segunda-feira, 30 de junho de 2008
Juízes Humeanos
Impossibilidades grevistas
«Há pouco tempo, a CGTP quis fazer crer aos mais crentes que pôs 200 mil pessoas a desfilar entre o Marquês de Pombal e os Restauradores (em Lisboa). Esqueceu-se de um pormenor: nos Restauradores não cabem mais de 80 mil pessoas e é necessário, mesmo assim, estar-se à beira do assédio…
Neste fim-de-semana, a CGTP organizou novas manifestações em todas as capitais de distrito. A coisa não correu lá muito bem, mas ainda assim os mesmos contabilistas garantem que, à manifestação de Lisboa, fizeram deslocar 30 mil manifestantes, que percorreram o trajecto entre o Largo do Camões e o Rossio.
Trata-se de uma nova impossibilidade física: no Largo do Camões, e mesmo juntando-lhe o Largo do Chiado, caberão 10 mil pessoas e o Rossio, com muito jeito, comporta no máximo 20 mil.
Será que quem mente tanto a fazer contas pode dizer a verdade aos trabalhadores? Valha-nos que, por coincidência, ia ali a passar Jerónimo de Sousa e aproveitou para dizer umas palavrinhas aos associados da CGTP.»
Medidas predefenidas para problemas nunca vistos
A inflação na Zona Euro voltou a agravar-se em Junho para quatro por cento, atingido o valor recorde desde a criação do espaço do euro, em 1999. (...)domingo, 29 de junho de 2008
Haja dinheiro!
Eleições (?) no Zimbabwe
A segunda volta das eleições presidenciais no Zimbabwe não foram “nem livres nem justas”, consideraram hoje os observadores do Parlamento Pan-africano, que pediram a realização de um novo escrutínio.
O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prémio Nobel da Paz em 1984, já disse, também hoje, que apoiava uma intervenção internacional, se necessário pela força, para estabilizar o Zimbabwe e pediu à União Africana que se unisse na rejeição do novo Governo do Presidente Robert Mugabe. (...)
Finalmente a comunidade internacional parece estar a considerar uma intervenção como cenário possível. Neste momento o monopólio do poder está nas mãos do "Salvador da Rodésia" e "Carrasco do Zimbabwe", nem os seus ferozes opositores têm coragem suficiente para avançar mais. O fim só se augura se associado a uma monte de capacetes azuis a invadir o território. Por enquanto, Mugabe ganhou e continua o genocídio...
sábado, 28 de junho de 2008
Monopólio do Petróleo
Li n' A Câmara de Comuns um artigo do Paulo Ferreira sobre especulação ligada ao petróleo. Ao que parece, Manuel Ferreira de Oliveira (o CEO da Galp) atribui à especulação a escalada dos preços. Isto é estupidamente redundante. É óbvio que o que dita os preços não é mais nada que não a especulação, ou seja, o encontro entre a oferta e a procura."O fisco português, só do consumo dos produtos petrolíferos, vai receber seis mil milhões de euros este ano. Se parte deste dinheiro fosse usado para um novo paradigma energético, encontraríamos uma solução sucedânea", afirmou
Era efectivamente bastante bom que com o ISP que se anda a receber (que é quase um crime) se apostasse numa alternativa de uma forma séria e não apenas para inglês (e europeu em geral) ver. Uma outra forma de financiar essa investigação nas alternativas seria a aclamada Taxa Robin dos Bosques, que ao que parece vai mesmo para a frente, apesar de ser uma estupidez. Vamos ver se qualquer dia este monopólio acaba e começamos a usar carros movidos a chá.
ONU e o Zimbabwe

Sempre aplaudi a ONU. Uma instituição sem nação (?) que trabalhava para o bem da humanidade. No entanto, de alguns anos para cá, tenho vislumbrado algumas demonstrações de indiferença que me preocupam. Há uns anos foi a questão do Iraque. Uma guerra entre os EUA e um país problemático, com armas de destruição massiva que afinal não eram, e com muita "democracia" por aproveitar. Agora em relação ao Zimbabwe parece não chegar a um consenso. Ao que parece, há dúvidas sobre a iligitimidade das eleições. Bem, aqueles 15 conselheiros devem ser os únicos com dúvidas, duvido que mais alguém no mundo ache que está tudo bem...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Se não os podes vencer, junta-te a eles!
Preocupado com a falta de eficácia das Comissões de Dissuasão da Toxicodepência (CDT), o grupo parlamentar do PCP propõe alterações à lei da discriminalização do consumo de drogas, entre as quais o fim das coimas aplicadas a consumidores. (...)»
Realmente faz bastante sentido, quando uma política para dissuadir toxicodependentes de consumir droga não resulta, a melhor coisa a fazer não é melhorar a política mas sim permitir o consumo à vontade... Faz-se boa política ali para os lados ds Soeiro Pereira Gomes...
Educação do Pai Natal
Eu não penso assim. Os escandinávos não são nenhuma raça superior em inteligência. O que acontece é que nos países escandinávos (bem como noutros, como os do Leste europeu e no Japão, por exemplo), os alunos sabem que na escola é para trabalhar e, na altura de trabalhar, sabem fazê-lo. Isto não é só por causa de políticas educativas fantásticas e por causa de governos excepcionais. Isto é principalmente causado pela própria cultura do país. Enquanto que em Portugal os miúdos vão para a escola porque tem de ser e ficam lá a "secar" até tocar, nesses países os alunos vão para a escola "aprender", "trabalhar". Talvez, admito, haja um maior interesse por parte dos alunos nessa aprendizagem por causa de determinados factores: o leveza na relação aluno-professor (tratam-se pelo nome), talvez tenham matérias mais interessantes e, portanto, uma relação com a escola bem mais saudável. Mas isso não pode ser o único factor porque, por exemplo, no Japão tudo é extremamente rígido e eles são brilhantes à mesma.
