. Porque é que o tem? E o que é isso do “peso da História e da nação que representa”? É isso importante na chefia de um Estado? Por fim, quanto à legitimidade racional/legal. Por princípio um Presidente tem mais que um Rei, mais não seja por estar em constante fiscalização por parte do povo que é verdadeiramente soberano caso o queira fora da chefia. Um Rei europeu até pode ter 80% de aceitação segundo as sondagens, mas a verdade é que o povo não pode decidir num determinado momento que o Rei deixa de o ser. Pode ser auscultado, mas a sua vontade não é soberana e a prova disso é que, do mesmo modo que por cá não se referenda o regime político, por lá também não se faz. Nem se referenda o regime nem os chefes de Estado, até porque isso iria contra os príncipios da Monarquia. Porque se, como o Samuel defende, a hereditariedade é legítima, uma sucessão que não fosse de um Rei para o seu herdeiro directo iria corromper o regime. Um argumento frequente é que o Presidente é eleito por uma pequena parte da população. No caso do nosso Presidente, li num comentário que apenas 28% da população votou nele. Isto até pode ser verdade. Mas diga-se que houve mais gente a escolher Cavaco Silva para chefe de Estado do que gente a escolher a Isabel II para chefe de Estado (e líder religiosa) em Inglaterra. Por tudo isto, continuo a considerar que um Presidente tem mais legitimidade para chefiar um Estado que um Rei.
Quanto à democracia. Eu nunca disse que uma República era necessariamente mais democrática que uma Monarquia. Mas, em teoria, é-o. Vamos simplesmente à etimologia. República vem de “res” “pública”, que significa “coisa pública”. Democracia vem do grego e significa delegação do poder de decisão no povo, o povo manda. Significa isto que os dois conceitos estão intimamente ligados. Como é que uma coisa pode ser pública sem que o povo decida sobre ela? E como é que o povo pode decidir sobre uma coisa que não lhe pertence, mas sim a um monarca? Em teoria, a coisa funciona um pouco nesta linha. Para além disso, a Monarquia desrespeita um dos critérios que enuncia para que um regime seja democrático: o da elegibilidade para cargos públicos. Haverá maior cargo público que o da chefia do Estado?
Quanto à ética que eu pretendo analisar. Novamente se cai no erro de achar que só porque determinada autoridade disse X, X é verdade. Mas novamente vou saltar por cima disso. Em primeiro lugar, forma de governo e tipo de regime parecem-me coisas diferentes. A forma de governo portuguesa não é muito diferente da forma de governo inglesa. Alternância entre dois partidos que pouco diferem um do outro – o mesmo acontece em imensos países como os EUA, a França ou Espanha; respeito pelo modelo social europeu, enfim, existem imensas coincidências entre as formas de governo das monarquias europeias e da portuguesa. O que difere é o tipo de regime. E pelo que já disse considero que a República é melhor que a Monarquia. Mas ainda se analisarmos as qualidades das formas de governo. Uma forma de governo totalitária é pior que uma forma de governo democrática, mais não seja pela segunda respeitar a liberdade do povo, esse valor absoluto, e a primeira não. Penso que está demonstrado que existem, efectivamente, formas de governo melhores ou piores.
Sobre a questão da Igualdade, posso dizer que concordo com o amigo Rousseau. É certo que apenas existe verdadeira igualdade num Estado de Natureza. Mas isso não invalida de num Estado como aqueles em que vivemos não devamos tender para o máximo de igualdade possível. E a verdade é que uma Monarquia, para além de tornar desigual o acesso ao poder por pressupor a vantagem de um indivíduo à partida – o herdeiro – implica ainda a existência de Aristocracia, que também o é por herança ou, em casos raros, por mérito.
Quanto ao que diz sobre a alternância no poder entre os dois “partidos de governo”, penso que já disse o essencial. Mas já agora, sobre a meritocracia, lembro que por exemplo o nosso actual Presidente vem de uma família algarvia bastante modesta, não havendo tradição dos Cavaco Silva na política.
A verdadeira questão
Manchete do dia
Temperaturas no mínimo, consumo de energia no máximo de sempre
PúblicoSexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Garantias para a Águas de Portugal
Manchete do Dia
Usar telemóvel vale castigo maior do que apontar 'arma' à professora
Jornal DestakBloguices
2. Os think-tanks nascidos da cultura anglo-saxónica começam a formar-se pela Europa. Por cá temos um que para nossa sorte tem um blogue. O blogue Sedes passa também a ser parte integrante das preferências d' O Afilhado.
3. É muito provavelmente o meu escritor preferido e para felicidade minha tem um blogue com uma actualização que eu nunca esperaria de um senhor daquela idade. O Caderno de José Saramago passa também a figurar na barra da direita.
Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Mal ao mundo
Leituras
Leitura adicional: "Será tudo premeditado?", notícia do Público.«O PS conseguiu vencer a batalha no Parlamento, garantindo que a avaliação dos professores não fosse suspensa. Para isso, contou com uma preciosa ajuda de... Manuel Alegre. Pois, o deputado votou ao lado da oposição, mas assegurou que, pelo menos, uma parlamentar do seu pequeno grupo votasse de outra forma para que o Partido Socialista não fosse prejudicado.Mesmo assim, não se livrou - ele e as outras quatro deputadas - de ouvirem este mimo de Augusto Santos Silva:"A minha opinião dirige-se a todas e todos deputadas que manifestaram a sua opinião.
