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O Afilhado mudou-se para aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Coisas boas

Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte:

«Estes miúdos, estes miúdos... Não – mau hábito este o de chamar ‘miúdos’ a adolescentes. Não o tinha quando fiz o estágio... Mau...Dão-nos muitos problemas estes... alunos. A Lurdes chega a ser insuportável: respondona, arrogante. Teimosa até à má-criação. Já por mais de uma vez lhe tenho posto a verdade à frente dos olhos e ela: nada. Os meus colegas queixam-se do mesmo. Ainda na aula de ontem, corrigiamos o tpc, sendo o seu um dos piores, e ela teimava e teimava que estava certa, que tinha razão. Que eu é que estava errado! A turma já se ria dela. Chega a ser muito desagradável, a rapariga. Não mostra qualquer respeito pelos colegas, nem pelos próprios professores.
Mas eu sei muito bem que ela não está sozinha... Na verdade, as suas reacções insolentes são encorajadas pelo colega de trás, o Sócrates. Sim, é ele.
(...)»

Parolices de quem não sabe o que faz

O staff do governo disperso por essa blogosfera fora anda a escrever muita posta sobre a contradição da Manuela Ferreira Leite quanto à questão dos professores. Os parolos do PSD não ganham tomates pa "lembrar" que o PS aprovou um Código do Trabalho contra o qual votou contra em 2003? E não "lembram" o pessoal das reacções do PS quando Manuela Ferreira Leite foi ministra da Educação? Há mesmo muita falta de memória na política...

domingo, 9 de novembro de 2008

Postais Educativos

Avaliação dos Professores, Ricardo Arroja no Portugal Contemporâneo

A Crise da Escola Pública, Pedro Morgado no Avenida Central

A Aula, Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Vox Pop do Paulo Gorjão. É completamente diferente de tudo aquilo que já vi na blogosfera e isso é bom. É-me difícil descrevê-lo, mas isso também não interessa porque ele fala por si. Aqui vai a estampa:

sábado, 8 de novembro de 2008

Quantas semelhanças...

...existem entre o que eu e o João Gonçalves pensamos sobre esta matéria:

«Ao princípio até apreciei a ministra da Educação. Com o tempo, percebi que se foi tornando em mais uma domesticadora de "estatísticas", de "indicadores" e de lugares-comuns. O António Barreto explicou perfeitamente a trapaça dos resultados da matemática. Agora há a questão da avaliação dos professores que trouxe, de novo, milhares para a rua. Quando era puto, queria ser professor. Hoje não teria assim tanta certeza. À bruteza mentecapta dos meninos é preciso juntar a infinita burocracia inventada à pressa pelo ministério para "catalogar" os professores. "Avaliai-vos uns aos outros como eu vos mando avaliar" é, mais ou menos, o "mote" em vigor para toda a função pública e, no caso, para os professores já de si pouco dados a que lhes mexam. A "ideia" é boa. O método é execrável e politicamente abstruso. Vai valer tudo. Lurdes Rodrigues faz parte de uma panóplia de políticos que procedem das extremas folclóricas dos idos do PREC. Esta gente parece empenhada em se "redimir" desses pecadilhos da pior maneira. Basta ouvi-la em directo no canal "1" da propaganda oficial. A ministra até pode acabar a legislatura mas não deve ficar se o PS ganhar. Entrou leoa e sai sendeira. Ela - e o que é bem mais grave do que a pessoa dela - a "educação" a que presidiu durante estes anos uma vez mais perdidos.»

E Hoje são os professores

Hoje são os professores a percorrer a Avenida da Liberdade (uma amiga que é professora faz sempre referência ao interesse do nome da avenida para a causa). Duas manifestações, uma de alunos outra de professores, na mesma semana. Normalmente as medidas que prejudicam uns beneficiam outros e vice-versa, raramente vemos alunos e professores no mesmo barco a remar para o mesmo lado, mas desta vez é diferente. É curioso constatar que as medidas desta equipa ministerial conseguiram desagradar alunos, professores e pais (tirando o Sr. Albino da Confap, parece que o dinheirinho que o Ministério manda muda muito as mentalidades), ou seja, conseguiram desagradar quem fornece o serviço e a quem beneficia do serviço, não será isto sintomático de qualquer coisa?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Novamente sobre a luta do Secundário

Este post vai ser um pouco mais longo que o usual, pois sobre isto há até demais para dizer.
No passado dia 5 de Novembro houve algo que é, para mim, um marco histórico no que respeita à luta pelos direitos dos alunos em Portugal. Por todo o mundo sempre nos habituámos a ver jovens incendiar carros, entupirem avenidas e fazer verdadeiras loucuras por aquilo em que acreditavam, mas em Portugal, país de brandos costumes, nunca se viu coisa semelhante. Dia 5 de Novembro cerca de 10 000 alunos por todo o país manifestaram-se contra o novo Estatuto do Aluno, que é francamente criminoso, e cerca de 1500 estiveram em Lisboa, sob chuva intensa, a percorrer o percurso desde o Marquês de Pombal até ao Ministério da Educação, entupindo a 5 de Outubro e a Fontes Pereira de Melo. Tudo isto vem de uma organização entre as várias Associações de Estudantes do país, à qual a falsa Plataforma Estudantil 'Directores Não' se associou. É francamente infeliz que a JCP se tenha colado às manifestações por forma a deixar a sua marca, no entanto, e sem recursos financeiros, sindicatos nem apoio dos pais, as Juventudes Partidárias ainda são o único recurso dos estudantes para a organização deste tipo de coisa. Há que dizer ainda que a estes 10 000 alunos se associariam muitos mais, não fosse o facto de muitos pais terem visto esta manifestação como uma forma de faltar às aulas e não fosse o facto, também, de as faltas contarem e haver sempre o risco de não morrer da doença, mas morrer da cura. Por todas estas questões, até deixava aqui o desafio a algum estudante do secundário que me leia de organizar as acções de protestos para Sábados, acreditem que iria muito mais gente do que imaginam.
Muito infelizes foram as declarações do Secretário de Estado Valter Lemos sobre a manifestação, vindo dizer a público que esta não teve importância, nem sequer razão de ser. Aproveitando ainda para mentir um pouco sobre tudo isto, mandando areia para os olhos dos pais do país inteiro que não conhecem o diploma. Veio, então, o Sr. Valter Lemos dizer, à descarada, que o Estatuto do Aluno só prevê medidas correctivas para faltas exclusivamente injustificadas, quando o Estatudo diz claramente o contrário:
Artigo 22º da Lei n.º 3/2008

1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.
2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas,atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que com o novo modelo de gestão escolar, os alunos passam a ter mais poder de decisão pois passam a participar na eleição do Director. Novamente mentira. Actualmente, a mesa que elege o director é constituída por um número ímpar de elementos que não pode ser superior a 21 e dos quais, regra geral, apenas 1 é aluno. Significa isto que a participação de que o Sr. Valter Lemos tanto fala é de um voto na eleição do director, quando antes os alunos do ensino secundário votavam através do delegado de turma.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que faltar já não é um direito. Eu pergunto-me quando é que faltar por faltar foi direito no ensino português. A verdade é que em todas as profissões deste país os trabalhadores têm direito a faltar por motivos de doença e por morte de familiar, sem que o seu posto de trabalho seja posto em causa, sem que lhe seja pedida reposição de horas e sem que lhe seja retirado o ordenado. Aos alunos, quando acontecem fatalidades como as descritas anteriormente, ficam com a possibilidade de chumbar o ano, que é o pior que pode acontecer a um jovem a estudar.
Sobre o desmentido que o Sr. Valter Lemos fez em relação à possibilidade de reprovar por doença, há apenas uma coisa a dizer: novamente falso. Um aluno que por motivos de doença (se for operado, por exemplo) tenha de ficar fora da escola durante três semanas, quando retorna, pode ser sujeito a medidas correctivas, entre as quais se insere serviço comunitário, e, depois de avaliadas as consequências das medidas correctivas, é sujeito à realização de uma prova de recuperação a todas as disciplinas com a matéria dada até então. Se o Sr. Valter Lemos lesse O Afilhado, eu gostaria que ele me respondesse à seguinte questão: sendo a avaliação contínua, é justo que se avalie a possibilidade de não retenção avaliando apenas a matéria dada até uma certa parte do ano, isto é, um aluno que não saiba a matéria do primeiro período e seja sujeito a esse teste e chumbe deve ser afastado do sistema, mesmo havendo a possibilidade de recuperar nos dois períodos seguintes? Pelos vistos a vossa bela intenção de "desconectar" (termo interessante utilizado pela ministra) a avaliação do castigo apenas veio misturá-los mais.
Agora àqueles que me lêem, não peço que façam uma ligação para o meu texto, pois não quero que pensem que quero "publicitar" aqui o estaminé. Peço apenas que se informem sobre o Estatuto, nomeadamente se forem pais, e escrevam nos vossos próprios blogues sobre a injustiça que está a ser feita aos alunos do ensino secundário.

Para consulta:
  • A Lei n.º 75/2008 que estabelece o novo modelo de gestão e administração das escolas.
  • a Lei n.º 3/2008 que estabelece as alterações ao antigo Estatuto do Aluno (prestar atenção especial aos artigos referentes às faltas e às medidas correctivas).
  • As declarações de Valter Lemos podem ser lidas aqui.

O corredor que não leva a lado algum

Assisto frequentemente ao programa da RTP "Corredor do Poder". Curiosa e paradoxalmente, considero-o francamente mau, se calhar até é por isso que o vejo tantas vezes. Os intervenientes são aquilo que não deveriam ser num debate político feito naqueles moldes: deputados e dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Todo o debate é feito de uma forma desorganizada, com uma intervenção crítica crescente da moderadora (Sandra Sousa) que mostra várias vezes as suas próprias "tendências". Os comentadores, pasmem-se, são Nuno Melo do CDS, Marcos Perestrello do PS, Marco António Costa do PSD, Margarida Botelho do PCP e José Soeiro do BE - antes tínhamos a fantástica Ana Drago que saiu. Todo o discurso é de campanha, um autêntico mini-parlamento em que Marcos Perestrello finge ser José Sócrates e os restantes tratam de atacar, quais feras, todas as políticas do governo, que Marcos Perestrello defende com unhas e dentes. Pessoalmente, aponto como pior característica do programa a falta de liberdade de pensamento. Acredito que os comentadores, por estarem filiados nos respectivos partidos, possam concordar com algumas ideias das suas direcções, mas ver o Marcos Perestrello a defender como suas as ideias do governo, a invadir campos que não são os seus, como o da economia, dizendo as maiores barbaridades que se podem ouvir, de tão aberrante, chega a ser divertido. Independentemente daquilo que são as minhas inclinações políticas, tenho de afirmar que os melhores comentadores são o Nuno Melo, o Marco António Costa e era, agora já não está no programa, a Ana Drago. Eram três comentadores que, apesar de ligados aos partidos, defendiam ideias suas. Quando oiço um destes três não me lembro nem de Paulo Portas, nem de Manuela Ferreira Leite nem de Francisco Louçã. O mesmo já não acontece com Margarida Botelho cujo discurso é igual ao de Jerónimo de Sousa e de todos os comunistas que por um qualquer fenómeno da natureza nasceram com cérebros geneticamente iguais que lhes permitem pensar exactamente o mesmo em todas as questões (gostei particularmente da "opinião" de Margarida Botelho sobre a nacionalização do BPN - com todos os intervenientes do debate a aplaudir a medida, ela foi a única a considerá-la errada, quando lhe pediram uma alternativa, disse que "não era essa a questão", quando lhe perguntaram sobre os postos de trabalho e sobre as pequenas poupanças, disse que "não era essa a questão" e começou a dissertar longamente sobre nada). Temos ainda o pobre José Soeiro que é francamente desrespeitado, nomeadamente pelos senhores da direita (devem ter lido o texto do Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo) e que ontem teve uma prestação fraca, avançando para a demagogia já característica do BE e avançando para acusações graves em relação às ligações do BPN ao PSD, dizendo a já frase feita de que o "BPN era o banco sombra do PSD". Ponto positivo para Marco António Costa que soube responder à altura.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama é presidente!

Não vou aqui fazer um panegírico ao novo presidente dos EUA. Aplaudo o avanço tremendo da sociedade americana em não ter sentido pudor em ter um presidente negro. Quanto à actividade governativa e os benefícios para o mundo, espero para ver, apenas uma nota de receio para o ambicionado proteccionismo para a América que traria fortes problemas à economia mundial, nomeadamente à europeia. De qualquer modo, congratulations, you Won!

Directores Não!

Hoje deu-se algo de histórico em Portugal: os alunos do básico e secundário organizaram-se e foram para a rua manifestar-se contra o Estatuto do Aluno. Em todo o país contabilizam-se alguns milhares de alunos nas ruas, poderiam ser muitos mais não fossem os pais retrógrados que não se interessam pelas questões que afectam os filhos e para quem a assiduidade é um valor absoluto e não fossem também as faltas injustificadas dado o facto de os alunos não terem aos olhos da lei o direito à greve. Uma palavra de apoio deste blogger de pequena dimensão a todos vocês.
Agora uma palavra ao Dr. Valter Lemos. Que queira fingir que tudo isto foi uma brincadeira de crianças e que tudo está bem, é lá consigo. Mas mentir deliberadamente à televisão e aos jornais dizendo que as medidas correctivas previstas no Estatuto são unicamente para faltas exclusivamente injustitificadas e que alunos que faltem por doença não chumbam é inaceitável. Das duas uma: ou não conhece o diploma que supostamente redigiu ou pura e simplesmente não é digno de ser membro do governo português.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Real Politik

Dá gosto ver os políticos preocupados com as coisas práticas da vida. Viva o magalhães!

PREC Reloaded

O BPN foi nacionalizado. Meu Deus que a crise à séria chegou a Portugal! Nada disso. O BPN para além de ser um banco de reduzida dimensão no contexto nacional está numa situação excepcional. O que levou o BPN a ter todos estes problemas foram as várias práticas ilegais que por lá se desenrolaram nos últimos quinze anos. Neste momento o BPN encontra-se numa situação de falência técnica que impossibilitaria o banco de permitir aos depositantes levantar o seu dinheiro. O que vai acontecer agora é que os contribuintes vão pagar 700 milhões de euros em prejuízos, mas ao menos o país não fica num sufoco. Vamos ver é se não acontece isto.

«O governador do Banco de Portugal fez o historial das operações do BPN, algumas das quais ilegais, que conduziram à actual situação. Vítor Constâncio disse que “foram abertos seis processos de contra-ordenação contra o BPN, em Junho, na sequência da descoberta de operações clandestinas”. O governador do Banco de Portugal disse que as autoridades descobriram que parte das operações que não constavam da contabilidade do banco foram feitas através do Banco Insular, de CaboVerde, e de “um balcão virtual”. Constâncio referiu ainda que a intervenção da Procuradoria Geral daRepública (PGR), “na sequência de uma denúncia do banco central há alguns meses e da entrega de documentos há poucos dias”, poderá ter prejudicado ainda mais a já instável situação do banco, pelo que a intervenção estatal se tornou inevitável. (...)»

domingo, 2 de novembro de 2008

Coisas da Blogosfera

No Portugal Contemporâneo está uma sondagem a decorrer para eleger o melhor blogger nacional de 2008. Concordo com muitos nomes que lá estão, também é certo que tiraria muitos, mas penso que os seguintes fazem lá falta.

Pedro Correia. É um dos meus bloggers favoritos, senão mesmo o meu blogger favorito. Escreve regularmente no Corta-fitas e a sua mente aberta e o seu desprendimento partidário permitem um comentário lúcido às questões mais importantes. É quase pecado não o ter numa sondagem como esta.

Tiago Barbosa Ribeiro. Escrevia no Kontratempos e agora mudou-se para o País Relativo. Discordo de muitos dos princípios dele, principalmente da sua definição de "social-democracia" (segundo ele a minha definição parece tirada de um livro de História do século passado, escrito pelo Bernstein). Tenho também pena que defenda cegamente algumas decisões socialistas, mas a sua qualidade enquanto blogger, a sua capacidade argumentativa e a beleza da prosa são inquestionáveis.

Pedro Sales. Escrevia no Zero de Conduta e mudou-se para o (neo)Arrastão. É assumidamente de esquerda, mesmo muito. Discordo de muitas das suas posições, no entanto é coerente no discurso e faz uma coisa louvável: uma pesquisa imensa sobre os assuntos. É para mim impressionante a quantidade de relatórios, gráficos e artigos que o Pedro Sales desencanta para fundamentar o que escreve.

Desidério Murcho. É o filósofo de serviço. Escreve há bastante tempo no De Rerum Natura, criou este ano, juntamente com outros filósofos, o Crítica Blog, o blogue da revista online Crítica na Rede, e é cronista do Público. A sua argumentação irrepreensível, a qualidade da escrita, o bom humor e a sua visão arrojada da realidade fazem dele, para mim, um dos melhores bloggers nacionais, apesar de se encontrar no Brasil.

Tomás Vasques. Assina o Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, um dos meus blogues favoritos. Só tem um pequeno defeito: o de não permitir comentários, coisa que acho imprescindível quando se publica uma opinião. Novamente é a qualidade dos escritos e a capacidade argumentativa que me fazem escrever aqui o seu nome. Para além disso, o estaminé é francamente bonito.

Álvaro Santos Pereira. Economista radicado no Canadá, autor do Diário de um Deus Criacionista e do Mitos da Economia Portuguesa. Assina o Desmitos, onde no meio de análises económicas bastante acertadas, sempre bastante fundamentadas com todo o tipo de informação estatística coloca uns pozinhos de um tímido comentário político.

Desse-se o caso de eu ter um desses blogues com centenas de milhar de visitas no contador e faria eu mesmo uma sondagem. Como não é o caso, acho desnecessário colocar o formulário na barra da direita e, por isso, trato de propor a quem tem as centenas de milhar de visitas e a quem já tem o formulário feito, o que já não é nada mau.

Coisas do e-mail

Uma piada sobre as coisas "modernas" do nosso dia-a-dia.

SABES QUE ESTÁS A FICAR UM LOUCO DO SÉCULO XXI QUANDO:

1. Envias um e-mail ou usas o GTalk para conversar com a pessoa que trabalha na secretária ao teu lado;
2. Usas o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém que te ajude a levar as compras;
3. Esqueces o telemóvel em casa (coisa que não tinhas há 10 anos atrás), ficas apavorado e voltas para buscá-lo;
4. Levantas-te pela manhã e quase que ligas o computador antes de tomar o café;
5. Conheces o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, k, ...;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. A maioria das anedotas que conheces, recebeste por e-mail (e ainda por cima ris sózinho...);
8. Dizes o nome da tua empresa quando atendes ao telefone em tua própria casa (ou até mesmo o telemóvel!!);Digitas o '0' para telefonar desde tua casa;
10. Vais para o trabalho quando está a amanhecer, voltas para casa quando anoitece de novo;
11. Quando o teu computador pára de funcionar, parece que foi o teu coração que parou;
11. Estás a ler esta lista e a concordar com a cabeça e a sorrir;
12. Estás a concordar tão interessado na leitura que nem reparaste que a lista não tem o número 9;
13. Retornaste à lista para verificar se era verdade que faltava o número 9 e nem viste que há dois números 11;
14. E AGORA ESTÁS A RIR DE TI MESMO!!!
15. Já estás a pensar para quem vais enviar esta mensagem;
16. Provavelmente agora vais clicar no botão 'Reencaminhar'... é a vida...que mais poderias fazer?... foi o que eu fiz também...Feliz modernidade.

Ele não é socialista!

A esquerda portuguesa recebeu um presente de Deus há duas semanas atrás. Dia 13 de Outubro Paul Krugman, um economista americano, recebeu o prémio de ciências económicas atribuído não pela Real Academia das Ciências sueca, mas sim pelo Banco Central da Suécia. Na televisão disseram que este desconhecido dos portugueses defendia direitos para trabalhadores e a intervenção do estado na economia e logo se deu um surto de felicidade na nossa parvónia. Felicidade nos rostos e nas teclas dos teclados dos computadores, que nos blogues desse Portugal fora só leio verdadeiras Odes à mudança da ordem económica a nível mundial e à justa atribuição de um nobel a um socialista. Tolices. Paul Krugman em Portugal não caberia em nenhum dos partidos políticos, simplesmente porque a esquerda de Paul Krugman é a esquerda da América, o que é uma coisa complicada de compreender. Para ilucidar um pouco o caro leitor, Paul Krugman nas suas teorias defende um modelo de produção em escala, ou seja, a existência de gigantescos grupos empresariais e industriais por forma a reduzir os custos nas trocas internacionais. Que me lembre isto foi condenado na última conferência do PCP e na anterior e na anterior e na anterior. É verdade depois que Paul Krugman defende que as desigualdades sociais devem ser minimizadas, principalmente ao constatar-se que nos últimos dez anos nos EUA a diferença entre os mais ricos e os mais pobres tornou-se simplesmente absurda. No que respeita ao sindicalismo, Paul Krugman defende apenas um "back to the old times", defendendo uma situação como a que existia antes de Bush que, segundo o economista, aumentou fortemente as barreiras às associações sindicais, o que deixou as massas assalariadas sem poder de negociação.
Admito que Paul Krugman não é propriamente um completo liberal, mas é inconcebível olhá-lo como um economista de esquerda.

O melhor patrão e o pior cliente!

Toda a vida ouvi aquela velha conversa de que "o estado é o melhor patrão". Quem procurava uma vida estável, com um ordenado mediano, mas seguro, ingressava (e ainda ingressa) na função pública. É engraçado agora ouvir que o "estado é o pior cliente". Pelos vistos o estado compra fiado e é daqueles que só paga lá para o meio do ano que vem, coisa que muito choca o engenheiro José Sócrates que em três anos nunca tinha reparado neste facto e que vai agora tomar medidas urgentes dada a necessidade absoluta de pagar as dívidas no cenário de crise financeira. É para mim mais um episódio de fogo-de-vista. Depois do plano de emergência para as famílias e do plano de emergência para as empresas, o governo português cria o plano de emergência "pagar o que deve". Há duas hipóteses: cumpre a tradição e deixa as empresas mais uns meses à espera ou renova e finalmente cria um plano de emergência que realmente actua no imediato. Espero para ver.

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Correio Preto. Eu sou apaixonado por aquele "blog-bebé". Tem tudo. Uma boa escrita, geralmente curta, um aspecto gráfico invejável e de uma originalidade rara nos blogs que por aí vejo. O prémio há-de chegar-vos a casa em correio normal.

sábado, 1 de novembro de 2008

Quando os alunos se organizam, algo está mal!

Muita gente anda a falar da manifestação nacional dos professores de dia 8. Mas há uma greve/manifestação que vem antes, dia 5 e da qual ninguém fala. É a manifestação dos alunos contra o novo regime de faltas presente no novo Estatuto do Aluno. Profissionais organizados através de instituições sindicais para se manifestar é usual, mas alunos sem qualquer tipo de sindicato organizarem-se por livre e expontânea vontade para protestar contra aquilo que acham ser injusto e quase criminoso mostra que algo vai mal por esses recreios.

Porque é que cá não pegou?


Ao longo dos anos habituei-me às imagens de como é o Dia das Bruxas americano. Uma festa. Crianças que esperam o ano inteiro por aquilo, qual Natal, e no dia mascaram-se, saem à rua, batem às portas, partem ovos, gastam papel higiénico, comem doces e são felizes. Por cá nunca houve esta tradição. E quem disser que é por estarmos em grandes cidades e as pessoas que se desengane porque no interior das aldeias, das vilas, também não se faz disto. Pelos vistos muitas pessoas já constataram esta realidade e, por isso, tentam "criar-se" tradições, mascarando forçadamente as crianças nas creches, fazendo "casas assombradas" e coisas que tais. Gostava tanto que um dia um bando de crianças mascaradas de Frankenstein me viessem bater à porta pedir os doces que eu teria guardados num grande pote junto à entrada.

Regresso

Tenho sido um padrinho do mais desleixado que se pode ser, este meu Afilhado andava a pedir uma maior participação e, agora que tudo está mais calmo, voltei!