Para mim, a solução passa, exactamente, pela mudança de mentalidades. Passa por mostrar aos jovens que a escola é importante, é o trabalho deles e que o que eles ali estão a fazer vai determinar o seu futuro. Esta mudança de mentalidades não se faz no secundário! Começa-se pelo sempre negligenciado ensino pré-escolar. Começa-se com pequenas coisas! Mania esta dos portugueses começarem as casas pelo tecto...
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ensino Universitário
Isto é um erro tremendo daquilo a que se pode chamar gestão do dinheiro. Até 2013 temos fundos da União Europeia para tentarmos, de vez, crescer de uma forma sustentada. Então, ao receber esses fundos, o que fazemos? Cortamos no ensino superior. O ensino superior realmente é um simples apêndice daquilo que é o desenvolvimento. Isso e o I&D, a cultura e tantas outras áreas "esquecidas". É preciso arranjar forma de, por um lado, alguns sectores se auto-financiarem, por outro, de conseguir atribuir fundos suficientes a estas áreas tão importantes no longo prazo. Por exemplo, porque não haver um sistema de pagamento de propinas com base nos rendimentos? Já que vivemos num Estado com o principio da solidariedade social... Não faz muito sentido que no ensino público uma pessoa pobre pague o mesmo que uma pessoa rica. Pode pensar-se que isto afastaria os ricos do ensino público e atirá-los-ia para o privado, mas isso é um erro. Em Portugal, ao contrário de muitos outros países, o ensino superior público é bastante melhor que o privado, a não ser em casos especiais (com o a Universidade Católica). Esta seria uma óptima forma de gerir o dinheiro das universidades, funcionando estas de um modo mais justo e mais sustentável. Provavelmente a qualidade do Ensino Superior até poderia aumentar e, deste modo, a qualidade dos nossos licenciados também.
Há coisas fantásticas
terça-feira, 24 de junho de 2008
(des) Acordo Ortográfico
(...) Tenho escrito sobre o Acordo Ortográfico porque há dois aspectos cruciais que não têm sido discutidos. Tanto os críticos como os defensores do Acordo Ortográfico parecem concordar nestes dois pontos: que uma reforma ortográfica bem feita e imposta legislativamente é legítima; e que a desejável aproximação entre o Brasil e Portugal se consegue dando um primeiro passo legislando sobre a ortografia.
Ora, parece-me que estas duas ideias são não apenas falsas, mas constituem o tipo de falsidades que denota um certo tipo de mentalidade que urge combater.
(...) Legislar sobre a ortografia com a esperança de que isso fará dialogar os linguístas, lexicógrafos, físicos, médicos e poetas dos países de língua portuguesa é como fazer uma lei que oferece chocolates para estimular as pessoas a fazer exercício físico em vez de passarem a vida a ver televisão comendo chocolates.»

Completamente de acordo em relação ao seu desacordo em relação ao Acordo. Como já disse anteriormente, vou fazer o máximo para comprar o máximo de livros antes de estes serem revistos. Depois disso... só alfarrabistas!
Zimbabwe e o sonho da Democracia

Robert Mugabe, que apareceu nos anos 80 como o salvador da Rodésia, cedo se apoderou do poder absoluto daquele que em tempos foi um dos territórios mais desenvolvidos de África. Em 1987, o Hitler africado instaurou um regime presidencialista, o qual passou a chefiar.
Este ano houve "eleições gerais". Houve por uns tempos a ingénua esperança de que a democracia iria pairar por aquele país completamente destruído em todos os sentidos. Todo o processo foi feito com base na intimidação. Numa corrida na qual a oposição ia à frente, muitas rasteiras foram pregadas, e com recurso à força, Mugabe acabou por passar a frente dos seus adversários. Na segunda volta das eleições, o seu opositor Morgan Tsvangirai viu-se obrigado a desistir. Neste momento o país enfrente uma inflação anual prevista de 5 000 000% e milhões de emigrantes e exilados que fogem àquilo que é o puro terror na África Austral. União Africana? ONU? Nem pio. Aquelas pessoas estão a ser deixadas ao abandono pela comunidade internacional e não se prevê uma intervenção nos próximos tempos. Por enquanto, a chacina continua.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Achmed - The Dead Terrorist
O Símbolo no Jovem Nietzsche - Convidado

«[...] Habita a Razão na identidade bem composta
ou na desleixada contradição? [...] »
In, A Sombra dos Momentos Felizes.[2]
1. A filosofia aborda a função simbólica da arte integrada na sua tarefa interpretativa (hermenêutica), num dos períodos do pensamento mais marcados pelo simbolismo e misticismo, referimo-nos ao romantismo alemão, como movimento civilizacional que formou as condições para o aparecimento da teoria nietzschiana.
Centramo-nos no conceito de símbolo tal como o jovem Nietzsche o tratou entre os anos de 1870 a 1873. Onde a transposição é apresentada como a categoria fundamental: “O símbolo é a transposição duma coisa para uma esfera completamente diferente”[3] indicando o transporte e a mudança de uma imagem e de um significado para outro âmbito. Sendo apresentado como um elemento essencial da comunicação que relaciona as diferentes grandezas em jogo na arte.
Se bem que, já desde Aristóteles a metáfora seja considerada como a transposição, que permite traduzir os elementos de realidades diferentes. A metáfora identifica ainda a mudança que os latinos classificam como ‘translatio’, o trânsito semântico, isto é, a alteração de significado. Em Nietzsche, o símbolo e a metáfora equivalem-se parcialmente enquanto processos artísticos, que estabelecem relações inventivas na criação da obra de arte.
Estando o símbolo próximo dos fluxos da vida, ele converte a música na categoria mais apropriada para retratar a multiplicidade da existência enquanto mudança e metamorfose. Por isso, o símbolo não é redurtivel à metáfora, pois a música tem um papel essencial na metafísica estética sem se subordinar à dinâmica das imagens.
Nietzsche trata a imaginação como a faculdade que estabelece a unidade entre as diferentes imagens através da invenção de suposições audaciosas. Diz a este respeito em A Visão Dionisiaca do Mundo: “[a fantasia] dá-lhe asas, um poder estranho e ilógico”. Assim estabelece comparações que transpõem os significados para domínios desconhecidos, como acontece com o uso da máscara, a qual em simultâneo revela e esconde a força da vontade, transfigurando e trocando uma identidade por outra.
Portanto, o símbolo a partir da acção transpositiva e transfigurativa une numa expressão os elementos sensíveis e metafísicos. Entende a mutação da vontade que se esconde e se manifesta na dinâmica natural da força e potência da arte, permitindo entender as suas próprias metamorfoses. Enfim, através da relação dialéctica entre a força e o significado (inerentes ao símbolo) podemos compreender as forças da natureza e o modo como estas transitam para a arte.
2. Ao investigar a origem do símbolo na força matricial que o sustenta, Nietzsche detecta que existe um fundo inconsciente. No plano da construção simbólica, o inconsciente está presente como um fundo orgânico ‘sapiencial’, que é necessário tornar consciente. Apesar disso, não existe para ele uma ponte segura para a transposição deste elemento para aquele. Pois o nível inconsciente não se deixa submeter aos princípios formais da lógica, que se apresetam como a panaceia onde se esconde a fragilidade do racionalismo abstracto.
Em contrapartida, Nietzsche considera que os impulsos cegos do organismo são transpostos de modo simbólico, primeiramente para as vivências sentimentais e depois para as actividades culturais; ou seja, o inconsciente é a fonte energética do processo simbólico. Identifica ele nessa potência subterrânea uma torrente que atravessa os sentimentos, que se constituem como referenciais semânticos com a capacidade de produzirem novos símbolos. Isto deve-se ao facto do sentimento traduzir o sentido interno, que percebe e orienta a intenção do instinto. Na perspectiva do nosso filósofo, todo este processo é indirectamente controlado pela vontade.
E, como se sabe, a categoria da vontade no jovem Nietzsche é claramente influenciada pela filosofia de Schopenhauer. Com efeito, ambos os filósofos concebem o ser e o mundo como entidades dinâmicas, pensando que o mundo é uma representação e manifestação da vontade.
Implicitamente, a noção de génio aparece aqui como a entidade “subjectiva” que sente a força da vontade a pensar com ele acerca da produção das novas formas; o que significa que o génio é o culminar dessa orgânica da vontade, procurando indirectamente dominar a ‘Força da Vida’, para a partir desse fundo inconsciente poder criar as formas simbólicas, as formas míticas, as formas poéticas.
3. No desenvolvimento de tal aspecto, o mito e a arte desempenham uma função simbólica acrescida, na medida em que Nietzsche os utiliza, altera e recria como narrativas e ilustrações do seu próprio modo de pensar. Logo, ao entender o que é essencial no pensamento deste filósofo, convertemo-nos em intérpretes dos seus mitos e dos respectivos símbolos artísticos.
No entanto, se já vimos como nascem os símbolos, agora convém observar como é que eles desaparecem. No prosseguimento dos românticos, o jovem Nietzsche critica a ausência das crenças míticas no que se refere à modernidade, revelando a decadência que é provocada pela luminosidade racional, a qual tudo quer explicar e desvendar, banindo o espaço da incerteza, da dúvida e do espanto. O mesmo é dizer que, o ‘Iluminismo’ [‘Aufklärung’] ao projectar uma compreensão das crenças, dos sentimentos e dos símbolos acaba por os destruir.
Na perspectiva de Nietzsche, o desaparecimento dos símbolos míticos leva à uniformização mental e à falência da civilização moderna que “perdeu a pátria mítica”,[4] por se ter desenraizado culturalmente das forças criadoras da vida.
Ao diagnosticar este ambiente de decadência, Nietzsche considera, no entanto, a possibilidade duma regeneração por meio do retorno nostálgico ao mítico, a partir de um diálogo vivo entre a música e a filosofia. Tudo isto porque a música é a área cultural em que os símbolos ainda vivem, constituindo-se assim como o centro regenerador da criação e do pensamento.
Aqui recorre-se à inspiração de Wagner, na medida em que este ousou pensar por meio de acontecimentos visíveis e sensíveis, através de um acentuado envolvimento mítico. Nietzsche considera que em Tristão e Isolda e na trilogia do Anel dos Nibelungos encontramos um género de narrativa dramática que desenvolve as ideias metafísicas sob a forma simbólica. A música constitui desta forma a nova inteligibilidade do pensamento sem negar a sensibilidade, permitindo reflectir sobre a arte a partir dela mesma. Pensa Nietzsche que a música de Wagner é um mote para a reflexão, possibilitando uma compreensão metafísica mais elevada do que qualquer filosofia já conseguiu.
Como corolário disto, Nietzsche considera que a música é o espírito que origina a obra de arte trágica, participando na génese do coro (que é o elemento da união mítica entre a música e a palavra). Deste modo, o mito é o elemento comum que permite estabelecer a mediação entre a tragédia grega e o drama musical wagneriano.
Posto isto, pretende Nietzsche uma fundamentação mais recuada, procurando na Grécia Arcaica as condições ideais da formação dos mitos da tragédia; é neste sentido que, propomos esclarecer sumariamente um dos mitos a que Nietzsche mais recorre. Trata-se com efeito da história de Édipo, que é o símbolo dionisíaco do homem trágico, encontrando-se em luta e sofrimento face à interpretação do seu destino. Essa figura mítica é concebida por Nietzsche de modo ambivalente, considerando que Édipo é uma máscara do sofrimento dionisíaco, mas também é o “símbolo da ciência” por interpretar os mistérios mais profundos da natureza humana.
