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O Afilhado mudou-se para aqui.

domingo, 23 de novembro de 2008

Blog Catita da Semana

O Blog Catita deste semana é o Bandeira ao Vento escrito pelo José Bandeira. É catita pelos cartoons são simplesmente espectaculares, de uma qualidade rara. Visitem que vale muito a pena.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Tudo muito parado

Anda tudo preocupadíssimo com umas gaffes de uns, com umas prisões de outros, é compreensível, mas porque é que ainda não apareceu nenhum jurísta dizer que isto não revoga isto? É que parecendo que não, neste quadro, é-se preso por ter cão e por não ter.

Adenda: há mais outra coisa que, calhando, é prova do que eu disse atrás: o despacho continua à espera de ser publicado em Diário da República e já passou quase uma semana.

Hilariante


Mais uma das pequenas encenações socráticas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ironia das ironias

Isto já vem atrasado, mas não posso deixar de comentar a história da "interrupção da democracia por seis meses".
Há dois pontos de vista para analisar isto: o daqueles que não têm qualquer pretensão nisto e o daqueles que querem tornar isto um meio para um determinado fim. Felizmente, gabo-me de pertencer ao grupo de pessoas que analisa a questão através da primeira óptica. A doutora Manuela Ferreira Leite disse simplesmente que em democracia não se pode fazer o que se está a fazer actualmente, isto é, fazer reformas que prejudiquem de forma injusta os alvos das mesmas e fazer reformas numa qualquer corporação levando, antes disso, a opinião pública a situar-se cotnra essa mesma corporação. Depois disse, em tom irónico, algo como "bom, não sei se não será melhor suspender a democracia durante seis meses e meter tudo na ordem", ou seja, não sei se "eles" não estarão a fazer a coisa acertada: mandar a democracia para as urtigas e fazer aquilo que acham ser o melhor para o país quer o país queira quer não.
Claro que veio logo uma multidão enfurecida por tais declarações. Dêem um salto ao Corta-fitas para verem o que eles "recolheram" sobre declarações nada famosas dessa multidão enfurecida. Temos, por exemplo, um PS com um ministro que, sem ironia nenhuma disse que a Margem Sul do Tejo é um deserto sem pessoas, sem escolas, sem hospitais e sem tecido empresarial. Já para não falar do PCP esse pilar da liberdade e da democracia, cujo líder parlamentar que tem dúvidas quanto ao espírito democrático que se vive na Coreia do Norte.
É como diz o Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte:

«Manuela Ferreira Leite, ao usar de ironia, partiu do princípio que os Portugueses são inteligentes; Alberto Martins, ao manipulá-la ou não tê-la percebido, chamou aos Portugueses estúpidos».

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Do Bom Sindicalismo

Eu estou francamente solidário com os professores na questão da avaliação. São demasiadas as falhas para que o sistema prossiga. É demasiada a contestação para que nada se faça. Tudo isto é verdade sim senhor. Mas quando um ministro recebe um dirigente sindical para uma reunião de "negociação" - sim, porque a Cenhora Menistra também não está muito virada para a negociata - o mínimo que o dirigente pode e o que deve fazer é ser softcore, ou seja, não entrar a matar e exirgir à partida o que não pode exigir. O senhor Mário Nogueira conseguiu hoje tirar toda a razão, ganha a custo, pelos professores e, mais uma vez, deu uma má imagem sua e uma boa imagem da equipa ministerial ao país. Se temos tido maus ministros da Educação, em bom rigor temos de dizer que os sindicalistas também não têm sido os melhores.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Suposições

Eu suponho que todos aqueles que se mostraram fervorosos defensores do Estatuto do Aluno estejam agora contra esta "clarificação" feita pela ministra através de Despacho. É que se concordarem com esta "clarificação", então, meus amigos, são um cambada de cordeiros à mercê das vontades do bom pastor. Saúde e sorte!

Asfixiante

Perdoem-me tornar isto mais pessoal, mas este blogue ainda me permite alguns desabafos. Eu começo a achar tudo isto demasiado asfixiante. Eu vejo em Janeiro sair uma lei que trata de forma igual quem falta por estar doente e quem falta por ir fazer merda. Em Setembro/Outubro a lei começa a ser aplicada e os protestos começam a surgir. Dizem dos protestos que não são significativos, dizem, à descarada, que a opinião de cidadãos desta nossa pretensa democracia não é válida. Depois, ao se aperceberem que a lei está, efectivamente errada, fazem um Despacho que, ilegalmente, se sobrepõe à lei e que serve para "clarificar" quem não compreendeu o texto original, ou seja, quem errou passou a ser quem interpretou e não quem criou. Tudo isto é para mim demasiado orwelliano. Estou a ler o 1984 e não o poderia fazer em melhor altura. Tudo isto me faz lembrar de forma perturbadora o trabalho do Minivero a "rectificar" os erros, de modo a que todos pensassem que não tinha existido erro algum. Tudo isto é demasiado asfixiante numa terra que se clama livre.

Como se reinventa o Direito

Como já aqui disse várias vezes, um dos grandes problemas do Estatuto do Aluno é o facto de não distinguir faltas justificadas e injustificadas, sendo que para ambos os tipos as consequências são as mesmas (número 2 do Artigo 22º da Lei n.º 3/2008). Ora, a lei do Estatuto do Aluno, votada na Assembleia da República, foi agora posta de parte por um Despacho vindo directamente do Gabinete da Ministra. Eu não sou jurista, mas pergunto-me como é que uma lei menor - um despacho - pode sobrepor-se a uma lei votada na Assembleia da República. O facto de terem criado uma lei que vai contra uma lei aprovada na casa da Democracia é uma bela metáfora para caracterizar o espírito democrático da equipa ministerial. O Despacho é o seguinte:

Despacho

Considerando que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares

Considerando que o regime de faltas estabelecido no Estatuto visa sobretudo criar condições para que os alunos recuperem eventuais défices de aprendizagem decorrentes das ausências à escola nos casos justificados

Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno, determino o seguinte:

1 – Das faltas justificadas, designadamente por doença, não pode decorrer a aplicação de qualquer medida disciplinar correctiva ou sancionatória.

2 – A prova de recuperação a aplicar na sequência de faltas justificadas tem como objectivo exclusivamente diagnosticar as necessidades de apoio tendo em vista a recuperação de eventual défice das aprendizagens.

3 – Assim sendo, a prova de recuperação não pode ter a natureza de um exame, devendo ter um formato e um procedimento simplificado, podendo ter a forma escrita ou oral, prática ou de entrevista.

4 – A prova referida é da exclusiva responsabilidade do professor titular de turma, no primeiro ciclo, ou do professor que lecciona a disciplina em causa, nos restantes ciclos e níveis de ensino.

5 – Da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação.

6 – As escolas devem adaptar de imediato os seus regulamentos internos ao disposto no presente despacho, competindo às Direcções Regionais de Educação a verificação deste procedimento.

7 – O presente despacho produz efeitos a partir do dia seguinte à data da sua assinatura.

Lisboa, 16 de Novembro de 2008

Série DesEducação

Tenho andado muito empenhado nisto da política educativa. E como acho que este é um problema demasiado sério para ficar esquecido nos arquivos deste blogue, criei na barra da direita uma lista para aqueles que considero os melhores textos que escrevi sobre o assunto. Está já ali, por baixo da Máfia Televisiva.

Democracia? Querias!

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo

«Durante o tempo em que participei activamente na imprenda portuguesa, fui protagonista de numerosos episódios que, aos meus olhos, eram verdadeiramente insólitos. Assim, por exemplo, é caso raro na Imprensa, senão mesmo caso único, ver o director de um jornal a escrever no principal jornal da concorrência. Aconteceu com Vicente Jorge Silva, então director do Público, que decidiu escrever no Diário de Notícias, então dirigido por Mário Bettencourt Resendes:

