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O Afilhado mudou-se para aqui.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Leituras de Verão (3)


Dediquei-me agora àquela que dizem ser a obra-prima de José Saramago. Sei que li algumas páginas no início e não sei como é que miúdos a quem se exige tão pouco têm capacidade para ler tão complexos enredos.



Vamos baixar o IVA?


É tramado quando as contas nos saem furadas, o Engenheiro Sócrates que o diga. Muito provavelmente iremos ter uma nova situação de défice excessivo. O motivo apontado é a quebra na receita fiscal (impostos sobre o consumo) que, por seu turno, se deve ao abrandamento da economia. Segundo o Público, as quebras são as seguintes:

O IVA cresceu 5.5%, o previsto era 8% (estes são números do primeiro trimestre, logo, a baixa da taxa normal não é para aqui chamada)

O ISP+Contribuição de Serviços Rodoviários teve uma quebra de 2% quando se previa que crescesse 6% (parece-me que o senhor Paulo Portas já tem os números por que tanto anseia)

Imposto Sobre o Tabaco e Sobre os Combustíveis tiveram quebras superiores a 20%

Eu começo a achar que o que o Paulo Rangel disse no debate da Nação sobre a falta de capacidade de previsão é verdade. Ainda no debate da Nação, o PM disse de peito inchado que uma esquerda responsável tem de ter as contas públicas em ordem. Estou em completo acordo. Tenho pena é que com tanto aumento de despesa o nosso amigo PM vá tramar as contas públicas de todos os governos que lhe sucedam, sejam eles responsáveis ou não.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mas o que é isto?

«A comunidade cigana da Quinta da Fonte está preparada para juntar ciganos de todo o país numa manifestação nacional se as famílias não forem realojadas em novos bairros até ao final desta semana, garantiu hoje José Fernandes, porta-voz da comunidade, que desde quinta-feira está concentrada em frente à Câmara de Loures. (...)»

Eu começo mesmo a pensar que esta gente enlouqueceu de todo. Podem chamar-me racista pelo que vou dizer, não quero saber, a comunidade cigana portuguesa tem previlégios que nenhuma outra tem. As autoridades por medo ou das armas ou das bocas sobre racismo, permitem que as feiras dos ciganos continuem, sendo óbvio para todos que se cometem ilegalidades nessas feiras, permitem que os ciganos continuem a ter habitação social recheada de playstations, e faço menção de referir o plural da palavra, e com mercedes à porta. Com tanto previlégio concedido nos últimos anos, começa-se a pensar que os previlégios são direitos, coisa que não são. Agora, a bem da segurança que eles próprios põem em causa, exigem a um país inteiro que pague, através dos seus impostos, casas novinhas para que os meninos possam permanecer confortáveis e inteiros. Poupem-me.

Mas que ótimo!

Foi hoje promulgado pelo PR o novo Acordo Ortográfico. Não tenho muito a dizer, apenas que sinto muito, sinto muito que a nossa cultura e a nossa identidade tenham sido postas em causa a bem de uma pseudo-cooperação política e económica. Apenas tenho uma coisa a dizer, venha lá quem vier, as coisas boas, para mim, continuarão a ser óptimas.

domingo, 20 de julho de 2008

Ainda não vi nada

Há uma regra base na política em democracia: aproveitar qualquer gaffe para aproveitamento político. É legítimo, afinal, temos de vender o nosso peixe e quando o peixe não tem muita qualidade, temos de dizer que o do outro não é muito fresco. Mas ás vezes este aproveitamento torna-se absurdo.