Notámos que, Édipo escuta vatícinios horríveis acerca de si próprio; no entanto, à medida que se vai descobrindo, também o seu destino irracional é realizado. Este herói interpretou o enigma da Esfinge, e, ao revelar-lhe o segredo desmistificou-a, matando-a com as armas da razão. No fundo, Édipo representa a união do pensamento mítico com a emergência de uma reflexão simbólica e filosófica, por se apresentar como o intérprete e decifrador dos enigmas. Todavia, apenas aquele que está na posse da ‘ciência’ da interpretação dos símbolos pode decifrar o enigma com verdade. Neste caso, a ‘adivinha’ é apresentada pela Esfinge, que é a figura por excelência da razão enigmática.
4. Em analogia com esta concepção, Nietzsche apresenta Apolo como o símbolo da ilusão, do sonho e também da adivinhação. Torna-se deste modo evidente que Apolo se identifica com Édipo, por este herói e aquele deus partilharem uma faculdade oculta. Já na mitologia grega se relatava que Apolo era o deus do oráculo, que detinha os poderes de adivinhar o futuro. Com efeito, ele representava uma modalidade da razão que tinha por finalidade decifrar os mistérios. Ao investigar este aspecto, Giorgio Colli destacou que: “o enigma indica a origem da razão”,[5] a qual é mais misteriosa do que a racionalidade filosófica desejaria, uma vez que vem marcada por um conflito interno quase comparável ao da loucura.
Em contraposição a Apolo, Nietzsche aborda a figura de Dionisos como o símbolo dilecto do seu próprio modo de pensar filosófico e estético. Através de Dionisos o filósofo trágico representa o êxtase da embriaguez, o excesso, a criatividade, o movimento do eterno retorno, a paixão sexual e as forças naturais da vontade. Pretende Nietzsche compreender as forças que estão na origem dos símbolos e das obras de arte, presentando o dionisíaco e o apolíneo como paradigmas da relação dialéctica de luta e de união dos opostos. Procura dar respostas às confrontações entre as entidades polarizadas, tanto no plano natural, como no plano simbólico e metafísico. Deste modo, o conflito retrata a dissonância e o sofrimento tal como é abordado na obra trágica.
Teve Nietzsche a intuição de que na arte existe a comunicabilidade entre os diferentes níveis da realidade, descrevendo-os através da transposição da linguagem não figurativa (dionisíaca) para a linguagem figurativa (apolínea). Esses elementos diversos ora se unem, ora entram em litígio estimulando a produção das novas obras. De facto, o acto criador espelha e perpetua o conflito – Dionisos avança com a força desmedida, que Apolo equilibra através do saber configurador. A tragédia ática é precisamente o resultado dessa conciliação entre essas forças antagónicas. Diz Nietzsche em O Nascimento da Tragédia:
“Assim, a difícil relação entre o apolíneo e o dionisíaco na tragédia poderia realmente ser simbolizada através de uma aliança fraterna entre as duas divindades: Dionisos fala a linguagem de Apolo, mas Apolo, no fim, fala a linguagem de Dionisos: com o que fica alcançada a meta suprema da tragédia e da arte em geral”.[6]
Verifica Nietzsche que existe na tragédia uma forma de criatividade que leva à harmonização das duas figuras simbólicas, de tal modo que, as relações complexas dos princípios apolíneo e dionisíaco podem ser traduzidas numa aliança de recíprocas conversões linguísticas, que identificam a comunicação ontológica e estética. Enfim, este processo ‘dialéctico’ representa a transposição criativa: onde a vontade informe e dionisíaca se manifesta na linguagem da forma teórica apolínea, tornando assim fecundo o casamento entre estes princípios opostos. Nietzsche sublinha que a conciliação instintiva dos contrários se gera nos abismos da razão inconsciente, revelando assim uma cisão ontológica, que no plano biológico é traduzido pela luta e atracção entre os sexos.
Em suma, Nietzsche critica a racionalidade abstracta, mas em contrapartida, defende uma racionalidade que comporta as forças da vontade na sua transformação e contradição. De facto, trata-se de uma razão viva que é percorrida e animada pelos símbolos criadores da natureza, do mito e da arte. O que significa que, o problema do símbolo traduz as diferentes formas da razão orgânica se apresentar e comunicar, pois através do processo transpositivo ela estabelece a unidade no seio da metafísica estética.
Enfim, Nietzsche pretendeu desenvolver um pensamento ao serviço da renovação civilizacional. Considerando que o símbolo morre se não desenvolve a capacidade da constante criação dos seus significados. Daí o filósofo da tragédia ter sido o arauto da renovação que ainda está em curso, criticando na modernidade a desvitalização e a morte dos genuínos significados simbólicos.
[1] Este artigo sintetisa a minha dissertação de mestrado: A Natureza e Função do símbolo na Metafísica Estética do Jovem Nietzsche., apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 2000.
[2] Carlos Alfredo do Couto Amaral, A Sombra dos Momentos Felizes, Lisboa, Edições Colibri, 2000, p. 62 [obra poética].
[3] NIETZSCHE, Fragmento Postumo, Vol. 7, frag. 3[20].
[4] NIETZSCHE, Nascimento da Tragédia, Lisboa, Relógio D’Água, 1997, Cap. 23, p. 161.
[5] Giorgio COLLI, Après Nietzsche, Montpellier, Éditions de L’Échat, 1987, p. 36.
[6]NIETZSCHE, Nascimento da Tragédia, Lisboa, Relógio D’Água, 1997, cap. 21, pp. 139-140.
