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O Afilhado mudou-se para aqui.

sábado, 26 de julho de 2008

A Frase (3)

«O conhecimento tornou-se a moeda de troca mundial» (Peter Drucker)

Vai Sonhando Mário...

«Mário Soares defendeu ontem, em Sesimbra, que a vitória do candidato democrata Barak Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, pode representar uma viragem nas políticas neoliberais que têm sido seguidas nos países ocidentais nos últimos anos.(...)»
A idade vai pesando e o juízo vai começando a ir embora. Barack Obama até pode ser de uma esquerda, mas a esquerda a que pertence Obama não é igual à esquerda a que pertence Soares, Chavéz, Fidel e tantos outros que cá estão, cá estiveram ou cá estarão. A esquerda de Obama é uma direita mais suave. Desenganem-se os sonhadores que pensam que com Barack Obama a base da política e da economia americanas vai mudar. Tudo vai ser o mesmo, apenas com um bocadinho mais de charme.

Liberdade de Expressão?


Com medo de repisar um assunto já tão debatido pela amiga televisão, pela menos amiga rádio e pelos compinchas blogues, vou falar do livro do Gonçalo Amaral.
O caso Maddie levou os portugueses a sentir de tudo um pouco. Havia aqueles que nas primeiras semanas vendiam pulseiras e aplaudiam os pais na rua. Havia aqueles que, nas tertúlias de café ou nas pausas do trabalho diziam com ar desconfiado que naqueles pais qualquer coisa cheirava mal. Havia a Fátima Lopes, guerreira das boas causas que todos os dias lembrava "a menina" nos seus programas. Havia um Portugal que na sua pequenez tinha espaço para todo o tipo de opiniões e sentenças. Mas, apesar de todo Portugal ter o seu parecer, tão comum à "raça" opinativa que é a lusitana, a última palavra ficava para as autoridades, o mesmo será dizer, para quem sabia. O problema é que quem se pensa saber, sabedoria tem pouca, e este alvoroço mundial, esta montanha, pariu um rato: o caso foi arquivado. Gáudio para os jornalistas e investigadores a recibos verdes que puderam ir vasculhar no que no segredo de justiça se encontrava para poderem alimentar telejornais de uma hora durante este tonto Verão. O pior é que numa época tonta, também as pessoas ficam tontas e rapidamente ultrapassam a barreira do razoável. Essa barreira é aquela que divide a simples opinião pessoal, pública, mas pouco, e a acusação improvada, vulgo, a calúnia.
Gonçalo Amaral teve oportunidade de resolver o caso, pobre dele que não o permitiu a incompetência. Mas o senhor não se ficou, ou vai ou racha, e decidiu publicar um livro com a sua tese de sempre, que até pode ser a mais certa de todas as que se fizeram, mas pela falta de provas fica reduzida a um crime. A questão é que tornar pública uma tese enquanto se dirige um caso ainda aberto é "investigação" , tornar pública uma tese incriminatória depois de dados inocentes todos os envolvidos é simplesmente parvoíce. É disso que temos excesso: parvos. Parvos que não sabem, a mal de muitos, o que é a liberdade de expressão.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ideias Liberais (5)

EU VOU! ao último festival do verão, aliás, à Festa do Avante!... Há coisas que nunca mudam.

A Falácia do Trabalho Flexivel


Existe uma constante no funcionamento das economias: a necessidade do factor trabalho. Apesar do imenso investimento em capital feito, principalmente desde a Revolução Industrial, nunca deixou de ser necessário o trabalho. A atestar isto está o facto de, apesar de termos infinitas vezes mais máquinas que no período anterior ao da Revolução Industrial, a esmagadora maioria de nós continua a ter emprego. É, portanto, ponto assente que, dê lá por onde der, vai ser sempre necessário trabalho numa economia.
Aqui entra a questão do trabalho flexivel. Muitos sindicalistas e experimentados economistas de uma extrema-esquerda, caviar ou não, que se assumem como defensores da classe trabalhadora, têm insistido numa tremenda mentira que manipula a opinião pública: a ideia de que trabalho flexivel leva a situações de desemprego. Isto é uma abordagem de uma superficialidade tal que nos dá a entender como está o debate político, económico e social.
O que o trabalho flexivel faz é tornar os despedimentos mais fáceis. Quando uma empresa despede um empregado, é fácil perceber que vai precisar de outro para ocupar o lugar que foi desocupado, razão pela qual essa empresa vai ao mercado de trabalho procurar uma pessoa que, muito provavelmente, estava desempregada. Existe, portanto, uma maior rotatividade, diminuindo as situações de Desemprego de Longa Duração. Mas não é só isto que uma maior flexibilidade laboral permite, existem inúmeras consequências que são positivas. Saliento duas.
Em primeiro lugar, uma flexibilidade no trabalho vai permitir estarem nos postos de trabalho pessoas pela sua qualidade e não pela impossibilidade de saírem, o que aumentará invariavelmente a produtividade por dois motivos: uma maior presença de pessoas boas e uma maior necessidade de provar que se é bom. Resumindo, um mercado flexivel será um mercado mais justo. Em segundo lugar, um mercado mais flexivel vai permitir uma maior subsistência das empresas que em vez de se verem obrigadas pela lei a manter os empregados nem que tenham de abrir falência por isso, vão poder cortar despesas quando for necessário.

Parabéns a Você!


Enquanto passeava na Wikipedia (sim, eu vou à Wikipedia) vi uma coisa fantástica naquela caixinha dos dias: D. Afonso Henriques nasceu há 899 anos, no dia 25 de Julho. Curiosamente foi também num dia 25 de Julho 30 anos depois que o mesmo D. Afonso Henriques venceu a Batalha de Ourique. Parabéns a ti Afonso que tornaste Reino esta pequena praia.

P.S.: Como é que o dia 25 de Julho não é feriado nacional?

A Frase (2)

"Portugal é um país onde há a arreigada convicção de que a liberdade é não cumprir as regras" (José Miguel Júdice)

Genialidades

Porque é que cada frase de Saramago me faz sentir que acabei de ler uma obra-prima?

Enigma da Linguagem

Porque é que as passadeiras se chamam passadeiras se passar é coisa que não fazem?

Ainda falam do Jorge Coelho

«A declaração de interesses apresentada em Janeiro deste ano e referente aos rendimentos de 2006 colocou Valentim Loureiro na liderança de um "top" algo invulgar: pelo menos em número de participações sociais que detém em empresas, o major, presidente da Câmara de Gondomar, é o autarca que mais empresas possui e gere. (...)»
Eu pergunto-me como é que ainda falam do Jorge Coelho. Gondomar e o seu presidente são o típico exemplo do que é corrupção autárquica. Quando é que se mete esta gentalha toda em tribunal?

A Ideia da Ibéria


"De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos" traduz de forma bastante concisa a nossa posição face a Espanha ao longo de séculos de existênca como nação. Esta ideia de que Espanha era um inimigo natural está instalada desde a Batalha de S. Mamede. Quando entrámos na União Europeia, de repente, passámos os espanhóis de bestas a bestiais, tratando-os a partir de então como "nuestros hermanos". Esta fraternidade toda levou a que, a bem de uma Ibéria forte concorrente das grandes potências como a Alemanha ou a França, estreitássemos as nossas relações políticas e, sobretudo, económicas. Tamanho esforço se fez para que nos tornássemos mais unidos, que actualmente somos totalmente dependentes (nós, eles não). Entre 30 e 40% do nosso comércio intracomunitário é com Espanha (em 2006, os espanhóis receberam, segundo o Eurostat, 34,3% das nossas exportações), o que resulta num rombo na nossa economia sempre que a deles tem uma constipação. Uma coisa curiosa de se ver é que apenas 12,6% das exportações espanholas têm como destino Portugal, sendo que os "nuestros hermanos" dão mais importância aos "ses frères" (26,5% das exportações intracomunitárias) e aos longíquos alemães (15,5%). Isto tudo para dizer que numa economia sustentável não é possível nem concebível que as trocas comerciais sejam um semi-monopólio de um país. É uma história semelhante em apostar em acções: se apostamos o nosso dinheiro todo numa empresa e essa empresa abre falência, ficamos em maus lençóis. Seria positivo que em vez de olharmos para Espanha como a única possibilidade, olhássemos mais para as grandes economias e, fundamentalmente, para o novo Leste cheio de vontade de comprar coisas novas com aqueles fundos comunitários a entrar à grande.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Bocas Alheias (2)

