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O Afilhado mudou-se para aqui.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Diga lá excelência

O Professor Cavaco Silva vai hoje, pelas 20h, falar ao país em todas as televisões. Toca a ouvir, porque para ele vir falar à televisão é porque vai malhar no Sócrates.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Erro por erro

O debate que está a decorrer à volta do post do Daniel Oliveira sobre o RSI está a roçar o ridículo. O que todos estão a tentar fazer é justificar um erro com outro erro, como se tal tivesse fundamento. Uns dizem que não interessa que se atribua mal o RSI porque há bancos que não pagam impostos. Outros desculpabilizam os bancos da falta de contribuição para o Estado Social e falam mal do RSI por existir e não por ser mal aplicado. Vou aqui reproduzir, adaptado, o comentário que lá deixei (o segundo).

Isto é claro como a água:

A banca paga poucos impostos .
Muito do RSI é mal aplicado .

Podem agora vir com estupidezes de direita e de esquerda (pergunto-me se algum dos que aqui se referiu a direita e a esquerda percebe realmente a diferença, quando diz que o PS da actualidade é esquerda e o PSD direita) que isto é para-partidário, porque já passaram governos de “esquerda” e de “direita” e nada mudou. É tão simples quanto isto: tem de haver mais fiscalização na banca para que esta contribua mais para o Estado Social que tantos querem e tem de haver uma atribuição do RSI mais rigorosa para que não se verifiquem situações, como eu escrevi no outro comentário, de beneficiários de RSI e de habitação social com brutos carrões à porta e playstations “pós putos”.

Muita da habitação social que é DADA a pessoas de todas as etnias (sim, não são só ciganos e pretos) é dada por uma questão de “cosmética urbana”. Algumas pessoas que moram em bairros sociais têm tanta possibilidade de comprar casa como os outros, apenas não o quiseram fazer, vivendo em habitações clandestinas e habituando-se a esse modo de vida (parecendo que não, uma casa ainda é uma coisa cara que se paga todos os meses). Por isso volto a dizer, muita da Justiça Social é na verdade injusta.

Uma realidade que entristece

É triste. É isto que penso sempre que oiço numa conversa alguém insurgir-se dizendo O Homem tem de ganhar mais que a mulher ou O Homem tem de ser mais velho que a mulher para ser um bom chefe de família. Dá-me francamente uma pena imensa saber que num século sinónimo de progresso, O Século Vinte e Um, existem duas realidades. Uma reconfortante em que famílias modernas dividem tarefas e não pensam em quem ganha mais ou em quem tem mais anos. Uma triste em que os Homens querem dominar e as mulheres querem ser dominadas. Sim, porque não é apenas problema de quem é Homem, é também problema de quem é mulher que, sem querer, solta um comentário maxista como Que vergonha é o Homem que toma conta das crianças enquanto que a mulher vai trabalhar. O que mais me preocupa é que as pessoas dizem isto como se de uma verdade absoluta se tratasse e acham uma anormalidade o contrário, contra-natura. O Homem trabalha, vai à procura da vida, a mulher trabalha e para além de trabalhar no trabalho trabalha em casa e trabalha no trabalhoso trabalho de tratar dos filhos. Vivemos numa sociedade em parte maxista que se contradiz, em que os Homens, querendo ter fama que trabalham mais, acabam por trabalhar menos, muito menos, que as donas-de-casa. E é por os filhos serem educados pelos padrões de educação dos pais e dos pais dos pais e dos pais dos pais dos pais que não vejo fim à vista, vejo apenas resíduos de uma mentalidade antiga que tal como uma relíquia alguns fazem questão de guardar. Sejam felizes.

Finalmente se premeia o mérito

Por uma questão cultural, que obviamente não pode ser da responsabilidade de ninguém em particular, nas escolas portuguesas, os bons alunos são os "crânios", os "nerds" e os "geeks". Não é bom ser inteligente, o futuro não interessa, o que interessa é o presente: o estilo, as namoradas, a porrada, o estatudo. Isto deixa os alunos sem qualquer motivação para serem bons, dado que a recompensa está lá tão longe: na carreira. Ouso dizer que este é um dos motivos do insucesso. Felizmente, esta é uma situação alterável, basta apenas meter qualquer coisa no outro prato da balança e nada melhor que verdinhas. É verdade, soube (via Jumento) que a Nossa Senhora da Educação e o seu ministério, decidiram dar um prémio monetário que se destina a premiar o melhor aluno a acabar o secundário em cada escola. O prémio será bastante "jeitoso", sendo o valor 500€. Aplaudo. É evidente que é um passinho curto para aquilo que é necessário que é uma cultura que reconheça o mérito, no entanto, é um passo louvável. Continuo a achar, como já escrevi anteriormente no blogue, que tudo isto se deve à mentalidade e à cultura e nada melhor que atacar a montante: nos jardins de infância e nas famílias e, quem sabe, através da televisão que molda tanto as crianças desse Portugal imenso. De qualquer modo, palminhas Maria!

P.S.: ainda não tinha escrito nada aqui por já ter escrito em alguns comentários noutros blogues e, admito, alguma preguiça, de qualquer modo, acho ridículo aquilo que fizeram a' O Jumento. Apesar de muitas vezes não concordar com alguns pareceres que se escrevem no palheiro, a importância daquele blogue na blogosfera portuguesa é incontornável e só gente muito mal formada poderia ter "assinalado o blogue". Desejo boas mudanças para o wordpress Jumento, por ora eu vou ficando pelo blogger. Deixo aqui uma imagem original do Blogotinha e publicada também, adivinhem, n' O Jumento:

Mentiras

Eu não sei se viram o PM a apresentar o computador "magalhães", mas aquele catarro mostra que a história de largar o tabaco foi tanga.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Inventado, mas pouco!

Radovan Karadzic anda nas bocas do mundo por ter conseguido, sob disfarce, fugir à Justiça. O giro, se giro se pode dizer nestas situações, disto tudo é que o disfarce não foi inventado, mas sim roubado. Segundo o Público de hoje, o médico Dragan Dabic era não mais que uma mistura de um verdadeiro médico e um verdadeiro Dragan Dabic. O médico, chamado Peter Glumac, tem exactamente a mesma aparência que Karadzic apresentava na detenção. O verdadeiro Dragan Dabic é um construtor civil. Treze anos, este disfarce durou treze anos. Como é que é possível nunca ninguém ter notado semelhanças demasiadas entre os dois "médicos" e demasiadas coincidências entre o "médico" e o construtor. Enfim, apenas fico contente por repetir o que tantas vezes já foi dito: a justiça tarda, mas não falha!

Devaneios Salazarentos

O Ministério da Saúde anda com devaneios salazarentos e quer agora a exclusividade dos seus médicos. Que é que o ministério vai fazer? Pagar um complemento de exclusividade como o dos deputados? Oferecer benefícios não monetários? Não, vai decretar.
E é isto a nossa "democracia", faltam médicos no público? Proíba-se que trabalhem no privado! Isto faz lembrar o antigamente, em que os funcionários públicos só podiam ter esse emprego, procurando trabalhinhos extra à margem da "lei".

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Bocas Alheias (3)

O mistério da minha rua - Cristina Ferreira de Almeida no Corta-fitas - um retrato social brilhantemente escrito.

O PSD deveria governar sozinho - Bruno Alves n' O Insurgente - uma excelente análise.

Coisas da Sábado: o fácil nome de Racista - JPP n' O Abrupto - a qualidade de JPP aliada a um texto muito bom de Paula Dias.

Do Revisionismo Histórico - Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos - uma reposição da verdade, ou não, a discussão prossegue com novos factos.

We Love Beijing - Rui Bebiano n' A Terceira Noite - uma crítica aos activistas de uma causa só em geral e aos ambientalistas em particular.

Palminhas!

José Sócrates discursou em Vila Real. No meio do discurso fez uma referência a Leonor Beleza e sobre o seu trabalho como ministra da saúde nos anos 80. Tiro-lhe o chapéu. Não me lembro de algum primeiro-ministro, ministro ou líder de oposição ter tido a coragem de assumir um bom trabalho de uma força política que não seja a sua. Palminhas, José!

Um caminho sem Retorno


O Público divulga online uma reportagem de Sérgio Aníbal sobre o aumento do intervencionismo no mundo inteiro e, particularmente, nos EUA - expoente máximo da economia de mercado.

A verdade é que todos os países, mais ou menos liberais, estão demasiado colados à imagem de um estado protector que auxilia em situações de aperto. Esse estado não pode defraudar as espectativas dos amados eleitores e trata de fazer o que se lhe pede. O problema é que tudo isto entra numa tremenda espiral e colocam-se, portanto, sérios problemas. Enquanto que em Portugal o que se vai fazendo são medidas de apoio à população, para estimular as "famílias" do ponto de vista económico, noutros países como a Alemanha, a Inglaterra e os EUA, não se faz mais nada: nacionaliza-se empresas em dificuldades.
A culpa da crise não é da falta de um Estado Providência (ou comunista como alguns ainda sonham). A culpa da crise é da incompetência do Estado Polícia. A verdade é que cada empresário na sua actividade tem uma visibilidade limitada sobre o que se passa no mercado. Uma construtora quando constrói um prédio não vai adivinhar que vai contribuir para um excesso de casas que levará o mundo a um colapso. A única entidade que consegue olhar "de cima" para tudo é o próprio estado, que deve avisar para os problemas que podem advir de algumas actividades económicas.
Tenho sérias dúvidas quanto à validade destas "intervenções". Muito bem, aqueles três países continuam com aquele banco, e depois? Não sei se as consequências de um tão acentuado intervencionismo não serão preversas. Afinal, o que se está a fazer é tão-só transferir os prejuízos de uma empresa dos empresários para os contribuintes - famílias. Sei que a falência de um banco traz enormes consequências numa economia, só não sei se as consequências de uma nacionalização não serão piores.