Manuela Ferreira Leite foi infeliz quando disse que o objectivo do casamento era a procriação, há que dizê-lo sem problemas. Mais infeliz que ela está a ser José Sócrates pois vangloria-se de ser progressista e critica MFL por, segundo ele, esta ser conservadora e retrógrada, enquanto que ele próprio não fez absolutamente nada pelo casamento entre homossexuais. A JS anda por aí cheia de iniciativas a bem de direitos iguais e o PS nem quer saber. Eu pergunto ao senhor José Sócrates, se é tão progressista assim e se o seu governo foi o que mais avançou em termos sociais (esta coisa de José Sócrates comparar o seu governo a todos sempre me perturbou, é a prova que o que ele mais ambiciona é o sucesso pessoal, mas isso fica para outro post), porque não fazer um referendo à questão do casamento gay? Nada melhor que o povo soberano pronunciar-se sobre um tema tão delicado. Quando o "não" ganhar Sócrates faz o quê? Chama retrógrados aos portugueses?

Não acontece só na China


Hoje no Público é noticiado que um grupo de confecções que trabalha para a Zara foi acusado de exploração infantil. What's new?

O grupo Inditex, para quem não sabe, detém a Zara, a Stradivarius, a Massimo Dutti e a Pull and Bear. Ao longo de anos a fio este grupo espanhol (cujo dono é o espanhol mais rico e o sexto mais rico do mundo) tem sido acusado destas situações, mantendo sempre uma pose de "a culpa não é nossa". É impressionante como no modelo social europeu, em pleno século XXI ainda haja crianças de 11 anos a coser sapatos por uns míseros 40 cêntimos o par. É vergonhoso quando vemos Bruxelas denunciar práticas que atentam contra os Direitos Humanos pelo mundo fora e não vermos a mesma moralista Bruxelas olhar para aquilo que tem em casa.
Por acaso tomei conhecimento deste caso pela primeira vez através de um e-mail onde vinham denunciadas estas situações. Eu só gostava de dizer, perdoem-me as pretenções a Sherlock, que um caso isolado pode significar apenas isso, um caso isolado, mas um grupo que ao longo da sua história tem repetitivos "casos isolados" não pode ser constantemente desresponsabilizado.

sábado, 19 de julho de 2008

O Clubismo Partidário

Em política faz-se uma coisa que considero, deveras, extraordinária. Com esta ideia da representatividade, cada um de nós escolhe o partido que mais lhe agrada e a partir daí deixamos de ter ideias próprias, pensamos o que o partido pensa, apoiamos o que o partido apoia, rejeitamos aquilo que o partido rejeita. Isto é mais característico de algumas correntes que penso não ser necessário referir, mas alastra-se um pouco por toda a vasta panóplia de ideologia política à escolha. O que acontece, infelizmente, é que muita gente olha para os partidos políticos com espírito acrítico, olhando para as instituições como se olha para um clube de futebol.

És de que partido?

Sou do CDS, então e tu?

Sou do PS!

Epá devias mudar, esses gajos não valem nada!

Tu é que...

E por aí se desenrola uma pseudo-discussão-política destituída de qualquer conteúdo. Não pode ser. Os partidos políticos têm de ser constantemente avaliados e é ridículo desenvolver laços de afecto em relação a um partido político, votando nele mesmo que as suas ideias nada valham. Talvez quando o momento de votar, quando a opção por um partido partido deixar de ser algo "clubístico", talvez aí, o debate político em Portugal tenha a qualidade que se pretende.

Novo-riquismo português

Há uns tempos vi um Prós e Contras em que se falou do TGV, do aeroporto e dessa febre do betão instalada pelo país. Nesse programa, lembro-me de um senhor, não me lembro que senhor, dizer que precisamos de políticas de transporte sólidas, à semelhança de Espanha, onde existem planos para a mobilidade e acessibilidade com períodos de 15 anos e para os quais o Estado canaliza alguns milhares de milhão de euros. Eu concordo com o senhor, considero realmente que precisamos de políticas estruturadas e não só nos transportes, infelizmente começo a achar que tal realidade assume um carácter utópico em Portugal.
É impressionante a quantidade de volte-faces que as decisões dos governos tomam. Em escassos meses, um aeroporto decidido pelo Salazar muda de localização. Em escassos meses um investimento considerado pelo FMI como vantajoso para Portugal é posto em causa (falo do TGV), então dou por mim a perguntar: o que raio se passa aqui?
Todos os partidos na oposição se queixam do betão. Quando chegam ao governo é no betão que se focam. O mais extraordinário é que muitas vezes o betão não é, de todo, necessário. Não são escutadas com atenção as vozes de quem sabe. A questão do aeroporto, desde início, não foi a construção ou não construção, a discussão já tinha a construção como garantida, apenas faltava decidir o "onde". Li artigos a comparar o nosso aeroporto a outros como o de Málaga em que se dizia explicitamente que seria perfeitamente rentável potencializar mais a Portela em vez de construir um novo aeroporto de raiz em Alcochete ou na Ota. Porque é que não oiço nenhum político colocar a possibilidade de um aeroporto novo não ser necessário? O nosso aeroporto comparado com aeroportos que ninguém põe sequer em causa fechar como os de Londres está às moscas, completamente às moscas.
O novo-riquismo português não é só característico das famílias cuja vida é financiada pelo crédito, este novo-riquismo alastra-se para S. Bento, onde se pensa poder fazer tudo o que se quer com fundos maravilha vindos da UE. Eu só gostava de lembrar uma coisa: os investimentos que se fizerem agora, só começarão a ser pagos a partir de 2014. Em 2013 termina o actual QREN e, com ele, a situação previligiada de Portugal na distribuição dos fundos comunitários. Eu nem quero imaginar os défices orçamentais e as dívidas públicas nos anos a seguir a 2014. Preparem-se para uns impostos extra.

Pickle envagelista!

No De Rerum Natura, a Palmira da Silva colocou um vídeo do GrandPa John (John Clayton) no qual este avô tenta através de um pickle e dois garfos provar a beleza do que é ser cristão. Simplesmente delicioso este clip:



Leiam o artigo da Palmira aqui.

Mal entendidos

No primeiro parágrafo desta notícia do Público lemos:

«José Manuel Durão Barroso admitiu que estar disponível para um segundo mandato na presidência da Comissão Europeia, em declarações dadas ao jornal holandês “NRC Handelsblad” divulgadas hoje.»

No segundo parágrafo, lemos:

«“Se tivesse que tomar hoje uma decisão sobre um segundo mandato, diria ‘sim’ (...) assumindo, claro, que teria o apoio dos Estados-membros e do Parlamento Europeu”, disse Durão Barroso, citado pelo “NRC Handelsblad”.»

Isto não é notícia. Durão Barroso já tinha dito em português, a portugueses, que se a decisão tivesse de ser imediata, imediatamente diria 'sim'. A questão é que a decisão ainda pode esperar um ano e até lá muito pode acontecer.

Tudo por uma autarquia!


O CDS no ano passado não teve uma autarquiazinha para amostra, não está certo. Um partido que visita tantas feiras, tantos mercados, tantas pessoas não merece tal desfeita. O presidente do Partido até voltou a ser o Paulinho dos dentes brancos e da pele bronzeada! Que querem mais? Política? Ah...

É impressionante o que um partido em maus lençóis faz para poder subir um bocadinho que seja, Desta vez foi o CDS-PP ao nomear Avelino Ferreira Torres para candidato à autarquia do Marco de Canaveses. Como é que um partido que está com uma falta de credibilidade tamanha, que nas sondagens é apontado como a última força política com apenas 3% dos votos, ainda faz asneiras destas? Um conselho ao senhor PP, mais vale perder uma autarquia e manter um bocadinho de dignidade, do que perder tudo para que um corrupto dê ao seu partido uma autarquia nas eleições de 2009. Mas como disse, é apenas um conselho...

Já agora: digam lá que o cartaz não está uma maravilha propagandística!

Adenda: O PP leu o meu post, afinal o candidato não o é mais...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ricos e mal agradecidos


O incidente de pura guerrilha urbana que teve lugar em Loures há uns dias despoletou agora um protesto por parte da comunidade cigana do Bairro, que exige que lhes sejam dadas novas casas. Os senhores são razoáveis, dizem às autoridades que não é preciso ser aqui na região, pode ser numa outra qualquer região do país, o que eles não querem é voltar para Loures. Até lhes satisfazerem o pedido, eles irão permanecer nas imediações da Câmara Municipal de Loures, acampados em bancos de jardim e em colchões. Isto está a ir longe demais.

Por todo o país, mas principalmente nas Áreas Metropolitanas, têm-se construído habitações sociais sem fim, dezenas de milhar nos últimos anos. Estas casas são atribuídas a famílias de parcos recursos que vivem em condições inumanas e que, pelo princípio da solidariedade social, merecem casas decentes. Não sou contra a atribuição destas habitações, salvo duas excepções:

1. Quando os que as recebem não as merecem por terem actividades não declaradas como bancas em feiras, tráfico de armas ou de droga, trabalho doméstico, entre outros, que os fazem receber mais do que muitos que não recebem um chavo pela parte do solidário Estado português.

2. Quando a solidariedade passa a ser exigida. As pessoas confundem muitas vezes favores com direitos, pensam que como lhes é dada uma casa, isso significa que têm direito a tê-la, o que é, obviamente, errado. As casas são oferecidas àquelas pessoas para que não vivam mal, nada obriga os contribuintes a sustentar famílias que não sejam as suas.

Mas isto das habitações sociais abrange um sem número de coisas. Por exemplo, o Rendimento Social de Inserção (o antigo Rendimento Mínimo Garantido, criado por aquele brilhante estadista que foi o Guterres) é atribuído a imensas pessoas que dele não dependem: os feirantes, os traficantes ou as empregadas domésticas são exemplos. A Justiça Social acaba por se ver transformada na mais pura injustiça porque, por um lado aquelas pessoas não descontam para o IRS pelas actividades a que se dedicam e, ainda por cima, recebem dinheiro extra exactamente por não declararem quanto recebem.

Obviamente isto não é culpa de nenhum governo, seja ele socialista ou social-democrata, é culpa do poder local que, com medo de conflitos e de perder popularidade, fecha constantemente os olhos a estas situações, a bem dos votos. Uma grande saudação da minha parte ao Presidente da Câmara de Loures por não ceder a chantagens como aquelas de que está a ser alvo e o meu voto para que a sua posição não se altere com o desenrolar dos acontecimentos. Se a coisa der para o torto, já não são precisas casas, as cadeias ainda têm celas por preencher.
*Imagem retirada do Público

Milton Friedman on Corporations

Porque no te callas?


Luís Filipe Menezes brindou-nos mais uma vez com um muy acertado artigo de opinião para o Diário de Notícias. É um primor este Luís, sempre a dizer-nos coisas tão bonitas que nos comove sempre que nos presenteia com uma aparição pública.

Óbvio que não estou a falar a sério.
Luís Filipe Menezes é um puto, um puto mimado a quem foi tirado o brinquedo para ser dado a outra. Em todo o discurso vemos traços vincados de despeito e inveja, vemos que o problema de Luís Filipe Menezes não é ser Manuela Ferreira Leite quem lá está, que não é ser Paulo Rangel quem lá está. O problema de Luís Filipe Menezes é ver que não é ele quem lá está, e isso chateia. Para o demonstrar vou pegar em três exemplos:

«Em Fevereiro passado, outra sondagem com a mesma chancela de credibilidade da Universidade Católica punha PS e PSD com escassos sete pontos a separá-los.»

Exacto, agora são 8. O amigo Luís não percebe que apesar de a Católica estar coberta de uma credibilidade que ele não tem, existem margens de erro, por isso, um ponto numa sondagem não representa nada.

«Nem quero imaginar o que se escreveria sobre o anterior líder social-democrata se ele, em escassas seis semanas, não tivesse divulgado uma proposta, estivesse em hibernação enquanto os camiões bloqueavam o País e culminasse tal período de ausência com a pomposa declaração de que o casamento era um magistério virado em exclusivo para a procriação!»

Ó mamã eles gostam mais dela do que de mim!!

«Não tenho dúvidas de que éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores.»

Pessoal da Fox têm aqui o elenco para a próxima série do Heroes, eles são mesmo brutais.