Leituras de Verão
O Atiçador de Wittgenstein, de David Edmonds e John Eidinow (Temas de Debates)É um fabuloso livro! Vou mais ou menos a meio e não consigo largá-lo. Uma história gira, uma óptima panorâmica do que era a vida nos meios intelectuais do século XX, óptimas biografias tanto de Wittgenstein como de Popper. Um livro excelente para este tempo de Verão. Recomendo.
domingo, 22 de junho de 2008
Estatística de Eleição
(...)O anúncio foi feito por José Sócrates na cerimónia de entrega do computador 200 mil no âmbito do programa e-escola, na Escola Profissional Gustave Eiffel.
De acordo com o Ministério da Educação, ao estender-se aos 7º e 9º ano de escolaridade, o programa e-escola vai abranger no próximo ano lectivo mais 380 mil alunos dos ensinos público e privado.(...)»
Uma medida cara como a do e-escola não pode ser tomada de ânimo leve. Para este programa, são utilizados fundos comunitários que podiam ser utilizados para mil e um fins diferentes. Apostou-se nisto por ser considerado melhor. Mas como podem saber que é melhor? Não deram nem um ano ao programa para ver se a coisa traz benefícios! Oferecer 200 mil até hoje já é imenso, já era bastante razoável para se avaliar o programa e os seus efeitos, mas alargar para o dobro é pura loucura! Vamos analisar alguns números. Apenas no serviço de banda larga, os estudantes do e-escola em condições normais têm um desconto de 5€ (os de baixos rendimentos pagam muito menos, mas vamos colocar todos como se tivessem rendimentos médios). 5€ por cada um dos 380 000 alunos dará ao Estado um encargo mensal de 1.9 milhões de euros. Ao fim do ano, isto fica pela módica quantia de 22.8 milhões. Não estou a contabilizar aqui os subsidiados e os apoios na compra dos computadores (sim, porque nenhum computador custa realmente 150€). Penso que é precipitado lançar o Estado para um encargo anual de 22.8 milhões de euros quando há um universo quase infinito de destinos para esse dinheiro todo.
Porque é que sinto que tudo isto é para fazer estatística para as eleições?
sábado, 21 de junho de 2008
Economia de Mercado? Nah...
Isto é gravissimo, está a abrir-se um precendente bastante mau. Uma economia de mercado (como se pretende que a nossa seja) é regulada pela procura e pela oferta. Se algo estiver a ser feito contra a lei, aí o Estado actua. Mas lucrar ainda não vai contra a lei! O Estado não pode pegar por aí! A coisa funciona de modo muito simples: o preço de um bem consiste na quantidade de dinheiro pela qual os compradores estão dispostos a comprar e os vendedores a vender. Como, ao que parece, com estes preços, ainda ninguém deixou de comprar gasolina e as empresas ainda não perderam dinheiro (só ganharam), o preço está perfeito onde está, segundo as leis do mercado. Se pegarmos por aqui, então também temos de aplicar um imposto extraordinário à banca, porque é imoral emprestar dinheiro a quem o pede... (vá se lá saber porquê) e também aplicaríamos um tremendo imposto aos agricultores devido à subida dos preços dos cereais! Não se governa assim! O Estado deve funcionar como Estado-Providência, não como Estado Totalitário, costuma dar mau resultado pelo que se tem visto...
Compreendo, no entanto, que a situação dos combustíveis é complicada... E as pressões dos partidos populistas são muito fortes... Suposto pois que tal imposto se aplica, para que reverterá esse dinheiro? Esta é a parte mais absurda: para apoio social e tal e coiso. Ora vejamos. Um imposto é aplicado porque as empresas petrolíferas estão a lucrar muito com a especulação. Essa especulação não é coisa nossa, é coisa do mundo todo, e não se espera que diminua nos próximos anos... Por que não aplicar o dinheiro desse imposto na investigação de energias alternativas e no investimento nestas, de modo a criar uma alternativa à causa do imposto? Não sei... eles lá deverão ter uma ideia...
Na minha opinião é realmente verdade que os preços estão demasiado altos, e isso é feito por causa de um aproveitamento de oligopólio para controlar o mercado. Mas não é a aplicar impostos estúpidos que a coisa vai lá. É preciso é que seja provada a cartelização e haja processos sérios em tribunal para que o Estado (e com Estado, refiro-me, obviamente, a todos nós) seja indemnizado por ter enchido os bolsos da Galp e da BP.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Qual Ratzinger?

«A man kissed the body of his two-year-old son, Akeel Faisal Ghazi, who was killed in the minibus bombing the Huriya district. The attack was the deadliest blast in the capital in more than three months. The hospital issued gloves to the people who were handling the bodies and remains of the victims.» [The New York Times]
Desmistificar os Exames
Há uns tempos, no Quarta República, houve uma pequena discussão sobre o assunto sobre os "especialistas" que dizem que os exames são a pior coisa que há para as mentes jovens (aqui). Quartos desarrumados, stress constante. Conversa! Os exames são necessários e importantes, até para haver justiça nos acessos à faculdade e para que os estudantes possam provar aquilo que sabem. Mas nem tudo são rosas.
Hoje a crónica do Carlos Fiolhais (disponível aqui) só fala do facilitismo dos exames. Os alunos, ao que parece, fazem um exame nacional com uma perna as costas e as mãos atadas! Rídiculo! Porque é que os intelectuais gostam tanto de ser radicais? Os exames nacionais não são fáceis! Isso é conversa de quem não os faz... Caros professores doutores extremamente empenhados em assuntos da educação e em desvalorizar aquilo que é um exame nacional, os exames são bastante tramados, por vezes. Se calhar para um tipo de 10, 11 ou 12 é facílimo manter ou até subir, mas para os 17, 18, 19 é dificílimo! Os critérios de classificação por vezes estragam completamente a nota de um aluno brilhante que fica com o acesso comprometido por causa de picuinhices!