Já agora: recomendo novamente o texto do Rui A., no Portugal Contemporâneo: O Caminho para a Servidão.

domingo, 27 de julho de 2008

Criancices

Fico absorto com algumas peripécias parlamentares. Um ex-deputado apresenta um pacote de medidas contra aquilo que todos, tirando os que dela se aproveitam, odiamos: corrupção. Que é que o PS faz? Recusa, simplesmente por terem sido apresentadas por João Cravinho, o traidor. Alberto Martins não disse mal do "pacote", disse mal do autor: ad hominem no seu melhor.

A Frase (4)

"Perguntou-se a José Saramago:
– Como podem homens sem Deus serem bons?
Sua resposta foi:
– Como podem homens com Deus serem tão maus?"

(via Wikiquote, obrigado pela dica Daniela)

Ideias para o país

No nosso desertificado interior existem escolas que funcionam só para meia dúzia de crianças. Não seria melhor o investimento se se criassem escolas "centrais" que fossem buscar as crianças a casa com "school buses" à americana. De certeza que a educação ficaria um bocadinho mais barata.

Eu também!


Depois da frase veio o acto. Não gosto da demagogia tão característica de Portas, mas nesta questão dou-lhe toda a razão. A atribuição do Rendimento Social de Inserção tem de ser investigada. É vergonhoso constatar que algumas pessoas que trabalham recebem escassos 400€, que têm de se ver esticados para cobrir as prestações da casa, as contas da luz e da água, para além de todas as despesas da praxe e que algumas pessoas, outras, não trabalham, ou fingem não o fazer, e recebem quase o que os que trabalham por pouco recebem, sem ter de se preocupar com casa, água, luz e com tantas outras despesas que o Estado Social no meio de toda a sua solidariedade faz questão de custear. Penso realmente que tem de se dar apoio a quem está em situação difícil, mas, como diz a Fernanda Câncio, não exageremos.
Já vai sendo tempo de o Estado Social dar lugar ao Estado Justo em que a bem da equidade não se tira a quem trabalha para dar a quem, trabalhando, não quer que se saiba.

sábado, 26 de julho de 2008

A Frase (3)

«O conhecimento tornou-se a moeda de troca mundial» (Peter Drucker)

Vai Sonhando Mário...

«Mário Soares defendeu ontem, em Sesimbra, que a vitória do candidato democrata Barak Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, pode representar uma viragem nas políticas neoliberais que têm sido seguidas nos países ocidentais nos últimos anos.(...)»
A idade vai pesando e o juízo vai começando a ir embora. Barack Obama até pode ser de uma esquerda, mas a esquerda a que pertence Obama não é igual à esquerda a que pertence Soares, Chavéz, Fidel e tantos outros que cá estão, cá estiveram ou cá estarão. A esquerda de Obama é uma direita mais suave. Desenganem-se os sonhadores que pensam que com Barack Obama a base da política e da economia americanas vai mudar. Tudo vai ser o mesmo, apenas com um bocadinho mais de charme.

Liberdade de Expressão?


Com medo de repisar um assunto já tão debatido pela amiga televisão, pela menos amiga rádio e pelos compinchas blogues, vou falar do livro do Gonçalo Amaral.
O caso Maddie levou os portugueses a sentir de tudo um pouco. Havia aqueles que nas primeiras semanas vendiam pulseiras e aplaudiam os pais na rua. Havia aqueles que, nas tertúlias de café ou nas pausas do trabalho diziam com ar desconfiado que naqueles pais qualquer coisa cheirava mal. Havia a Fátima Lopes, guerreira das boas causas que todos os dias lembrava "a menina" nos seus programas. Havia um Portugal que na sua pequenez tinha espaço para todo o tipo de opiniões e sentenças. Mas, apesar de todo Portugal ter o seu parecer, tão comum à "raça" opinativa que é a lusitana, a última palavra ficava para as autoridades, o mesmo será dizer, para quem sabia. O problema é que quem se pensa saber, sabedoria tem pouca, e este alvoroço mundial, esta montanha, pariu um rato: o caso foi arquivado. Gáudio para os jornalistas e investigadores a recibos verdes que puderam ir vasculhar no que no segredo de justiça se encontrava para poderem alimentar telejornais de uma hora durante este tonto Verão. O pior é que numa época tonta, também as pessoas ficam tontas e rapidamente ultrapassam a barreira do razoável. Essa barreira é aquela que divide a simples opinião pessoal, pública, mas pouco, e a acusação improvada, vulgo, a calúnia.
Gonçalo Amaral teve oportunidade de resolver o caso, pobre dele que não o permitiu a incompetência. Mas o senhor não se ficou, ou vai ou racha, e decidiu publicar um livro com a sua tese de sempre, que até pode ser a mais certa de todas as que se fizeram, mas pela falta de provas fica reduzida a um crime. A questão é que tornar pública uma tese enquanto se dirige um caso ainda aberto é "investigação" , tornar pública uma tese incriminatória depois de dados inocentes todos os envolvidos é simplesmente parvoíce. É disso que temos excesso: parvos. Parvos que não sabem, a mal de muitos, o que é a liberdade de expressão.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ideias Liberais (5)

EU VOU! ao último festival do verão, aliás, à Festa do Avante!... Há coisas que nunca mudam.

A Falácia do Trabalho Flexivel


Existe uma constante no funcionamento das economias: a necessidade do factor trabalho. Apesar do imenso investimento em capital feito, principalmente desde a Revolução Industrial, nunca deixou de ser necessário o trabalho. A atestar isto está o facto de, apesar de termos infinitas vezes mais máquinas que no período anterior ao da Revolução Industrial, a esmagadora maioria de nós continua a ter emprego. É, portanto, ponto assente que, dê lá por onde der, vai ser sempre necessário trabalho numa economia.
Aqui entra a questão do trabalho flexivel. Muitos sindicalistas e experimentados economistas de uma extrema-esquerda, caviar ou não, que se assumem como defensores da classe trabalhadora, têm insistido numa tremenda mentira que manipula a opinião pública: a ideia de que trabalho flexivel leva a situações de desemprego. Isto é uma abordagem de uma superficialidade tal que nos dá a entender como está o debate político, económico e social.
O que o trabalho flexivel faz é tornar os despedimentos mais fáceis. Quando uma empresa despede um empregado, é fácil perceber que vai precisar de outro para ocupar o lugar que foi desocupado, razão pela qual essa empresa vai ao mercado de trabalho procurar uma pessoa que, muito provavelmente, estava desempregada. Existe, portanto, uma maior rotatividade, diminuindo as situações de Desemprego de Longa Duração. Mas não é só isto que uma maior flexibilidade laboral permite, existem inúmeras consequências que são positivas. Saliento duas.
Em primeiro lugar, uma flexibilidade no trabalho vai permitir estarem nos postos de trabalho pessoas pela sua qualidade e não pela impossibilidade de saírem, o que aumentará invariavelmente a produtividade por dois motivos: uma maior presença de pessoas boas e uma maior necessidade de provar que se é bom. Resumindo, um mercado flexivel será um mercado mais justo. Em segundo lugar, um mercado mais flexivel vai permitir uma maior subsistência das empresas que em vez de se verem obrigadas pela lei a manter os empregados nem que tenham de abrir falência por isso, vão poder cortar despesas quando for necessário.

Parabéns a Você!


Enquanto passeava na Wikipedia (sim, eu vou à Wikipedia) vi uma coisa fantástica naquela caixinha dos dias: D. Afonso Henriques nasceu há 899 anos, no dia 25 de Julho. Curiosamente foi também num dia 25 de Julho 30 anos depois que o mesmo D. Afonso Henriques venceu a Batalha de Ourique. Parabéns a ti Afonso que tornaste Reino esta pequena praia.

P.S.: Como é que o dia 25 de Julho não é feriado nacional?

A Frase (2)

"Portugal é um país onde há a arreigada convicção de que a liberdade é não cumprir as regras" (José Miguel Júdice)

Genialidades

Porque é que cada frase de Saramago me faz sentir que acabei de ler uma obra-prima?

Enigma da Linguagem

Porque é que as passadeiras se chamam passadeiras se passar é coisa que não fazem?

Ainda falam do Jorge Coelho

«A declaração de interesses apresentada em Janeiro deste ano e referente aos rendimentos de 2006 colocou Valentim Loureiro na liderança de um "top" algo invulgar: pelo menos em número de participações sociais que detém em empresas, o major, presidente da Câmara de Gondomar, é o autarca que mais empresas possui e gere. (...)»
Eu pergunto-me como é que ainda falam do Jorge Coelho. Gondomar e o seu presidente são o típico exemplo do que é corrupção autárquica. Quando é que se mete esta gentalha toda em tribunal?

A Ideia da Ibéria


"De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos" traduz de forma bastante concisa a nossa posição face a Espanha ao longo de séculos de existênca como nação. Esta ideia de que Espanha era um inimigo natural está instalada desde a Batalha de S. Mamede. Quando entrámos na União Europeia, de repente, passámos os espanhóis de bestas a bestiais, tratando-os a partir de então como "nuestros hermanos". Esta fraternidade toda levou a que, a bem de uma Ibéria forte concorrente das grandes potências como a Alemanha ou a França, estreitássemos as nossas relações políticas e, sobretudo, económicas. Tamanho esforço se fez para que nos tornássemos mais unidos, que actualmente somos totalmente dependentes (nós, eles não). Entre 30 e 40% do nosso comércio intracomunitário é com Espanha (em 2006, os espanhóis receberam, segundo o Eurostat, 34,3% das nossas exportações), o que resulta num rombo na nossa economia sempre que a deles tem uma constipação. Uma coisa curiosa de se ver é que apenas 12,6% das exportações espanholas têm como destino Portugal, sendo que os "nuestros hermanos" dão mais importância aos "ses frères" (26,5% das exportações intracomunitárias) e aos longíquos alemães (15,5%). Isto tudo para dizer que numa economia sustentável não é possível nem concebível que as trocas comerciais sejam um semi-monopólio de um país. É uma história semelhante em apostar em acções: se apostamos o nosso dinheiro todo numa empresa e essa empresa abre falência, ficamos em maus lençóis. Seria positivo que em vez de olharmos para Espanha como a única possibilidade, olhássemos mais para as grandes economias e, fundamentalmente, para o novo Leste cheio de vontade de comprar coisas novas com aqueles fundos comunitários a entrar à grande.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Bocas Alheias (2)

Não deixem de todo de ler estes textos que estão simplesmente brilhantes:

o caminho da servidão - Rui A. no Portugal Contemporâneo

A força do nacionalismo na velha Europa - Pedro Correia no Corta-fitas

Progressismo com Telhados de Vidro - JRV no Activismo de Sofá

Transvases

Em Portugal, bem como na generalidade dos países com economias semelhantes, cerca de 50% do PIB serve para financiar o estado. Esta anormalidade é justificada com o bom velho "Estado Providência" - este assunto ficará para uma proxima oportunidade. O que eu não entendo é o porquê de em vez de termos um sistema fiscal simples em que taxa apenas o rendimento, temos um sistema fiscal em que tudo é taxado: rendimentos e consumos. Não é absolutamente nada funcional e a atestá-lo estão as falhas de eficiência fiscal. Porque é que em vez de termos IVA, ISP, IMI e todos esses impostos dos quais muitas vezes é possível fugir, não temos apenas um imposto que incida a montante: no rendimento. Um IRS e um IRC bem gordos que financiem o estado da mesma forma, trazendo, no entanto, outras vantagens. A tão aclamada justiça social podia ser uma realidade palpável, dado que os impostos sobre rendimentos são progressivos, ao contrário dos que incidem sobre o consumo. Existiria uma eficiência muito maior no recebimento dos impostos e a detecção de fraudes seria muito mais fácil.
Se calhar esta é uma das coisas que nos falta: um sistema fiscal mais simplificado.

Um empurrãozinho ao Mercado


Em muitos textos deste blogue mostrei ser a favor de uma economia de mercado, de livre concorrência e na qual o Estado não interferisse muito. Mas, muitas vezes, situações extremas requerem soluções igualmente extremas.
O que acontece no mercado dos combustíveis em Portugal é inaceitável. Liberalizou-se o mercado no tempo do Durão Barroso para que houvesse mais concorrência e, portanto, preços mais competitivos. Infelizmente as contas saíram furadas, ninguém ia adivinhar que as petrolíferas de topo iriam criar um cartel que ditasse os preços com base em especulação e não com base na concorrência. Vemos, por um lado, os combustíveis aumentar, como ouvi num noticiário da SIC, quase a tempo real e, por outro lado, a não baixar quando isso se justifica. O petróleo está ao nível mais baixo das últimas sete semanas e, ainda assim, a Galp baixa o preço da gasolina nuns míseros 2 cêntimos e o gasóleo em 1.4 cêntimos. É nesta situação de controlo do mercado por parte de quem produz que penso realmente ser interessante explorar a possibilidade de criar uma petrolífera do Estado, que funcione de forma semelhante à Caixa Geral de Depósitos, de modo a que o mercado possa estabilizar, vendendo os combustíveis a preços baixos nessa gasolineira de modo a que os concorrentes comecem a baixar os preços para não perderem mercado. O ideal seria que aquelas postos de gasolina com os do Jumbo ou do Intermarché pudessem alargar-se para outras localidades ou que a pequena Repsol começasse a ser verdadeiramente concorrente da Galp e da BP, prefiro uma empresa espanhola a dominar e preços baixos que uma portuguesa com preços exurbitantes.
Continuo a achar que a coisa não vai lá com Impostos e com Taxas Robin dos Bosques, os erros do mercado com o mercado se resolvem, nem que ao mercado se tenha de dar um empurrãozinho.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Disfarce quase perfeito

Rui Bebiano n' A Terceira Noite.

«Existe um website do Dr. Dragan Dabic. E também uma biografia:

«Dr. Dragan “David” Dabic was born some 60 years ago in a small Serbian village of Kovaci, near Kraljevo. As a young boy he liked to explore nearby forests and mountains, spending a lot of time on Kopaonik mountain where he tended to pick the omnipresent natural and potent medicinal herbs that grew there. As a young man he moved to Belgrade, and then on to Moscow where he graduated with a Psychiatry degree at the Moscow State University (Lomonosov). After Russia, Dr. Dabic travelled around India and Japan, after which he settled in China where he specialized in alternative medicine, with special emphasis on Chinese herbs. In mid 1990s Dr. Dabic returned back to mother Serbia for good. Ever since, Dr. Dabic emerged as one of the most prominent experts in the field of alternative medicine, bioenergy, and macrobiotic diet in the whole of the Balkans, and is frequent guest on many forums, seminars and symposiums (Belgrade, Novi Sad, Pancevo, Sombor, Smederevo…) dedicated to these topics.»

Um disfarce extraordinário, sem dúvida, que permitiu a Radovan Karadzic – para quem «por trás de cada homem capaz existe sempre outro homem capaz» – construir uma nova vida pública e quase fazer esquecer a primeira. Quase.»

Nem tudo é dinheiro

Um dos principais objectivos das relações internacionais, senão o principal na actualidade, é o objectivo económico: aumento de fluxos de investimento, aumento de trocas comerciais, acordos comerciais, e toda essa lenga-lenga económica. Mas o objectivo económico não se deve sobrepor a tudo, nomeadamente, ao respeito pelos direitos humanos. É aqui que as nossas relações internacionais falham. Sim senhor, temos de ser comerciais, competitivos e temos de aproveitar nichos que outros não aproveitam, mas não vale tudo. Estou a falar disto a propósito do terceiro encontro de Sócrates com o Chávez em menos de oito meses. Nós temos uma enorme quantidade de países com os quais podemos estreirar relações. Falamos muito da CPLP mas as nossas trocas comerciais com esses países quase não têm expressão no total. O Brasil é um mercado enorme, inserido no Mercosul, poderia perfeitamente ser uma porta de entrada para uma América Latina cheia de potencialidades. Não sei o que é que o Eng. Sócrates pretende, mas encontros com o Chávez, o Kadhafi e o José Eduardo Santos não auguram nada de bom.

A Frase

“Há um Portugal que trabalha, paga os seus impostos e luta duramente para pagar prestações no fim do mês; e depois há outro Portugal em que demasiadas pessoas vivem subsidiadas pelo Estado, estão no rendimento mínimo como forma de vida, beneficiam de rendas simbólicas e ainda se acham no direito de não as pagar” (…). “Os portugueses que trabalham e pagam impostos não têm de custear estes comportamentos”. (Paulo Portas)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Let's talk about Change

Nós os portugueses somos muitas vezes considerados avessos à mudança. Até podemos sê-lo no geral, mas em relação à educação não há quem mude tanto e tantas vezes como nós. É muito bom mudar e quando é para melhor é excelente, o problema é que com mudanças tão frequentes é impossível avaliar se tais mudanças são realmente benéficas. Vou dar um exemplo. Um aluno que tivesse feito o básico há quatro anos teria um horário completamente diferente de um aluno que faça o mesmo ano de escolaridade agora. Entre introdução de disciplinas, retirada de outras e alteração de horas semanais para outras tantas, o que se aprendia há uns meros quatro anos é completamente diferente do que se aprende agora. Quem me diz qual é a melhor situação? Ninguém, porque é simplesmente impossível avaliar. Mas este não é o único problema. Os próprios professores devem ter dificuldades enormes para se adaptarem aos novos programas, principalmente os professores de disciplinas de exame. Novo exemplo. No ensino secundário os alunos têm de escolher disciplinas opcionais. Se por acaso numa escola houver alguma disciplina que não abra há dois, três ou quatro anos, não há professor nenhum que esteja apto a leccioná-la, simplesmente porque os programas mudaram completamente. Eu não digo que se deva manter tudo intacto para sempre, digo apenas que é preciso dar tempo a uma medida para que depois ela seja avaliada e um número quase infinito de medidas excelentes pode ter um efeito preverso tremendo.