Não deixem de todo de ler estes textos que estão simplesmente brilhantes:

o caminho da servidão - Rui A. no Portugal Contemporâneo

A força do nacionalismo na velha Europa - Pedro Correia no Corta-fitas

Progressismo com Telhados de Vidro - JRV no Activismo de Sofá

Transvases

Em Portugal, bem como na generalidade dos países com economias semelhantes, cerca de 50% do PIB serve para financiar o estado. Esta anormalidade é justificada com o bom velho "Estado Providência" - este assunto ficará para uma proxima oportunidade. O que eu não entendo é o porquê de em vez de termos um sistema fiscal simples em que taxa apenas o rendimento, temos um sistema fiscal em que tudo é taxado: rendimentos e consumos. Não é absolutamente nada funcional e a atestá-lo estão as falhas de eficiência fiscal. Porque é que em vez de termos IVA, ISP, IMI e todos esses impostos dos quais muitas vezes é possível fugir, não temos apenas um imposto que incida a montante: no rendimento. Um IRS e um IRC bem gordos que financiem o estado da mesma forma, trazendo, no entanto, outras vantagens. A tão aclamada justiça social podia ser uma realidade palpável, dado que os impostos sobre rendimentos são progressivos, ao contrário dos que incidem sobre o consumo. Existiria uma eficiência muito maior no recebimento dos impostos e a detecção de fraudes seria muito mais fácil.
Se calhar esta é uma das coisas que nos falta: um sistema fiscal mais simplificado.

Um empurrãozinho ao Mercado


Em muitos textos deste blogue mostrei ser a favor de uma economia de mercado, de livre concorrência e na qual o Estado não interferisse muito. Mas, muitas vezes, situações extremas requerem soluções igualmente extremas.
O que acontece no mercado dos combustíveis em Portugal é inaceitável. Liberalizou-se o mercado no tempo do Durão Barroso para que houvesse mais concorrência e, portanto, preços mais competitivos. Infelizmente as contas saíram furadas, ninguém ia adivinhar que as petrolíferas de topo iriam criar um cartel que ditasse os preços com base em especulação e não com base na concorrência. Vemos, por um lado, os combustíveis aumentar, como ouvi num noticiário da SIC, quase a tempo real e, por outro lado, a não baixar quando isso se justifica. O petróleo está ao nível mais baixo das últimas sete semanas e, ainda assim, a Galp baixa o preço da gasolina nuns míseros 2 cêntimos e o gasóleo em 1.4 cêntimos. É nesta situação de controlo do mercado por parte de quem produz que penso realmente ser interessante explorar a possibilidade de criar uma petrolífera do Estado, que funcione de forma semelhante à Caixa Geral de Depósitos, de modo a que o mercado possa estabilizar, vendendo os combustíveis a preços baixos nessa gasolineira de modo a que os concorrentes comecem a baixar os preços para não perderem mercado. O ideal seria que aquelas postos de gasolina com os do Jumbo ou do Intermarché pudessem alargar-se para outras localidades ou que a pequena Repsol começasse a ser verdadeiramente concorrente da Galp e da BP, prefiro uma empresa espanhola a dominar e preços baixos que uma portuguesa com preços exurbitantes.
Continuo a achar que a coisa não vai lá com Impostos e com Taxas Robin dos Bosques, os erros do mercado com o mercado se resolvem, nem que ao mercado se tenha de dar um empurrãozinho.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Disfarce quase perfeito

Rui Bebiano n' A Terceira Noite.

«Existe um website do Dr. Dragan Dabic. E também uma biografia:

«Dr. Dragan “David” Dabic was born some 60 years ago in a small Serbian village of Kovaci, near Kraljevo. As a young boy he liked to explore nearby forests and mountains, spending a lot of time on Kopaonik mountain where he tended to pick the omnipresent natural and potent medicinal herbs that grew there. As a young man he moved to Belgrade, and then on to Moscow where he graduated with a Psychiatry degree at the Moscow State University (Lomonosov). After Russia, Dr. Dabic travelled around India and Japan, after which he settled in China where he specialized in alternative medicine, with special emphasis on Chinese herbs. In mid 1990s Dr. Dabic returned back to mother Serbia for good. Ever since, Dr. Dabic emerged as one of the most prominent experts in the field of alternative medicine, bioenergy, and macrobiotic diet in the whole of the Balkans, and is frequent guest on many forums, seminars and symposiums (Belgrade, Novi Sad, Pancevo, Sombor, Smederevo…) dedicated to these topics.»

Um disfarce extraordinário, sem dúvida, que permitiu a Radovan Karadzic – para quem «por trás de cada homem capaz existe sempre outro homem capaz» – construir uma nova vida pública e quase fazer esquecer a primeira. Quase.»

Nem tudo é dinheiro

Um dos principais objectivos das relações internacionais, senão o principal na actualidade, é o objectivo económico: aumento de fluxos de investimento, aumento de trocas comerciais, acordos comerciais, e toda essa lenga-lenga económica. Mas o objectivo económico não se deve sobrepor a tudo, nomeadamente, ao respeito pelos direitos humanos. É aqui que as nossas relações internacionais falham. Sim senhor, temos de ser comerciais, competitivos e temos de aproveitar nichos que outros não aproveitam, mas não vale tudo. Estou a falar disto a propósito do terceiro encontro de Sócrates com o Chávez em menos de oito meses. Nós temos uma enorme quantidade de países com os quais podemos estreirar relações. Falamos muito da CPLP mas as nossas trocas comerciais com esses países quase não têm expressão no total. O Brasil é um mercado enorme, inserido no Mercosul, poderia perfeitamente ser uma porta de entrada para uma América Latina cheia de potencialidades. Não sei o que é que o Eng. Sócrates pretende, mas encontros com o Chávez, o Kadhafi e o José Eduardo Santos não auguram nada de bom.

A Frase

“Há um Portugal que trabalha, paga os seus impostos e luta duramente para pagar prestações no fim do mês; e depois há outro Portugal em que demasiadas pessoas vivem subsidiadas pelo Estado, estão no rendimento mínimo como forma de vida, beneficiam de rendas simbólicas e ainda se acham no direito de não as pagar” (…). “Os portugueses que trabalham e pagam impostos não têm de custear estes comportamentos”. (Paulo Portas)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Let's talk about Change

Nós os portugueses somos muitas vezes considerados avessos à mudança. Até podemos sê-lo no geral, mas em relação à educação não há quem mude tanto e tantas vezes como nós. É muito bom mudar e quando é para melhor é excelente, o problema é que com mudanças tão frequentes é impossível avaliar se tais mudanças são realmente benéficas. Vou dar um exemplo. Um aluno que tivesse feito o básico há quatro anos teria um horário completamente diferente de um aluno que faça o mesmo ano de escolaridade agora. Entre introdução de disciplinas, retirada de outras e alteração de horas semanais para outras tantas, o que se aprendia há uns meros quatro anos é completamente diferente do que se aprende agora. Quem me diz qual é a melhor situação? Ninguém, porque é simplesmente impossível avaliar. Mas este não é o único problema. Os próprios professores devem ter dificuldades enormes para se adaptarem aos novos programas, principalmente os professores de disciplinas de exame. Novo exemplo. No ensino secundário os alunos têm de escolher disciplinas opcionais. Se por acaso numa escola houver alguma disciplina que não abra há dois, três ou quatro anos, não há professor nenhum que esteja apto a leccioná-la, simplesmente porque os programas mudaram completamente. Eu não digo que se deva manter tudo intacto para sempre, digo apenas que é preciso dar tempo a uma medida para que depois ela seja avaliada e um número quase infinito de medidas excelentes pode ter um efeito preverso tremendo.

Ideias Liberais (4)

Eu quero um T6 com vista para o mar. Vamos fazer uma manifestação?

Bocas Alheias

Gostei bastante de ler alguns textos que vou aqui "linkar" (estes neologismos soam tão mal):

O fracasso do assistencialismo - P. Sales no Zero de Conduta.

Um homem já com lugar na História - Pedro Correia no Corta-fitas.

Gosto deste "debate" - Rui Tavares no Cinco Dias.

Lógica alternativa cleptocíclica - Miguel Botelho Moniz no Insurgente.

... - Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies