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O Afilhado mudou-se para aqui.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Preparados para a depressão?

«A cada meia hora que passa a bolsa portuguesa acentuava cada vez mais o sentimento negativo do começo do dia. Às 12h15, o índice PSI20 descia 5,16 por cento, para 7895 pontos, baixando largamente dos oito mil pontos.(...)»

O Acordo Ortográfico devia ter mais uma alteração. A partir de agora, já não é crise, é uma verdadeira depressão. Preparem-se que isto ainda não acabou. Se as grandes vão, vai tudo atrás.

A prova da não-justiça

«O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) decidiu manter o FC Porto na Liga dos Campeões de futebol, recusando os recursos do Benfica e Vitória de Guimarães contra a decisão da Comissão de Apelo da UEFA, anunciou hoje o organismo.(...)»

E pronto, mais uma história do que é a História da Justiça Desportiva...

Ideias Liberais (3)

Porque é que todos os deputados da assembleia vão de fato e gravata menos os do BE?

Globalização


(Via O Jumento, vão lá ver as restantes imagens, as da Amnistia estão fantásticas)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ideias Liberais (2)

Quando os camionistas estavam a rasca, o Estado deu-lhes uma mão para que os prejuízos não fossem tão grandes. O BPI deu prejuízo, será que o Sócrates vai atribuir algum subsídio?

Where's Obama?

«Hace un mes, el candidato demócrata a la presidencia de Estados Unidos, Barack Obama, aventajaba en 15 puntos a su oponente republicano John McCain en la carrera hacia la Casa Blanca, según una encuesta de la revista Newsweek. Ahora, la misma publicación asegura que la diferencia entre ambos se ha reducido a sólo tres puntos: un 44% de los encuestados apoya al senador por Illinois, mientras que el 41% respalda al senador republicano por Arizona.

A falta de cuatro meses, dos convenciones y al menos tres debates, este nuevo sondeo indica que el 53% de los votantes, en el que se incluye también el porcentaje de los votantes que apoyaban a la ex candidata demócrata Hillary Clinton, consideran que Obama ha mostrado un viraje de su posición en asuntos claves como la guerra de Irak o la pena de muerte con el objetivo de tomar la delantera y obtener votos. En la encuesta del pasado 20 de junio, Obama lideraba con el 51% la elección de los ciudadanos, frente al 36% de McCain.(...)»

Pois é, o amigo Obama deu barraca (não resisti). Com esta política vaga, com esta ambiguidade de ideias, com este "nem é carne nem é peixe" que lhe é característico, Barack Obama, que me parecia um óptimo candidato ao início, está a revelar-se uma farsa. Com constantes mudanças de opinião (realmente, o slogan "Change" é apropriado) está a perder progressivamente a credibilidade. Com 3 pontos de diferença de MacCain, acho que nem a Oprah lhe vale...

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Foi no dia 14.VII.1789. Um grupo de revolucionários, toma de assalto a bastilha, símbolo do poder real francês. Foi a primeira etapa da luta que ainda hoje se trava, a luta pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

A Justiça do Socialismo


Saiu hoje o primeiro número da revista "Ops!", uma revista de carácter político publicada por uma nova corrente socialista, liderada por Manuel Alegre. Aplaudo a ideia, é de reflexão e opiniões sustentadas de que precisamos. Pode ser consultada aqui.

Li algumas coisas, saiu hoje e ainda não consegui ler todos os textos que serão certamente interessantes. Li o editorial escrito pelo próprio Manuel Alegre que me pareceu bastante bem, a esquerda precisa mesmo de encontrar novas soluções. Depois li um texto do André Freire, ali do Ladrões de Bicicletas e numa parte em que ele se referia ao aspecto das desigualdades salariais deu-me na ideia de começar a pensar se toda esta corrente, quase dogmática na Europa, de que a justiça social passa por rendimentos o menos desiguais possível, será realmente justa.