Ideias Liberais (4)

Eu quero um T6 com vista para o mar. Vamos fazer uma manifestação?

Bocas Alheias

Gostei bastante de ler alguns textos que vou aqui "linkar" (estes neologismos soam tão mal):

O fracasso do assistencialismo - P. Sales no Zero de Conduta.

Um homem já com lugar na História - Pedro Correia no Corta-fitas.

Gosto deste "debate" - Rui Tavares no Cinco Dias.

Lógica alternativa cleptocíclica - Miguel Botelho Moniz no Insurgente.

... - Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies

Leituras de Verão (3)


Dediquei-me agora àquela que dizem ser a obra-prima de José Saramago. Sei que li algumas páginas no início e não sei como é que miúdos a quem se exige tão pouco têm capacidade para ler tão complexos enredos.



Vamos baixar o IVA?


É tramado quando as contas nos saem furadas, o Engenheiro Sócrates que o diga. Muito provavelmente iremos ter uma nova situação de défice excessivo. O motivo apontado é a quebra na receita fiscal (impostos sobre o consumo) que, por seu turno, se deve ao abrandamento da economia. Segundo o Público, as quebras são as seguintes:

O IVA cresceu 5.5%, o previsto era 8% (estes são números do primeiro trimestre, logo, a baixa da taxa normal não é para aqui chamada)

O ISP+Contribuição de Serviços Rodoviários teve uma quebra de 2% quando se previa que crescesse 6% (parece-me que o senhor Paulo Portas já tem os números por que tanto anseia)

Imposto Sobre o Tabaco e Sobre os Combustíveis tiveram quebras superiores a 20%

Eu começo a achar que o que o Paulo Rangel disse no debate da Nação sobre a falta de capacidade de previsão é verdade. Ainda no debate da Nação, o PM disse de peito inchado que uma esquerda responsável tem de ter as contas públicas em ordem. Estou em completo acordo. Tenho pena é que com tanto aumento de despesa o nosso amigo PM vá tramar as contas públicas de todos os governos que lhe sucedam, sejam eles responsáveis ou não.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mas o que é isto?

«A comunidade cigana da Quinta da Fonte está preparada para juntar ciganos de todo o país numa manifestação nacional se as famílias não forem realojadas em novos bairros até ao final desta semana, garantiu hoje José Fernandes, porta-voz da comunidade, que desde quinta-feira está concentrada em frente à Câmara de Loures. (...)»

Eu começo mesmo a pensar que esta gente enlouqueceu de todo. Podem chamar-me racista pelo que vou dizer, não quero saber, a comunidade cigana portuguesa tem previlégios que nenhuma outra tem. As autoridades por medo ou das armas ou das bocas sobre racismo, permitem que as feiras dos ciganos continuem, sendo óbvio para todos que se cometem ilegalidades nessas feiras, permitem que os ciganos continuem a ter habitação social recheada de playstations, e faço menção de referir o plural da palavra, e com mercedes à porta. Com tanto previlégio concedido nos últimos anos, começa-se a pensar que os previlégios são direitos, coisa que não são. Agora, a bem da segurança que eles próprios põem em causa, exigem a um país inteiro que pague, através dos seus impostos, casas novinhas para que os meninos possam permanecer confortáveis e inteiros. Poupem-me.

Mas que ótimo!

Foi hoje promulgado pelo PR o novo Acordo Ortográfico. Não tenho muito a dizer, apenas que sinto muito, sinto muito que a nossa cultura e a nossa identidade tenham sido postas em causa a bem de uma pseudo-cooperação política e económica. Apenas tenho uma coisa a dizer, venha lá quem vier, as coisas boas, para mim, continuarão a ser óptimas.

domingo, 20 de julho de 2008

Ainda não vi nada

Há uma regra base na política em democracia: aproveitar qualquer gaffe para aproveitamento político. É legítimo, afinal, temos de vender o nosso peixe e quando o peixe não tem muita qualidade, temos de dizer que o do outro não é muito fresco. Mas ás vezes este aproveitamento torna-se absurdo.

Manuela Ferreira Leite foi infeliz quando disse que o objectivo do casamento era a procriação, há que dizê-lo sem problemas. Mais infeliz que ela está a ser José Sócrates pois vangloria-se de ser progressista e critica MFL por, segundo ele, esta ser conservadora e retrógrada, enquanto que ele próprio não fez absolutamente nada pelo casamento entre homossexuais. A JS anda por aí cheia de iniciativas a bem de direitos iguais e o PS nem quer saber. Eu pergunto ao senhor José Sócrates, se é tão progressista assim e se o seu governo foi o que mais avançou em termos sociais (esta coisa de José Sócrates comparar o seu governo a todos sempre me perturbou, é a prova que o que ele mais ambiciona é o sucesso pessoal, mas isso fica para outro post), porque não fazer um referendo à questão do casamento gay? Nada melhor que o povo soberano pronunciar-se sobre um tema tão delicado. Quando o "não" ganhar Sócrates faz o quê? Chama retrógrados aos portugueses?

Não acontece só na China


Hoje no Público é noticiado que um grupo de confecções que trabalha para a Zara foi acusado de exploração infantil. What's new?

O grupo Inditex, para quem não sabe, detém a Zara, a Stradivarius, a Massimo Dutti e a Pull and Bear. Ao longo de anos a fio este grupo espanhol (cujo dono é o espanhol mais rico e o sexto mais rico do mundo) tem sido acusado destas situações, mantendo sempre uma pose de "a culpa não é nossa". É impressionante como no modelo social europeu, em pleno século XXI ainda haja crianças de 11 anos a coser sapatos por uns míseros 40 cêntimos o par. É vergonhoso quando vemos Bruxelas denunciar práticas que atentam contra os Direitos Humanos pelo mundo fora e não vermos a mesma moralista Bruxelas olhar para aquilo que tem em casa.
Por acaso tomei conhecimento deste caso pela primeira vez através de um e-mail onde vinham denunciadas estas situações. Eu só gostava de dizer, perdoem-me as pretenções a Sherlock, que um caso isolado pode significar apenas isso, um caso isolado, mas um grupo que ao longo da sua história tem repetitivos "casos isolados" não pode ser constantemente desresponsabilizado.

sábado, 19 de julho de 2008

O Clubismo Partidário

Em política faz-se uma coisa que considero, deveras, extraordinária. Com esta ideia da representatividade, cada um de nós escolhe o partido que mais lhe agrada e a partir daí deixamos de ter ideias próprias, pensamos o que o partido pensa, apoiamos o que o partido apoia, rejeitamos aquilo que o partido rejeita. Isto é mais característico de algumas correntes que penso não ser necessário referir, mas alastra-se um pouco por toda a vasta panóplia de ideologia política à escolha. O que acontece, infelizmente, é que muita gente olha para os partidos políticos com espírito acrítico, olhando para as instituições como se olha para um clube de futebol.

És de que partido?

Sou do CDS, então e tu?

Sou do PS!

Epá devias mudar, esses gajos não valem nada!

Tu é que...

E por aí se desenrola uma pseudo-discussão-política destituída de qualquer conteúdo. Não pode ser. Os partidos políticos têm de ser constantemente avaliados e é ridículo desenvolver laços de afecto em relação a um partido político, votando nele mesmo que as suas ideias nada valham. Talvez quando o momento de votar, quando a opção por um partido partido deixar de ser algo "clubístico", talvez aí, o debate político em Portugal tenha a qualidade que se pretende.

Novo-riquismo português

Há uns tempos vi um Prós e Contras em que se falou do TGV, do aeroporto e dessa febre do betão instalada pelo país. Nesse programa, lembro-me de um senhor, não me lembro que senhor, dizer que precisamos de políticas de transporte sólidas, à semelhança de Espanha, onde existem planos para a mobilidade e acessibilidade com períodos de 15 anos e para os quais o Estado canaliza alguns milhares de milhão de euros. Eu concordo com o senhor, considero realmente que precisamos de políticas estruturadas e não só nos transportes, infelizmente começo a achar que tal realidade assume um carácter utópico em Portugal.
É impressionante a quantidade de volte-faces que as decisões dos governos tomam. Em escassos meses, um aeroporto decidido pelo Salazar muda de localização. Em escassos meses um investimento considerado pelo FMI como vantajoso para Portugal é posto em causa (falo do TGV), então dou por mim a perguntar: o que raio se passa aqui?
Todos os partidos na oposição se queixam do betão. Quando chegam ao governo é no betão que se focam. O mais extraordinário é que muitas vezes o betão não é, de todo, necessário. Não são escutadas com atenção as vozes de quem sabe. A questão do aeroporto, desde início, não foi a construção ou não construção, a discussão já tinha a construção como garantida, apenas faltava decidir o "onde". Li artigos a comparar o nosso aeroporto a outros como o de Málaga em que se dizia explicitamente que seria perfeitamente rentável potencializar mais a Portela em vez de construir um novo aeroporto de raiz em Alcochete ou na Ota. Porque é que não oiço nenhum político colocar a possibilidade de um aeroporto novo não ser necessário? O nosso aeroporto comparado com aeroportos que ninguém põe sequer em causa fechar como os de Londres está às moscas, completamente às moscas.
O novo-riquismo português não é só característico das famílias cuja vida é financiada pelo crédito, este novo-riquismo alastra-se para S. Bento, onde se pensa poder fazer tudo o que se quer com fundos maravilha vindos da UE. Eu só gostava de lembrar uma coisa: os investimentos que se fizerem agora, só começarão a ser pagos a partir de 2014. Em 2013 termina o actual QREN e, com ele, a situação previligiada de Portugal na distribuição dos fundos comunitários. Eu nem quero imaginar os défices orçamentais e as dívidas públicas nos anos a seguir a 2014. Preparem-se para uns impostos extra.