Vamos lá pensar um bocadinho antes de andar para aí a dizer disparates!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Fim do Ópio!
Finalmente! Já não era sem tempo de saírmos daquela porcaria daquela competição! Coisa triste que o nosso espírito patriótico só surja quando meia dúzia de novos ricos se metem num campo a jogar. Seria óptimo que agora que saímos do Campeonato as pessoas deixassem as bandeiras nas janelas, mas sabemos que isso é impossível. Miséria!Almada como nunca a vi
Morto mas pouco
«Parlamento britânico ratifica Tratado de Lisboa
Neste momento até eu estou um pouco dividido. Mas tendo para o "sim" depois de ler este excelente post do Corta-fitas escrito pelo Luís Naves
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Uma Directiva necessária
Este post do Ponta e Mola sobre a Directiva do Retorno aprovada hoje pela União Europeia fez-me pensar sobre o assunto. Eis aqui, reformulado, o comentário que deixei no blogue do amigo Al Kantara.Uma lei de imigração forte e restritiva é essencial para o desenvolvimento de qualquer país ou região que já seja minimamente desenvolvido. Se por acaso, de um momento para o outro, houvesse total liberdade para quem quisesse entrar na UE, isso daria azo a enormes problemas económicos e sociais. Bem sei que existem imensas disparidades a nível de desenvolvimento no mundo, bem sei que é legítimo que quem vive em fracas condições tente melhorar a sua vida, no entanto, isso não pode ser através da emigração ilegal. Imaginemos que não existiam leis de imigração, quais seriam os impactos? Chegada massiva de população da África, Ásia e América Latina à Europa. Um continente sobrelotado. A economia não iria conseguir dar resposta a tanta população. Os excedentes de mão-de-obra iriam levar o desemprego a taxas nunca antes vistas e a escassez de bens a níveis de inflação como não se sente desde a Segunda Guerra Mundial. Estes dois factores juntos levariam a pobreza e, consequentemente, criminalidade. A Europa iria desmoronar-se em três tempos e tudo pela falta de zelo nas fronteiras. Isto não é racismo ou xenofobia, nem da minha parte nem da parte da União Europeia, que diga-se, é o bloco económico que, a nível mundial, mais ajudas dá aos países subdesenvolvidos. Isto é apenas uma questão de bom-senso com vista a não prejudicar centenas de milhão de pessoas apenas por serem mais desenvolvidas. Deve apenas ser autorizada imigração legalizada pois, assim, as economias terão possibilidade de "absorver" os imigrantes, os quais viverão nas mesmas condições (idealmente, como é óbvio, bem sabemos que o racismo e a xenofobia não são coisas da TV) e que, ao enviar remessas para os países de origem poderão ajudá-los. Por vezes é necessário pensar um bocadinho para perceber o que os que mandam fazem...
O Sonho Europeu - Jean Monnet
Agora que tanto se fala do Tratado de Lisboa, pensei em ir ao baú da Europa, procurar quem teve a culpa da criação do maior bloco económico do mundo. Pelos vistos, a Europa é um bocadinho estranha, tem dois pais. Hoje vou falar apenas do pai francês Jean Monnet, para uma próxima ficará Robert Schumman.Nascido em 1888, em França, o pequeno Jean Monnet estava destinado a trabalhar no negócio familiar de cognac. No entanto, desde muito novo mostrou aptidão para uma verdadeira carreira diplomática. Aos dezasseis anos foi para Inglaterra, aprender inglês. Aos dezoito, o pai envia-o para o estrangeiro, ao serviço do pequeno negócio familiar, nessa ida ao estrangeiro, o jovem Jean vai à Escandinávia, aos Estados Unidos, ao Egipto ao Canadá e à Rússia.
É em 1914 que começa o seu serviço à nação, não no plano militar, mas no plano diplomático. Ele propõe ao Presidente do Conselho que criar um plano de coordenação entre as nações aliadas. O plano é posto em prática e os Aliados vencem.
Devido ao seu contributo na resolução do conflito, Jean Monnet é convidado para integrar a Sociedade das Nações à data da sua fundação, em 1919. Ocupa o cargo até 1923, altura em que sai para se dedicar ao negócio familiar. Neste período ele ajuda a estabilizar a situação de vários países, nomeadamente na Europa Oriental.
No fim da sua vida dedica-se a escrever as suas memórias. Morre em 1979, sendo os seus restos mortais depositados no Panteão Nacional francês.
Gostaria de no fim deixar duas frases repetidas por Jean Monnet que são verdadeiramente inspiradoras:
"Je ne suis pas optimiste, je suis déterminé"
"Il y a deux catégories d'hommes : ceux qui veulent être quelqu'un et ceux qui veulent faire quelque chose"
Ainda me queixo da política à portuguesa!

O blogue é este.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Maio 68
http://instantesdecisivos.wordpress.com/2008/05/23/na-margem-da-rebeliao/
Nem tudo tem de ser sério
Deixo aqui a imagem que mais gostei:
Educação Sexual
Alpinismo ou simpatia?
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Isto está feito para os burros!
«Associação denuncia regras injustas nos exames nacionais, mas ministério desmente
(...) A AEXAMES explica que, com a passagem, em 2004, da 2.ª fase de exames de Setembro para Julho, permitiu-se que os estudantes possam usar as notas desta fase na 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior.
Excluíam-se, contudo, as repetições na 2.ª fase, de exames realizados na 1.ª, quer para aprovação quer para melhoria. Desta forma, igualavam-se as oportunidades no concurso à 1.ª fase.
Em 2008, desapareceu a norma que impedia a utilização, na 1.ª fase de acesso, de repetições no mesmo ano para aprovação. Desta forma, um estudante, ao reprovar na 1.ª fase de exames, pode repetir a prova na 2.ª fase, concorrendo à 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior.
Manteve-se, no entanto, o impedimento de utilização das melhorias de classificação realizadas na 2.ª fase de exames na 1.ª fase de acesso.»
Medalhas de Consolação
Santana Lopes, que para Cavaco Silva era má moeda, não vai ao congresso nem quer ser autarca, já só quer que Cavaco Silva lhe dê uma medalhinha no próximo 10 de Junho. Vamos ter o Lopes das medalhas.»
A morte, a reencarnação e a ciência
Quando morremos, tudo aquilo de que somos feitos se espalha por aquilo a que comummente chamamos Natureza. Todo e qualquer bocadinho de nós é incorporado noutras vidas, animais ou vegetais. Isto é um facto científico. Por isso, porque não acreditar numa "reencarnação", acreditar mesmo naquela velha e ultrapassada história que os nossos ente-queridos andam por aí a vaguear? Bem sei que isto deve ser alguma pseudo-ciência e pode ser considerado uma tentativa de validar as coisas escritas pelos teólogos, mas é um assunto que me fascina um pouco. Por exemplo, os monges budistas, pelo que vi no Canal História há uns tempos, quando morrem, são colocados no deserto para serem comidos pelos animais, assim darão o seu último (ou não) contributo à Natureza. Ideia tão reconfortante esta de que todos aqueles que já existiram e que existiram estão por aí, à espera de serem "montados" de forma a darem lugar a uma pessoa como nós.
domingo, 15 de junho de 2008
Diz que foi a 78ª
Tudo começou com um Metropolitano estragado, parado, que me fez ir a pé desde a Baixa/Chiado até ao Parque Eduardo VII. Quando entrei vi, com tristeza, um ecrã gigante no mesmo sítio daquele bazar de conhecimento. Que contraste! T-shirts e cachecóis de um lado, óculos e cachimbos do outro. Mas a partir daí tudo foi gáudio e alegria.
Banquinhas bonitinhas, coloridas, a abarrotar de páginas à espera de ser lidas a preços sedutores. Numa volta - numa das muitas - pela feira, comprei O Atiçador de Wittgenstein por uns amáveis 7€. Quando estava numa das outras voltas uma coluninha faz-se ouvir, oiço na mesma frase "José Saramago", "autógrafos" e "Espaço LeYa". Corro. Pego num Ensaio Sobre a Cegueira, o qual andava desejoso por ler. Depois, desilusão. A fila tinha fechado, o autógrafo do esquerdino Nobel ia ter de ficar para o ano... Talvez para os outros, eu não saía dali sem um autógrafo bem autografado na segunda página do meu mais recente livro. Fui à fila e pedi à última rapariga se o podia levar para autografar. "Não faça isso!". Era o segurança. "Mas é o Saramago!" retorqui. Depois de 2 minutos de conversa o afável senhor lá fechou os olhos à minha prevaricação. Alegria! Tinha uma obra-prima da literatura portuguesa, em desacordo com o acordo do qual discordo, e com um autógrafo de uma das mais emblemáticas figuras do século XX para toda a humanidade. Assim terminou a minha visita ao mais maravilhoso evento da nossa bela praiazinha.
Para o ano, lá estarei, o livro autografado será A Viagem do Elefante ou O Envagelho Segundo Jesus Cristo, quem sabe? Decerto virei para casa com mais uma segunda página assinada.
P.S.: Caro Al Kantara, quando passei pela banca das Edições Avante vi o livro que me recomendou e considerei seriamente comprá-lo, não o fiz, talvez o compre na Festa do Avante em Setembro. Aposto que é do máximo interesse.
Os japoneses são brilhantes
O que simples imagens nos dizem...
sábado, 14 de junho de 2008
Brilho de Wittgenstein
Era uma vez um Tratado
Toda a gente diz que devia ter havido referendo em Portugal, não discordo. Mas e se houvesse? Estou mesmo a imaginar:
PCP e BE - "Este Tratado vem contra os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos!", "Porquê?", "A Luta continua! O povo está na rua!" - E ficaríamos esclarecidos
PS - "Este Tratado trará óptimas vantagens para Portugal, é necessário que votem sim!", "Porquê?", "Penso não ser altura para responder aos jornalistas..." - E a nossa sapiência aumentava imenso.
PSD e CDS - "Nós achamos que o governo está a governar mal! O governo tem de ser demitido por sua excelência e majestade, o Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, que Deus o guarde", "Então e o Tratado?", "Isso é só uma forma de o engenheiro Sócrates ter uma carreira projectada para a Europa", "Mas concorda ou não?", "Agora temos de dar por finda a conferência porque o senhor Portas está a ficar pálido e a Dra. Manuela tem de ir tratar da neta"
Sou fascinado pelo Livre-arbítrio vs. Determinismo
sexta-feira, 13 de junho de 2008
O problema da escassez e a necessidade de Estado
O Homem, nos primórdios da sua existência como espécie, viveu num completo Estado de Natureza, semelhante ao de outros animais actualmente. Um dos grandes problemas da Filosofia é o "porquê" da transferência do Estado de Natureza para o Estado como o conhecemos actualmente. Houve uns senhores brilhantes que dissertaram longamente sobre o assunto. Eu, sendo menos brilhante, gostaria de falar um pouco sobre isso aqui.
In the beggining, o Homem vivia como um simples mamífero actual vive: buscando a sua subsistência. Ora, para subsistir, o Homem procurava recursos, que sendo escassos, eram procurados por outros homens e outras espécies. Criavam-se, então, conflitos de interesses entre os vários indivíduos envolvidos. Sendo detentor de um corpo fraco mas de um cérebro forte, o Homem teve necessidade de se organizar para poder subsistir (a cooperação para se poder competir - curiosamente é um belo princípio económico da actualidade). Mas nenhuma organização consegue vingar numa anarquia, então, criaram-se as primeiras autoridades, provavelmente os mais fortes ou os mais inteligentes, as quais geriam estas pequenas organizações. Isto trouxe tudo aquilo que o Homem precisava: possibilidade de subsistência através do consumo e através da protecção da sua "comunidade". Obviamente estas "comunidades" inicialmente nómadas, depois sedentárias, evoluíram e tornaram-se verdadeiras "sociedades" - os primeiros Estados.
