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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Os esquecidos

Adeus, até ao meu regresso, no Jumento

«Umas das recordações da quadra natalícia que me ficaram da infância foram as horas intermináveis da RTP transmitindo as mensagens de Natal ds soldados portugueses que combatiam em África. Era curtas, cada soldado dizia o nome e o posto, desejava um bom Natal aos familiares e terminava invariavelmente com um “adeus e até ao meu regresso”.
Não sei o que me prendia ao televisor mas a inexistência de alternativas `RTP, a não ser a TVE, levou a que pelos meus olhos tivessem passado muitoss milhares de soldados portugueses, o “adeus, até ao meu regresso” ficou-me gravado para sempre na memória.
Recordo este facto para lembrar que muitos deles não regressaram, foram mandados para uma guerra pelo Estado português, morreram e por lá ficaram abandonados, alguns em cemitérios, muito nem isso, esquecidos por todos menos pelos seus familiares, muitos dos quais os terão visto pela última vez nestes programas da RTP. (...)»

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mais vale tarde que nunca

Ao longo de muitos anos fomos um país onde a inovação não foi relevante na sociedade. Nunca tivemos grandes cientistas, prémios nobel, investigadores de renome a nível mundial. Diz-se até desta nossa província espanhola que começámos a Revolução Industrial com mais de 50 anos de atraso. Sempre se deveu isto em grande parte ao facto de se terem considerado sempre as grandes obras, os grandes monumentos, as grandes extravagâncias para inglês ver mais importantes que o conhecimento - curioso, pouco mudou. Felizmente, agora, estamos a um volte-face em relação a esta triste realidade de séculos como nação: já temos universidades e investigadores reconhecidos a nível mundial, já temos uma balança tecnológica com saldo positivo, já temos a Investigação e o Desenvolvimento como pontos fortes no que respeita à afectação da riqueza criada, mais: o gasto em inovação é maioritariamente vindo de empresas privadas, o que demonstra que a percepção da importância da inovação não é algo fechado em S. Bento, mas sim uma constante nos conselhos de administração. E neste aspecto, e é verdade, a responsabilidade fica muito a dever-se ao governo de José Sócrates que sempre olhou para o investimento em I&D como ponto incontornável no crescimento sustentado e duradouro de uma economia.

domingo, 19 de outubro de 2008

Toda a razão!

Francisco Almeida Leite no Corta-fitas

«É um assunto que tenho acompanhado com preocupação e espanto. Uma nau portuguesa naufragada ao largo da Namíbia por volta de 1525 foi recentemente encontrada por mergulhadores, contendo um achado precioso, já avaliado em 70 milhões de euros. Só que, para nossa desgraça, aquele país africano não é signatário da convenção da UNESCO sobre achados arqueológicos. Chocados? Eu também. Uma nau que tem uma carga com moedas de ouro e prata, espadas, canhões, astrolábios, compassos, toneladas de cobre e de estanho e centenas de barras de ouro vai ficar nas mãos da Namíbia! E, segundo li no Expresso desta semana, que traz mais um importante desenvolvimento sobre a matéria, o Governo português não pretende sequer recorrer à Convenção Internacional dos Direitos dos Mares, porque isso "seria entrar numa guerra sem retorno". (...)»

Vi uma reportagem televisiva sobre isto ainda esta manhã e partilho a indignação do Francisco. É inaceitável que património histórico português fique retido na Namíbia. Seria o mínimo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros fizesse umas nogociações (é para isso que serve...) para, pelo menos, se chegar a algum acordo. Mas pelos vistos, por cá, nem do que é nosso gostamos. Não me admira que apareçam cada vez mais e mais grupos nacionalistas neste nosso Portugal à beira-mar plantado.

domingo, 5 de outubro de 2008

Quando isto se tornou uma Coisa Pública

Foi dia 5 de Outubro de 1910 que em Portugal o poder passou de um presente de Deus ao Rei para um presente do povo ao povo. Para o bem e para o mal, viva a República!