Um dos princípios básicos do Socialismo, que, na actualidade, se converteu em Socialismo Democrático, depois do fiasco do Totalitário, é que numa sociedade justa há que ter o máximo possível de equidade. E esta equidade é assegurada através de um amontoado de mecanismos, todos eles fiscais. Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) progressivo. Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) com taxas diferentes conforme a natureza dos bens. Isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para quem tem casa com o valor de 50 000€ ou inferior. Tudo nessa linha. Ora, com estas medidas, chega-se a uma situação em que algumas pessoas vêem mais de metade do seu rendimento mensal ir para o Estado e outras vêem apenas uma pequena parcela. Será justo?
Na verdade, ao querermos justiça social, estamos a ser injustos. Um indivíduo que seja rico tem de pagar ao Estado por ser rico como se ser rico fosse crime. Na imaginação comum, os ricos são todos ladrões que conseguiram a riqueza enganando os outros, mas não é bem assim. Existem imensas pessoas cujo rendimento lhes permite um confortável lugar no último escalão do IRS que trabalharam imenso para lá chegar. Por isto, não é admissível que estas pessoas sejam obrigadas a pagar uma taxa maior, pagando mais duas vezes: pagam mais porque recebem mais, mas depois ainda têm o aumento da taxa exactamente por receberem mais.
Eu defendo o Estado Providência, sim. Considero que não é possível termos uma economia deixada ao abandono, sem qualquer regulação. O Estado tem de garantir a segurança de todos, nomeadamente aquela que passa por comer, por isto, acho perfeitamente aceitável que hajam as prestações sociais que permitam às pessoas em situação complicada viver, afinal, somos um país e como tal, todos os cidadãos são importantes: hoje por ti, amanhã por mim. Mas, apesar disso, defendo um sistema fiscal com base da proporção e não na progressividade, isto é, uma harmonização das taxas. Tal e qual acontece no Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRC), em que uma Pequena/Média Empresa paga a mesma taxa que uma Multinacional. Defendo isto porque um sistema de proporção é aquele que mais permite ao mesmo tempo um financiamento do Estado que assegure os serviços públicos e uma situação em que não é crime ser rico nem benesse ser pobre.

domingo, 13 de julho de 2008

À custa de todos

Coloco aqui, com a devida vénia, um excelente texto de Vital Moreira do Causa Nossa:

Os sindicatos CGTP da função pública (sempre eles!) querem aumento de vencimentos imediato "para evitar a perda de poder de compra" face ao aumento da inflação.
É evidente que a inflação entre nós -- apesar de bem abaixo da média europeia -- vai a subir acima do esperado (embora deva ficar aquém de 3%), devido ao forte aumento do preço do petróleo e dos alimentos importados. O problema é que todos os portugueses estão a perder poder de compra com a inflação. Desta vez até os muito ricos estão a perder milhões com a crise internacional, na bolsa e outras aplicações financeiras.No fim do mês o nosso dinheiro compra um pouco menos de coisas. É como se uma espécie de imposto externo tivesse sido lançado sobre todos nós, transferindo diariamente para o exterior milhões de euros a mais para comprar as mesmas coisas.
Por isso, o que afecta a todos não pode ser resolvido oportunisticamente em benefício de alguns à custa dos demais, incluindo os outros trabalhadores, só porque se tem mais poder sindical. Sobretudo quando essa "salvação selectiva" teria de ser paga pelos contribuintes, como sucede com os funcionários públicos.

Deslocalização nos bairros sociais

A comunidade cigana do bairro palco de tiroteios e afins de Loures decidiu ir embora, deslocando-se para casas de familiares e outros locais possíveis. Assim que ouvi a notícia lembrei-me de um poema do Eugénio de Andrade. Adivinhem o título: Adeus!

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Ficámos competitivos?


«A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.(...)»

Ao que parece, agora Portugal tornou-se competitivo em relação à China. Pasmem-se. Afinal, o choque petrolífero há-de trazer qualquer coisa de bom para o nosso país.

Agora fora de brincadeiras, esta situação é perfeitamente normal por diversos factores. Em Portugal, um licenciado em início de carreira ganha, sensivelmente, o ordenado mínimo francês. Com o aumento do número de licenciados, a economia nacional tem ao dispor dos parceiros europeus e de outros continentes um trabalho especializado e barato em termos comparativos. Esta situação, aliada a factores ainda decisivos como a estabilidade social e política ainda nos torna mais apetecidos por alguns grupos que a grande e barata China.

«A proximidade geográfica, numa altura em que os custos dos transportes disparam, e a capacidade de adaptar rapidamente a produção às exigências do mercado são factores determinantes em nichos de mercados de diversos sectores, para os quais Portugal está bem posicionado.(...)»

Mas ainda nos restam alguns problemas. Muita da nossa produção assemelha-se ao modelo chinês de enormes quantidades e qualidade reduzida para que os preços sejam baixos. Nessa área, não vale a pena nem sequer tentar competir com os chineses. Temos, portanto, de continuar aquilo que tem sido feito: reconverter a economia para um modelo assente em capital humano e em tecnologia, de modo a que o valor acrescentado da produção seja cada vez maior. Temos de apostar cada vez mais em qualidade em vez de quantidade, só assim seremos competitivos.

Cooperação estratégica

«Há precisamente dois anos (14 de Julho de 2006), Cavaco Silva defendeu que "é bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos, e sem dúvida que o TGV é um grande investimento, para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses". Na altura, pediu "análises custo-benefício muito profundas" sobre o dossier (tal como Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer).(...)»

O nosso Presidente da República diz há dois anos, timidamente, ser contra as grandes obras públicas que estão em marcha. MFL ao dizer isto pode apenas estar a fazer propaganda, mas eis porque Cavaco não está. Cavaco Silva, na sua altura "para-partidária" em que a militância não era para ele, já dizia ser contra tais projectos. Antes de se anunciar candidato presidencial já dizia ser contra tais projectos. Quando foi eleito, continuou a dizer-se contra. Na actualidade, a bem da cooperação e da estabilidade, diz apenas "ter dúvidas". Neste momento o PS tem uma autêntica ditadura parlamentar em que aprova o que quer, mesmo que toda a oposição, o Presidente da República e o próprio povo estejam contra. Esta sede de deixar uma pegada (comum a Guterres que nos empenhou com obras de chacha) parece ser cada vez mais comum nos políticos e na política. É pena. Onde pára a política do bem comum?

sábado, 12 de julho de 2008

Guerrilha urbana: um problema de planeamento

Aconteceu em Loures, ontem e anteontem: dois tiroteios entre "grupos étnicos rivais". No nosso português racista, isto chama-se "pretos contra ciganos", mas pode ser ofensivo. Esta questão, ao contrário do que se possa pensar, não se relaciona apenas com a simples polícia que tem de garantir a segurança de quem habita naquele concelho, não. Esta é uma questão muito mais profunda que se relaciona, pasmem-se, com o planeamento urbano.

As nossas políticas sociais, ao longo de décadas a fio, permitiu a construção de habitações sociais a custos controlados de modo a alojar as pessoas que viviam em barracas e em coisas piores. Há quem diga que se tratam apenas de operações de cosmética urbana, não vou por aí. O problema destas habitações sociais é apenas este: criaram-se imensos prédios com imensos andares em pontos específicos das cidades, ou seja, juntaram-se milhares de pessoas com problemas sociais, económicos e, muitas vezes, criminais em "bairros sociais". Esta via "integradora" de pessoas com problemas de "integração" levou a uma maior descriminação, que aliada aos problemas de sempre, é uma perfeita aliada da criminalidade. Aqueles bairros sociais, dominados por gangs são lugares prigosíssimos para quem for, até para a polícia. É de todo imperativo que se alterem estas políticas de urbanização de modo a integrar habitações deste tipo noutros bairros, assim pode ser que não se assista a tristes episódios como os que aconteceram.

Ao que chegou a ONU

«A China e a Rússia vetaram ontem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um projecto de resolução apoiado pelos ocidentais que queriam sancionar o Zimbabwe pelo seu processo eleitoral violento e contestado.(...)»

O Zimbabwe foi um palco de um dos maiores atentados à democracia e à liberdade dos últimos anos. Um autêntico genocídio foi o que lá aconteceu. Obviamente esperamos que a ONU, pelo menos, "castigue" os responsáveis. Não, já nem isso podemos esperar. Temos dois garantes da liberdade e dos direitos humanos que não o permitem, a utópica China e a poderosa Rússia. Onde é que isto vai parar?

O Irão: um problema de sempre


O Irão, como se sabe, andou por aí a testar mísseis. As ameaças contra outros países sucedem-se. Primeiro a velha inimiga Israel, depois os EUA. Todos na comunidade internacional estão mortinhos de medo que o Irão corte a produção de petróleo que levaria a um choque petrolífero que, ao lado do actual, o reduziria a um aumento sazonal. Esse medo está a impedir uma intervenção armada. Será certo?

Sou um acérrimo defensor da paz, a menos que a guerra seja inevitável. O Irão está a criar uma bomba atómica, estão à espera do quê? Aquele país, minado de radicais islâmicos que me faz encará-lo como a Alemanha Nazi do Médio Oriente, é uma real ameaça para o mundo, nomeadamente o Ocidental. Não sei o que é que a UE, os EUA e a ONU esperam, mas uma bomba atómica no meio de Nova Iorque seria tudo menos recomendado. Imaginemos uma bomba atómica em Londres ou em Paris, os milhões de pessoas que morreriam, os outros milhões que durante décadas iriam sofrer problemas gravíssimos graças à radiação. O Irão tem de ser parado já. A guerra é inevitável, as suas consequências, no entanto, podem ser minimizadas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Negócios que não lembram nem ao menino Jesus!

A Câmara Municipal de Almada (PCP) tem um sistema de negociação com os investidores, no mínimo, peculiar. A verdade é que uma enorme fatia do investimento em infra-estruturas colectivas da cidade é feita por privados. O sistema é muito simples. Se uma grande empresa ou cadeia quer instalar-se na cidade de Almada tem de dar contrapartidas. As contrapartidas são, no mínimo, absurdas.

O Fórum Almada, um enorme centro comercial na cidade, para se instalar, teve de construir para além da estrada de acesso, um túnel e uma enorme rede de estradas à volta.

A Repsol, para instalar uma bomba de gasolina, teve de construir um campo de jogos.

Isto é preocupante, eu questiono-me até se será legal. Para alguém investir é obrigado a dar contrapartidas ou então, pura e simplesmente não investe que a câmara não deixa. É que é de um rídiculo que me deixa boqueaberto a cada novidade destas. Para além dos impostos a que estarão obrigadas, as empresas ainda de têm de fazer a função da Câmara Municipal, investindo nas áreas onde esta deveria investir.

Um moribundo a estrebuchar

Luís Filipe Menezes veio dizer que não avançar com os investimentos públicos seria um erro. Isto é um moribundo a estrebuchar. LFM nunca foi grande coisa na política, não sei quem lhe disse que a opinião dele era valiosa para quem quer que seja. O que eu sei é uma coisa: LFM diz, a seco, que os investimentos públicos são bons, Manuela Ferreira Leite quer os números para averiguar se são ou não bons. É esta a diferença fundamental entre LFM e MFL, um é um populista que diz o que lhe vem à cabeça, outra é uma política responsável que só se pronuncia se tiver conhecimento de causa.

Mais uma coisa, nesta questão dos investimentos públicos. Não é curioso que o pagamento só começa a ser feito em 2014? Façam umas contas e tentem lá descobrir quem, provavelmente, estará a governar a partir de 2014. Pois, provavelmente será o PSD. Mais uma vez o PS (tal como aconteceu com António Guterres) trata de investir à bruta no desnecessário para que quem vier atrás pague. Um bocadinho de decência, por favor.

Já agora: repararam que as iniciais de Luis Filipe Menezes são exactamente ao contrário das de Manuela Ferreira Leite? Presságio curioso...

500 M€ para ter mais um na famelga!

«“A União Europeia está disposta a prometer 500 milhões de euros”, anunciou o comissário para o alargamento, Olli Rehn, durante a conferência organizada cinco meses após a proclamação de independência do Kosovo, no dia 17 de Fevereiro.

Na realidade, essa soma não compreende, porém, mais que um novo cheque de 100 milhões de euros, precisou uma fonte da Comissão. Cerca de 350 milhões de euros de fundos de pré-adesão à União Europeia tinham já sido, com efeito, programados para o período 2008-2011, bem como 50 milhões de euros de assistência macro-económica, ao qual se juntaram outros 100 milhões (...)»

Eu sei que um dos pilares da União Europeia é a promoção da paz no continente. Também sei que o Kosovo é um potencial potenciador de guerra. Mas há mínimos. O Kosovo proclamou uma independência unilateral quando não tinha qualquer sustentabilidade socio-económica e agora nós, os europeus, pagamos a asneirada que eles fizeram? Ajudas de pré-adesão? Por que raio é que eles hão-de aderir? Começo a achar que a UE (e, principalmente a Comissão Europeia) se considera a defensora dos fracos e oprimidos e trata de por em causa tudo pelo bem de rebeldes. Ao estar a ajudar financeiramente um país cuja indepêndencia é unilateral, a UE vai colocar-se contra a Sérvia e os seus apoiantes. A UE nesta situação tinha de ser neutra, tinha de deixar a poeira assentar. Vamos ver o que sai daqui...

É preciso ter lata!

«O secretário de Estado da Educação considerou hoje "maus" os resultados do exame de Matemática no 9º, mostrando-se preocupado por se estar tentar passar a ideia de que 50 por cento de negativas é um bom resultado.(...)»

É preciso ter lata. O senhor Valter Lemos vê as negativas no exame baixarem em 40% e diz que é pouco. Só se nos estiver a dizer que é mesmo pouco por o sucesso ser forjado. Quem sabe...

O Estado da Nação


Como é do conhecimento geral, foi ontem o debate do Estado da Nação no Parlamento. Pautado por constantes intervenções de resposta curta e vazia, como se os nossos deputados fossem adolescentes a "mandar bocas" ("Eu pedia ao senhor presidente que fizesse chegar ao senhor deputado o documento não sei quê"). Sobre o Estado da Nação fiquei a saber pouco, sobre o Estado da Política e dos Políticos, muito. Em todo o debate, os vários partidos políticos deram-nos a conhecer um pouco mais de si.
Da esquerda para a direita:

1. O BE que com tão talentosos oradores (há poucos oradores como Ana Drago, tenha ou não razão no que diz, di-lo muito bem) poderia perfeitamente fazer um discurso interessante do ponto de vista político, trata simplesmente de se enterrar no meio das areias movediças do insulto e de gráficos mal feitos propositadamente. Bem sei que o que Louçã estava a tentar fazer era pegar na analogia com a história para mostrar as falhas da medida, mas foi longe demais, há que dizê-lo. Concordo, apesar de tudo, que provavelmente 25% (apesar de ser a maior Taxa Robin dos Bosques dos países que a praticam, sabe a pouco).

2. O PCP deu-nos mais um cheirinho da demagogia e da política fácil, tão intrínsecas nos seus discursos. Falam constantemente daquilo que todos sabem: o desemprego!, os salários!, as pensões! sem nunca tentarem perceber que milagres, só nos livros do Marx. Houve uma coisa em que concordei com eles, apenas uma, a questão do aumento intercalar das pensões, por uma questão quase de "ética da política". Enquanto que os aumentos dos salários devem ser indexados à produtividade porque é isso que faz o trabalho aumentar o seu valor, os aumentos das pensões devem ser indexados à inflação pois os reformados não produzem absolutamente nada, já produziram, e por não produzirem mais por força das circunstâncias não devem perder qualidade de vida.

3. Os verdes. Que é que estão ali a fazer?

4. A bancada do PS podia ir para casa. Neste momento não há um único deputado socialista que consiga defender tão bem o partido como o próprio PM. No final o líder parlamentar fez um discurso irónico, quase a espicaçar Paulo Rangel, que nesta altura estava com uma cara de poucos amigos. Temos um Parlamento em que o partido da maioria nos seus discursos apenas trata de "gozar" com os adversários, em vez de fazer verdadeira política.

5. Na bancada do PSD houve uma estreia que podia ter sido em grande, infelizmente, não foi. A "folha A4" deverá ficar para a posteridade. O discurso de Paulo Rangel foi bom, tocou os vários sectores sem extremismos ou demagogias. Mas Paulo Rangel cometeu duas ou três falhas que permitiram ao genial orador Sócrates cilindrá-lo como se ele fosse um amador no Parlamento. Não convém que estas falhas aconteçam porque se há coisa que José Sócrates sabe fazer é reduzir ao ridículo qualquer bom discurso. Uma coisa que não lhe ficou bem foi a falta de fair-play político quando rejeitou das mãos da funcionária os documentos que Sócrates lhe enviara e a "cara de mau" durante todo o debate depois de Sócrates ter ridicularizado o seu discurso.

6. O CDS deu-nos mais do mesmo. Mostrou-nos umas facturas absurdas com um discurso que nunca imaginei possível. Ao início parecia uma situação semelhante à apresentada anteriormente sobre o gás butano, afinal, era simplesmente uma factura de Janeiro comparada à factura de Julho, para se chegar à brilhante conclusão que o preço, apesar da baixa do imposto, tinha aumentado. Aposto que ao PM só deu vontade de mandar calar tanta barbaridade.

7. O PM continua a ser a excelência na oratória em pessoa. Com falhas que podiam perfeitamente ser aproveitadas por uma oposição com o mínimo de capacidade, brinca naquele Parlamento como se fosse um educador numa creche. Sócrates de parvo não tem nada. Não é por acaso que vai tantas vezes à casa da democracia. Não tem ninguém à sua altura no debate político e é por isto que, apesar de tudo, tem toda a legitimidade em estar onde está. Sócrates ganhou o que ganhou e chegou onde chegou através do debate político puro e duro. Concordo plenamente com quem diz que Sócrates foi o melhor PM dos últimos quinze anos (aqui e aqui)