Vou ser franco, isto mete-me muita confusão. Para além de LFM saber que não o querem onde ele estava por ele ser simplesmente uma nulidade, faz questão de tentar mandar abaixo não só a líder do partido, mas também o próprio partido, afirmando, sem medo, que o PSD não tem substância nem ideologia definida. Indivíduo mais mesquinho, pá!

*Imagem retirada daqui.

Ler a notícia do Público aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uma aceitação que não compreendo


Ontem fizeram 90 anos do assassinato da Família Romanov, isto é, da afirmação em pleno do Comunismo de Lenine na Rússia. O assassinato, que por si só já é bárbaro, dos Romanov foi particularmente cruel. Segundo relatos que li, aquela família foi guardada em Ekaterimburgo no seu Palácio de Verão sem quaisquer condições para uma vida digna, segundo os padrões da altura. Depois de meses em cativeiro, no dia 16 de Julho, foram convidados a tirar uma fotografia, uma última fotografia, para depois serem brutalmente executados por fuzilamento. Depois do caminho aberto, depois do Exército Branco deixar de ser ameaça, o PCUS (o partido comunista da Rússia) tratou de transformar a Rússia por completo, para um palco de morte, fome e miséria. As mortes causadas pelo regime comunista são incontáveis, os números variam entre os 20 e os 40 milhões, desde as purgas dentro do próprio PCUS causadas pela esquizofrenia Estaliniana até ao simples camponês visto como ameaça e enfiado num Gulag com uma chávena de chá com 8 gramas de açúcar a servir de ração diária, por toda a Rússia se sentiu o terror comunista. O comunismo causou tantas ou mais mortes que o nazismo, o fascismo ou qualquer outro ideal, no entanto, anda por aí, a contaminar os Parlamentos por essa Europa fora, sem que NUNCA um comunista tenha sido condenado pelos seus actos. Isto mete-me nojo. Mete-me nojo o cinismo dos comunistas quando se referem aos EUA - que dão uma lição de democracia a qualque comunista, quando se referem à ameaça neo-nazi, quando condenam actos, decerto condenáveis, mas não por quem não tem autoridade moral para tal. Quando é que o socialismo totalitário, quando é que as insurrecções armadas, quando é que as pretenções de autocracias são, de uma vez por todas abolidos? Quando é que o comunismo vai ser tratado da forma que merece: como uma ameaça à humanidade?

Adenda: e agora isto, se Russell ainda estivesse vivo, teria novas razões para escrever Por que não sou cristão?

Antena Fechada


Hoje no programa Antena Aberta da Antena 1 decorreu uma forte discussão sobre, imagine-se, o novo regime de reformas. Impressionados? Eu também não.

Eu acho muito positivo que a rádio e a televisão criem programas interactivos para que o público se possa expressar, mais a mais numa rádio que presta serviço público como é a Antena 1. O problema é que o público que participa é parvo. Eu ouvi meia-dúzia de intervenções e quase nenhuma foi acertada! Ouvi dois sindicalistas dizerem a estupidez de que os aumentos vencimentos têm de ser indexados à inflação e que os culpados disto tudo são os detentores do grande capital e que o grande capital é mau e que o Cunhal é que é bom. Ouvi algumas pessoas que decerto não perceberam a ideia do programa porque ligaram para lá para perguntar com quanto de reforma é que iam ficar. Ouvi um indivíduo ser silenciado depois de referir os ciganos quando falava das injustiças na atribuição de prestações sociais. Ouvi um outro sujeito dizer que foi a Manuela Ferreira Leite que passou a idade de reforma para os 65 anos e o número de anos de descontos para 40 (quando é do conhecimento geral que esta foi uma medida do Engenheiro Sócrates). Ouvi uma senhora indignada por serem os nossos impostos que pagam os vencimentos do Governador do Banco de Portugal e dos Ministros, devia ter descoberto agora.
De tudo o que ouvi, a única coisa com que concordei foi com o facto de ser vergonhoso que os deputados saiam da Assembleia da República com brutas reformas depois de trabalharem 12 anos (antigamente eram 8, já está menos mau...).
É neste estado que está a "opinião pública": populista, mal informada e com tremendas lesões no cérebro depois de passarem anos a fio a ouvir senhores como o Carvalho da Silva, o Jerónimo de Sousa, o Francisco Louçã ou o Paulo Portas. É triste.

