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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Papeira

«O Papa disse ontem que a homossexualidade e a transexualidade são uma "destruição da obra de Deus". Bento XVI apelou a uma "ecologia do homem", que garanta o respeito da distinção entre homens e mulheres tal como aquela é interpretada pela Igreja a partir da linguagem da criação.» (Diário de Notícias)
Depois de anos a fio com um papa, que não sendo propriamente liberal, era minimamente tolerante, é-me estranho ouvir do mesmo palácio que a homossexualidade e a transexualidade são destruições da obra de Deus. Eu sei que isto é mais uma luta ali dos Jugulares, mas creio que não se importarão que também eu expresse o que penso em relação a esta idiotice.
É que as coisas são simples senhor Ratzinguer, e isto para falar na sua língua, não somos todos filhos de Deus? Se somos todos filhos de Deus, também os gays o são. E tendo sido gerados por Deus, como é que podem ser uma destruição da sua obra? Incoerências, incoerências.
A regilião católica está a seguir o exemplo de tantas outras ao extremar as suas posições. Pena daqueles que ainda têm na fé algum amparo e que vêem esse amparo desaparecer em declarações estúpidas como esta.

sábado, 11 de outubro de 2008

Frases que me deixam a pensar que não sou deste mundo

«Advogando, por crença doutrinária, uma sexualidade responsável a milhões e milhões de pessoas nos cinco continentes, a igreja é a maior, mais importante e mais eficaz organização no combate ao vírus da SIDA. Muito maior e muito mais eficaz que qualquer campanha de qualquer Abraço.» (Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Que voltem os Jesuítas

O Portugal Contemporâneo é um blogue que me suscita muitos acenos de cabeça. Escrito por conservadores libertários vem, não raras vezes, de encontro ao que penso. No entanto, dois textos dos últimos dias fizeram-me discordar, ao ponto de escrever este post.
Dia 11, ontem, o Rui Albuquerque escreve que a laicização do ensino trouxe um vazio educacional ao nível dos valores que muitas vezes os pais não conseguem preencher devido às circunstâncias da vida: emprego, incompatibilidade de horários, etc. Por isto, propõe um ensino com formação religiosa para que as crianças saibam distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto. Discordo totalmente. Em primeiro lugar, os pais têm o direito de escolher se os filhos podem ou não ter formação religiosa. Por exemplo, porque é que uma família muçulmana a viver em Portugal tem de ver o seu filho educado para o catolicismo? Não faz sentido. Tem tudo que partir da vontade da família. E existe espaço para que se faça a vontade: inúmeras igrejas têm a chamada catequese que dá uma formação religiosa aos jovens rebentos, por outro lado, mesmo na escola, existe a possibilidade de ter aulas de Educação Moral (exactamente a expressão que o Rui escreveu). Percorremos um longo caminho para a realidade actual, em que o estado não nos impõe a nossa religião. Curiosamente este texto até vai contra um que o próprio Rui escreveu há uns tempos, "o caminho da servidão", em que condenava a constante intromissão do estado nos assuntos privados dos cidadãos. Há algo mais privado que a ética e a religião?
Hoje, o Joaquim, muito na linha do que o Rui escreveu ontem, disse concordar com Sarah Palin quando esta defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Disse que tinha mudado de opinião, que anteriormente não defendia tal coisa. O errado no ensino do criacionismo nas escolas públicas está exactamente no facto de ser uma crença religiosa e não uma teoria científica. A teoria evolucionista e da criação do Universo é supra-religiosa, não se relaciona com fé, por isso pode ser aprendida por todas as pessoas. Já a teoria criacionista faz parte da fé cristã e ensiná-la iria contra a vontade de muitas famílias americanas certamente. Questões que o Joaquim enunciou, como: "porquê o mundo?" e "porquê não o nada?", são perguntas para se formular em aulas de Filosofia (acho que na América há disso) e às quais não se deve dar uma resposta como verdade absoluta.
Ensinar os jovens com base em fundamentos religiosos iria só alimentar fanatismos, fechar mentes, e levar-nos de novo para uma Idade Média, onde o progresso e ciência ficariam completamente apagados. É bom que se pense nas consequências de coisas tão simples como o ensino religioso nas escolas públicas.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sobre o Estado Laico

Diz-se de boca cheia que a República Portuguesa é um estado laico. Disparate! A verdade é que a igreja ainda tem uma influência em algumas regiões tão grande como no tempo do Cerejeira, principalmente nas regiões mais periféricas e nas pequenas aldeias em que o Senhor Padre manda mais que o Presidente da Junta. Apesar de estar instituído que na política portuguesa a igreja não deve intervir, ela fá-lo, sempre! E o pior é que vem sempre estragar o debate com os maiores disparates que se podem imaginar, desta vez, insurgem-se contra o divórcio por decisão unilateral, porque as pessoas devem ter a capacidade de "perdoar e de manter os compromissos, mesmo quando as condições mudam e exigem sacrifício (...)". Este tipo de declarações e o facto de a igreja se estar a colar a Cavaco só vêm descridibilizar o Presidente, que no seu comunicado não disse nada disto. Para ajudar às festividades, a percentagem de casamentos católicos em Portugal é cada vez menor, ou seja, o casamento é cada vez mais um contrato civil e não um contrato religioso, razão pela qual a nossa querida igreja devia abster-se de comentários infelizes. Aos senhores da igreja: tenham vergonha!

sábado, 19 de julho de 2008

Pickle envagelista!

No De Rerum Natura, a Palmira da Silva colocou um vídeo do GrandPa John (John Clayton) no qual este avô tenta através de um pickle e dois garfos provar a beleza do que é ser cristão. Simplesmente delicioso este clip:



Leiam o artigo da Palmira aqui.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A morte, a reencarnação e a ciência

No outro dia vi um episódio da série Os Simpsons, no qual um indiano, o Apu, antes de se tentar suicidar foi ver, num pequeno mapa, quais seriam as reencarnações seguintes. Isto quase me passou despercebido, mas dei por mim ontem a pensar nisto de "reencarnar".

Quando morremos, tudo aquilo de que somos feitos se espalha por aquilo a que comummente chamamos Natureza. Todo e qualquer bocadinho de nós é incorporado noutras vidas, animais ou vegetais. Isto é um facto científico. Por isso, porque não acreditar numa "reencarnação", acreditar mesmo naquela velha e ultrapassada história que os nossos ente-queridos andam por aí a vaguear? Bem sei que isto deve ser alguma pseudo-ciência e pode ser considerado uma tentativa de validar as coisas escritas pelos teólogos, mas é um assunto que me fascina um pouco. Por exemplo, os monges budistas, pelo que vi no Canal História há uns tempos, quando morrem, são colocados no deserto para serem comidos pelos animais, assim darão o seu último (ou não) contributo à Natureza. Ideia tão reconfortante esta de que todos aqueles que já existiram e que existiram estão por aí, à espera de serem "montados" de forma a darem lugar a uma pessoa como nós.