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domingo, 10 de agosto de 2008

Sobre a Ossétia do Sul (2)

O Gabriel Silva diz-nos no Blasfémias o seguinte:
«Entre o princípio da autodeterminação das comunidades e o princípio da preservação da integridade do território de um estado, a qual dar preferência quando entram em conflito? Áquele que assegura mais liberdade: o da autodeterminação.»
A questão não é assim tão simples. Quando analisamos aquilo que dá mais liberdade (não vou entrar pela definição de liberdade senão a coisa fica complicada) temos de analisar as várias perspectivas. A nossa liberdade acaba quando começa a alheia e isto é uma máxima a respeitar sempre que a liberdade é discutida. Ao proclamar-se nação a Ossétia do Sul, os seus habitantes terão liberdade no sentido de terem o que querem: não pertencerem à Geórgia. No entanto, esta liberdade vai contra a liberdade dos georgianos de manterem aquele território como seu, afinal, foi-lhes dado e têm o direito a preservá-lo. No meio de tudo isto, e se queremos o máximo de liberdade, o melhor seria que os habitantes da Ossétia que querem fazer parte da Federação Russa dirigem-se para lá e os que querem permanecer georgianos mantêm-se onde estão.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sobre a Ossétia do Sul


Há quase vinte anos que a Ossétia do Sul é um problema. Ficando a pertencer à Geórgia depois do desmembramento da URSS, manteve sempre uma posição pró-Rússia. No seguimento da guerra de 91-92 proclamou uma independência unilateral (à semelhança da do Kosovo) que nunca foi aceite pela Geórgia.
Mas estas pretensões separatistas não eram o único problema, havia outro e bastante grande: a Rússia. Depois do desmembramento, a Rússia sempre ambicionou recuperar aquele território e fez bastante por isso, basta dizer que a moeda em circulação na Ossétia do Sul é o rublo e uma boa parte da população tem nacionalidade russa.
Ao longo de todos estes anos aquele território permaneceu assim: um país para quem lá morava, uma província para a Geórgia. Até agora.
A Geórgia invadiu a Ossétia do Sul, entrando numa guerra que nunca poderá ganhar dada a participação russa em defesa da Ossétia. Um rato contra uma montanha.
Para ser sincero, o que mais me assusta não é a própria Ossétia e para quem vai: Geórgia ou Rússia. O que me assusta é que a História se repita: como todos sabem, a Primeira Guerra Mundial começou por um simples incidente na Sérvia.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Disparates do costume

Ontem à noite houve a tal operação policial em Campolide. Malditos os assaltantes que para além de assaltarem ainda são brasileiros. Por aí, blogosfera e televisão, só se ouve falar do facto de serem brasileiros, dos brasileiros serem violentos (como diz Moita Flores), do facto de um ter morrido (pena de morte informal segundo o João Miranda) e mais não sei o quê. Das duas uma, ou estamos mesmo com falta de notícias ou estamos todos doidos.
Àqueles que fazes questão de mencionar a nacionalidade dos criminosos: isso não interessa. Como diz o Daniel Oliveira, e olhem que é raro concordar com ele, este tipo de conversa só leva à criação de ódios infundados. O que acontece com isto tudo é o pensamento transferir-se do simples "isto já nem se pode andar na rua" para o "malandros desses brasileiros que vêm para cá fazer merda".
Ao João Miranda: orgulho-me imenso de viver no país pioneiro a abolir a pena de morte, orgulho-me igualmente que neste país se tenham mantido algumas áreas cinzentas como a legítima defesa. Preferia o quê? Que morressem inocentes em vez de criminosos?

Adenda: Palminhas, Rui. Concordo com o Shô Menistro.

Novidades


Sou um fã incondicional da revista Crítica. Nunca pude aproveitar ao máximo o conteúdo por algumas coisas se pagarem, sendo eu forreta, leio as gratuitas que têm sempre muita qualidade. A revista de Desidério Murcho e companhia criou agora um blogue. Já faltava por cá um bom blogue de Filosofia, procurei durante algum tempo e não consegui encontrar nenhum. Não deixem de visitar.

The Most Successful Society the World has Ever Known (3)

Isto é que é uma série! Através do Insurgente fui dar a um post do Luís Oliveira: "A Terceira Via". Está verdadeiramente excelente, na linha daquilo que já aqui deixei. Dá-nos uma impressionante panorâmica sobre os acontecimentos dos últimos anos (alguns deles eu não conhecia) e uma óptima (desculpem, é do hábito) análise. Não deixem de visitar.

Impressionante

Há coisas do diabo. Estava no portal Sapo, que por acaso é a minha página inicial, quando vi um quadradinho que nos remetia para os acontecimentos do dia 08.08.08 (hoje). Aí vejo que um luso-brasileiro chamado Bartolomeu de Gusmão inventou no dia 08.08 mas de 1709 o primeiro balão de ar quente. Este Bartolomeu de Gusmão é o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão do Memorial do Convento cuja vida documentada pelos historiadores é quase igual à descrita por Saramago. Mais um sinal do brilho deste génio. Vejam a página aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

The Most Successful Society the World has Ever Known (2)

Enquanto uns andam a escrever infinitos elogios ao "modelo escandinavo", eu vou encontrando algumas pérolas que mostram que, afinal, os países daquela península não são assim tão bons. Primeiro foi o artigo de Johan Wennström, agora um compatriota chamado Johan Norberg também põe em causa algumas das "perfeições" escandinavas numa entrevista para a reason.tv.

