Nova localização

O Afilhado mudou-se para aqui.
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Prendas de Última Hora

Cabe a um bom bloguista (será provavelmente a melhor forma de "aportuguesar" blogger) recomendar, assim a dois dias da véspera de Natal, umas coisinhas para oferecer. Não quero eu que fique um único afilhado desprezado pelos seus padrinhos, por isso:

(aviso desde já que alguns não são propriamente novidade, mas ainda assim recomendo-os)

Isto em relação aos livros. Quanto a álbuns, recomendo o "Canção ao Lado" da Deolinda, "Tributo a Carlos Paião" de vários autores (a Vinho do Porto cantada pelos Donna Maria está fantástica) e o "Todos Cantam Zeca Afonso" de vários autores novamente.
Finalmente, recomendo vivamente a compra do DVD da primeira série dos Contemporâneos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mais um exemplo

Negativo. O mercado editorial português de antigamente era a coisa mais bonita que havia. Editoras independentes umas das outras, concorrentes, pequeninas. Editoras com as quais os amantes das obras se podiam identificar. Uma Feira do Livro às portas do Verão cheia de banquinhas coloridas, todas diferentes e, ao mesmo tempo, todas iguais. Neste momento, até este mercado tão puro até há tão pouco tempo está a ser corrompido pela febre das fusões. O grupo LeYa compreende neste momento as editoras Academia do Livro, Asa, Caderno, Caminho, Casa das Letras, Dom Quixote, Estrela Polar, Gailivro, Livros d'Hoje, Lua de Papel, Ndjira (Moçambique), Nova Gaia, Nzila (Angola), Oceanos, Oficina do Livro, Quinta Essência, Sebenta, Teorema e Texto. Dezanove editoras, dezassete das quais portuguesas. Num mercado digno deste nome, o Paes do Amaral conseguiu levar um grupo editorial ao estatuto de grande empresa, condenando à partida as editoras que restam. E agora vai começar a bola de neve. Como o grupo LeYa não se vai, de certeza, desmantelar, às editoras que restam, restam poucas soluções: declarar falêcia, entrar no LeYa ou criar um outro grupo de grande dimensão. Editoras como a Gradiva, a Temas e Debates, a Presença, a Livros do Brasil ou a Europa-América, grandes referências no mercado editorial português estão agora ameaçadas por causa do devaneio ganancioso de um homem e pela complacência inaceitável de uma autoridade. E assim será.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Asfixiante

Perdoem-me tornar isto mais pessoal, mas este blogue ainda me permite alguns desabafos. Eu começo a achar tudo isto demasiado asfixiante. Eu vejo em Janeiro sair uma lei que trata de forma igual quem falta por estar doente e quem falta por ir fazer merda. Em Setembro/Outubro a lei começa a ser aplicada e os protestos começam a surgir. Dizem dos protestos que não são significativos, dizem, à descarada, que a opinião de cidadãos desta nossa pretensa democracia não é válida. Depois, ao se aperceberem que a lei está, efectivamente errada, fazem um Despacho que, ilegalmente, se sobrepõe à lei e que serve para "clarificar" quem não compreendeu o texto original, ou seja, quem errou passou a ser quem interpretou e não quem criou. Tudo isto é para mim demasiado orwelliano. Estou a ler o 1984 e não o poderia fazer em melhor altura. Tudo isto me faz lembrar de forma perturbadora o trabalho do Minivero a "rectificar" os erros, de modo a que todos pensassem que não tinha existido erro algum. Tudo isto é demasiado asfixiante numa terra que se clama livre.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

gente que vou tentando imitar

Estou de férias na Beira e, por um infortúnio, tive de ir às urgências. Um edifício pequeno, velho e sombrio, cheio de gente idosa à espera da enfermeira para levar uma pica ou para fazer um penso. Faço-me acompanhar pelo Rio das Flores (a serem iguais às de Almada, estas "urgências" iriam tomar-me algumas horas) do qual nem duas páginas leio. "Senhor Tiago Ramalho", era o toque de entrada para a consulta. Entrei. "Gosta de Miguel Sousa Tavares", perguntou o médico ao ver o imenso volume pousado em cima da mesa. Respondi que era o primeiro que lia do autor, mas que estava a gostar. Logo me diz que nunca tinha lido o título que me acompanhava mas que tinha gostado bastante do Equador. Conversa puxa conversa (não havia mais pessoas para serem atendidas, o que permitia alguma folga de tempo) e vamos falando de livros. O simpático e aparentemente culto senhor aconselha-me dois livros sobre o nazismo que, segundo ele, eram relatos muito bons, sem as manipulações e inverdades da televisão e dos jornais: A Mãe e 25ª Hora, nunca tinha ouvido falar. Quando chegamos ao Saramago, cuja escrita tanto aprecio, ele refere-se ao Nobel como "o meu amigo Saramago". Amizade que lhe valera uma primeira edição do Memorial do Convento autografada pelo mesmo punho que me autografou em Junho o Ensaio Sobre a Cegueira. Se já estava admirado por estar a falar com um beirão amigo de um ribatejano "exilado" em Espanha, mais admirado fiquei quando esse beirão me disse que o próprio Saramago havia passado ali, em Pinhel, uma semana há pouco tempo atrás.
No caminho de regresso a casa dei por mim a pensar como deve ser engraçado ser amigo íntimo de um grande intelectual, de uma figura importante na cultura a nível mundial, seja um escritor, um pintor ou um cineasta. E o caminho de regresso, que curto não era, ainda me deu tempo para pensar no bom que é haver ainda gente culta, no sentido dado ao termo antigamente, gente cujo conhecimento não é restringido a uma área do saber como a medicina ou a economia, gente cuja curiosidade se alarga a vários temas e ramos do saber, gente com quem dá para ter uma conversa com substância sobre o que for, gente que vou tentando imitar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Saramago de volta!

José Saramago, aquele velhinho que defende a incorporação de Portugal em Espanha, aquele velhinho que foi proibido por Pedro Santana Lopes (Secretário de Estado da Cultura numa das legislaturas de Cavaco Silva) de concorrer a um prémio com o seu controverso Envangelho Segundo Jesus Cristo, aquele velhinho que escreveu o Memorial do Convento que é ensinado nas escolas passados mais de vinte anos depois da sua edição, aquele velhinho que nos fez tremer quando o imaginámos desaparecido por causa de uma doença grave, acabou mais um livro: A Viagem do Elefante, sobre um elefante de seu nome Salomão. Ou muito me engano ou vou ter uma primeira edição na estante que será assinada naquele belo evento, que será o 79º.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Impressionante

Há coisas do diabo. Estava no portal Sapo, que por acaso é a minha página inicial, quando vi um quadradinho que nos remetia para os acontecimentos do dia 08.08.08 (hoje). Aí vejo que um luso-brasileiro chamado Bartolomeu de Gusmão inventou no dia 08.08 mas de 1709 o primeiro balão de ar quente. Este Bartolomeu de Gusmão é o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão do Memorial do Convento cuja vida documentada pelos historiadores é quase igual à descrita por Saramago. Mais um sinal do brilho deste génio. Vejam a página aqui.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Genialidades

Porque é que cada frase de Saramago me faz sentir que acabei de ler uma obra-prima?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Leituras de Verão (3)


Dediquei-me agora àquela que dizem ser a obra-prima de José Saramago. Sei que li algumas páginas no início e não sei como é que miúdos a quem se exige tão pouco têm capacidade para ler tão complexos enredos.



terça-feira, 1 de julho de 2008

Leituras de Verão (2)

Dispensa apresentações. É um fantástico livro com uma história empolgante, quase impossível de largar. Sem pontuações exageradas, Saramago consegue que compreendamos tudo e mais, que adoremos aquilo que compreendemos. E se de repente, todos cegássemos?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Leituras de Verão

O Atiçador de Wittgenstein, de David Edmonds e John Eidinow (Temas de Debates)

É um fabuloso livro! Vou mais ou menos a meio e não consigo largá-lo. Uma história gira, uma óptima panorâmica do que era a vida nos meios intelectuais do século XX, óptimas biografias tanto de Wittgenstein como de Popper. Um livro excelente para este tempo de Verão. Recomendo.

domingo, 15 de junho de 2008

Diz que foi a 78ª

Fui hoje ao último dia da Feira do Livro de Lisboa. Tão cedo não esqueço.

Tudo começou com um Metropolitano estragado, parado, que me fez ir a pé desde a Baixa/Chiado até ao Parque Eduardo VII. Quando entrei vi, com tristeza, um ecrã gigante no mesmo sítio daquele bazar de conhecimento. Que contraste! T-shirts e cachecóis de um lado, óculos e cachimbos do outro. Mas a partir daí tudo foi gáudio e alegria.

Banquinhas bonitinhas, coloridas, a abarrotar de páginas à espera de ser lidas a preços sedutores. Numa volta - numa das muitas - pela feira, comprei O Atiçador de Wittgenstein por uns amáveis 7€. Quando estava numa das outras voltas uma coluninha faz-se ouvir, oiço na mesma frase "José Saramago", "autógrafos" e "Espaço LeYa". Corro. Pego num Ensaio Sobre a Cegueira, o qual andava desejoso por ler. Depois, desilusão. A fila tinha fechado, o autógrafo do esquerdino Nobel ia ter de ficar para o ano... Talvez para os outros, eu não saía dali sem um autógrafo bem autografado na segunda página do meu mais recente livro. Fui à fila e pedi à última rapariga se o podia levar para autografar. "Não faça isso!". Era o segurança. "Mas é o Saramago!" retorqui. Depois de 2 minutos de conversa o afável senhor lá fechou os olhos à minha prevaricação. Alegria! Tinha uma obra-prima da literatura portuguesa, em desacordo com o acordo do qual discordo, e com um autógrafo de uma das mais emblemáticas figuras do século XX para toda a humanidade. Assim terminou a minha visita ao mais maravilhoso evento da nossa bela praiazinha.

Para o ano, lá estarei, o livro autografado será A Viagem do Elefante ou O Envagelho Segundo Jesus Cristo, quem sabe? Decerto virei para casa com mais uma segunda página assinada.


P.S.: Caro Al Kantara, quando passei pela banca das Edições Avante vi o livro que me recomendou e considerei seriamente comprá-lo, não o fiz, talvez o compre na Festa do Avante em Setembro. Aposto que é do máximo interesse.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ler mais e pior!

O post do De Rerum Natura sobre O Segredo deu-me a ideia de falar um pouco sobre o que é "ler" na nossa sociedade. É extraordinário como os nossos best-sellers se resumem a livros sobre Carolina Salgado, Cristiano Ronaldo ou pseudo-ciência (como a d' O Segredo). Muito sinceramente sempre me recusei a ler qualquer um destes livros, são, na minha opinião uma ofensa àquilo que eu tomo como literatura. O mal disto tudo é que ainda há editoras que à procura do dinheiro fácil publicam aquilo que nem de livro devia ser chamado e deixam às portas de ser escritor óptimos potenciais. Seria interessante imaginar Kafka a escrever na actualidade, com 400 volumes vendidos teria sido completamente abandonado por qualquer Leya ou Presença ou o que for! Ao mesmo tempo, deixam matar árvores para publicar puro lixo!