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sábado, 20 de dezembro de 2008

Socialismo, socialismo...

A influência do Estado na sociedade e na economia é assustadora. Eu sei que isto já é um lugar-comum, o que acontece é que o facto de o ser não impede os abusos do costume. Falei aqui muito pouco das privatizações e dos vinte biliões da banca, até porque foram questões que surgiram numa altura em que o tempo era escasso. Agora entretenho-me a dar conta de mais um pequeno exemplo de como o governo, com esta intrusão, pode estar a destruir a economia aos poucos.
Muitas pessoas defendem afincadamente que cabe aos governos a criação e o incremento das políticas sociais: maiores ordenados, preços mais baixos, mais serviços públicos. O problema é que não se fazem omeletes sem ovos e quando estas políticas sociais são conseguidas por decreto e não através da evolução natural da economia, tudo pode acontecer. Agora decidiu-se que as empresas transportadoras não podem aumentar o preço dos transportes. Ainda dizem que este não é um Partido Socialista. Os sucessivos governos não se apercebem das machadadas que dão à economia com pequenas coisas como esta.
Se algum leitor tiver curiosidade sobre o assunto, aconselho este texto do Miguel Botelho Moniz, ali do Insurgente, que explica melhor que ninguém o impacto da fixação de preços.

2 comentários:

Al Kantara disse...

Mas oh Tiago, se o combustível está a baixar de preço, porque raio haveria o preço dos transportes aumentar ? Como prenda de Natal às empresas ?...

Tiago Moreira Ramalho disse...

Mas oh Al, não deveria ser da liberdade das empresas estabelecer os seus preços? Se calhar nem os iam aumentar, não sabemos. Apenas sabemos que o Estado o proibiu.

E é tão simples quanto isto, se as empresas aumentassem os preços de forma assim tão absurda, nós não contrataríamos os seus serviços. Davas 1000€ por um passe social? Não. Mas 20€ já dás, o que significa que, para ti (quer dizer, não sei, estou a supor), não é incomportável. Se as empresas continuarem a aumentar e a aumentar, mais cedo ou mais tarde acontece um de dois: aparecem mais empresas para aproveitar um bocadinho do bolo (o que aumenta a concorrência e precipita a descida dos preços) ou simplesmente deixa de haver clientes o que faz com que a empresa ou vá à falência ou baixe os preços. What goes around comes around.

A solução não seria, de todo, o congelamento dos preços por decreto. Era a mesma coisa que agora se criar uma lei a dizer que tu não podias gastar mais de 10€ por mês a ir ao cinema, aceitavas? Mesmo que não gastes os 10€ por mês em cinema, aceitavas que se criasse uma lei a proibir te de o fazer?