Pickle envagelista!

No De Rerum Natura, a Palmira da Silva colocou um vídeo do GrandPa John (John Clayton) no qual este avô tenta através de um pickle e dois garfos provar a beleza do que é ser cristão. Simplesmente delicioso este clip:



Leiam o artigo da Palmira aqui.

Mal entendidos

No primeiro parágrafo desta notícia do Público lemos:

«José Manuel Durão Barroso admitiu que estar disponível para um segundo mandato na presidência da Comissão Europeia, em declarações dadas ao jornal holandês “NRC Handelsblad” divulgadas hoje.»

No segundo parágrafo, lemos:

«“Se tivesse que tomar hoje uma decisão sobre um segundo mandato, diria ‘sim’ (...) assumindo, claro, que teria o apoio dos Estados-membros e do Parlamento Europeu”, disse Durão Barroso, citado pelo “NRC Handelsblad”.»

Isto não é notícia. Durão Barroso já tinha dito em português, a portugueses, que se a decisão tivesse de ser imediata, imediatamente diria 'sim'. A questão é que a decisão ainda pode esperar um ano e até lá muito pode acontecer.

Tudo por uma autarquia!


O CDS no ano passado não teve uma autarquiazinha para amostra, não está certo. Um partido que visita tantas feiras, tantos mercados, tantas pessoas não merece tal desfeita. O presidente do Partido até voltou a ser o Paulinho dos dentes brancos e da pele bronzeada! Que querem mais? Política? Ah...

É impressionante o que um partido em maus lençóis faz para poder subir um bocadinho que seja, Desta vez foi o CDS-PP ao nomear Avelino Ferreira Torres para candidato à autarquia do Marco de Canaveses. Como é que um partido que está com uma falta de credibilidade tamanha, que nas sondagens é apontado como a última força política com apenas 3% dos votos, ainda faz asneiras destas? Um conselho ao senhor PP, mais vale perder uma autarquia e manter um bocadinho de dignidade, do que perder tudo para que um corrupto dê ao seu partido uma autarquia nas eleições de 2009. Mas como disse, é apenas um conselho...

Já agora: digam lá que o cartaz não está uma maravilha propagandística!

Adenda: O PP leu o meu post, afinal o candidato não o é mais...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ricos e mal agradecidos


O incidente de pura guerrilha urbana que teve lugar em Loures há uns dias despoletou agora um protesto por parte da comunidade cigana do Bairro, que exige que lhes sejam dadas novas casas. Os senhores são razoáveis, dizem às autoridades que não é preciso ser aqui na região, pode ser numa outra qualquer região do país, o que eles não querem é voltar para Loures. Até lhes satisfazerem o pedido, eles irão permanecer nas imediações da Câmara Municipal de Loures, acampados em bancos de jardim e em colchões. Isto está a ir longe demais.

Por todo o país, mas principalmente nas Áreas Metropolitanas, têm-se construído habitações sociais sem fim, dezenas de milhar nos últimos anos. Estas casas são atribuídas a famílias de parcos recursos que vivem em condições inumanas e que, pelo princípio da solidariedade social, merecem casas decentes. Não sou contra a atribuição destas habitações, salvo duas excepções:

1. Quando os que as recebem não as merecem por terem actividades não declaradas como bancas em feiras, tráfico de armas ou de droga, trabalho doméstico, entre outros, que os fazem receber mais do que muitos que não recebem um chavo pela parte do solidário Estado português.

2. Quando a solidariedade passa a ser exigida. As pessoas confundem muitas vezes favores com direitos, pensam que como lhes é dada uma casa, isso significa que têm direito a tê-la, o que é, obviamente, errado. As casas são oferecidas àquelas pessoas para que não vivam mal, nada obriga os contribuintes a sustentar famílias que não sejam as suas.

Mas isto das habitações sociais abrange um sem número de coisas. Por exemplo, o Rendimento Social de Inserção (o antigo Rendimento Mínimo Garantido, criado por aquele brilhante estadista que foi o Guterres) é atribuído a imensas pessoas que dele não dependem: os feirantes, os traficantes ou as empregadas domésticas são exemplos. A Justiça Social acaba por se ver transformada na mais pura injustiça porque, por um lado aquelas pessoas não descontam para o IRS pelas actividades a que se dedicam e, ainda por cima, recebem dinheiro extra exactamente por não declararem quanto recebem.

Obviamente isto não é culpa de nenhum governo, seja ele socialista ou social-democrata, é culpa do poder local que, com medo de conflitos e de perder popularidade, fecha constantemente os olhos a estas situações, a bem dos votos. Uma grande saudação da minha parte ao Presidente da Câmara de Loures por não ceder a chantagens como aquelas de que está a ser alvo e o meu voto para que a sua posição não se altere com o desenrolar dos acontecimentos. Se a coisa der para o torto, já não são precisas casas, as cadeias ainda têm celas por preencher.
*Imagem retirada do Público

Milton Friedman on Corporations

Porque no te callas?


Luís Filipe Menezes brindou-nos mais uma vez com um muy acertado artigo de opinião para o Diário de Notícias. É um primor este Luís, sempre a dizer-nos coisas tão bonitas que nos comove sempre que nos presenteia com uma aparição pública.

Óbvio que não estou a falar a sério.
Luís Filipe Menezes é um puto, um puto mimado a quem foi tirado o brinquedo para ser dado a outra. Em todo o discurso vemos traços vincados de despeito e inveja, vemos que o problema de Luís Filipe Menezes não é ser Manuela Ferreira Leite quem lá está, que não é ser Paulo Rangel quem lá está. O problema de Luís Filipe Menezes é ver que não é ele quem lá está, e isso chateia. Para o demonstrar vou pegar em três exemplos:

«Em Fevereiro passado, outra sondagem com a mesma chancela de credibilidade da Universidade Católica punha PS e PSD com escassos sete pontos a separá-los.»

Exacto, agora são 8. O amigo Luís não percebe que apesar de a Católica estar coberta de uma credibilidade que ele não tem, existem margens de erro, por isso, um ponto numa sondagem não representa nada.

«Nem quero imaginar o que se escreveria sobre o anterior líder social-democrata se ele, em escassas seis semanas, não tivesse divulgado uma proposta, estivesse em hibernação enquanto os camiões bloqueavam o País e culminasse tal período de ausência com a pomposa declaração de que o casamento era um magistério virado em exclusivo para a procriação!»

Ó mamã eles gostam mais dela do que de mim!!

«Não tenho dúvidas de que éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores.»

Pessoal da Fox têm aqui o elenco para a próxima série do Heroes, eles são mesmo brutais.

Vou ser franco, isto mete-me muita confusão. Para além de LFM saber que não o querem onde ele estava por ele ser simplesmente uma nulidade, faz questão de tentar mandar abaixo não só a líder do partido, mas também o próprio partido, afirmando, sem medo, que o PSD não tem substância nem ideologia definida. Indivíduo mais mesquinho, pá!

*Imagem retirada daqui.

Ler a notícia do Público aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uma aceitação que não compreendo


Ontem fizeram 90 anos do assassinato da Família Romanov, isto é, da afirmação em pleno do Comunismo de Lenine na Rússia. O assassinato, que por si só já é bárbaro, dos Romanov foi particularmente cruel. Segundo relatos que li, aquela família foi guardada em Ekaterimburgo no seu Palácio de Verão sem quaisquer condições para uma vida digna, segundo os padrões da altura. Depois de meses em cativeiro, no dia 16 de Julho, foram convidados a tirar uma fotografia, uma última fotografia, para depois serem brutalmente executados por fuzilamento. Depois do caminho aberto, depois do Exército Branco deixar de ser ameaça, o PCUS (o partido comunista da Rússia) tratou de transformar a Rússia por completo, para um palco de morte, fome e miséria. As mortes causadas pelo regime comunista são incontáveis, os números variam entre os 20 e os 40 milhões, desde as purgas dentro do próprio PCUS causadas pela esquizofrenia Estaliniana até ao simples camponês visto como ameaça e enfiado num Gulag com uma chávena de chá com 8 gramas de açúcar a servir de ração diária, por toda a Rússia se sentiu o terror comunista. O comunismo causou tantas ou mais mortes que o nazismo, o fascismo ou qualquer outro ideal, no entanto, anda por aí, a contaminar os Parlamentos por essa Europa fora, sem que NUNCA um comunista tenha sido condenado pelos seus actos. Isto mete-me nojo. Mete-me nojo o cinismo dos comunistas quando se referem aos EUA - que dão uma lição de democracia a qualque comunista, quando se referem à ameaça neo-nazi, quando condenam actos, decerto condenáveis, mas não por quem não tem autoridade moral para tal. Quando é que o socialismo totalitário, quando é que as insurrecções armadas, quando é que as pretenções de autocracias são, de uma vez por todas abolidos? Quando é que o comunismo vai ser tratado da forma que merece: como uma ameaça à humanidade?