As expectativas irracionais do sr. Arroja
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Por: Vicente Jorge Silva
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O colunista desse jornal sr. Pedro Arroja desenvolve na edição de domingo passado do "Diário de Notícias" uma interpretação bastante original da Teoria das Expectativas Racionais, de Robert Lucas, recentemente galardoado com o Prémio Nobel da Economia. Entre os exemplos portugueses que elegeu para essa interpretação, o sr Arroja - uma bizarra criatura de origem mais ou menos extraterrestre e que talvez por isso mesmo tenha adquirido um estatuto mediático absolutamente invulgar - aponta o "Público" como um caso típico da absoluta falta de influência dos meios de comunicação social sobre a decisão dos eleitores nas últimas legislativas, embora sublinhe, ao mesmo tempo, a orientação ostensivamente socialista do jornal que dirijo e de opiniões que exprimi durante a campanha eleitoral.
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Por uma questão de simples racionalidade, não perderei tempo a discutir com o sr. Arroja - conhecido pelo novo-riquismo das suas posições ultraliberais em matéria económica - o direito a ser "Chicago boy" em Portugal em 1995, quando a moda parece ter passado definitivamente, depois do Chile de Pinochet, passando pela América de Reagan ou a Grã-Bretanha da Srª. Thatcher. Acho apenas curioso que, para uma personagem tão descrente da influência dos meios de comunicação, o sr. Arroja se desmultiplique de forma tão frenética em intervenções na rádio e nos jornais para demonstrar, por puro masoquismo, o carácter anódino das suas opiniões. Ou será que, como herdeiro tardio dos "Chicago boys", o sr. Arroja é tão cínico que se preocupa apenas em facturar a sua irrisória vaidade como comentarista pago dos meios de comunicação onde colabora?
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O sr. Arroja tem todo o direito em classificar-me - e ao meu jornal - de "socialista" [1], como eu teria idêntico direito em considerá-lo um parvenu do reaccionarismo monetarista, que nada sabe da actual realidade portuguesa nem da história recente da imprensa deste país.
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Ele terá mesmo o direito democrático de não ler aquilo que tenho escrito, quer sobre o programa do Governo PS quer sobre os acidentes que marcaram a formação desse Governo. A ignorância e a má-fé ficam com quem as pratica.
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O que já me parece inteiramente inadmissível - e uma ofensa ao próprio jornal onde colabora - é que o sr. Arroja, no seu fervor "yuppista" de terceira classe, reduza a orientação das secções de cartas ao director à publicação das opiniões dos leitores que os responsáveis de cada órgão de informação julgam mais coincidentes com as suas próprias posições.
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Este propósito é claramente infamante - quer para mim, quer para o director do Diário de Notícias, Mário Bettencourt Resendes.
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E no que me diz respeito, gostaria de lembrar ao sr. Arroja que as opiniões de leitores do "Público" sobre os meus editoriais a propósito dos debates televisivos entre António Guterres e Fernando Nogueira foram maioritariamente críticas - por vezes, em termos violentos - das minhas próprias opiniões. Mas essa é, porventura, uma lógica que não encaixa nem no cinismo nem no gosto de manipulação com que o sr. Arroja - imaginando que os Portugueses são efectivamente patetas - trata leitores ou ouvintes que ele imagina "deslumbrados" com a bacoquice das suas divagações e expectativas irracionais.
(Diário de Notícias, 18 de Outubro de 1995; bolds meus).
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[1] O autor viria mais tarde a tornar-se deputado do Partido Socialista.»

domingo, 16 de novembro de 2008

Governo Sombra

Não, não é o BPN. É o novo blogue da TSF sobre o programa em que entram Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares. Pequenos vídeos, recursos áudio, um óptimo programa. Tenho a firme convicção que é desta que Portugal vai para a frente!

- Clicar na imagem para aceder ao blogue -

Os Paladinos

Há um conceito recente do qual muito gosto: o de paladinos na política. Adoro o conceito, mas não os suporto. Contraditório? Talvez.
Mete-me franca confusão ver pessoas a defender cegamente um partido, um ministro, um governo, um Presidente, o que for. Mete-me confusão quando as pessoas assumem uma posição antes mesmo de conhecerem profundamente as questões e ainda irrita mais quando os seus argumentos são retirados de "argumentários" feitos pelos partidos de modo a que quem defende as ideias do Partido fique bem visto. Eu não sei o que é que o Zé Manel ganha em defender o Jerónimo como se defendesse o pai ou o que o Luís Miguel ganha em defender a Manuela Ferreira Leite como se ela tivesse tomado conta dele quando criança. Pelos vistos estas pessoas sentem que têm uma certa "dívida" para com estes líderes ou até mesmo para com um partido - o que explica a defesa de coisas diferentes em ciclos eleitorais diferentes. Defendem nos blogues, nos jornais, nas televisões e nas rádios aquilo que os líderes ideológicos defendem e atacam como feras quem discorda e pensa diferente.
Em tempos idos pensei filiar-me num partido ou até mesmo criar um partido, agora não. Não o faço porque vejo, para infortúnio de todos, que os partidos corrompem a democracia que tanto amo. Corrompem-na, manipulando as massas através dos meios de que dispõem, corrompem-na porque querem o poder pelo poder e não pelo bem-comum, corrompem-na porque dogmatizam o discurso quando este deve ser constantemente posto em causa. Gostava muito que nas próximas eleições, em vez de votar em PCP, BE, PS, PSD, CDS ou qualquer uma destas siglas, eu pudesse colocar a cruzinha à frente de um nome, eu pudesse votar numa pessoa e nas suas ideias e não na mescla que é a "ideologia de um partido."

Blog Catita da Semana

Gosto muito de "blogues regionais". Gosto do Avenida Central, gosto do Candilhes, gostava do Kontratempos e das lutas sangrentas que lá se travavam contra Rui Rio. Gosto ainda mais de um blogue regional quando este é catita, e é esse o caso. O Blog Catita desta semana é o In Concreto, um blogue açoriano com projecção mundial. O seu aspecto sóbrio, mas ao mesmo tempo harmonioso fá-lo ser muito catita mesmo. Aqui vai a estampa:

Petição

Um simpático comentador deixou-me uma ligação para uma Petição de Pais e Encarregados de Educação à Sr.ª Ministra da Educação. Li-a e gostei bastante: não tem aquele tom estúpido de quem só quer agitar e derrubar um ministro, mas sim o de quem quer apenas um debate de ideias, alguma flexibilidade e, em última análise, uma melhor escola para os seus filhos. A todos os pais que me lêem, concordem ou não com as políticas educativas em curso, leiam a petição e mesmo que não assinem, é óptimo quando se toma atenção a uma ideia divergente. A petição está aqui.

sábado, 15 de novembro de 2008

Finalmente diz algo acertado

«George W. Bush alerta para os perigos do proteccionismo no mundo»

Passados tantos anos de parvoíce desavergonhada, George W. Bush disse algo decente e alertou para aquilo que, para mim, é o pior em Obama: a defesa do proteccionismo para a economia americana.

A minha proposta

Tenho a firme convicção que todos devemos fazer política. Cada um à sua escala, claro está. O meu poder está reduzido às visitas deste blogue (certamente não tenho, como o JPP, mais poder que um Secretário de Estado), mas, ainda assim, decidi que era importante colocar aqui a minha proposta para alteração do Estatuto do Aluno, depois de tanto texto a posicionar-me contra o mesmo.

Em primeiro lugar, quero dizer que nem tudo são espinhos, há uma coisa que eu aplaudo neste estatuto: o plano de recuperação. É importante que um aluno, quando falte justificadamente, tenha a possibilidade de recuperar a matéria. Já ao aluno que falte injustificadamente não atribuo esse direito: se ele não quer ir, porque é que havemos de insistir? Proponho por isso dois sistemas diferentes, um para as faltas justificadas e outro para as injustificadas.

Para as faltas justificadas proponho a redução do limite para o dobro dos tempos lectivos semanais (o triplo é demasiado para poder recuperar depois). Depois de o número de faltas ser o dobro dos tempos lectivos semanais, o aluno deve ter a possibilidade de fazer um plano de recuperação e com isto quero dizer que pode e não que tem de o ter, ou seja, deve ser facultativo e a última palavra deve ser do encarregado de educação (é para isso que eles servem). Depois desse plano de recuperação o aluno deve ser submetido à tal prova de modo a avaliar se o plano deu ou não resultado e desta prova só pode haver uma de duas consequências: a continuação ou cessação do plano, nunca a reprovação. Deve ainda ficar explicito na lei que um aluno com faltas justificadas não pode, em circunstância alguma, ser sujeito a medidas disciplinares.

Para o excesso de faltas injustificadas só vejo uma consequência possível: a reprovação. Se um aluno não vai às aulas porque não quer, por que raio havemos de o colocar em planos de recuperação? Seria o mesmo que pagar o ordenado a um trabalhador que não justificasse a sua falta. Se o aluno não quer adquirir o conhecimento, não pode ser forçado pela escola a adquiri-lo. No entanto, admito que um jovem possa mudar de opinião, por isso, para as faltas injustificadas proponho um processo por etapas, duas neste caso: se o aluno faltar do dobro dos tempos lectivos semanais a uma determinada disciplina é sujeito a medidas correctivas, o encarregado de educação é chamado à escola e tenta-se resolver a situação pela via "diplomática" - podendo até haver o tal plano de recuperação, caso assim o entenda o aluno e o encarregado de educação. Se o aluno continuar com o comportamento e faltar injustificadamente ao triplo dos tempos lectivos semanais, então, aí a matrícula do aluno à disciplina em questão fica anulada tendo depois o jovem duas opções: a realização do exame de equivalência à frequência no final do ano lectivo ou então pode repetir a disciplina no ano seguinte.

É francamente importante estimular a assiduidade dos alunos e o sentido de responsabilidade, mas nunca se poderá fazer isso de forma injusta, colocando no mesmo saco os alunos que faltam porque não podem comparecer e os alunos que faltam porque não querem comparecer. Se esta distinção for bem acentuada e todo o processo for objectivo, aí sim, poderemos ter um bom Estatuto para os alunos.

E já agora, em tom de aparte, para a cambada de atrasados mentais que diz que os alunos apenas protestam em relação ao Estatuto porque querem faltar, tentem ser um bocadinho mais respeitadores e tentem não avaliar os outros através daquilo que vós próprios sois. É só uma sugestão porque já anda a "fartar" ver tanto atrasado escrever barbaridades.