domingo, 14 de setembro de 2008

Coisas da Sábado*

Comprei a revista Sábado há pouco por causa de um artigo que me chamou a atenção: "Como os manuais escolares deturpam factos históricos". Quando li o artigo de cinco páginas não pude deixar de ficar francamente preocupado com aquilo que anda a ser ensinado nas escolas. Para dar alguns exemplos, alguns livros de História de 9º e 12º ano dizem explicitamente que o maccarthismo é comparável ao estalinismo, que os EUA regem-se pelo unilateralismo violento e criam cisões no mundo ocidental, que a Revolução Cultural chinesa teve poucos ou nenhuns mortos, que a globalização veio converter o mundo num "vasto casino, onde as mesas estão repartidas em todas as longitudes e latitudes", assumindo, portanto, as ideias de Maurice Allais; que Fidel Castro não queria o socialismo para Cuba, apenas seguiu esse caminho por causa do bloqueio americano e mais algumas pérolas daquilo a que se pode chamar impor as ideologias privadas dos autores dos livros aos indefesos estudantes que apenas aprendem o que se lhes ensina. Para desmascarar estas enormidades foram convidados pela Sábado alguns profissionais da coisa, entre os quais Maria Filomena Mónica e Luís Aguiar-Conraria que através dos comentários fizeram transparecer a incredulidade que sentiam no momento. É assim que o nosso ensino vai melhorando, autorizando-se livros com cargas ideológicas fortíssimas para serem adoptados nas escolas públicas.

*Título gentilmente cedido pelo JPP.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Impressionante

Há coisas do diabo. Estava no portal Sapo, que por acaso é a minha página inicial, quando vi um quadradinho que nos remetia para os acontecimentos do dia 08.08.08 (hoje). Aí vejo que um luso-brasileiro chamado Bartolomeu de Gusmão inventou no dia 08.08 mas de 1709 o primeiro balão de ar quente. Este Bartolomeu de Gusmão é o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão do Memorial do Convento cuja vida documentada pelos historiadores é quase igual à descrita por Saramago. Mais um sinal do brilho deste génio. Vejam a página aqui.

domingo, 3 de agosto de 2008

Cadeiras de Lona

Foi há 40 anos que se deu o incidente que levou à saída de Salazar da Presidência do Conselho.
Vivam as cadeiras de lona do Estoril que ditam o fim das ditaduras!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Parabéns a Você!


Enquanto passeava na Wikipedia (sim, eu vou à Wikipedia) vi uma coisa fantástica naquela caixinha dos dias: D. Afonso Henriques nasceu há 899 anos, no dia 25 de Julho. Curiosamente foi também num dia 25 de Julho 30 anos depois que o mesmo D. Afonso Henriques venceu a Batalha de Ourique. Parabéns a ti Afonso que tornaste Reino esta pequena praia.

P.S.: Como é que o dia 25 de Julho não é feriado nacional?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uma aceitação que não compreendo


Ontem fizeram 90 anos do assassinato da Família Romanov, isto é, da afirmação em pleno do Comunismo de Lenine na Rússia. O assassinato, que por si só já é bárbaro, dos Romanov foi particularmente cruel. Segundo relatos que li, aquela família foi guardada em Ekaterimburgo no seu Palácio de Verão sem quaisquer condições para uma vida digna, segundo os padrões da altura. Depois de meses em cativeiro, no dia 16 de Julho, foram convidados a tirar uma fotografia, uma última fotografia, para depois serem brutalmente executados por fuzilamento. Depois do caminho aberto, depois do Exército Branco deixar de ser ameaça, o PCUS (o partido comunista da Rússia) tratou de transformar a Rússia por completo, para um palco de morte, fome e miséria. As mortes causadas pelo regime comunista são incontáveis, os números variam entre os 20 e os 40 milhões, desde as purgas dentro do próprio PCUS causadas pela esquizofrenia Estaliniana até ao simples camponês visto como ameaça e enfiado num Gulag com uma chávena de chá com 8 gramas de açúcar a servir de ração diária, por toda a Rússia se sentiu o terror comunista. O comunismo causou tantas ou mais mortes que o nazismo, o fascismo ou qualquer outro ideal, no entanto, anda por aí, a contaminar os Parlamentos por essa Europa fora, sem que NUNCA um comunista tenha sido condenado pelos seus actos. Isto mete-me nojo. Mete-me nojo o cinismo dos comunistas quando se referem aos EUA - que dão uma lição de democracia a qualque comunista, quando se referem à ameaça neo-nazi, quando condenam actos, decerto condenáveis, mas não por quem não tem autoridade moral para tal. Quando é que o socialismo totalitário, quando é que as insurrecções armadas, quando é que as pretenções de autocracias são, de uma vez por todas abolidos? Quando é que o comunismo vai ser tratado da forma que merece: como uma ameaça à humanidade?