Conversas lá fora

Passem pelo Sete Vidas e leiam a saudável discussão que lá está a decorrer sobre as declarações de Mário Soares. Alguns comentários são meus. Aqui.

Parole sobre os Direitos Humanos


A discussão sobre os Direitos Humanos entre os líderes mundiais parece estar em voga (soa melhor que moda, não?). A troca de galhardetes é impressionante e vem de onde menos se espera. Primeiro foi a China, cheia de moral, que delicadamente fez saber a Mugabe que não seria benvindo. Realmente faz todo o sentido: a China não quer competição para a medalha de ouro do maior genocídio. Agora veio o senhor Bush dizer que quer que na China se respeitem os Direitos Humanos. Oh ironia! Isto veio do Presidente das guerras do Iraque e do Afeganistão e também do Presidente de Guantánamo que é, sem sombra para dúvidas, um paraíso na Terra para todos os que lá moram.
Quem me ler pensará que concordo com os atentados aos Direitos Humanos na China e que acho que Mugabe deveria estar presente nos Olímpicos. Não, não se trata disso. A questão é que é ridiculo ouvir falar de Direitos Humanos pela boca do Presidente Bush e pela administração chinesa (cujo líder desconheço). As declarações caem de tal modo em saco roto que mais valia o silêncio a tamanha falta de vergonha.

P.S.: imagem roubada d' O Arrastão.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Nas bocas do mundo

O Afilhado foi eleito pelo Pedro Correia como Blogue da Semana. O meu muito obrigado!

E o patrão, onde anda?

O motorista do Bin Laden foi condenado a prisão perpétua. Resta saber onde anda o indivíduo que lhe pagava o ordenado. Esse malandro, às escondidas é que não jogo com ele!

Viva o Blok

O João Caetano Dias escreve no Blasfémias sobre o encontro dos jovens do Bloco de Esquerda. Está simplesmente brilhante. Deixo-vos aqui o texto mas têm de passar por lá para lerem o hino, sim porque aquilo é um verdadeiro hino, ao "bloquismo" (negritos meus).

«Começa hoje e prolonga-se até Domingo a festa de Verão dos jovens do Bloco de Esquerda, este ano chamada Acampamento Jovens Bloco de Esquerda. O programa é muito abrangente. Inclui debates sobre Imigração e Racismo, Bio-combustíveis e Crise Alimentar, LGBT, Feminismo e Combate Social, Drogas Leves e Precariedade entre outros temas todos absolutamente indispensáveis. Há workshops sobre realidades absolutamente relevantes para o mundo moderno, dos quais destaco “Faixas”, “Stencil/Subvertize” e o mais interessante de todos, “Brinquedos Sexuais” (multi-género, espera-se).O Blasfémias quer colaborar com esta louvável iniciativa da Sociedade Civil. Estando imposibilitados de acampar por falta de militãncia activa, resta-nos oferecer à organização e aos jovens do Bloco, um Hino.(...)»


O Feitiço contra o Feiticeiro

Parece que o clip do McCain a comparar Obama a Paris Hilton não caiu bem... à Paris Hilton. Vejam o clip em que a própria goza com o idoso.


Organização, onde estás?

«Os centros de emprego estão a anular a inscrição de desempregados e a cortar os seus subsídios porque não respondem à convocatória dos serviços, refere um relatório de uma equipa da Provedoria da Justiça.

A maioria dos beneficiários afectados diz que não recebeu a notificação dos centros de emprego. O Ministério do Trabalho não comentou este facto até ao fecho da edição.
(...)»

Em Portugal as prestações sociais são todas atribuídas de uma forma tão organizada que nem percebo como é que os estrangeiros não vêm cá tirar uns cursos de verão sobre a coisa. Até há uns tempos a discussão andava a volta do RSI, agora o fundo de desemprego. A verdade é que é tudo uma parvoíce. Existem imensas pessoas que recebem do fundo de desemprego sem sequer estarem desempregadas, pois têm empregos em actividades não declaradas que lhes permitem um belo rendimento mensal vindo directamente dos impostos de todos. Enquanto que estes recebem muitas vezes quase dois mil euros por mês, outros, por pura falha de organização, nem as cartas recebem para se irem apresentar ao centro de emprego. E é nisto que vai andando o Estado Social e também o Providência, os dois, ambos ferozes oponentes ao Estado Liberal e ao Estado Polícia por estes não serem justos. Incoerências.

domingo, 3 de agosto de 2008

The Most Successful Society the World has Ever Known

Segui a sugestão do André Azevedo Alves e fui ao IEA. Naquele belo site encontrei uma coisa fantástica:
«Instead of putting immigrants to work and assimilating them to Sweden’s democratic values, they are placed in economically destitute suburbs. It is in these suburbs that immigrants begin hating freedom and start dreaming up ways to set cities ablaze.

In the neighbourhood praised by Le Figaro, Rinkeby, the unemployment rate is 60 percent. A similar Stockholm suburb is Tensta, where unemployment is in the high 50s. Tensta is currently the home of one of the Social Democratic Party’s most renowned immigrant personalities, yet she is set to move due to fear of the violence and Islamic extremism that has taken root in the community. And in a suburb of Malmo, a recent FOX News feature showed young immigrants throwing stones at an ambulance. Yet, for some reason, French journalists manage to claim that ‘the Swedish model of social integration does not appear to create much frustration’.»

Isto é um excerto de um artigo escrito por Johan Wennström (versão em .pdf), que suponho ser sueco, que revela alguns factos desconhecidos da generalidade das pessoas e que coloca o modelo sueco não muito longe da realidade que conhecemos por cá, em algumas áreas. Para dar alguns exemplos, o tempo entre a primeira consulta e uma operação chega a ser de mais de um ano, a taxa de desemprego real pode rondar os 20%, se a Suécia fosse um estado dos EUA seria o mais pobre de todos, as minorias são tratadas de forma priviligiada, ainda mais que cá. Leiam que vale a pena.

Cadeiras de Lona

Foi há 40 anos que se deu o incidente que levou à saída de Salazar da Presidência do Conselho.
Vivam as cadeiras de lona do Estoril que ditam o fim das ditaduras!

Outras Prioridades

Ao que parece, a SIDA (que faço questão de escrever em maiúsculas por ser uma sigla) deixou de estar na ordem do dia. Há outras coisas importantes agora: a crise iraniana, a crise petrlífera, a crise alimentar e a crise ambiental. Mas há uma coisa a recordar: há pessoas a morrer, mesmo! Uma coisa que me deixa algo impressionado é constatar que já passaram tantos, mas tantos anos desde a detecção da doença. Já morreram tantos milhões de pessoas e ainda não há avanços significativos. Continuamos a fazer investigações tremendas para saber superficialidades como a existência de água congelada em Marte enquanto, ao mesmo tempo, em África a toda a hora há mais mortos e mais infectados. Não sou cientista e percebo muito pouco da vertente técnica da questão, mas por favor, há por aí tanto génio e dá-se-lhes tanto dinheiro e ainda não há nada? Para quando um fim para esta peste dos nossos tempos?

Ideias Peregrinas

O líder centrista, Paulo Portas, apareceu ontem em Faro com uma ideia, no mínimo, contraditória. Depois de ter falado da lei que o PS vai apresentar (da qual não tenho conhecimento) que vai alterar a situação dos ex-combatentes, veio falar de voluntariado. Coisa estranha esta do voluntariado. No meu tempo, o trabalho voluntário era aquele que não era remunerado. O Paulo não concorda, ele acha que o trabalho voluntário deve ser pago. Como? Benefícios fiscais. Os bons velhos benefícios fiscais que aparecem sempre num discurso pleno de demagogia como já é hábito do CDS (e não só). Analisada de uma forma superficial a ideia até é interessante: nós temos pouco voluntariado e pouca consciência social, dado que funcionamos por incentivos é bom que incentivemos as pessoas a serem voluntárias. Mas o dinheiro não pode ser incentivo para tal, pois aí o voluntariado deixa de o ser. Um professor de matemática que dê explicações a alunos carenciados apenas porque vai receber benefícios fiscais não é um voluntário, é um tipo esperto que junta o útil ao agradável. Existem imensas formas de promover o voluntariado de modo a que este seja feito como deve ser feito: sem nada em troca. Basta falar com a Casa da Criação para meterem os Morangos com Açúcar a fazer voluntariado e vamos ver se de um momento para o outro os miúdos não vão todos para os bombeiros.

Adenda: A questão dos ex-combatentes já está a dar discussão. A Secretaria de Estado já se pronunciou e tudo. Este pessoal é mesmo despachado!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

...

Não consegui encontrar um título para este post. Nunca escrevi uma "asneira" neste blogue, mas foda-se! Que merda é esta? Vejam este vídeo de umas miúdas espanholas: enquanto que uma está a dar porrada a outra, as amigas da primeira riem-se. Como escreveu o Rui Vasco Neto no Sete Vidas (de onde tirei o vídeo), contenham o vómito.

Cambada, pá!

Existe na nossa sociedade um vício: a crítica constante. O pior é que essa crítica é não raras vezes completamente infundada. Ontem o Presidente da República veio à televisão falar sobre um assunto que é importante. Pode não ser importante para 10 000 000 de pessoas mas é importante para as pessoas que habitam nas regiões autónomas que são tão portugueses como os do continente. Que eu saiba a importância das questões políticas não é proporcional às pessoas que são afectadas. Li dezenas de textos com a mesmíssima mensagem: o Presidente falou daquilo que não interessa, devia falar dos problemas do dia-a-dia. Não é a função do Presidente resolver os problemas do dia-a-dia. A função do Presidente é outra e o que ele fez ontem está dentro das suas funções. Por favor ó sedentos de notícia, contenham-se.