Esta é a minha perspectiva sobre o assunto. A Filosofia Política devia ir mais vezes aos fundamentos económicos.
Custos de Oportunidade
Há muito tempo que considero que a nossa economia é como um castelo de cartas. Tentamos competir com os outros nos sectores mais avançados, mas as bases da economia são de puro papel. Podemos vender software para a NASA mas nem caminhos-de-ferro dignos desse nome temos. Nestes cinco anos de injecções de dinheiro que nos restam, é preciso pensar muito bem onde aplicar o dinheiro que nos chega.
Será que as obras públicas de grande evergadura como Alcochete ou o TGV são a solução? Talvez. Mas não constituem tal solução sozinhas. Há que ver muito bem se há dinheiro para apostar nessas provas de grandeza e, ao mesmo tempo, desenvolver tantos sectores tão importantes como a marinha mercante (da qual já falei), o transporte ferroviário de mercadorias, a pesca (para que possamos para além de encher o mercado nacional, exportar) e uma indústria transformadora que prima pela qualidade em vez da quantidade. É do conhecimento geral que o nosso modelo económico baseado em mão-de-obra intensiva está esgotado, pelo menos para nós, pois em mão-de-obra não competimos certamente com os asiáticos. Há apenas uma forma de competir: qualidade! Os têxteis e o calçado não morreram! Muito pelo contrário, ouvi recentemente a Fátima Lopes (a mais rica das duas) dizer que a marca Portugal é cada vez mais reconhecida. Porque não criar produtos de qualidade para competir no mercado internacional do luxo, esse belo mercado que tanto valor acrescentado tem para nos dar! É fulcral investir em alicerces sólidos para que, quando vier uma ventania, o castelo de cartas não se destrua.
Ainda temos mais um bocadinho de um mandato e depois um mandato inteiro para aplicar tão largas quantias de capital, por isso, PS ou PSD tratem de pensar no assunto.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Imposto Especulado
Ler mais e pior!
As marinhas mercantes e o desenvolvimento económico
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Como destruir uma economia em 10 minutos
Há algo muito interessante na realidade portuguesa, que provavelmente se estende a outras realidades ocidentais, que é a divulgação das contas nacionais pelos meios televisivos. Ora todos os anos a amiga SIC, RTP e TVI noticiam a taxa de Inflação. Nada contra. O pior vem depois. A maioria dos comerciantes portugueses não tem qualquer tipo de conhecimento básico sobre mecanismos económicos e o que é que faz quando vê 2% na televisão? Aumenta todos os preços da mercearia em 2%, como alguns preços ficam muito feios, os merceeiros arredondam os preços (sempre para cima) - foi o que aconteceu com o euro, lembram-se?
Isto à partida não tem muito mal... os merceeiros estão em vias de extinção e terem um lucrozinho extra é sempre positivo. O pior são os efeitos "escondidos". Ao fazerem isto, os merceeiros vão aumentar ainda mais a inflação e o poder de compra dos cidadãos diminui. Estes exigem aumentos salariais para cobrir esta perda e recebem o apoio dos sindicalistas (competentes os nossos, hein...). Os governos com medo de perderem popularidade, tratam de fazer a vontade e aumentam os salários. Um aumento de salários vai aumentar os custos de produção, aumentando novamente a inflação. Tudo isto se passa num ciclo vicioso com aumento de preços sem aumento de valor. A economia começa a perder força e competitividade e, em última análise, poderá sofrer um colapso. Há que ter cuidado...
terça-feira, 10 de junho de 2008
Quem já paralisou que atire a primeira pedra!
Sou a favor da manifestação (ou manif. como dizem os modernaços) mas há mínimos! Para alguém se manifestar, convém que haja um motivo, convém que se manifeste contra as pessoas certas e convém que o faça de forma respeitosa e democrática. De todos estes requisitos mínimos, só um é preenchido, o do motivo. Mas esse motivo, biliões de pessoas no mundo partilham! E mesmo assim muitos nem motivo têm porque vejamos, os empregados das empresas de transporte não sofrem com os aumentos dos combustíveis na sua profissão, quem sofre são os patrões, portanto que venham os patrões reclamar e não mandem os empregados fazer o trabalho sujo.
Coisa linda é ver certas coisas na TV, a minha amiga dos serões. "O senhor pode ir, mas eu não me responsabilizo" é uma pérola da atitude democrática. "Vai a vontade, mas depois não digas que não te avisei!". Por favor, já estou como o Tiago Barbosa Ribeiro do Kontratempos, quando é que começam as detenções?
A Raça
Quando ontem vi na televisão o nosso ilustre Presidente da República referir-se ao dia de hoje como o Dia da Raça tive a estranha sensação que a Assembleia da República iria ficar em profundo alvoroço... Não me enganei, hoje o BE e o PCP, influentes partidos na cena política nacional "reagiram".
Já é tempo de abandonar os tabus. Sou profundamente contra o fascismo mas não temos de nos inibir deste tipo de coisas porque aí teremos uma ditadura sem ditador. Dia da Raça, Ponte Salazar, estátua em Santa Comba Dão, Museu, venham eles! Como disse Roosevelt, é bom que haja o máximo de documentação sobre tudo para que nada seja esquecido!
Inauguração
Espero poder ter neste blogue textos de qualidade e sem "gralhas". Certamente que estarei aberto à crítica e à mudança, caso assim o entenda.