Adenda: e agora isto, se Russell ainda estivesse vivo, teria novas razões para escrever Por que não sou cristão?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Foi no dia 14.VII.1789. Um grupo de revolucionários, toma de assalto a bastilha, símbolo do poder real francês. Foi a primeira etapa da luta que ainda hoje se trava, a luta pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vinte anos depois...


Há vinte anos...


quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Sonho Europeu - Jean Monnet

Agora que tanto se fala do Tratado de Lisboa, pensei em ir ao baú da Europa, procurar quem teve a culpa da criação do maior bloco económico do mundo. Pelos vistos, a Europa é um bocadinho estranha, tem dois pais. Hoje vou falar apenas do pai francês Jean Monnet, para uma próxima ficará Robert Schumman.

Nascido em 1888, em França, o pequeno Jean Monnet estava destinado a trabalhar no negócio familiar de cognac. No entanto, desde muito novo mostrou aptidão para uma verdadeira carreira diplomática. Aos dezasseis anos foi para Inglaterra, aprender inglês. Aos dezoito, o pai envia-o para o estrangeiro, ao serviço do pequeno negócio familiar, nessa ida ao estrangeiro, o jovem Jean vai à Escandinávia, aos Estados Unidos, ao Egipto ao Canadá e à Rússia.

É em 1914 que começa o seu serviço à nação, não no plano militar, mas no plano diplomático. Ele propõe ao Presidente do Conselho que criar um plano de coordenação entre as nações aliadas. O plano é posto em prática e os Aliados vencem.

Devido ao seu contributo na resolução do conflito, Jean Monnet é convidado para integrar a Sociedade das Nações à data da sua fundação, em 1919. Ocupa o cargo até 1923, altura em que sai para se dedicar ao negócio familiar. Neste período ele ajuda a estabilizar a situação de vários países, nomeadamente na Europa Oriental.

Durante a Segunda Guerra Mundial, volta a destacar-se, propondo em 1940 a união total entre o Reino Unido e a França, a ideia veio tarde demais, a França já tinha sido anexada. Foi ele o responsável pela ajuda militar dos EUA à Europa em 1941, convencendo o presidente Roosevelt a fornecer o "arsenal das democracias". Segundo Keynes, esta entrada encurtou a guerra em cerca de um ano.

Depois do fim da guerra, as suas ideias de integração económica não cessaram. Em Alger profere o célebre discurso que dá início à ideia Europeia. Ficou célebre a sua frase: "fazer a Europa é fazer a paz". Em 1950, juntamente com Schumman, propõe uma alta autoridade que regule a produção do carvão e do aço, recursos essenciais para a reconstrução europeia. Assina-se em 1951 o Tratado de Paris que dá início à CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), que contará no início com seis países: França, RFA, Itália, Luxemburgo, Bélgica e Holanda. Jean Monnet será o primeiro presidente da CECA.

Em 1955, Monnet quer ir mais longe e cria o Comité de Acção para os Estados Unidos da Europa, propondo que a Europa deverá, no futuro, unir-se ainda mais, criando um Mercado Comum, uma União Monetária, um Parlamento Europeu de sufrágio universal, uma Comissão Europeia e diz ainda que a Inglaterra deverá aderir. Até ao fim da sua vida, Jean Monnet teve a séria convicção que a única forma de os países europeus crescerem era através da integração económica.

No fim da sua vida dedica-se a escrever as suas memórias. Morre em 1979, sendo os seus restos mortais depositados no Panteão Nacional francês.

Gostaria de no fim deixar duas frases repetidas por Jean Monnet que são verdadeiramente inspiradoras:

"Je ne suis pas optimiste, je suis déterminé"

"Il y a deux catégories d'hommes : ceux qui veulent être quelqu'un et ceux qui veulent faire quelque chose"


Fonte: Associação Jean Monnet

terça-feira, 17 de junho de 2008

Maio 68

Este belíssimo texto de Carlos Amaral quase nos transporta para aqueles rebeldes e apaixonados cafés parisienses. Vale muito a pena lê-lo.

http://instantesdecisivos.wordpress.com/2008/05/23/na-margem-da-rebeliao/