Adenda: e agora isto, se Russell ainda estivesse vivo, teria novas razões para escrever Por que não sou cristão?

Antena Fechada


Hoje no programa Antena Aberta da Antena 1 decorreu uma forte discussão sobre, imagine-se, o novo regime de reformas. Impressionados? Eu também não.

Eu acho muito positivo que a rádio e a televisão criem programas interactivos para que o público se possa expressar, mais a mais numa rádio que presta serviço público como é a Antena 1. O problema é que o público que participa é parvo. Eu ouvi meia-dúzia de intervenções e quase nenhuma foi acertada! Ouvi dois sindicalistas dizerem a estupidez de que os aumentos vencimentos têm de ser indexados à inflação e que os culpados disto tudo são os detentores do grande capital e que o grande capital é mau e que o Cunhal é que é bom. Ouvi algumas pessoas que decerto não perceberam a ideia do programa porque ligaram para lá para perguntar com quanto de reforma é que iam ficar. Ouvi um indivíduo ser silenciado depois de referir os ciganos quando falava das injustiças na atribuição de prestações sociais. Ouvi um outro sujeito dizer que foi a Manuela Ferreira Leite que passou a idade de reforma para os 65 anos e o número de anos de descontos para 40 (quando é do conhecimento geral que esta foi uma medida do Engenheiro Sócrates). Ouvi uma senhora indignada por serem os nossos impostos que pagam os vencimentos do Governador do Banco de Portugal e dos Ministros, devia ter descoberto agora.
De tudo o que ouvi, a única coisa com que concordei foi com o facto de ser vergonhoso que os deputados saiam da Assembleia da República com brutas reformas depois de trabalharem 12 anos (antigamente eram 8, já está menos mau...).
É neste estado que está a "opinião pública": populista, mal informada e com tremendas lesões no cérebro depois de passarem anos a fio a ouvir senhores como o Carvalho da Silva, o Jerónimo de Sousa, o Francisco Louçã ou o Paulo Portas. É triste.

Boas férias Cachimbo

Estou há pouco, muito pouco, tempo na blogosfera. Apesar disso, desde início que sempre tive alguns blogues como blogues de visita obrigatória. Um deles é o Cachimbo de Magritte. Agora vai entrar de férias, é uma pena. Com a silly season a chegar, menos um blogue de qualidade a funcionar é tudo menos bom.

It's time for some campaignin'!

(via 31 da Armada)

O medo de Sócrates


Ao longo dos últimos três anos de legislatura, José Sócrates apenas se preocupou com a sua opinião, tanto é que os ministros que dele discordavam foram convidados a sair. Isto era perfeitamente justificável. Uma maioria absoluta no Parlamento que lhe permitia uma autêntica ditadura em democracia, uma oposição nula e um Presidente que, a bem da cooperação estratégica e devido aos traumas do passado não se lhe opunha. Isto tudo levou a que o PS nunca precisasse de fazer discursos incendiados contra os seus opositores. Agora é diferente.
O PM está nervoso, o PM sabe perfeitamente que nas directas do PSD não foi só Manuela Ferreira Leite que ganhou alguma coisa, ele também ganhou: uma adversária à altura. A descontração que o Eng. Sócrates e o seu governo demonstravam está a acabar. Ouve-se agora um ministro rebaixar-se ao ponto de responder a um comentador, mais, a pedir-lhe um debate. Ouve-se José Sócrates a ridicularizar uma ideia da sua opositora de que ele próprio nunca deu provas de discordar. Ouvem-se tentativas de Vera Jardim de ridicularizar Paulo Rangel no Parlamento através da comédia em vez da argumentação. Enfim, nas palavras da líder da oposição, José Sócrates e o PS estão a "cerrar fileiras" porque sabem muito bem que até 2009 MFL pode subir aqueles 8 pontinhos e sentar-se na bancada do governo no Parlamento.

P.S.: 100º post

Adenda: leiam este artigo no Público

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Questão do Nuclear


Vítor Constâncio foi ao Parlamento e na sua intervenção disse que "a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear". A seguir a Quercus veio contestar o que o Governador do Banco de Portugal disse, já se esperava.

A energia nuclear é, obviamente uma alternativa. Resta saber se é uma alternativa acertada. Não a considero como tal. Em Portugal temos enormes potenciais para energias renováveis. Se apostarmos na energia eólica e na solar, de certeza que não vamos ter de importar matérias-primas, no entanto, em relação ao nuclear a coisa é diferente porque, ao que sei, a produção nacional de urânio não é coisa de grande envergadura. Isto é um dos muitos problemas da opção pela energia nuclear. A fazer fé nos ambientalistas da Quercus, toda a Rede Eléctrica Nacional tinha de ser alterada porque não suporta uma central nuclear. Os resíduos nucleares não têm tratamento possível. Apesar de ser uma energia limpa, um qualquer erro pode transformar-nos numa Chernobyl.

Eu até percebo esta conversa do nuclear, por vários sítios da Europa está a tornar-se "moda", nomeadamente nos muitas vezes imitados países escandinavos. Mas há que ter em atenção que os países que estão a apostar no nuclear só têm o nuclear como alternativa. Custa-me a crer que alguém que se queira bronzear vá para a Finlândia. Em Portugal essa alternativa existe e é uma alternativa melhor. Mesmo que sejam mais caras (não sei se é) as energias renováveis, nomeadamente a eólica e a solar, trazem vantagens em termos de custos sociais e ambientais (as chamadas externalidades) muito maiores que a energia nuclear. Espero bem que haja o tal debate e que nesse debate as pessoas percebam o erro do nuclear.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Preparados para a depressão?

«A cada meia hora que passa a bolsa portuguesa acentuava cada vez mais o sentimento negativo do começo do dia. Às 12h15, o índice PSI20 descia 5,16 por cento, para 7895 pontos, baixando largamente dos oito mil pontos.(...)»

O Acordo Ortográfico devia ter mais uma alteração. A partir de agora, já não é crise, é uma verdadeira depressão. Preparem-se que isto ainda não acabou. Se as grandes vão, vai tudo atrás.

A prova da não-justiça

«O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) decidiu manter o FC Porto na Liga dos Campeões de futebol, recusando os recursos do Benfica e Vitória de Guimarães contra a decisão da Comissão de Apelo da UEFA, anunciou hoje o organismo.(...)»

E pronto, mais uma história do que é a História da Justiça Desportiva...

Ideias Liberais (3)

Porque é que todos os deputados da assembleia vão de fato e gravata menos os do BE?

Globalização


(Via O Jumento, vão lá ver as restantes imagens, as da Amnistia estão fantásticas)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ideias Liberais (2)

Quando os camionistas estavam a rasca, o Estado deu-lhes uma mão para que os prejuízos não fossem tão grandes. O BPI deu prejuízo, será que o Sócrates vai atribuir algum subsídio?

Where's Obama?

«Hace un mes, el candidato demócrata a la presidencia de Estados Unidos, Barack Obama, aventajaba en 15 puntos a su oponente republicano John McCain en la carrera hacia la Casa Blanca, según una encuesta de la revista Newsweek. Ahora, la misma publicación asegura que la diferencia entre ambos se ha reducido a sólo tres puntos: un 44% de los encuestados apoya al senador por Illinois, mientras que el 41% respalda al senador republicano por Arizona.

A falta de cuatro meses, dos convenciones y al menos tres debates, este nuevo sondeo indica que el 53% de los votantes, en el que se incluye también el porcentaje de los votantes que apoyaban a la ex candidata demócrata Hillary Clinton, consideran que Obama ha mostrado un viraje de su posición en asuntos claves como la guerra de Irak o la pena de muerte con el objetivo de tomar la delantera y obtener votos. En la encuesta del pasado 20 de junio, Obama lideraba con el 51% la elección de los ciudadanos, frente al 36% de McCain.(...)»

Pois é, o amigo Obama deu barraca (não resisti). Com esta política vaga, com esta ambiguidade de ideias, com este "nem é carne nem é peixe" que lhe é característico, Barack Obama, que me parecia um óptimo candidato ao início, está a revelar-se uma farsa. Com constantes mudanças de opinião (realmente, o slogan "Change" é apropriado) está a perder progressivamente a credibilidade. Com 3 pontos de diferença de MacCain, acho que nem a Oprah lhe vale...

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Foi no dia 14.VII.1789. Um grupo de revolucionários, toma de assalto a bastilha, símbolo do poder real francês. Foi a primeira etapa da luta que ainda hoje se trava, a luta pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

A Justiça do Socialismo


Saiu hoje o primeiro número da revista "Ops!", uma revista de carácter político publicada por uma nova corrente socialista, liderada por Manuel Alegre. Aplaudo a ideia, é de reflexão e opiniões sustentadas de que precisamos. Pode ser consultada aqui.

Li algumas coisas, saiu hoje e ainda não consegui ler todos os textos que serão certamente interessantes. Li o editorial escrito pelo próprio Manuel Alegre que me pareceu bastante bem, a esquerda precisa mesmo de encontrar novas soluções. Depois li um texto do André Freire, ali do Ladrões de Bicicletas e numa parte em que ele se referia ao aspecto das desigualdades salariais deu-me na ideia de começar a pensar se toda esta corrente, quase dogmática na Europa, de que a justiça social passa por rendimentos o menos desiguais possível, será realmente justa.

Um dos princípios básicos do Socialismo, que, na actualidade, se converteu em Socialismo Democrático, depois do fiasco do Totalitário, é que numa sociedade justa há que ter o máximo possível de equidade. E esta equidade é assegurada através de um amontoado de mecanismos, todos eles fiscais. Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) progressivo. Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) com taxas diferentes conforme a natureza dos bens. Isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para quem tem casa com o valor de 50 000€ ou inferior. Tudo nessa linha. Ora, com estas medidas, chega-se a uma situação em que algumas pessoas vêem mais de metade do seu rendimento mensal ir para o Estado e outras vêem apenas uma pequena parcela. Será justo?
Na verdade, ao querermos justiça social, estamos a ser injustos. Um indivíduo que seja rico tem de pagar ao Estado por ser rico como se ser rico fosse crime. Na imaginação comum, os ricos são todos ladrões que conseguiram a riqueza enganando os outros, mas não é bem assim. Existem imensas pessoas cujo rendimento lhes permite um confortável lugar no último escalão do IRS que trabalharam imenso para lá chegar. Por isto, não é admissível que estas pessoas sejam obrigadas a pagar uma taxa maior, pagando mais duas vezes: pagam mais porque recebem mais, mas depois ainda têm o aumento da taxa exactamente por receberem mais.
Eu defendo o Estado Providência, sim. Considero que não é possível termos uma economia deixada ao abandono, sem qualquer regulação. O Estado tem de garantir a segurança de todos, nomeadamente aquela que passa por comer, por isto, acho perfeitamente aceitável que hajam as prestações sociais que permitam às pessoas em situação complicada viver, afinal, somos um país e como tal, todos os cidadãos são importantes: hoje por ti, amanhã por mim. Mas, apesar disso, defendo um sistema fiscal com base da proporção e não na progressividade, isto é, uma harmonização das taxas. Tal e qual acontece no Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRC), em que uma Pequena/Média Empresa paga a mesma taxa que uma Multinacional. Defendo isto porque um sistema de proporção é aquele que mais permite ao mesmo tempo um financiamento do Estado que assegure os serviços públicos e uma situação em que não é crime ser rico nem benesse ser pobre.

domingo, 13 de julho de 2008

À custa de todos

Coloco aqui, com a devida vénia, um excelente texto de Vital Moreira do Causa Nossa:

Os sindicatos CGTP da função pública (sempre eles!) querem aumento de vencimentos imediato "para evitar a perda de poder de compra" face ao aumento da inflação.
É evidente que a inflação entre nós -- apesar de bem abaixo da média europeia -- vai a subir acima do esperado (embora deva ficar aquém de 3%), devido ao forte aumento do preço do petróleo e dos alimentos importados. O problema é que todos os portugueses estão a perder poder de compra com a inflação. Desta vez até os muito ricos estão a perder milhões com a crise internacional, na bolsa e outras aplicações financeiras.No fim do mês o nosso dinheiro compra um pouco menos de coisas. É como se uma espécie de imposto externo tivesse sido lançado sobre todos nós, transferindo diariamente para o exterior milhões de euros a mais para comprar as mesmas coisas.
Por isso, o que afecta a todos não pode ser resolvido oportunisticamente em benefício de alguns à custa dos demais, incluindo os outros trabalhadores, só porque se tem mais poder sindical. Sobretudo quando essa "salvação selectiva" teria de ser paga pelos contribuintes, como sucede com os funcionários públicos.

Deslocalização nos bairros sociais

A comunidade cigana do bairro palco de tiroteios e afins de Loures decidiu ir embora, deslocando-se para casas de familiares e outros locais possíveis. Assim que ouvi a notícia lembrei-me de um poema do Eugénio de Andrade. Adivinhem o título: Adeus!

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Ficámos competitivos?


«A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.(...)»

Ao que parece, agora Portugal tornou-se competitivo em relação à China. Pasmem-se. Afinal, o choque petrolífero há-de trazer qualquer coisa de bom para o nosso país.

Agora fora de brincadeiras, esta situação é perfeitamente normal por diversos factores. Em Portugal, um licenciado em início de carreira ganha, sensivelmente, o ordenado mínimo francês. Com o aumento do número de licenciados, a economia nacional tem ao dispor dos parceiros europeus e de outros continentes um trabalho especializado e barato em termos comparativos. Esta situação, aliada a factores ainda decisivos como a estabilidade social e política ainda nos torna mais apetecidos por alguns grupos que a grande e barata China.

«A proximidade geográfica, numa altura em que os custos dos transportes disparam, e a capacidade de adaptar rapidamente a produção às exigências do mercado são factores determinantes em nichos de mercados de diversos sectores, para os quais Portugal está bem posicionado.(...)»

Mas ainda nos restam alguns problemas. Muita da nossa produção assemelha-se ao modelo chinês de enormes quantidades e qualidade reduzida para que os preços sejam baixos. Nessa área, não vale a pena nem sequer tentar competir com os chineses. Temos, portanto, de continuar aquilo que tem sido feito: reconverter a economia para um modelo assente em capital humano e em tecnologia, de modo a que o valor acrescentado da produção seja cada vez maior. Temos de apostar cada vez mais em qualidade em vez de quantidade, só assim seremos competitivos.

Cooperação estratégica

«Há precisamente dois anos (14 de Julho de 2006), Cavaco Silva defendeu que "é bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos, e sem dúvida que o TGV é um grande investimento, para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses". Na altura, pediu "análises custo-benefício muito profundas" sobre o dossier (tal como Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer).(...)»

O nosso Presidente da República diz há dois anos, timidamente, ser contra as grandes obras públicas que estão em marcha. MFL ao dizer isto pode apenas estar a fazer propaganda, mas eis porque Cavaco não está. Cavaco Silva, na sua altura "para-partidária" em que a militância não era para ele, já dizia ser contra tais projectos. Antes de se anunciar candidato presidencial já dizia ser contra tais projectos. Quando foi eleito, continuou a dizer-se contra. Na actualidade, a bem da cooperação e da estabilidade, diz apenas "ter dúvidas". Neste momento o PS tem uma autêntica ditadura parlamentar em que aprova o que quer, mesmo que toda a oposição, o Presidente da República e o próprio povo estejam contra. Esta sede de deixar uma pegada (comum a Guterres que nos empenhou com obras de chacha) parece ser cada vez mais comum nos políticos e na política. É pena. Onde pára a política do bem comum?

sábado, 12 de julho de 2008

Guerrilha urbana: um problema de planeamento

Aconteceu em Loures, ontem e anteontem: dois tiroteios entre "grupos étnicos rivais". No nosso português racista, isto chama-se "pretos contra ciganos", mas pode ser ofensivo. Esta questão, ao contrário do que se possa pensar, não se relaciona apenas com a simples polícia que tem de garantir a segurança de quem habita naquele concelho, não. Esta é uma questão muito mais profunda que se relaciona, pasmem-se, com o planeamento urbano.

As nossas políticas sociais, ao longo de décadas a fio, permitiu a construção de habitações sociais a custos controlados de modo a alojar as pessoas que viviam em barracas e em coisas piores. Há quem diga que se tratam apenas de operações de cosmética urbana, não vou por aí. O problema destas habitações sociais é apenas este: criaram-se imensos prédios com imensos andares em pontos específicos das cidades, ou seja, juntaram-se milhares de pessoas com problemas sociais, económicos e, muitas vezes, criminais em "bairros sociais". Esta via "integradora" de pessoas com problemas de "integração" levou a uma maior descriminação, que aliada aos problemas de sempre, é uma perfeita aliada da criminalidade. Aqueles bairros sociais, dominados por gangs são lugares prigosíssimos para quem for, até para a polícia. É de todo imperativo que se alterem estas políticas de urbanização de modo a integrar habitações deste tipo noutros bairros, assim pode ser que não se assista a tristes episódios como os que aconteceram.

Ao que chegou a ONU

«A China e a Rússia vetaram ontem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um projecto de resolução apoiado pelos ocidentais que queriam sancionar o Zimbabwe pelo seu processo eleitoral violento e contestado.(...)»

O Zimbabwe foi um palco de um dos maiores atentados à democracia e à liberdade dos últimos anos. Um autêntico genocídio foi o que lá aconteceu. Obviamente esperamos que a ONU, pelo menos, "castigue" os responsáveis. Não, já nem isso podemos esperar. Temos dois garantes da liberdade e dos direitos humanos que não o permitem, a utópica China e a poderosa Rússia. Onde é que isto vai parar?

O Irão: um problema de sempre


O Irão, como se sabe, andou por aí a testar mísseis. As ameaças contra outros países sucedem-se. Primeiro a velha inimiga Israel, depois os EUA. Todos na comunidade internacional estão mortinhos de medo que o Irão corte a produção de petróleo que levaria a um choque petrolífero que, ao lado do actual, o reduziria a um aumento sazonal. Esse medo está a impedir uma intervenção armada. Será certo?

Sou um acérrimo defensor da paz, a menos que a guerra seja inevitável. O Irão está a criar uma bomba atómica, estão à espera do quê? Aquele país, minado de radicais islâmicos que me faz encará-lo como a Alemanha Nazi do Médio Oriente, é uma real ameaça para o mundo, nomeadamente o Ocidental. Não sei o que é que a UE, os EUA e a ONU esperam, mas uma bomba atómica no meio de Nova Iorque seria tudo menos recomendado. Imaginemos uma bomba atómica em Londres ou em Paris, os milhões de pessoas que morreriam, os outros milhões que durante décadas iriam sofrer problemas gravíssimos graças à radiação. O Irão tem de ser parado já. A guerra é inevitável, as suas consequências, no entanto, podem ser minimizadas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Negócios que não lembram nem ao menino Jesus!

A Câmara Municipal de Almada (PCP) tem um sistema de negociação com os investidores, no mínimo, peculiar. A verdade é que uma enorme fatia do investimento em infra-estruturas colectivas da cidade é feita por privados. O sistema é muito simples. Se uma grande empresa ou cadeia quer instalar-se na cidade de Almada tem de dar contrapartidas. As contrapartidas são, no mínimo, absurdas.

O Fórum Almada, um enorme centro comercial na cidade, para se instalar, teve de construir para além da estrada de acesso, um túnel e uma enorme rede de estradas à volta.

A Repsol, para instalar uma bomba de gasolina, teve de construir um campo de jogos.

Isto é preocupante, eu questiono-me até se será legal. Para alguém investir é obrigado a dar contrapartidas ou então, pura e simplesmente não investe que a câmara não deixa. É que é de um rídiculo que me deixa boqueaberto a cada novidade destas. Para além dos impostos a que estarão obrigadas, as empresas ainda de têm de fazer a função da Câmara Municipal, investindo nas áreas onde esta deveria investir.

Um moribundo a estrebuchar

Luís Filipe Menezes veio dizer que não avançar com os investimentos públicos seria um erro. Isto é um moribundo a estrebuchar. LFM nunca foi grande coisa na política, não sei quem lhe disse que a opinião dele era valiosa para quem quer que seja. O que eu sei é uma coisa: LFM diz, a seco, que os investimentos públicos são bons, Manuela Ferreira Leite quer os números para averiguar se são ou não bons. É esta a diferença fundamental entre LFM e MFL, um é um populista que diz o que lhe vem à cabeça, outra é uma política responsável que só se pronuncia se tiver conhecimento de causa.

Mais uma coisa, nesta questão dos investimentos públicos. Não é curioso que o pagamento só começa a ser feito em 2014? Façam umas contas e tentem lá descobrir quem, provavelmente, estará a governar a partir de 2014. Pois, provavelmente será o PSD. Mais uma vez o PS (tal como aconteceu com António Guterres) trata de investir à bruta no desnecessário para que quem vier atrás pague. Um bocadinho de decência, por favor.

Já agora: repararam que as iniciais de Luis Filipe Menezes são exactamente ao contrário das de Manuela Ferreira Leite? Presságio curioso...

500 M€ para ter mais um na famelga!

«“A União Europeia está disposta a prometer 500 milhões de euros”, anunciou o comissário para o alargamento, Olli Rehn, durante a conferência organizada cinco meses após a proclamação de independência do Kosovo, no dia 17 de Fevereiro.

Na realidade, essa soma não compreende, porém, mais que um novo cheque de 100 milhões de euros, precisou uma fonte da Comissão. Cerca de 350 milhões de euros de fundos de pré-adesão à União Europeia tinham já sido, com efeito, programados para o período 2008-2011, bem como 50 milhões de euros de assistência macro-económica, ao qual se juntaram outros 100 milhões (...)»

Eu sei que um dos pilares da União Europeia é a promoção da paz no continente. Também sei que o Kosovo é um potencial potenciador de guerra. Mas há mínimos. O Kosovo proclamou uma independência unilateral quando não tinha qualquer sustentabilidade socio-económica e agora nós, os europeus, pagamos a asneirada que eles fizeram? Ajudas de pré-adesão? Por que raio é que eles hão-de aderir? Começo a achar que a UE (e, principalmente a Comissão Europeia) se considera a defensora dos fracos e oprimidos e trata de por em causa tudo pelo bem de rebeldes. Ao estar a ajudar financeiramente um país cuja indepêndencia é unilateral, a UE vai colocar-se contra a Sérvia e os seus apoiantes. A UE nesta situação tinha de ser neutra, tinha de deixar a poeira assentar. Vamos ver o que sai daqui...

É preciso ter lata!

«O secretário de Estado da Educação considerou hoje "maus" os resultados do exame de Matemática no 9º, mostrando-se preocupado por se estar tentar passar a ideia de que 50 por cento de negativas é um bom resultado.(...)»

É preciso ter lata. O senhor Valter Lemos vê as negativas no exame baixarem em 40% e diz que é pouco. Só se nos estiver a dizer que é mesmo pouco por o sucesso ser forjado. Quem sabe...

O Estado da Nação


Como é do conhecimento geral, foi ontem o debate do Estado da Nação no Parlamento. Pautado por constantes intervenções de resposta curta e vazia, como se os nossos deputados fossem adolescentes a "mandar bocas" ("Eu pedia ao senhor presidente que fizesse chegar ao senhor deputado o documento não sei quê"). Sobre o Estado da Nação fiquei a saber pouco, sobre o Estado da Política e dos Políticos, muito. Em todo o debate, os vários partidos políticos deram-nos a conhecer um pouco mais de si.
Da esquerda para a direita:

1. O BE que com tão talentosos oradores (há poucos oradores como Ana Drago, tenha ou não razão no que diz, di-lo muito bem) poderia perfeitamente fazer um discurso interessante do ponto de vista político, trata simplesmente de se enterrar no meio das areias movediças do insulto e de gráficos mal feitos propositadamente. Bem sei que o que Louçã estava a tentar fazer era pegar na analogia com a história para mostrar as falhas da medida, mas foi longe demais, há que dizê-lo. Concordo, apesar de tudo, que provavelmente 25% (apesar de ser a maior Taxa Robin dos Bosques dos países que a praticam, sabe a pouco).

2. O PCP deu-nos mais um cheirinho da demagogia e da política fácil, tão intrínsecas nos seus discursos. Falam constantemente daquilo que todos sabem: o desemprego!, os salários!, as pensões! sem nunca tentarem perceber que milagres, só nos livros do Marx. Houve uma coisa em que concordei com eles, apenas uma, a questão do aumento intercalar das pensões, por uma questão quase de "ética da política". Enquanto que os aumentos dos salários devem ser indexados à produtividade porque é isso que faz o trabalho aumentar o seu valor, os aumentos das pensões devem ser indexados à inflação pois os reformados não produzem absolutamente nada, já produziram, e por não produzirem mais por força das circunstâncias não devem perder qualidade de vida.

3. Os verdes. Que é que estão ali a fazer?

4. A bancada do PS podia ir para casa. Neste momento não há um único deputado socialista que consiga defender tão bem o partido como o próprio PM. No final o líder parlamentar fez um discurso irónico, quase a espicaçar Paulo Rangel, que nesta altura estava com uma cara de poucos amigos. Temos um Parlamento em que o partido da maioria nos seus discursos apenas trata de "gozar" com os adversários, em vez de fazer verdadeira política.

5. Na bancada do PSD houve uma estreia que podia ter sido em grande, infelizmente, não foi. A "folha A4" deverá ficar para a posteridade. O discurso de Paulo Rangel foi bom, tocou os vários sectores sem extremismos ou demagogias. Mas Paulo Rangel cometeu duas ou três falhas que permitiram ao genial orador Sócrates cilindrá-lo como se ele fosse um amador no Parlamento. Não convém que estas falhas aconteçam porque se há coisa que José Sócrates sabe fazer é reduzir ao ridículo qualquer bom discurso. Uma coisa que não lhe ficou bem foi a falta de fair-play político quando rejeitou das mãos da funcionária os documentos que Sócrates lhe enviara e a "cara de mau" durante todo o debate depois de Sócrates ter ridicularizado o seu discurso.

6. O CDS deu-nos mais do mesmo. Mostrou-nos umas facturas absurdas com um discurso que nunca imaginei possível. Ao início parecia uma situação semelhante à apresentada anteriormente sobre o gás butano, afinal, era simplesmente uma factura de Janeiro comparada à factura de Julho, para se chegar à brilhante conclusão que o preço, apesar da baixa do imposto, tinha aumentado. Aposto que ao PM só deu vontade de mandar calar tanta barbaridade.

7. O PM continua a ser a excelência na oratória em pessoa. Com falhas que podiam perfeitamente ser aproveitadas por uma oposição com o mínimo de capacidade, brinca naquele Parlamento como se fosse um educador numa creche. Sócrates de parvo não tem nada. Não é por acaso que vai tantas vezes à casa da democracia. Não tem ninguém à sua altura no debate político e é por isto que, apesar de tudo, tem toda a legitimidade em estar onde está. Sócrates ganhou o que ganhou e chegou onde chegou através do debate político puro e duro. Concordo plenamente com quem diz que Sócrates foi o melhor PM dos últimos quinze anos (aqui e aqui)