Limito-me a constatar como particularmente reveladora de que o que estava menos em causa aqui era avaliação dos professores que os deputados que o fizeram não hesitaram em votar a favor de um projecto de lei (dos partidos da oposição) que a ser aprovado constituia uma vergonha para o parlamento democrático português".A votação ficou assim: 114 contra a suspensão, 113 a favor e uma... abstenção. A amiga, nesta caso, foi Matilde Sousa Franco que optou pela abstenção.»
Genération Y
Há cerca de uma semana atrás li um artigo na Sábado sobre o blogue Genération Y. Li o artigo durante uma viagem e fiquei curioso, dado que, segundo o texto, era um blogue escrito por uma cubana residente em Cuba e contestatária do Regime da dinastia Fidel. No entanto, por na viagem não ter Internet disponível, acabei por deixar passar a coisa. Felizmente o Pedro "lembrou" e fui visitar. Recomendo vivamente. Vejo agora que não é por acaso que Yoáni Sánchez foi considerada como uma das pessoas mais influentes do mundo em 2008.O coice do dia*
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Ainda a entrevista (3)
Ainda a entrevista (2)
Ainda a entrevista
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Semanada
O maior debate do país
A entrevista na SIC
Dizem que Sócrates é bom nas entrevistas, que fica bem, responde melhor. Que as domina. Nada mais falso. Sócrates não responde, atropela. O Primeiro-Ministro não aceita a contradição; ri-se dela. Usa o cinismo como arma. Ridiculariza a opinião contrária. Quando um jornalista afirma algo que lhe é incómodo, ele repete essa afirmação, desta vez em forma de pergunta e num tom displicente e desagradável. Como se o conteúdo dessa afirmação, mesmo que verdadeira, fosse uma indelicadeza. Algo a evitar; algo que põe em perigo as reformas e que não deve ser mencionado em tempo de crise. Sócrates indigna-se com as questões difíceis, utiliza truques rasteiros, para fugir às perguntas e aproveita as resposta para expor o que fez nos últimos 2 anos, como se de um tempo de antena se tratasse. Nunca de uma entrevista.
Sócrates é um bull-dozer das entrevistas. Nunca um bom entrevistado. Jamais um bom comunicador.
O Primeiro-Ministro mencionou, na entrevista de ontem à SIC, que cabe ao governo decidir quais as empresas que devem ser salvas. Para Sócrates, nem todas as empresas podem ser ajudadas, apesar de todas pagarem impostos, apesar de todas empregarem cidadãos portugueses que pagam impostos, financiam o Estado, ou seja, financiam as ajudas que o Estado, arbitrariamente, concede. Isto tem um nome: Capitalismo de Estado e livre arbítrio. Favorecimento de uns (forçosamente com bons contactos no poder), em detrimento de outros (sem esses bons contactos). O socialismo em marcha dá nisto: O mercado é substituído pelos políticos, por quem detém o poder político. Pelos interesses, pelas guerrilhas pessoais, os favores, e por aí fora.
Sócrates avisou. Cabe-nos ouvi-lo.
Será tudo premeditado?

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Parabéns
à espera
Delito de Opinião
Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Sábado, 3 de Janeiro de 2009
Bloguices
Política do Ratinho
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Bloguices
Gostei de ler
A Fnac não tem cheiro - Rui Bebiano n' A Terceira Noite
Não sei como andamos de calendário chinês mas cheira-me que 2009 vai ser o ano do Coelho - Pedro Vieira no Arrastão
Impunidade - Bruno Vieira Amaral no Atlântico
Tempo real - João Luís Ferreira no Geração de 60
Revolução Cubana na SIC-N - Rodrigo Adão da Fonseca n' O Insurgente
As ilusões pagam-se caras
sim, porque é verdade, uma verdade pouco divulgada, mas por falta de competência de quem a devia ter, as candidaturas aos programas comunitários tardaram e as ajudas não vieram. Depois, quando falava do endividamento do país e referia o já lugar-comum de que vivemos acima das nossas possibilidades, o Presidente disse aquela que será já uma das frases do ano:«Os agricultores, aqueles que trabalham a terra, que enfrentam a subida do preço dos adubos, das rações e de outros factores de produção. Sentem-se penalizados face aos outros agricultores europeus por não beneficiarem da totalidade dos apoios disponibilizados pela União Europeia.»
«As ilusões pagam-se caras.»
«Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas.»
Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
Bloguices
Água Lisa
A Gata Christie
A Natureza do Mal
A barbearia do senhor Luís
Bichos Carpinteiros
Boca de Incêndio
Cão com pulgas
Certamente!
Com a Luz Acesa
Combustões
Crónicas do Rochedo
Designorado
Direito de Opinião
Do Portugal Profundo
Fim-de-semana Alucinante
Gato do Cheshire
Herdeiro de Aécio
Mar Salgado
Nem tanto ao mar...
Nortadas
Nunca Mais
O Acossado
Palavra Aberta
Palavrosavrvs Rex
Pau Para Toda a Obra
Porta do Vento
Quase em Português
Retórica
Sorumbático
Tomar Partido
Vida Breve
Vasco Campilho