Quando se chega ao descalabro

Eu não sou jornalista. De jornalismo sei apenas aquilo que me foi ensinado nos tempos de estudante e lembro-me bem que uma das coisas necessárias ao bom jornalismo era a imparcialidade, outra era a investigação. Isto leva-me a dizer que na RTP não se faz bom jornalismo, nomeadamente em toda esta questão da Educação.
Hoje, no programa noticioso Bom Dia Portugal saiu uma peça sobre os protestos em relação ao Estatuto do Aluno. Toda a peça é simplesmente vergonhosa. Começam por transmitir uma ideia errada, a que o aluno só pode ser sujeito a medidas correctivas quando as faltas são exclusivamente injustificadas, o que é falso, basta ler o númeor 2 do Artigo 22º para saber que as medidas disciplinares são aplicadas, e cito, "independentemente da natureza das faltas". Depois mostram uma imagem de um grupo de estudantes em protesto, estudantes de todas as idades, e a jornalista trata de perguntar a duas crianças, provavelmente do 7º ou 8º ano, o porquê de toda a manifestação - é óbvio que os miúdos foram com a corrente e nem leram o Estatuto. Depois a competentíssima jornalista Sandra Felgueiras explica ao telespectador, com base na excelente fonte de verdade que é o Secretário de Estado Valter Lemos, o que é tudo isto do Regime de Faltas. Diz então que a lei é de Janeiro, mas que só agora, em Setembro, passou para os Regulamentos Internos. Ora isto é difícil, dado que cabe ao Conselho Geral Transitório a criação de tal documento e a maioria dos Conselhos Gerais Transitórios ainda nem estão completos. Seguindo em frente, a jornalista explica o fundamento do Estatuto. Diz acertadamente que o fundamento é o de recuperar os alunos que perdem a matéria por faltar. A seguir vem o descalabro. A excelente Sandra Felgueiras começa por dizer que o Estatuto do Aluno prevê que nenhum aluno com faltas exclusivamente justificadas pode ser abandonado (muito à americana, hein...) e que mesmo que reprove na prova de recuperação a escola tem de o recuperar. Diz depois que o caso é diferente para os alunos com excesso de faltas injustificadas dado que estes, para além da prova de recuperação, são os únicos a ser sujeitos a medidas correctivas. Vem então o Valter Lemos dizer que a escola pode decidir a expulsão do aluno que tem excesso de faltas injustificadas. Vem de seguida Sandra Felgueiras dizer que a expulsão é a punição máxima para o ensino secundário, sendo que no ensino básico a punição máxima é a transferência de escola. Isto é tudo mentira. Eu não sei como é possível a estação pública de televisão transmitir tanta mentira encobrindo aquilo que é do mais criminoso que se tem feito em S. Bento. Eu acho que o Estatuto fala por si, por isso, não me vou dar ao trabalho de explicar tudo como deve de ser, vou apenas copiar para aqui, na íntegra, o Artigo 22º e o leitor poderá perceber por si próprio que a peça e as declarações de Valter Lemos são simplesmente mentiras. Afinal, quem é que manipula quem?
Artigo 22.º
Efeitos das faltas

1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.

2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.

3 — Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:

a) O cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova;
b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaridade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;
c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova.

4 — Com a aprovação do aluno na prova prevista no n.º 2 ou naquela a que se refere a alínea a) do n.º 3, o mesmo retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo do que vier a ser decidido pela escola, em termos estritamente administrativos, relativamente ao número de faltas consideradas injustificadas.

5 — A não comparência do aluno à realização da prova de recuperação prevista no n.º 2 ou àquela a que se refere a sua alínea a) do n.º 3, quando não justificada através da forma prevista do n.º 4 do artigo 19.º, determina a sua retenção ou exclusão, nos termos e para os efeitos constantes nas alíneas b) ou c) do n.º 3.

Para ver a notícia, clique aqui e veja a partir dos 8 minutos e 40 segundos, aproximadamente. Para ler o Estatuto do Aluno na íntegra, clique aqui.

Um pouco parecido, não?!


É de mim ou estas duas músicas são, no mínimo, parecidas? A primeira tem o título Después de Ti Qué? e é da autoria de Cristian Castro, um artista mexicano que a editou pelo Sony BMG em 1997. A segunda tem o título Depois de ti e é da "autoria" de Tony Carreira, ilustre cá da casa, que ficou consagrado depois de a editar em 1999, dois anos depois da edição mexicana. Se calhar têm os dois o mesmo génio, quem sabe?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Entre a espada e a parede

O Presidente Cavaco Silva tem estado francamente silencioso sobre toda esta questão da educação. Faz pequenas intervenções, como no dia da manifestação dos professores e outra, feita hoje, sobre o comportamento condenável de alguns actores das manifestações.
O nosso Presidente da República tem dois grandes problemas: por um lado, vê a sua função como a de um fantasma, que paira por aí e que aparece para assustar o governo de vez em quando e, por outro, tem telhados de vidro - lembram-se do tempo em que os miúdos mostravam o rabo à na altura ministra da Educação?
A questão é que o modo como Cavaco Silva vê a sua função é errado, o Presidente da República é a autoridade máxima da nação e não convém que despreze o seu poder, e o facto de ter telhados de vidro não o pode impedir de condenar o que agora se faz. É que isto é uma falácia recorrente no debate político e não sei como ainda ninguém se lembrou de a desmontar: "como o senhor há 10 anos fez porcaria, não me pode acusar de estar a fazer porcaria agora", ou seja, "a porcaria que o senhor fez há 10 anos legitima a porcaria que faço agora".
Numa altura em que o Presidente está com índices de popularidade tão maus, não lhe fazia mal nenhum "arriscar" e intervir em tudo isto, a bem da democracia, diria eu.

Ler os outros

Isto é a sério?!

«Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite» (Manuela Ferreira Leite, 12.XI.2008)

Eu dou por mim a perguntar se é normal em democracia uma líder partidária vir dizer que a comunicação social não deve ter liberdade para seleccionar aquilo que transmite. Os partidos esquecem-se que os media não são empresas sob a sua alçada, esquecem-se que se aos media apetecesse, nenhum político português teria visibilidade. O máximo que quem faz política pode tentar é armar-se em deputado do PND e fazer uma brincadeira polémica para aparecer, agora vir dizer que quer, por força, ser notícia...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um país de gente hospitaleira!

Toda a gente diz do nosso país que, cá, se recebe muito bem. Somos hospitaleiros. Tratamos os convidados com todas as mordomias a que têm direito. Uma vez serve-se o chazinho, outras vezes a bolachinha e outras... a omelete! Já por duas vezes numa semana, membros do Ministério da Educação são recebidos nas escolas com... ovos! Primeiro foi a ministra, em Fafe, que foi obrigada a, literalmente, fugir dali para fora. Depois foram os secretários de estado Valter Lemos e Pedreira.
Tudo isto tem muita piada, mas não devia ter sido feito. Eu concordo plenamente com os protagonistas da coisa, concordo com a notória incompetência e alheamento total do ministério em relação ao que é a realidade das escolas. Mas apesar de tudo isto, a ofensa, e mais propriamente a ofensa física, não são formas de se lidar com a situação. Isto para mais quando se fala de um ministro, ou seja, uma das autoridades máximas da nação e que, para o melhor e para o pior, tem de ser respeitado. É muito fácil perder a razão que se tem e penso que não é isso que os alunos procuram. Depois de algo que continuo a considerar histórico que foi o que aconteceu dia 5 de Novembro, não vamos descambar e tornar o protesto um acto de vandalismo. É um conselho que dou a algum miúdo que me leia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Isto digo eu, que nada sei

Ministra admite que alterações provoquem "desmotivação" aos professores.

Segundo a nossa digníssima ministra da Educação, as alterações no quotidiano dos professores podem trazer-lhes desmotivação, mas são necessárias à "Escola" - termo interessante este, quando usado no abstracto.
Em primeiro lugar gostaria de fazer uma pequeníssima reflexão sobre aquilo a que chamo "democracia". Felizmente, muito felizmente, já nasci neste período em que, pelo menos se pretende, que o poder esteja nas mãos do povo e por isto não sei viver de outro modo, ou seja, não sei viver assim. O que a ministra da educação está a fazer é simplesmente colocar-se acima do que é a democracia, abafando completamente quem se lhe opõe, dizendo apenas que a oposição é "injustificada". Vergonhoso é que esta atitude venha directamente de um representante da democracia portuguesa, pelos vistos a senhora não compreende a importância do cargo. Ir ao Parlamento dizer apenas que está certa e que todos os outros estão errados é francamente presunçoso, mas dificilmente plausível. Apesar de isto ser possível, ou seja, de existir realmente a possibilidade de Maria de Lurdes Rodrigues ter tido por um qualquer motivo um toque divino que lhe tenha dado a sabedoria que aos outros falta, chegar-lhe-ia mostrar os seus motivos para que todos vissem essa mesma razão. Isto não acontece. Maria de Lurdes Rodrigues, juntamente com o sombrio Valter Lemos, justificam-se e explicam e fazem trinta por uma linha, mas ninguém lhes dá crédito. Aliás, há quem lhes dê crédito: aqueles que pensam "ao menos este governo está a mexer em certas coisas" ou "pelo menos esta ministra está a meter os professores a trabalhar a sério". Para estes que lhes dão crédito, não interessa "como" é que o governo está a mexer nas coisas nem, tão pouco, se essas "mexidas" e se esse "trabalho à séria" são necessários.
Em segundo lugar, a desmotivação é perfeitamente compreensível. Eu penso, francamente, que se se estivesse a fazer justiça, isto é, a fazer as coisas como elas devem ser feitas, haveria protesto (há sempre), mas nunca este sentimento de humilhação presente em todas as escolas deste país. Fale-se com que professor se fale, ele diz-nos simplesmente que se sente humilhado por dar o couro e o cabelo para tentar moldar e fazer alguém os filhos dos outros em troca de uma miséria mensal (que só se torna algo palpável quando os ossos doem e as costas custam a endireitar). A existência de professores de primeira e de segunda, classificação dada com base em critérios, no mínimo, duvidosos - os professores titulares são-no por fazerem tudo menos dar aulas, como por exemplo, participar nas Assembleias de Escola, nos Conselhos Pedagógicos, nas Direcções de Turma e tudo mais - leva a que os que são de segunda se sintam injustiçados e os que são de primeira se sintam solidários. Mas mesmo que tudo isto de criar o topo e a base na classe docente esteja correcto, vêm os problemas decorrentes disto. Os professores titulares, que não foram "avaliados" na sua prática lectiva para o serem, vão avaliar as práticas lectivas dos seus colegas. E os colegas dizem: "não vejo autoridade no professor Zé Manel para me avaliar" e com razão. São colegas. Era o mesmo que o Joãozinho do 8ºB avaliar o Pedrito do 8ºC, ao ir a uma aula do 8ºC ver como é que ele se portava. A haver avaliação, esta tem de ser puramente objectiva, nunca podendo haver lugar a juízos de carácter pessoal, como, por exemplo, questões relacionadas com a concordância em relação ao método de ensino. Vêm ainda as questões mais antigas, das quais já ninguém se lembra: o facto de os professores passarem mais tempo na escola sem benefícios no salário ao fim do mês, através da carrada de aulas de substituição, apoios, planos de recuperação e tudo mais que se inventou e que é muito bom no plano teórico, mas cuja aplicação deixa muito a desejar. Se eu fosse professor não me sentiria só "desmotivado", sentir-me-ia indignado, revoltado, humilhado, com vontade de fugir daquilo que em tempos foi a "Escola". Mas isto sou eu, que pelos vistos, daquilo que a ministra sabe, sei muito pouco.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Quando se passa ao regabofe

É muito difícil mostrar que se tem razão num regime como o nosso, principalmente quando a nossa opinião vai contra a opinião de quem manda. Fácil fácil é perder a razão que possamos ter. É isso que o Dr. Alberto João Jardim está a provocar ao criar um decreto que avalia com "Bom" todos os professores em exercício no arquipélago. O Dr. Jardim está a baixar o nível da discussão, ele e os infelizes que mandaram ovos à ministra em Fafe. A melhor maneira de mostrarmos que temos razão com uma argumentação elevada e não com actos de tal forma baixos. Já para não falar que a imagem do Dr. Jardim não é propriamente positiva cá pelo contenete, e ao fazer isto o Dr. Jardim associa a sua má imagem à já má imagem dos professores, que com a história dos papéis, tão certa, mas tão mal explicada, andam a passar por "calões". Tende cuidado, a comunicação é tudo.

Um Silêncio Gritante

O nosso Presidente da República é um exemplar muito sui generis. Por estranho que pareça, gosto disso. A verdade é que ao falar poucas vezes, todos ficam ansiosos que fale e alguns com medo das suas palavras. É o que acontece agora com a questão do estatuto da carreira docente, do aluno e do modelo de gestão escolar. Existe um conjunto imenso de pessoas ansiosas, a roer as unhas enquanto aguardam por uma declaração do Presidente da República que, a existir, promete ser demolidora. Todos os argumentos sobre manipulação, desinformação e aproveitamento partidário são vazios: 120 000 pessoas é muito mais do que aquilo que um sindicato consegue mobilizar em situações normais, o que significa que, muito provavelmente, aqueles três quartos da classe que se manifestaram poderão ter muita razão. Eu também espero uma intervenção do Presidente da República, afinal, é ele o garante da democracia, da liberdade e dos direitos dos cidadãos, e num quadro de ditadura parlamentar socialista, apenas ele pode fazer alguma da tão aclamada mudança.

P.S.: Imagem gentilmente "cedida" pelo Paulo Guinote

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Caramba, pá!

Tenho por hábito respeitar todas as opiniões, mesmo quando delas discordo. Mas francamente que não percebo o Rodrigo Moita de Deus. Ele se calhar nem me vai ler e se me ler nem vai ligar ao que escrevo, mas porra! De onde é que o Sr. Rodrigo tirou a ideia de que os professores só se devem preocupar com o ensino e nunca com o seu umbigo? Fez uma afirmação semelhante no blogue sobre educação do PSD e volta a reforçar essa ideia de que o ensino é uma profissão para mártires que só falta irem descalços para as aulas. Os professores até podem preocupar-se imenso com o ensino (aliás, dúvido muito que alguns fossem para professores se não se preocupassem, com tanto emprego melhor cá fora), mas isto não significa abdicar dos direitos que lhes assistem. É óbvio que a manifestação não foi exclusivamente contra preencher papéis (que não é "só" preencher papéis, mas vamos deixar o Rodrigo nesta triste ilusão), foi contra um modelo de gestão das escolas pouco democrático, foi contra um estatuto do aluno que é do mais injusto e inútil que se pode ser, foi contra todo um estatuto da carreira docente que vem introduzir uma avaliação feita em maus moldes e que, ao contrário do que o Rodrigo pensa, não pode ser aplicada caso prejudique alguém. Esta é outra ideia muito gira: "prefiro que se faça uma coisa mal feita do que demorar a pensar numa coisa melhor". Basicamente é a reforma pela reforma. Nem toda a reforma é boa reforma caro Rodrigo. Concordo plenamente que tudo isto precisa "de uma grande volta", mas não é com reformas pensadas nos cinco minutos que demoramos a adormecer que as coisas melhoram. Se calhar era mesmo melhor esperar mais algum tempo e pensar num modelo melhor (como o que o Ricardo Arroja propõe, por exemplo) do que andar a fazer experimentações com a vida das pessoas!

P.S.: Gostaria só de dizer que não sou professor nem tenho nenhum familiar próximo professor, apenas acho que mesmo quem não é professor deve defender os professores quando se estão a cometer injustiças.

Já vêm atrasados, mas...

...mesmo assim dou aqui os parabéns ao Quarta República pelo seu quarto aniversário e pelo seu primeiro milhão de visitantes. Continuem catitas e com qualidade!

Máfia Musical

Ouvi esta música e dei por mim a pensar como seria fantástico tê-la no Festival da Canção: uma interpretação genial e uma homenagem mais que merecida. E depois é tão melhor que a música do Dima Bilan...

Coisas boas

Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte:

«Estes miúdos, estes miúdos... Não – mau hábito este o de chamar ‘miúdos’ a adolescentes. Não o tinha quando fiz o estágio... Mau...Dão-nos muitos problemas estes... alunos. A Lurdes chega a ser insuportável: respondona, arrogante. Teimosa até à má-criação. Já por mais de uma vez lhe tenho posto a verdade à frente dos olhos e ela: nada. Os meus colegas queixam-se do mesmo. Ainda na aula de ontem, corrigiamos o tpc, sendo o seu um dos piores, e ela teimava e teimava que estava certa, que tinha razão. Que eu é que estava errado! A turma já se ria dela. Chega a ser muito desagradável, a rapariga. Não mostra qualquer respeito pelos colegas, nem pelos próprios professores.
Mas eu sei muito bem que ela não está sozinha... Na verdade, as suas reacções insolentes são encorajadas pelo colega de trás, o Sócrates. Sim, é ele.
(...)»

Parolices de quem não sabe o que faz

O staff do governo disperso por essa blogosfera fora anda a escrever muita posta sobre a contradição da Manuela Ferreira Leite quanto à questão dos professores. Os parolos do PSD não ganham tomates pa "lembrar" que o PS aprovou um Código do Trabalho contra o qual votou contra em 2003? E não "lembram" o pessoal das reacções do PS quando Manuela Ferreira Leite foi ministra da Educação? Há mesmo muita falta de memória na política...

domingo, 9 de novembro de 2008

Postais Educativos

Avaliação dos Professores, Ricardo Arroja no Portugal Contemporâneo

A Crise da Escola Pública, Pedro Morgado no Avenida Central

A Aula, Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Vox Pop do Paulo Gorjão. É completamente diferente de tudo aquilo que já vi na blogosfera e isso é bom. É-me difícil descrevê-lo, mas isso também não interessa porque ele fala por si. Aqui vai a estampa:

sábado, 8 de novembro de 2008

Quantas semelhanças...

...existem entre o que eu e o João Gonçalves pensamos sobre esta matéria:

«Ao princípio até apreciei a ministra da Educação. Com o tempo, percebi que se foi tornando em mais uma domesticadora de "estatísticas", de "indicadores" e de lugares-comuns. O António Barreto explicou perfeitamente a trapaça dos resultados da matemática. Agora há a questão da avaliação dos professores que trouxe, de novo, milhares para a rua. Quando era puto, queria ser professor. Hoje não teria assim tanta certeza. À bruteza mentecapta dos meninos é preciso juntar a infinita burocracia inventada à pressa pelo ministério para "catalogar" os professores. "Avaliai-vos uns aos outros como eu vos mando avaliar" é, mais ou menos, o "mote" em vigor para toda a função pública e, no caso, para os professores já de si pouco dados a que lhes mexam. A "ideia" é boa. O método é execrável e politicamente abstruso. Vai valer tudo. Lurdes Rodrigues faz parte de uma panóplia de políticos que procedem das extremas folclóricas dos idos do PREC. Esta gente parece empenhada em se "redimir" desses pecadilhos da pior maneira. Basta ouvi-la em directo no canal "1" da propaganda oficial. A ministra até pode acabar a legislatura mas não deve ficar se o PS ganhar. Entrou leoa e sai sendeira. Ela - e o que é bem mais grave do que a pessoa dela - a "educação" a que presidiu durante estes anos uma vez mais perdidos.»