Boas férias Cachimbo

Estou há pouco, muito pouco, tempo na blogosfera. Apesar disso, desde início que sempre tive alguns blogues como blogues de visita obrigatória. Um deles é o Cachimbo de Magritte. Agora vai entrar de férias, é uma pena. Com a silly season a chegar, menos um blogue de qualidade a funcionar é tudo menos bom.

It's time for some campaignin'!

(via 31 da Armada)

O medo de Sócrates


Ao longo dos últimos três anos de legislatura, José Sócrates apenas se preocupou com a sua opinião, tanto é que os ministros que dele discordavam foram convidados a sair. Isto era perfeitamente justificável. Uma maioria absoluta no Parlamento que lhe permitia uma autêntica ditadura em democracia, uma oposição nula e um Presidente que, a bem da cooperação estratégica e devido aos traumas do passado não se lhe opunha. Isto tudo levou a que o PS nunca precisasse de fazer discursos incendiados contra os seus opositores. Agora é diferente.
O PM está nervoso, o PM sabe perfeitamente que nas directas do PSD não foi só Manuela Ferreira Leite que ganhou alguma coisa, ele também ganhou: uma adversária à altura. A descontração que o Eng. Sócrates e o seu governo demonstravam está a acabar. Ouve-se agora um ministro rebaixar-se ao ponto de responder a um comentador, mais, a pedir-lhe um debate. Ouve-se José Sócrates a ridicularizar uma ideia da sua opositora de que ele próprio nunca deu provas de discordar. Ouvem-se tentativas de Vera Jardim de ridicularizar Paulo Rangel no Parlamento através da comédia em vez da argumentação. Enfim, nas palavras da líder da oposição, José Sócrates e o PS estão a "cerrar fileiras" porque sabem muito bem que até 2009 MFL pode subir aqueles 8 pontinhos e sentar-se na bancada do governo no Parlamento.

P.S.: 100º post

Adenda: leiam este artigo no Público

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Questão do Nuclear


Vítor Constâncio foi ao Parlamento e na sua intervenção disse que "a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear". A seguir a Quercus veio contestar o que o Governador do Banco de Portugal disse, já se esperava.

A energia nuclear é, obviamente uma alternativa. Resta saber se é uma alternativa acertada. Não a considero como tal. Em Portugal temos enormes potenciais para energias renováveis. Se apostarmos na energia eólica e na solar, de certeza que não vamos ter de importar matérias-primas, no entanto, em relação ao nuclear a coisa é diferente porque, ao que sei, a produção nacional de urânio não é coisa de grande envergadura. Isto é um dos muitos problemas da opção pela energia nuclear. A fazer fé nos ambientalistas da Quercus, toda a Rede Eléctrica Nacional tinha de ser alterada porque não suporta uma central nuclear. Os resíduos nucleares não têm tratamento possível. Apesar de ser uma energia limpa, um qualquer erro pode transformar-nos numa Chernobyl.

Eu até percebo esta conversa do nuclear, por vários sítios da Europa está a tornar-se "moda", nomeadamente nos muitas vezes imitados países escandinavos. Mas há que ter em atenção que os países que estão a apostar no nuclear só têm o nuclear como alternativa. Custa-me a crer que alguém que se queira bronzear vá para a Finlândia. Em Portugal essa alternativa existe e é uma alternativa melhor. Mesmo que sejam mais caras (não sei se é) as energias renováveis, nomeadamente a eólica e a solar, trazem vantagens em termos de custos sociais e ambientais (as chamadas externalidades) muito maiores que a energia nuclear. Espero bem que haja o tal debate e que nesse debate as pessoas percebam o erro do nuclear.