E Hoje são os professores

Hoje são os professores a percorrer a Avenida da Liberdade (uma amiga que é professora faz sempre referência ao interesse do nome da avenida para a causa). Duas manifestações, uma de alunos outra de professores, na mesma semana. Normalmente as medidas que prejudicam uns beneficiam outros e vice-versa, raramente vemos alunos e professores no mesmo barco a remar para o mesmo lado, mas desta vez é diferente. É curioso constatar que as medidas desta equipa ministerial conseguiram desagradar alunos, professores e pais (tirando o Sr. Albino da Confap, parece que o dinheirinho que o Ministério manda muda muito as mentalidades), ou seja, conseguiram desagradar quem fornece o serviço e a quem beneficia do serviço, não será isto sintomático de qualquer coisa?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Novamente sobre a luta do Secundário

Este post vai ser um pouco mais longo que o usual, pois sobre isto há até demais para dizer.
No passado dia 5 de Novembro houve algo que é, para mim, um marco histórico no que respeita à luta pelos direitos dos alunos em Portugal. Por todo o mundo sempre nos habituámos a ver jovens incendiar carros, entupirem avenidas e fazer verdadeiras loucuras por aquilo em que acreditavam, mas em Portugal, país de brandos costumes, nunca se viu coisa semelhante. Dia 5 de Novembro cerca de 10 000 alunos por todo o país manifestaram-se contra o novo Estatuto do Aluno, que é francamente criminoso, e cerca de 1500 estiveram em Lisboa, sob chuva intensa, a percorrer o percurso desde o Marquês de Pombal até ao Ministério da Educação, entupindo a 5 de Outubro e a Fontes Pereira de Melo. Tudo isto vem de uma organização entre as várias Associações de Estudantes do país, à qual a falsa Plataforma Estudantil 'Directores Não' se associou. É francamente infeliz que a JCP se tenha colado às manifestações por forma a deixar a sua marca, no entanto, e sem recursos financeiros, sindicatos nem apoio dos pais, as Juventudes Partidárias ainda são o único recurso dos estudantes para a organização deste tipo de coisa. Há que dizer ainda que a estes 10 000 alunos se associariam muitos mais, não fosse o facto de muitos pais terem visto esta manifestação como uma forma de faltar às aulas e não fosse o facto, também, de as faltas contarem e haver sempre o risco de não morrer da doença, mas morrer da cura. Por todas estas questões, até deixava aqui o desafio a algum estudante do secundário que me leia de organizar as acções de protestos para Sábados, acreditem que iria muito mais gente do que imaginam.
Muito infelizes foram as declarações do Secretário de Estado Valter Lemos sobre a manifestação, vindo dizer a público que esta não teve importância, nem sequer razão de ser. Aproveitando ainda para mentir um pouco sobre tudo isto, mandando areia para os olhos dos pais do país inteiro que não conhecem o diploma. Veio, então, o Sr. Valter Lemos dizer, à descarada, que o Estatuto do Aluno só prevê medidas correctivas para faltas exclusivamente injustificadas, quando o Estatudo diz claramente o contrário:
Artigo 22º da Lei n.º 3/2008

1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.
2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas,atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que com o novo modelo de gestão escolar, os alunos passam a ter mais poder de decisão pois passam a participar na eleição do Director. Novamente mentira. Actualmente, a mesa que elege o director é constituída por um número ímpar de elementos que não pode ser superior a 21 e dos quais, regra geral, apenas 1 é aluno. Significa isto que a participação de que o Sr. Valter Lemos tanto fala é de um voto na eleição do director, quando antes os alunos do ensino secundário votavam através do delegado de turma.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que faltar já não é um direito. Eu pergunto-me quando é que faltar por faltar foi direito no ensino português. A verdade é que em todas as profissões deste país os trabalhadores têm direito a faltar por motivos de doença e por morte de familiar, sem que o seu posto de trabalho seja posto em causa, sem que lhe seja pedida reposição de horas e sem que lhe seja retirado o ordenado. Aos alunos, quando acontecem fatalidades como as descritas anteriormente, ficam com a possibilidade de chumbar o ano, que é o pior que pode acontecer a um jovem a estudar.
Sobre o desmentido que o Sr. Valter Lemos fez em relação à possibilidade de reprovar por doença, há apenas uma coisa a dizer: novamente falso. Um aluno que por motivos de doença (se for operado, por exemplo) tenha de ficar fora da escola durante três semanas, quando retorna, pode ser sujeito a medidas correctivas, entre as quais se insere serviço comunitário, e, depois de avaliadas as consequências das medidas correctivas, é sujeito à realização de uma prova de recuperação a todas as disciplinas com a matéria dada até então. Se o Sr. Valter Lemos lesse O Afilhado, eu gostaria que ele me respondesse à seguinte questão: sendo a avaliação contínua, é justo que se avalie a possibilidade de não retenção avaliando apenas a matéria dada até uma certa parte do ano, isto é, um aluno que não saiba a matéria do primeiro período e seja sujeito a esse teste e chumbe deve ser afastado do sistema, mesmo havendo a possibilidade de recuperar nos dois períodos seguintes? Pelos vistos a vossa bela intenção de "desconectar" (termo interessante utilizado pela ministra) a avaliação do castigo apenas veio misturá-los mais.
Agora àqueles que me lêem, não peço que façam uma ligação para o meu texto, pois não quero que pensem que quero "publicitar" aqui o estaminé. Peço apenas que se informem sobre o Estatuto, nomeadamente se forem pais, e escrevam nos vossos próprios blogues sobre a injustiça que está a ser feita aos alunos do ensino secundário.

Para consulta:
  • A Lei n.º 75/2008 que estabelece o novo modelo de gestão e administração das escolas.
  • a Lei n.º 3/2008 que estabelece as alterações ao antigo Estatuto do Aluno (prestar atenção especial aos artigos referentes às faltas e às medidas correctivas).
  • As declarações de Valter Lemos podem ser lidas aqui.

O corredor que não leva a lado algum

Assisto frequentemente ao programa da RTP "Corredor do Poder". Curiosa e paradoxalmente, considero-o francamente mau, se calhar até é por isso que o vejo tantas vezes. Os intervenientes são aquilo que não deveriam ser num debate político feito naqueles moldes: deputados e dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Todo o debate é feito de uma forma desorganizada, com uma intervenção crítica crescente da moderadora (Sandra Sousa) que mostra várias vezes as suas próprias "tendências". Os comentadores, pasmem-se, são Nuno Melo do CDS, Marcos Perestrello do PS, Marco António Costa do PSD, Margarida Botelho do PCP e José Soeiro do BE - antes tínhamos a fantástica Ana Drago que saiu. Todo o discurso é de campanha, um autêntico mini-parlamento em que Marcos Perestrello finge ser José Sócrates e os restantes tratam de atacar, quais feras, todas as políticas do governo, que Marcos Perestrello defende com unhas e dentes. Pessoalmente, aponto como pior característica do programa a falta de liberdade de pensamento. Acredito que os comentadores, por estarem filiados nos respectivos partidos, possam concordar com algumas ideias das suas direcções, mas ver o Marcos Perestrello a defender como suas as ideias do governo, a invadir campos que não são os seus, como o da economia, dizendo as maiores barbaridades que se podem ouvir, de tão aberrante, chega a ser divertido. Independentemente daquilo que são as minhas inclinações políticas, tenho de afirmar que os melhores comentadores são o Nuno Melo, o Marco António Costa e era, agora já não está no programa, a Ana Drago. Eram três comentadores que, apesar de ligados aos partidos, defendiam ideias suas. Quando oiço um destes três não me lembro nem de Paulo Portas, nem de Manuela Ferreira Leite nem de Francisco Louçã. O mesmo já não acontece com Margarida Botelho cujo discurso é igual ao de Jerónimo de Sousa e de todos os comunistas que por um qualquer fenómeno da natureza nasceram com cérebros geneticamente iguais que lhes permitem pensar exactamente o mesmo em todas as questões (gostei particularmente da "opinião" de Margarida Botelho sobre a nacionalização do BPN - com todos os intervenientes do debate a aplaudir a medida, ela foi a única a considerá-la errada, quando lhe pediram uma alternativa, disse que "não era essa a questão", quando lhe perguntaram sobre os postos de trabalho e sobre as pequenas poupanças, disse que "não era essa a questão" e começou a dissertar longamente sobre nada). Temos ainda o pobre José Soeiro que é francamente desrespeitado, nomeadamente pelos senhores da direita (devem ter lido o texto do Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo) e que ontem teve uma prestação fraca, avançando para a demagogia já característica do BE e avançando para acusações graves em relação às ligações do BPN ao PSD, dizendo a já frase feita de que o "BPN era o banco sombra do PSD". Ponto positivo para Marco António Costa que soube responder à altura.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama é presidente!

Não vou aqui fazer um panegírico ao novo presidente dos EUA. Aplaudo o avanço tremendo da sociedade americana em não ter sentido pudor em ter um presidente negro. Quanto à actividade governativa e os benefícios para o mundo, espero para ver, apenas uma nota de receio para o ambicionado proteccionismo para a América que traria fortes problemas à economia mundial, nomeadamente à europeia. De qualquer modo, congratulations, you Won!

Directores Não!

Hoje deu-se algo de histórico em Portugal: os alunos do básico e secundário organizaram-se e foram para a rua manifestar-se contra o Estatuto do Aluno. Em todo o país contabilizam-se alguns milhares de alunos nas ruas, poderiam ser muitos mais não fossem os pais retrógrados que não se interessam pelas questões que afectam os filhos e para quem a assiduidade é um valor absoluto e não fossem também as faltas injustificadas dado o facto de os alunos não terem aos olhos da lei o direito à greve. Uma palavra de apoio deste blogger de pequena dimensão a todos vocês.
Agora uma palavra ao Dr. Valter Lemos. Que queira fingir que tudo isto foi uma brincadeira de crianças e que tudo está bem, é lá consigo. Mas mentir deliberadamente à televisão e aos jornais dizendo que as medidas correctivas previstas no Estatuto são unicamente para faltas exclusivamente injustitificadas e que alunos que faltem por doença não chumbam é inaceitável. Das duas uma: ou não conhece o diploma que supostamente redigiu ou pura e simplesmente não é digno de ser membro do governo português.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Real Politik

Dá gosto ver os políticos preocupados com as coisas práticas da vida. Viva o magalhães!

PREC Reloaded

O BPN foi nacionalizado. Meu Deus que a crise à séria chegou a Portugal! Nada disso. O BPN para além de ser um banco de reduzida dimensão no contexto nacional está numa situação excepcional. O que levou o BPN a ter todos estes problemas foram as várias práticas ilegais que por lá se desenrolaram nos últimos quinze anos. Neste momento o BPN encontra-se numa situação de falência técnica que impossibilitaria o banco de permitir aos depositantes levantar o seu dinheiro. O que vai acontecer agora é que os contribuintes vão pagar 700 milhões de euros em prejuízos, mas ao menos o país não fica num sufoco. Vamos ver é se não acontece isto.

«O governador do Banco de Portugal fez o historial das operações do BPN, algumas das quais ilegais, que conduziram à actual situação. Vítor Constâncio disse que “foram abertos seis processos de contra-ordenação contra o BPN, em Junho, na sequência da descoberta de operações clandestinas”. O governador do Banco de Portugal disse que as autoridades descobriram que parte das operações que não constavam da contabilidade do banco foram feitas através do Banco Insular, de CaboVerde, e de “um balcão virtual”. Constâncio referiu ainda que a intervenção da Procuradoria Geral daRepública (PGR), “na sequência de uma denúncia do banco central há alguns meses e da entrega de documentos há poucos dias”, poderá ter prejudicado ainda mais a já instável situação do banco, pelo que a intervenção estatal se tornou inevitável. (...)»

domingo, 2 de novembro de 2008

Coisas da Blogosfera

No Portugal Contemporâneo está uma sondagem a decorrer para eleger o melhor blogger nacional de 2008. Concordo com muitos nomes que lá estão, também é certo que tiraria muitos, mas penso que os seguintes fazem lá falta.

Pedro Correia. É um dos meus bloggers favoritos, senão mesmo o meu blogger favorito. Escreve regularmente no Corta-fitas e a sua mente aberta e o seu desprendimento partidário permitem um comentário lúcido às questões mais importantes. É quase pecado não o ter numa sondagem como esta.

Tiago Barbosa Ribeiro. Escrevia no Kontratempos e agora mudou-se para o País Relativo. Discordo de muitos dos princípios dele, principalmente da sua definição de "social-democracia" (segundo ele a minha definição parece tirada de um livro de História do século passado, escrito pelo Bernstein). Tenho também pena que defenda cegamente algumas decisões socialistas, mas a sua qualidade enquanto blogger, a sua capacidade argumentativa e a beleza da prosa são inquestionáveis.

Pedro Sales. Escrevia no Zero de Conduta e mudou-se para o (neo)Arrastão. É assumidamente de esquerda, mesmo muito. Discordo de muitas das suas posições, no entanto é coerente no discurso e faz uma coisa louvável: uma pesquisa imensa sobre os assuntos. É para mim impressionante a quantidade de relatórios, gráficos e artigos que o Pedro Sales desencanta para fundamentar o que escreve.

Desidério Murcho. É o filósofo de serviço. Escreve há bastante tempo no De Rerum Natura, criou este ano, juntamente com outros filósofos, o Crítica Blog, o blogue da revista online Crítica na Rede, e é cronista do Público. A sua argumentação irrepreensível, a qualidade da escrita, o bom humor e a sua visão arrojada da realidade fazem dele, para mim, um dos melhores bloggers nacionais, apesar de se encontrar no Brasil.

Tomás Vasques. Assina o Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, um dos meus blogues favoritos. Só tem um pequeno defeito: o de não permitir comentários, coisa que acho imprescindível quando se publica uma opinião. Novamente é a qualidade dos escritos e a capacidade argumentativa que me fazem escrever aqui o seu nome. Para além disso, o estaminé é francamente bonito.

Álvaro Santos Pereira. Economista radicado no Canadá, autor do Diário de um Deus Criacionista e do Mitos da Economia Portuguesa. Assina o Desmitos, onde no meio de análises económicas bastante acertadas, sempre bastante fundamentadas com todo o tipo de informação estatística coloca uns pozinhos de um tímido comentário político.

Desse-se o caso de eu ter um desses blogues com centenas de milhar de visitas no contador e faria eu mesmo uma sondagem. Como não é o caso, acho desnecessário colocar o formulário na barra da direita e, por isso, trato de propor a quem tem as centenas de milhar de visitas e a quem já tem o formulário feito, o que já não é nada mau.

Coisas do e-mail

Uma piada sobre as coisas "modernas" do nosso dia-a-dia.

SABES QUE ESTÁS A FICAR UM LOUCO DO SÉCULO XXI QUANDO:

1. Envias um e-mail ou usas o GTalk para conversar com a pessoa que trabalha na secretária ao teu lado;
2. Usas o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém que te ajude a levar as compras;
3. Esqueces o telemóvel em casa (coisa que não tinhas há 10 anos atrás), ficas apavorado e voltas para buscá-lo;
4. Levantas-te pela manhã e quase que ligas o computador antes de tomar o café;
5. Conheces o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, k, ...;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. A maioria das anedotas que conheces, recebeste por e-mail (e ainda por cima ris sózinho...);
8. Dizes o nome da tua empresa quando atendes ao telefone em tua própria casa (ou até mesmo o telemóvel!!);Digitas o '0' para telefonar desde tua casa;
10. Vais para o trabalho quando está a amanhecer, voltas para casa quando anoitece de novo;
11. Quando o teu computador pára de funcionar, parece que foi o teu coração que parou;
11. Estás a ler esta lista e a concordar com a cabeça e a sorrir;
12. Estás a concordar tão interessado na leitura que nem reparaste que a lista não tem o número 9;
13. Retornaste à lista para verificar se era verdade que faltava o número 9 e nem viste que há dois números 11;
14. E AGORA ESTÁS A RIR DE TI MESMO!!!
15. Já estás a pensar para quem vais enviar esta mensagem;
16. Provavelmente agora vais clicar no botão 'Reencaminhar'... é a vida...que mais poderias fazer?... foi o que eu fiz também...Feliz modernidade.

Ele não é socialista!

A esquerda portuguesa recebeu um presente de Deus há duas semanas atrás. Dia 13 de Outubro Paul Krugman, um economista americano, recebeu o prémio de ciências económicas atribuído não pela Real Academia das Ciências sueca, mas sim pelo Banco Central da Suécia. Na televisão disseram que este desconhecido dos portugueses defendia direitos para trabalhadores e a intervenção do estado na economia e logo se deu um surto de felicidade na nossa parvónia. Felicidade nos rostos e nas teclas dos teclados dos computadores, que nos blogues desse Portugal fora só leio verdadeiras Odes à mudança da ordem económica a nível mundial e à justa atribuição de um nobel a um socialista. Tolices. Paul Krugman em Portugal não caberia em nenhum dos partidos políticos, simplesmente porque a esquerda de Paul Krugman é a esquerda da América, o que é uma coisa complicada de compreender. Para ilucidar um pouco o caro leitor, Paul Krugman nas suas teorias defende um modelo de produção em escala, ou seja, a existência de gigantescos grupos empresariais e industriais por forma a reduzir os custos nas trocas internacionais. Que me lembre isto foi condenado na última conferência do PCP e na anterior e na anterior e na anterior. É verdade depois que Paul Krugman defende que as desigualdades sociais devem ser minimizadas, principalmente ao constatar-se que nos últimos dez anos nos EUA a diferença entre os mais ricos e os mais pobres tornou-se simplesmente absurda. No que respeita ao sindicalismo, Paul Krugman defende apenas um "back to the old times", defendendo uma situação como a que existia antes de Bush que, segundo o economista, aumentou fortemente as barreiras às associações sindicais, o que deixou as massas assalariadas sem poder de negociação.
Admito que Paul Krugman não é propriamente um completo liberal, mas é inconcebível olhá-lo como um economista de esquerda.

O melhor patrão e o pior cliente!

Toda a vida ouvi aquela velha conversa de que "o estado é o melhor patrão". Quem procurava uma vida estável, com um ordenado mediano, mas seguro, ingressava (e ainda ingressa) na função pública. É engraçado agora ouvir que o "estado é o pior cliente". Pelos vistos o estado compra fiado e é daqueles que só paga lá para o meio do ano que vem, coisa que muito choca o engenheiro José Sócrates que em três anos nunca tinha reparado neste facto e que vai agora tomar medidas urgentes dada a necessidade absoluta de pagar as dívidas no cenário de crise financeira. É para mim mais um episódio de fogo-de-vista. Depois do plano de emergência para as famílias e do plano de emergência para as empresas, o governo português cria o plano de emergência "pagar o que deve". Há duas hipóteses: cumpre a tradição e deixa as empresas mais uns meses à espera ou renova e finalmente cria um plano de emergência que realmente actua no imediato. Espero para ver.

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Correio Preto. Eu sou apaixonado por aquele "blog-bebé". Tem tudo. Uma boa escrita, geralmente curta, um aspecto gráfico invejável e de uma originalidade rara nos blogs que por aí vejo. O prémio há-de chegar-vos a casa em correio normal.

sábado, 1 de novembro de 2008

Quando os alunos se organizam, algo está mal!

Muita gente anda a falar da manifestação nacional dos professores de dia 8. Mas há uma greve/manifestação que vem antes, dia 5 e da qual ninguém fala. É a manifestação dos alunos contra o novo regime de faltas presente no novo Estatuto do Aluno. Profissionais organizados através de instituições sindicais para se manifestar é usual, mas alunos sem qualquer tipo de sindicato organizarem-se por livre e expontânea vontade para protestar contra aquilo que acham ser injusto e quase criminoso mostra que algo vai mal por esses recreios.

Porque é que cá não pegou?


Ao longo dos anos habituei-me às imagens de como é o Dia das Bruxas americano. Uma festa. Crianças que esperam o ano inteiro por aquilo, qual Natal, e no dia mascaram-se, saem à rua, batem às portas, partem ovos, gastam papel higiénico, comem doces e são felizes. Por cá nunca houve esta tradição. E quem disser que é por estarmos em grandes cidades e as pessoas que se desengane porque no interior das aldeias, das vilas, também não se faz disto. Pelos vistos muitas pessoas já constataram esta realidade e, por isso, tentam "criar-se" tradições, mascarando forçadamente as crianças nas creches, fazendo "casas assombradas" e coisas que tais. Gostava tanto que um dia um bando de crianças mascaradas de Frankenstein me viessem bater à porta pedir os doces que eu teria guardados num grande pote junto à entrada.

Regresso

Tenho sido um padrinho do mais desleixado que se pode ser, este meu Afilhado andava a pedir uma maior participação e, agora que tudo está mais calmo, voltei!

domingo, 26 de outubro de 2008

Loucuras de um pseudo-socialismo

O primeiro-ministro quer aumentar o ordenado mínimo para 450€. À partida isto é uma notícia fabulosa, convenhamos que 400€ não permitem a ninguém um nível de vida normal para os padrões actuais. A questão é que a proposta surge numa altura de profunda crise económica da qual se espera advir um surto de desemprego como há muitos anos não se vê (o próprio José Sócrates disse isto). Numa situação económica como a actual e com os investimentos a nível mundial a contraírem-se, a pior coisa que podemos fazer é aumentar o ordenado mínimo, pois seremos menos competitivos e menos empresas estrangeiras virão para Portugal e as que já cá estão rapidamente irão para o paraíso da Europa Oriental. As contas são simples, pensem numa pequena empresa têxtil, com 200 empregados. Pensem agora num aumento de 50€/mês para todos esses empregados. São mais 10.000€ de gastos mensais, 140.000€ de gastos anuais extra. É difícil imaginar uma vaga de falências? Eu antes preferia 400€ na mão que 450€ a voar, mas o socialismo moderno que José Sócrates tanto defende parece preferir o contrário...

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Avenida Central do Pedro Morgado e companhia. Foi "renovado" há pouco tempo e é simplesmente fabuloso. Apesar de muitas vezes discordar das ideias, tiro o chapéu à qualidade da escrita e à qualidade estética. Aplaudo ainda o facto de trazer não raras vezes os problemas de Braga para o debate blogosférico. Por isto tudo e muito mais, o Avenida Central é o Blog Catita da Semana!

Visitas exporádicas

Infelizmente ando com imenso trabalho e não tenho tido muito tempo para blogar. O mesmo vai, provavelmente, acontecer durante a próxima semana.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Novas da Blogosfera

Abriu o blogue "Correio Preto" que conta com a participação de Reinaldo Rodrigues, Daniel Rosário e Emídio Fernando. Li os primeiros posts e gostei bastante. Vai figurar na minha prestigiante lista da direita.

domingo, 19 de outubro de 2008

Toda a razão!

Francisco Almeida Leite no Corta-fitas

«É um assunto que tenho acompanhado com preocupação e espanto. Uma nau portuguesa naufragada ao largo da Namíbia por volta de 1525 foi recentemente encontrada por mergulhadores, contendo um achado precioso, já avaliado em 70 milhões de euros. Só que, para nossa desgraça, aquele país africano não é signatário da convenção da UNESCO sobre achados arqueológicos. Chocados? Eu também. Uma nau que tem uma carga com moedas de ouro e prata, espadas, canhões, astrolábios, compassos, toneladas de cobre e de estanho e centenas de barras de ouro vai ficar nas mãos da Namíbia! E, segundo li no Expresso desta semana, que traz mais um importante desenvolvimento sobre a matéria, o Governo português não pretende sequer recorrer à Convenção Internacional dos Direitos dos Mares, porque isso "seria entrar numa guerra sem retorno". (...)»

Vi uma reportagem televisiva sobre isto ainda esta manhã e partilho a indignação do Francisco. É inaceitável que património histórico português fique retido na Namíbia. Seria o mínimo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros fizesse umas nogociações (é para isso que serve...) para, pelo menos, se chegar a algum acordo. Mas pelos vistos, por cá, nem do que é nosso gostamos. Não me admira que apareçam cada vez mais e mais grupos nacionalistas neste nosso Portugal à beira-mar plantado.

Há 500 anos isto dava direito a guerra!

Vejam esta notícia da TVI onde o ministro Rui Pereira é "apanhado" pelos microfones a falar do que não deve.

Conflitos Blogosféricos

Eu não gosto de me intrometer em guerras alheias, mas nesta faço questão de entrar. No Corta-fitas, foi pedida ao Paulo Cunha Porto alguma moderação no que escrevia dadas as suas inclinações totalitárias. Isto porque o Corta-fitas se supõe pelos seus autores um blogue livre e democrático. Ora, torna-se incompatível um blogue democrático ter como contribuidor uma pessoa que é contra essa mesma democracia. Ter o Paulo Cunha Porto no Corta-fitas é tão paradoxal como ter o Luís Rainha no Insurgente ou o João Miranda no Arrastão. Para além de tudo isto há que lembrar que um blogue é uma propriedade privada com possibilidade de consulta pública, o que dá todo o direito aos autores a decidirem o que lá se escreve. Eu acho que o Paulo Cunha Porto tem todo o direito a defender o que defende, apenas concordo com alguns corta-fiteiros quando dizem (ou escrevem) que se calhar aquele não é o sítio certo para o fazer.

Blog Catita da Semana

O Blog Catita desta semana é o Quarta República. É um dos blogues mais lidos e mais respeitados da blogosfera nacional, com um painel de contribuidores de meter inveja a qualquer blogue e com uma qualidade nos textos que, de tão rara, é de aplaudir. Esteticamente é muito interessante, com o seu estilo "sombrio" de cores pesadas, mas ainda assim, muito bonito. Aqui vai a estampa:

sábado, 18 de outubro de 2008

Palavras de Sempre

Podes, e deves, ter ideias políticas,
mas, por favor, as «tuas» ideias políticas,
não as ideias do teu partido;
o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes;
os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela.
E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»

Agostinho Silva (não me perguntem quem é!)

(gentilmente "cedido" pelo André Couto)

e o PS também!

O Público abre uma notícia com a manchete: "Sócrates diz que Orçamento de Estado de 2009 é para ajudar empresas e famílias" e eu penso que lá falta "...e o PS também!". Esta ideia absurda que distribuir dinheiro pelo povo indiscriminadamente "ajuda" as pessoas e a economia deixa-me a cabeça às voltas. Como é que ninguém entende que a melhor maneira de ajudar as pessoas é tratar da crise, baixar o IRC para aumentar o investimento directo estrangeiro e manter os ordenados não muito elevados para que o desemprego não suba em flecha como prevê o nosso Presidente. O que vale é que as pessoas já vão percebendo que estas coisas são fachada e manobras propagandísticas, valha-nos isso!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pó-de-arroz

Por todo o mundo se andam a fazer dissertações de café sobre a crise que vivemos. Pessoalmente, eu que nada sei, acho que a única forma de a coisa se resolver for good era simplesmente deixar falir, deixar que os bancos que fizeram porcaria fossem abaixo, mesmo que isso levasse a que todo o sistema fosse abaixo. Mas há quem não pense assim, há que ache que o melhor que temos a fazer é remediar a coisa agora, deixar tudo muito na base do "mais ou menos" e depois logo se vê. Portugal não é excepção e a prova disso é o Orçamento de Estado para 2009 e a garantia absurda de 20 biliões de euros (10% do PIB), que vão simplesmente botar um pouco de pó-de-arroz da cara feia da economia mundial. Isto é de tal forma evidente que até a senhora que não costuma falar muito se pronunciou sobre a questão, depois do toquezinho do amigo Marcelo. Eu não gosto de ser profeta da desgraça (razão pela qual não mando curricula para o FMI), mas aposto que daqui por não muito tempo o pó-de-arroz vai sair e vamos voltar a ver a face feia da economia mundial, que estará, provavelmente, muito mais feia.

Coisas degradantes

Eu acho que comentários não são necessários, vejam apenas este vídeo de uma formação do Magalhães. (Agora que penso nisto, não é errado um professor usar o telemóvel numa formação?!)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cada Macaco no seu Galho

Há uma coisa que simplesmente não compreendo: porque é que quem não sabe nada sobre uma matéria insiste em fazer-se entendido? Falo disto a propósito da crise e dos posts que andam pela blogosfera sobre a mesma. Eu compreendo que em alguns blogues (como o Insurgente) em que os autores têm formação na área económica se produzam longos textos com opiniões sustentadas sobre o assunto, mas porque é que quem não é economista fala da crise como se detivesse conhecimentos sobre o assunto? Isto acontece numa data de assuntos, nomeadamente, a Educação, a Saúde, a Justiça. Eu não estou a dizer que os temas devem estar fechados aos especialistas, mas eu próprio, que de ciência nada sei, não venho para aqui dissertar sobre a Teoria da Relatividade... Sempre ouvi dizer "cada macaco no seu galho" e olhem que nisto, quem isto dizia, muita razão tinha.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

E-Day

Decorreu hoje na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa o E-Day: uma espécie de seminário onde vários académicos e empresários vieram prestar testemunhos e dar conselhos sobre empreendedorismo. Foi um evento deveras bem organizado, com painéis bastante interessantes de exemplos de sucesso em Portugal como a YDreams ou a STAB. No final houve entregas de prémios no âmbito de um pequeno concurso de ideias feito a nível interno (ideias francamente más, deixem que confesse) com prémios bastante interessantes: 2000€ para o primeiro prémio, uma viagem a Londres de visita a um Instituto cujo nome não me recordo para o segundo prémio e um estágio nesse mesmo instituto de Londres como terceiro prémio. É engraçado que se eu estivesse naquele concurso iria lutar com unhas e dentes pelo terceiro prémio...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Está tudo louco?

O governo vai aumentar os salários da função pública em 2,9% no próximo ano, sim, leram bem, 2,9%! O crescimento do PIB foi de 0,2% e nós vamos aumentar os salários quinze vezes mais do que o aumento de riqueza do país. Eu sei que as eleições estão próximas, mas é preciso mandar tudo abaixo? Já lá diziam os antigos: ou vai ou racha.

Erro Comum

Não existe nenhum Prémio Nobel para a Economia. Isso é um erro já quase instituído dado que ninguém o tenta corrigir. O que existe é um prémio em Ciências Económicas atribuído pelo Banco Central Sueco em memória de Alfred Nobel. Quem conhecesse a história dos prémios perceberia o porquê de ninguém poder agora aumentar o leque de prémios: é que tudo aquilo veio no testamento do senhor, no qual ele deixou dinheiro para a fundação e indicou que prémios iriam ser dados (Paz, Medicina, Física, Química e Literatura).

Algumas considereções sobre o Estatuto do Aluno

Sempre achei que os estudantes, principalmente aqueles que estão no básico e no secundário, são cidadãos sem voz. Por falta de vontade e de capacidade, não lutam muitas vezes pelos seus direitos e como a maioria dos pais estam alheados daquilo que são as coisas "internas" das escolas, estes jovens acabam por "comer o que lhes dão". Existe uma federação nacional de alunos que nem se ouviu na questão do Estatuto do Aluno e a maior defesa dos alunos nesta questão foi feita pelos próprios professores que em tudo isto só teriam a complicação de fazer um teste, no meio das dezenas de testes que têm de fazer durante o ano. Não pode ser.
O novo estatuto do aluno é simplesmente inaceitável na questão das faltas. Um aluno que esteja em casa doente tem faltas iguais às de um aluno que esteja na rua a roubar. Não existe pura e simplesmente qualquer tipo de distinção. Um aluno que tenha sido operado a uma qualquer coisa e tenha de ficar um mês a recuperar fica em excesso grave de faltas e em risco de chumbar o ano. Absurdo. Nem os trabalhadores têm situação igual, dado que em determinadas situações como doença ou nojo têm as faltas justificadas e os dias de trabalho pagos. A situação piora pelo facto de estarmos a falar de crianças e jovens. Qual é a ideia com que um jovem vai ficar se simplesmente o chumbarem por ter sido atropelado? Injustiça é eufemismo. Um jovem que supostamente se quer protegido pelo estado e pela família vai sentir que se estão nas tintas para ele, o que irá, muito provavelmente, alimentar sentimentos de revolta em relação ao establishment. Apesar de achar que a ideia faz algum sentido na base, isto é, um aluno passa se souber, nem tudo é linear e às vezes boas intenções dão merda.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um silêncio pouco inteligente

“Há três semanas que tenho esperado dela uma intervenção de fundo, como tiveram os líderes das oposições em Inglaterra e Espanha. [Ela] tinha condições únicas para isso. Os portugueses esperam que fale da crise, que dê confiança, que convide o primeiro-ministro a conjugar esforços com os partidos da oposição, como disse [David] Cameron em Inglaterra e muito bem. Ela tem um estilo e uma estratégia que não contavam com a crise. Mas a crise é a crise. Não percebo como ela e a sua direcção política não perceberam qual era a intervenção política que os portugueses esperavam dela.”

Isto foi o que o fiel paladino de Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no seu programa semanal da RTP. E acertou na mouche. Não é por acaso que as sondagens dão ao PSD uma posição pior que as de Agosto, altura em que andava em contida ascensão. A estratégia política é do critério de cada um, mas MFL tem uma responsabilidade maior: é a líder do único partido que, actualmente, rivaliza com o PS pelo poder. É por isto que MFL não pode simplesmente deixar ao abandono aquilo que assusta todos os portugueses.
Temos neste momento um primeiro-ministro arrogante que faz o que quer no Parlamento (não por competência própria, mas por incompetência alheia - há certos "argumentos" de Sócrates que eram facilmente desmontados por um miúdo que estude Filosofia) e uma líder de oposição que pura e simplesmente não se manifesta: não cria plataformas de debate, não faz intervenções na TV ou na Rádio. Ninguém pode confiar em MFL porque ninguém sabe, de todo, o que ela pensa sobre os assuntos que dominam a actualidade, é uma candidata a primeira-minista (a primeira eleita, caso o fosse) que não transmite um pingo de confiança a quem quer que seja. A intervenção política de MFL é igual à de tantos outros políticos de base: uma coluna num jornal. O povo procura no primeiro-ministro uma figura paternal (ou maternal), procura uma pessoa que venha salvar a pátria e nos leve lá para cima nos rankings internacionais, tão em voga. Mas antes disso, procura um primeiro-ministro em quem confiem, pois na actual crise de confiança na política e nos políticos, se não nos aparece um Obama, mais cedo ou mais tarde, viveremos numa democracia em que o povo simplesmente ignora que detém o poder.

Isto não é uma guerra!

É demasiado frequente no debate português a criação de uma "guerra". Um determinado indivíduo tem uma opinião contrária à de outro e a partir daí cria-se uma verdadeira guerra ideológica da qual é impossível sair um vencedor pois ambos, mesmo quando um está nitidamente errado, decidem não ceder. Isto aconteceu em imensas questões que fracturaram a sociedade e está a acontecer agora com o casamento entre homossexuais. Criam-se duas barricadas: a dos conservadores e a dos progressistas e a partir daí faz-se uma constante troca de galhardetes em blogues e artigos de jornal. Regra geral os intervenientes têm as opiniões daqueles que respeitam e defendem com unhas e dentes uma coisa sobre a qual nem cinco minutos pensaram. Pois, meus caros, isto não é uma guerra, isto é um debate que poderá influenciar de forma incontornável o futuro da sociedade portuguesa. Seria bom que quem quer debater este assunto mantivesse um certo nível na argumentação, não se partidarizasse e não apoiasse até ao fim uma determinada causa apenas porque não quer estar errado. Seria bom que os textos sobre este assunto não fossem simples "cata-comentários" com frases simples, falaciosas, provocatórias e muitas vezes insultuosas para com pessoas que simplesmente nasceram diferentes. Percebo que ainda vivemos numa sociedade muito conservadora e com ódios básicos a certas minorias (os gays, os ciganos, os pretos, entre outras), mas seria bom que tentássemos não exteriorizar esses ódios, isto para não dizer, apagá-los.

domingo, 12 de outubro de 2008

Poema de Sempre

Esta música tem uma letra lindíssima. Este poema é digno de ser estudado em aulas de português. Deixo-vos aqui "Vinho do Porto" de Carlos Paião: