Nova localização

O Afilhado mudou-se para aqui.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mas o que é isto?

«A comunidade cigana da Quinta da Fonte está preparada para juntar ciganos de todo o país numa manifestação nacional se as famílias não forem realojadas em novos bairros até ao final desta semana, garantiu hoje José Fernandes, porta-voz da comunidade, que desde quinta-feira está concentrada em frente à Câmara de Loures. (...)»

Eu começo mesmo a pensar que esta gente enlouqueceu de todo. Podem chamar-me racista pelo que vou dizer, não quero saber, a comunidade cigana portuguesa tem previlégios que nenhuma outra tem. As autoridades por medo ou das armas ou das bocas sobre racismo, permitem que as feiras dos ciganos continuem, sendo óbvio para todos que se cometem ilegalidades nessas feiras, permitem que os ciganos continuem a ter habitação social recheada de playstations, e faço menção de referir o plural da palavra, e com mercedes à porta. Com tanto previlégio concedido nos últimos anos, começa-se a pensar que os previlégios são direitos, coisa que não são. Agora, a bem da segurança que eles próprios põem em causa, exigem a um país inteiro que pague, através dos seus impostos, casas novinhas para que os meninos possam permanecer confortáveis e inteiros. Poupem-me.

Mas que ótimo!

Foi hoje promulgado pelo PR o novo Acordo Ortográfico. Não tenho muito a dizer, apenas que sinto muito, sinto muito que a nossa cultura e a nossa identidade tenham sido postas em causa a bem de uma pseudo-cooperação política e económica. Apenas tenho uma coisa a dizer, venha lá quem vier, as coisas boas, para mim, continuarão a ser óptimas.

domingo, 20 de julho de 2008

Ainda não vi nada

Há uma regra base na política em democracia: aproveitar qualquer gaffe para aproveitamento político. É legítimo, afinal, temos de vender o nosso peixe e quando o peixe não tem muita qualidade, temos de dizer que o do outro não é muito fresco. Mas ás vezes este aproveitamento torna-se absurdo.

Manuela Ferreira Leite foi infeliz quando disse que o objectivo do casamento era a procriação, há que dizê-lo sem problemas. Mais infeliz que ela está a ser José Sócrates pois vangloria-se de ser progressista e critica MFL por, segundo ele, esta ser conservadora e retrógrada, enquanto que ele próprio não fez absolutamente nada pelo casamento entre homossexuais. A JS anda por aí cheia de iniciativas a bem de direitos iguais e o PS nem quer saber. Eu pergunto ao senhor José Sócrates, se é tão progressista assim e se o seu governo foi o que mais avançou em termos sociais (esta coisa de José Sócrates comparar o seu governo a todos sempre me perturbou, é a prova que o que ele mais ambiciona é o sucesso pessoal, mas isso fica para outro post), porque não fazer um referendo à questão do casamento gay? Nada melhor que o povo soberano pronunciar-se sobre um tema tão delicado. Quando o "não" ganhar Sócrates faz o quê? Chama retrógrados aos portugueses?

Não acontece só na China


Hoje no Público é noticiado que um grupo de confecções que trabalha para a Zara foi acusado de exploração infantil. What's new?

O grupo Inditex, para quem não sabe, detém a Zara, a Stradivarius, a Massimo Dutti e a Pull and Bear. Ao longo de anos a fio este grupo espanhol (cujo dono é o espanhol mais rico e o sexto mais rico do mundo) tem sido acusado destas situações, mantendo sempre uma pose de "a culpa não é nossa". É impressionante como no modelo social europeu, em pleno século XXI ainda haja crianças de 11 anos a coser sapatos por uns míseros 40 cêntimos o par. É vergonhoso quando vemos Bruxelas denunciar práticas que atentam contra os Direitos Humanos pelo mundo fora e não vermos a mesma moralista Bruxelas olhar para aquilo que tem em casa.
Por acaso tomei conhecimento deste caso pela primeira vez através de um e-mail onde vinham denunciadas estas situações. Eu só gostava de dizer, perdoem-me as pretenções a Sherlock, que um caso isolado pode significar apenas isso, um caso isolado, mas um grupo que ao longo da sua história tem repetitivos "casos isolados" não pode ser constantemente desresponsabilizado.

sábado, 19 de julho de 2008

O Clubismo Partidário

Em política faz-se uma coisa que considero, deveras, extraordinária. Com esta ideia da representatividade, cada um de nós escolhe o partido que mais lhe agrada e a partir daí deixamos de ter ideias próprias, pensamos o que o partido pensa, apoiamos o que o partido apoia, rejeitamos aquilo que o partido rejeita. Isto é mais característico de algumas correntes que penso não ser necessário referir, mas alastra-se um pouco por toda a vasta panóplia de ideologia política à escolha. O que acontece, infelizmente, é que muita gente olha para os partidos políticos com espírito acrítico, olhando para as instituições como se olha para um clube de futebol.

És de que partido?

Sou do CDS, então e tu?

Sou do PS!

Epá devias mudar, esses gajos não valem nada!

Tu é que...

E por aí se desenrola uma pseudo-discussão-política destituída de qualquer conteúdo. Não pode ser. Os partidos políticos têm de ser constantemente avaliados e é ridículo desenvolver laços de afecto em relação a um partido político, votando nele mesmo que as suas ideias nada valham. Talvez quando o momento de votar, quando a opção por um partido partido deixar de ser algo "clubístico", talvez aí, o debate político em Portugal tenha a qualidade que se pretende.

Novo-riquismo português

Há uns tempos vi um Prós e Contras em que se falou do TGV, do aeroporto e dessa febre do betão instalada pelo país. Nesse programa, lembro-me de um senhor, não me lembro que senhor, dizer que precisamos de políticas de transporte sólidas, à semelhança de Espanha, onde existem planos para a mobilidade e acessibilidade com períodos de 15 anos e para os quais o Estado canaliza alguns milhares de milhão de euros. Eu concordo com o senhor, considero realmente que precisamos de políticas estruturadas e não só nos transportes, infelizmente começo a achar que tal realidade assume um carácter utópico em Portugal.
É impressionante a quantidade de volte-faces que as decisões dos governos tomam. Em escassos meses, um aeroporto decidido pelo Salazar muda de localização. Em escassos meses um investimento considerado pelo FMI como vantajoso para Portugal é posto em causa (falo do TGV), então dou por mim a perguntar: o que raio se passa aqui?
Todos os partidos na oposição se queixam do betão. Quando chegam ao governo é no betão que se focam. O mais extraordinário é que muitas vezes o betão não é, de todo, necessário. Não são escutadas com atenção as vozes de quem sabe. A questão do aeroporto, desde início, não foi a construção ou não construção, a discussão já tinha a construção como garantida, apenas faltava decidir o "onde". Li artigos a comparar o nosso aeroporto a outros como o de Málaga em que se dizia explicitamente que seria perfeitamente rentável potencializar mais a Portela em vez de construir um novo aeroporto de raiz em Alcochete ou na Ota. Porque é que não oiço nenhum político colocar a possibilidade de um aeroporto novo não ser necessário? O nosso aeroporto comparado com aeroportos que ninguém põe sequer em causa fechar como os de Londres está às moscas, completamente às moscas.
O novo-riquismo português não é só característico das famílias cuja vida é financiada pelo crédito, este novo-riquismo alastra-se para S. Bento, onde se pensa poder fazer tudo o que se quer com fundos maravilha vindos da UE. Eu só gostava de lembrar uma coisa: os investimentos que se fizerem agora, só começarão a ser pagos a partir de 2014. Em 2013 termina o actual QREN e, com ele, a situação previligiada de Portugal na distribuição dos fundos comunitários. Eu nem quero imaginar os défices orçamentais e as dívidas públicas nos anos a seguir a 2014. Preparem-se para uns impostos extra.

Pickle envagelista!

No De Rerum Natura, a Palmira da Silva colocou um vídeo do GrandPa John (John Clayton) no qual este avô tenta através de um pickle e dois garfos provar a beleza do que é ser cristão. Simplesmente delicioso este clip:



Leiam o artigo da Palmira aqui.

Mal entendidos

No primeiro parágrafo desta notícia do Público lemos:

«José Manuel Durão Barroso admitiu que estar disponível para um segundo mandato na presidência da Comissão Europeia, em declarações dadas ao jornal holandês “NRC Handelsblad” divulgadas hoje.»

No segundo parágrafo, lemos:

«“Se tivesse que tomar hoje uma decisão sobre um segundo mandato, diria ‘sim’ (...) assumindo, claro, que teria o apoio dos Estados-membros e do Parlamento Europeu”, disse Durão Barroso, citado pelo “NRC Handelsblad”.»

Isto não é notícia. Durão Barroso já tinha dito em português, a portugueses, que se a decisão tivesse de ser imediata, imediatamente diria 'sim'. A questão é que a decisão ainda pode esperar um ano e até lá muito pode acontecer.

Tudo por uma autarquia!


O CDS no ano passado não teve uma autarquiazinha para amostra, não está certo. Um partido que visita tantas feiras, tantos mercados, tantas pessoas não merece tal desfeita. O presidente do Partido até voltou a ser o Paulinho dos dentes brancos e da pele bronzeada! Que querem mais? Política? Ah...

É impressionante o que um partido em maus lençóis faz para poder subir um bocadinho que seja, Desta vez foi o CDS-PP ao nomear Avelino Ferreira Torres para candidato à autarquia do Marco de Canaveses. Como é que um partido que está com uma falta de credibilidade tamanha, que nas sondagens é apontado como a última força política com apenas 3% dos votos, ainda faz asneiras destas? Um conselho ao senhor PP, mais vale perder uma autarquia e manter um bocadinho de dignidade, do que perder tudo para que um corrupto dê ao seu partido uma autarquia nas eleições de 2009. Mas como disse, é apenas um conselho...

Já agora: digam lá que o cartaz não está uma maravilha propagandística!

Adenda: O PP leu o meu post, afinal o candidato não o é mais...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ricos e mal agradecidos


O incidente de pura guerrilha urbana que teve lugar em Loures há uns dias despoletou agora um protesto por parte da comunidade cigana do Bairro, que exige que lhes sejam dadas novas casas. Os senhores são razoáveis, dizem às autoridades que não é preciso ser aqui na região, pode ser numa outra qualquer região do país, o que eles não querem é voltar para Loures. Até lhes satisfazerem o pedido, eles irão permanecer nas imediações da Câmara Municipal de Loures, acampados em bancos de jardim e em colchões. Isto está a ir longe demais.

Por todo o país, mas principalmente nas Áreas Metropolitanas, têm-se construído habitações sociais sem fim, dezenas de milhar nos últimos anos. Estas casas são atribuídas a famílias de parcos recursos que vivem em condições inumanas e que, pelo princípio da solidariedade social, merecem casas decentes. Não sou contra a atribuição destas habitações, salvo duas excepções:

1. Quando os que as recebem não as merecem por terem actividades não declaradas como bancas em feiras, tráfico de armas ou de droga, trabalho doméstico, entre outros, que os fazem receber mais do que muitos que não recebem um chavo pela parte do solidário Estado português.

2. Quando a solidariedade passa a ser exigida. As pessoas confundem muitas vezes favores com direitos, pensam que como lhes é dada uma casa, isso significa que têm direito a tê-la, o que é, obviamente, errado. As casas são oferecidas àquelas pessoas para que não vivam mal, nada obriga os contribuintes a sustentar famílias que não sejam as suas.

Mas isto das habitações sociais abrange um sem número de coisas. Por exemplo, o Rendimento Social de Inserção (o antigo Rendimento Mínimo Garantido, criado por aquele brilhante estadista que foi o Guterres) é atribuído a imensas pessoas que dele não dependem: os feirantes, os traficantes ou as empregadas domésticas são exemplos. A Justiça Social acaba por se ver transformada na mais pura injustiça porque, por um lado aquelas pessoas não descontam para o IRS pelas actividades a que se dedicam e, ainda por cima, recebem dinheiro extra exactamente por não declararem quanto recebem.

Obviamente isto não é culpa de nenhum governo, seja ele socialista ou social-democrata, é culpa do poder local que, com medo de conflitos e de perder popularidade, fecha constantemente os olhos a estas situações, a bem dos votos. Uma grande saudação da minha parte ao Presidente da Câmara de Loures por não ceder a chantagens como aquelas de que está a ser alvo e o meu voto para que a sua posição não se altere com o desenrolar dos acontecimentos. Se a coisa der para o torto, já não são precisas casas, as cadeias ainda têm celas por preencher.
*Imagem retirada do Público

Milton Friedman on Corporations

Porque no te callas?


Luís Filipe Menezes brindou-nos mais uma vez com um muy acertado artigo de opinião para o Diário de Notícias. É um primor este Luís, sempre a dizer-nos coisas tão bonitas que nos comove sempre que nos presenteia com uma aparição pública.

Óbvio que não estou a falar a sério.
Luís Filipe Menezes é um puto, um puto mimado a quem foi tirado o brinquedo para ser dado a outra. Em todo o discurso vemos traços vincados de despeito e inveja, vemos que o problema de Luís Filipe Menezes não é ser Manuela Ferreira Leite quem lá está, que não é ser Paulo Rangel quem lá está. O problema de Luís Filipe Menezes é ver que não é ele quem lá está, e isso chateia. Para o demonstrar vou pegar em três exemplos:

«Em Fevereiro passado, outra sondagem com a mesma chancela de credibilidade da Universidade Católica punha PS e PSD com escassos sete pontos a separá-los.»

Exacto, agora são 8. O amigo Luís não percebe que apesar de a Católica estar coberta de uma credibilidade que ele não tem, existem margens de erro, por isso, um ponto numa sondagem não representa nada.

«Nem quero imaginar o que se escreveria sobre o anterior líder social-democrata se ele, em escassas seis semanas, não tivesse divulgado uma proposta, estivesse em hibernação enquanto os camiões bloqueavam o País e culminasse tal período de ausência com a pomposa declaração de que o casamento era um magistério virado em exclusivo para a procriação!»

Ó mamã eles gostam mais dela do que de mim!!

«Não tenho dúvidas de que éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores.»

Pessoal da Fox têm aqui o elenco para a próxima série do Heroes, eles são mesmo brutais.

Vou ser franco, isto mete-me muita confusão. Para além de LFM saber que não o querem onde ele estava por ele ser simplesmente uma nulidade, faz questão de tentar mandar abaixo não só a líder do partido, mas também o próprio partido, afirmando, sem medo, que o PSD não tem substância nem ideologia definida. Indivíduo mais mesquinho, pá!

*Imagem retirada daqui.

Ler a notícia do Público aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uma aceitação que não compreendo


Ontem fizeram 90 anos do assassinato da Família Romanov, isto é, da afirmação em pleno do Comunismo de Lenine na Rússia. O assassinato, que por si só já é bárbaro, dos Romanov foi particularmente cruel. Segundo relatos que li, aquela família foi guardada em Ekaterimburgo no seu Palácio de Verão sem quaisquer condições para uma vida digna, segundo os padrões da altura. Depois de meses em cativeiro, no dia 16 de Julho, foram convidados a tirar uma fotografia, uma última fotografia, para depois serem brutalmente executados por fuzilamento. Depois do caminho aberto, depois do Exército Branco deixar de ser ameaça, o PCUS (o partido comunista da Rússia) tratou de transformar a Rússia por completo, para um palco de morte, fome e miséria. As mortes causadas pelo regime comunista são incontáveis, os números variam entre os 20 e os 40 milhões, desde as purgas dentro do próprio PCUS causadas pela esquizofrenia Estaliniana até ao simples camponês visto como ameaça e enfiado num Gulag com uma chávena de chá com 8 gramas de açúcar a servir de ração diária, por toda a Rússia se sentiu o terror comunista. O comunismo causou tantas ou mais mortes que o nazismo, o fascismo ou qualquer outro ideal, no entanto, anda por aí, a contaminar os Parlamentos por essa Europa fora, sem que NUNCA um comunista tenha sido condenado pelos seus actos. Isto mete-me nojo. Mete-me nojo o cinismo dos comunistas quando se referem aos EUA - que dão uma lição de democracia a qualque comunista, quando se referem à ameaça neo-nazi, quando condenam actos, decerto condenáveis, mas não por quem não tem autoridade moral para tal. Quando é que o socialismo totalitário, quando é que as insurrecções armadas, quando é que as pretenções de autocracias são, de uma vez por todas abolidos? Quando é que o comunismo vai ser tratado da forma que merece: como uma ameaça à humanidade?

Adenda: e agora isto, se Russell ainda estivesse vivo, teria novas razões para escrever Por que não sou cristão?

Antena Fechada


Hoje no programa Antena Aberta da Antena 1 decorreu uma forte discussão sobre, imagine-se, o novo regime de reformas. Impressionados? Eu também não.

Eu acho muito positivo que a rádio e a televisão criem programas interactivos para que o público se possa expressar, mais a mais numa rádio que presta serviço público como é a Antena 1. O problema é que o público que participa é parvo. Eu ouvi meia-dúzia de intervenções e quase nenhuma foi acertada! Ouvi dois sindicalistas dizerem a estupidez de que os aumentos vencimentos têm de ser indexados à inflação e que os culpados disto tudo são os detentores do grande capital e que o grande capital é mau e que o Cunhal é que é bom. Ouvi algumas pessoas que decerto não perceberam a ideia do programa porque ligaram para lá para perguntar com quanto de reforma é que iam ficar. Ouvi um indivíduo ser silenciado depois de referir os ciganos quando falava das injustiças na atribuição de prestações sociais. Ouvi um outro sujeito dizer que foi a Manuela Ferreira Leite que passou a idade de reforma para os 65 anos e o número de anos de descontos para 40 (quando é do conhecimento geral que esta foi uma medida do Engenheiro Sócrates). Ouvi uma senhora indignada por serem os nossos impostos que pagam os vencimentos do Governador do Banco de Portugal e dos Ministros, devia ter descoberto agora.
De tudo o que ouvi, a única coisa com que concordei foi com o facto de ser vergonhoso que os deputados saiam da Assembleia da República com brutas reformas depois de trabalharem 12 anos (antigamente eram 8, já está menos mau...).
É neste estado que está a "opinião pública": populista, mal informada e com tremendas lesões no cérebro depois de passarem anos a fio a ouvir senhores como o Carvalho da Silva, o Jerónimo de Sousa, o Francisco Louçã ou o Paulo Portas. É triste.

Boas férias Cachimbo

Estou há pouco, muito pouco, tempo na blogosfera. Apesar disso, desde início que sempre tive alguns blogues como blogues de visita obrigatória. Um deles é o Cachimbo de Magritte. Agora vai entrar de férias, é uma pena. Com a silly season a chegar, menos um blogue de qualidade a funcionar é tudo menos bom.

It's time for some campaignin'!

(via 31 da Armada)

O medo de Sócrates


Ao longo dos últimos três anos de legislatura, José Sócrates apenas se preocupou com a sua opinião, tanto é que os ministros que dele discordavam foram convidados a sair. Isto era perfeitamente justificável. Uma maioria absoluta no Parlamento que lhe permitia uma autêntica ditadura em democracia, uma oposição nula e um Presidente que, a bem da cooperação estratégica e devido aos traumas do passado não se lhe opunha. Isto tudo levou a que o PS nunca precisasse de fazer discursos incendiados contra os seus opositores. Agora é diferente.
O PM está nervoso, o PM sabe perfeitamente que nas directas do PSD não foi só Manuela Ferreira Leite que ganhou alguma coisa, ele também ganhou: uma adversária à altura. A descontração que o Eng. Sócrates e o seu governo demonstravam está a acabar. Ouve-se agora um ministro rebaixar-se ao ponto de responder a um comentador, mais, a pedir-lhe um debate. Ouve-se José Sócrates a ridicularizar uma ideia da sua opositora de que ele próprio nunca deu provas de discordar. Ouvem-se tentativas de Vera Jardim de ridicularizar Paulo Rangel no Parlamento através da comédia em vez da argumentação. Enfim, nas palavras da líder da oposição, José Sócrates e o PS estão a "cerrar fileiras" porque sabem muito bem que até 2009 MFL pode subir aqueles 8 pontinhos e sentar-se na bancada do governo no Parlamento.

P.S.: 100º post

Adenda: leiam este artigo no Público

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Questão do Nuclear


Vítor Constâncio foi ao Parlamento e na sua intervenção disse que "a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear". A seguir a Quercus veio contestar o que o Governador do Banco de Portugal disse, já se esperava.

A energia nuclear é, obviamente uma alternativa. Resta saber se é uma alternativa acertada. Não a considero como tal. Em Portugal temos enormes potenciais para energias renováveis. Se apostarmos na energia eólica e na solar, de certeza que não vamos ter de importar matérias-primas, no entanto, em relação ao nuclear a coisa é diferente porque, ao que sei, a produção nacional de urânio não é coisa de grande envergadura. Isto é um dos muitos problemas da opção pela energia nuclear. A fazer fé nos ambientalistas da Quercus, toda a Rede Eléctrica Nacional tinha de ser alterada porque não suporta uma central nuclear. Os resíduos nucleares não têm tratamento possível. Apesar de ser uma energia limpa, um qualquer erro pode transformar-nos numa Chernobyl.

Eu até percebo esta conversa do nuclear, por vários sítios da Europa está a tornar-se "moda", nomeadamente nos muitas vezes imitados países escandinavos. Mas há que ter em atenção que os países que estão a apostar no nuclear só têm o nuclear como alternativa. Custa-me a crer que alguém que se queira bronzear vá para a Finlândia. Em Portugal essa alternativa existe e é uma alternativa melhor. Mesmo que sejam mais caras (não sei se é) as energias renováveis, nomeadamente a eólica e a solar, trazem vantagens em termos de custos sociais e ambientais (as chamadas externalidades) muito maiores que a energia nuclear. Espero bem que haja o tal debate e que nesse debate as pessoas percebam o erro do nuclear.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Preparados para a depressão?

«A cada meia hora que passa a bolsa portuguesa acentuava cada vez mais o sentimento negativo do começo do dia. Às 12h15, o índice PSI20 descia 5,16 por cento, para 7895 pontos, baixando largamente dos oito mil pontos.(...)»

O Acordo Ortográfico devia ter mais uma alteração. A partir de agora, já não é crise, é uma verdadeira depressão. Preparem-se que isto ainda não acabou. Se as grandes vão, vai tudo atrás.

A prova da não-justiça

«O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) decidiu manter o FC Porto na Liga dos Campeões de futebol, recusando os recursos do Benfica e Vitória de Guimarães contra a decisão da Comissão de Apelo da UEFA, anunciou hoje o organismo.(...)»

E pronto, mais uma história do que é a História da Justiça Desportiva...

Ideias Liberais (3)

Porque é que todos os deputados da assembleia vão de fato e gravata menos os do BE?

Globalização


(Via O Jumento, vão lá ver as restantes imagens, as da Amnistia estão fantásticas)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ideias Liberais (2)

Quando os camionistas estavam a rasca, o Estado deu-lhes uma mão para que os prejuízos não fossem tão grandes. O BPI deu prejuízo, será que o Sócrates vai atribuir algum subsídio?

Where's Obama?

«Hace un mes, el candidato demócrata a la presidencia de Estados Unidos, Barack Obama, aventajaba en 15 puntos a su oponente republicano John McCain en la carrera hacia la Casa Blanca, según una encuesta de la revista Newsweek. Ahora, la misma publicación asegura que la diferencia entre ambos se ha reducido a sólo tres puntos: un 44% de los encuestados apoya al senador por Illinois, mientras que el 41% respalda al senador republicano por Arizona.

A falta de cuatro meses, dos convenciones y al menos tres debates, este nuevo sondeo indica que el 53% de los votantes, en el que se incluye también el porcentaje de los votantes que apoyaban a la ex candidata demócrata Hillary Clinton, consideran que Obama ha mostrado un viraje de su posición en asuntos claves como la guerra de Irak o la pena de muerte con el objetivo de tomar la delantera y obtener votos. En la encuesta del pasado 20 de junio, Obama lideraba con el 51% la elección de los ciudadanos, frente al 36% de McCain.(...)»

Pois é, o amigo Obama deu barraca (não resisti). Com esta política vaga, com esta ambiguidade de ideias, com este "nem é carne nem é peixe" que lhe é característico, Barack Obama, que me parecia um óptimo candidato ao início, está a revelar-se uma farsa. Com constantes mudanças de opinião (realmente, o slogan "Change" é apropriado) está a perder progressivamente a credibilidade. Com 3 pontos de diferença de MacCain, acho que nem a Oprah lhe vale...

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Foi no dia 14.VII.1789. Um grupo de revolucionários, toma de assalto a bastilha, símbolo do poder real francês. Foi a primeira etapa da luta que ainda hoje se trava, a luta pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

A Justiça do Socialismo


Saiu hoje o primeiro número da revista "Ops!", uma revista de carácter político publicada por uma nova corrente socialista, liderada por Manuel Alegre. Aplaudo a ideia, é de reflexão e opiniões sustentadas de que precisamos. Pode ser consultada aqui.

Li algumas coisas, saiu hoje e ainda não consegui ler todos os textos que serão certamente interessantes. Li o editorial escrito pelo próprio Manuel Alegre que me pareceu bastante bem, a esquerda precisa mesmo de encontrar novas soluções. Depois li um texto do André Freire, ali do Ladrões de Bicicletas e numa parte em que ele se referia ao aspecto das desigualdades salariais deu-me na ideia de começar a pensar se toda esta corrente, quase dogmática na Europa, de que a justiça social passa por rendimentos o menos desiguais possível, será realmente justa.

Um dos princípios básicos do Socialismo, que, na actualidade, se converteu em Socialismo Democrático, depois do fiasco do Totalitário, é que numa sociedade justa há que ter o máximo possível de equidade. E esta equidade é assegurada através de um amontoado de mecanismos, todos eles fiscais. Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) progressivo. Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) com taxas diferentes conforme a natureza dos bens. Isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para quem tem casa com o valor de 50 000€ ou inferior. Tudo nessa linha. Ora, com estas medidas, chega-se a uma situação em que algumas pessoas vêem mais de metade do seu rendimento mensal ir para o Estado e outras vêem apenas uma pequena parcela. Será justo?
Na verdade, ao querermos justiça social, estamos a ser injustos. Um indivíduo que seja rico tem de pagar ao Estado por ser rico como se ser rico fosse crime. Na imaginação comum, os ricos são todos ladrões que conseguiram a riqueza enganando os outros, mas não é bem assim. Existem imensas pessoas cujo rendimento lhes permite um confortável lugar no último escalão do IRS que trabalharam imenso para lá chegar. Por isto, não é admissível que estas pessoas sejam obrigadas a pagar uma taxa maior, pagando mais duas vezes: pagam mais porque recebem mais, mas depois ainda têm o aumento da taxa exactamente por receberem mais.
Eu defendo o Estado Providência, sim. Considero que não é possível termos uma economia deixada ao abandono, sem qualquer regulação. O Estado tem de garantir a segurança de todos, nomeadamente aquela que passa por comer, por isto, acho perfeitamente aceitável que hajam as prestações sociais que permitam às pessoas em situação complicada viver, afinal, somos um país e como tal, todos os cidadãos são importantes: hoje por ti, amanhã por mim. Mas, apesar disso, defendo um sistema fiscal com base da proporção e não na progressividade, isto é, uma harmonização das taxas. Tal e qual acontece no Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRC), em que uma Pequena/Média Empresa paga a mesma taxa que uma Multinacional. Defendo isto porque um sistema de proporção é aquele que mais permite ao mesmo tempo um financiamento do Estado que assegure os serviços públicos e uma situação em que não é crime ser rico nem benesse ser pobre.

domingo, 13 de julho de 2008

À custa de todos

Coloco aqui, com a devida vénia, um excelente texto de Vital Moreira do Causa Nossa:

Os sindicatos CGTP da função pública (sempre eles!) querem aumento de vencimentos imediato "para evitar a perda de poder de compra" face ao aumento da inflação.
É evidente que a inflação entre nós -- apesar de bem abaixo da média europeia -- vai a subir acima do esperado (embora deva ficar aquém de 3%), devido ao forte aumento do preço do petróleo e dos alimentos importados. O problema é que todos os portugueses estão a perder poder de compra com a inflação. Desta vez até os muito ricos estão a perder milhões com a crise internacional, na bolsa e outras aplicações financeiras.No fim do mês o nosso dinheiro compra um pouco menos de coisas. É como se uma espécie de imposto externo tivesse sido lançado sobre todos nós, transferindo diariamente para o exterior milhões de euros a mais para comprar as mesmas coisas.
Por isso, o que afecta a todos não pode ser resolvido oportunisticamente em benefício de alguns à custa dos demais, incluindo os outros trabalhadores, só porque se tem mais poder sindical. Sobretudo quando essa "salvação selectiva" teria de ser paga pelos contribuintes, como sucede com os funcionários públicos.

Deslocalização nos bairros sociais

A comunidade cigana do bairro palco de tiroteios e afins de Loures decidiu ir embora, deslocando-se para casas de familiares e outros locais possíveis. Assim que ouvi a notícia lembrei-me de um poema do Eugénio de Andrade. Adivinhem o título: Adeus!

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Ficámos competitivos?


«A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.(...)»

Ao que parece, agora Portugal tornou-se competitivo em relação à China. Pasmem-se. Afinal, o choque petrolífero há-de trazer qualquer coisa de bom para o nosso país.

Agora fora de brincadeiras, esta situação é perfeitamente normal por diversos factores. Em Portugal, um licenciado em início de carreira ganha, sensivelmente, o ordenado mínimo francês. Com o aumento do número de licenciados, a economia nacional tem ao dispor dos parceiros europeus e de outros continentes um trabalho especializado e barato em termos comparativos. Esta situação, aliada a factores ainda decisivos como a estabilidade social e política ainda nos torna mais apetecidos por alguns grupos que a grande e barata China.

«A proximidade geográfica, numa altura em que os custos dos transportes disparam, e a capacidade de adaptar rapidamente a produção às exigências do mercado são factores determinantes em nichos de mercados de diversos sectores, para os quais Portugal está bem posicionado.(...)»

Mas ainda nos restam alguns problemas. Muita da nossa produção assemelha-se ao modelo chinês de enormes quantidades e qualidade reduzida para que os preços sejam baixos. Nessa área, não vale a pena nem sequer tentar competir com os chineses. Temos, portanto, de continuar aquilo que tem sido feito: reconverter a economia para um modelo assente em capital humano e em tecnologia, de modo a que o valor acrescentado da produção seja cada vez maior. Temos de apostar cada vez mais em qualidade em vez de quantidade, só assim seremos competitivos.

Cooperação estratégica

«Há precisamente dois anos (14 de Julho de 2006), Cavaco Silva defendeu que "é bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos, e sem dúvida que o TGV é um grande investimento, para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses". Na altura, pediu "análises custo-benefício muito profundas" sobre o dossier (tal como Manuela Ferreira Leite tem estado a fazer).(...)»

O nosso Presidente da República diz há dois anos, timidamente, ser contra as grandes obras públicas que estão em marcha. MFL ao dizer isto pode apenas estar a fazer propaganda, mas eis porque Cavaco não está. Cavaco Silva, na sua altura "para-partidária" em que a militância não era para ele, já dizia ser contra tais projectos. Antes de se anunciar candidato presidencial já dizia ser contra tais projectos. Quando foi eleito, continuou a dizer-se contra. Na actualidade, a bem da cooperação e da estabilidade, diz apenas "ter dúvidas". Neste momento o PS tem uma autêntica ditadura parlamentar em que aprova o que quer, mesmo que toda a oposição, o Presidente da República e o próprio povo estejam contra. Esta sede de deixar uma pegada (comum a Guterres que nos empenhou com obras de chacha) parece ser cada vez mais comum nos políticos e na política. É pena. Onde pára a política do bem comum?

sábado, 12 de julho de 2008

Guerrilha urbana: um problema de planeamento

Aconteceu em Loures, ontem e anteontem: dois tiroteios entre "grupos étnicos rivais". No nosso português racista, isto chama-se "pretos contra ciganos", mas pode ser ofensivo. Esta questão, ao contrário do que se possa pensar, não se relaciona apenas com a simples polícia que tem de garantir a segurança de quem habita naquele concelho, não. Esta é uma questão muito mais profunda que se relaciona, pasmem-se, com o planeamento urbano.

As nossas políticas sociais, ao longo de décadas a fio, permitiu a construção de habitações sociais a custos controlados de modo a alojar as pessoas que viviam em barracas e em coisas piores. Há quem diga que se tratam apenas de operações de cosmética urbana, não vou por aí. O problema destas habitações sociais é apenas este: criaram-se imensos prédios com imensos andares em pontos específicos das cidades, ou seja, juntaram-se milhares de pessoas com problemas sociais, económicos e, muitas vezes, criminais em "bairros sociais". Esta via "integradora" de pessoas com problemas de "integração" levou a uma maior descriminação, que aliada aos problemas de sempre, é uma perfeita aliada da criminalidade. Aqueles bairros sociais, dominados por gangs são lugares prigosíssimos para quem for, até para a polícia. É de todo imperativo que se alterem estas políticas de urbanização de modo a integrar habitações deste tipo noutros bairros, assim pode ser que não se assista a tristes episódios como os que aconteceram.

Ao que chegou a ONU

«A China e a Rússia vetaram ontem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um projecto de resolução apoiado pelos ocidentais que queriam sancionar o Zimbabwe pelo seu processo eleitoral violento e contestado.(...)»

O Zimbabwe foi um palco de um dos maiores atentados à democracia e à liberdade dos últimos anos. Um autêntico genocídio foi o que lá aconteceu. Obviamente esperamos que a ONU, pelo menos, "castigue" os responsáveis. Não, já nem isso podemos esperar. Temos dois garantes da liberdade e dos direitos humanos que não o permitem, a utópica China e a poderosa Rússia. Onde é que isto vai parar?

O Irão: um problema de sempre


O Irão, como se sabe, andou por aí a testar mísseis. As ameaças contra outros países sucedem-se. Primeiro a velha inimiga Israel, depois os EUA. Todos na comunidade internacional estão mortinhos de medo que o Irão corte a produção de petróleo que levaria a um choque petrolífero que, ao lado do actual, o reduziria a um aumento sazonal. Esse medo está a impedir uma intervenção armada. Será certo?

Sou um acérrimo defensor da paz, a menos que a guerra seja inevitável. O Irão está a criar uma bomba atómica, estão à espera do quê? Aquele país, minado de radicais islâmicos que me faz encará-lo como a Alemanha Nazi do Médio Oriente, é uma real ameaça para o mundo, nomeadamente o Ocidental. Não sei o que é que a UE, os EUA e a ONU esperam, mas uma bomba atómica no meio de Nova Iorque seria tudo menos recomendado. Imaginemos uma bomba atómica em Londres ou em Paris, os milhões de pessoas que morreriam, os outros milhões que durante décadas iriam sofrer problemas gravíssimos graças à radiação. O Irão tem de ser parado já. A guerra é inevitável, as suas consequências, no entanto, podem ser minimizadas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Negócios que não lembram nem ao menino Jesus!

A Câmara Municipal de Almada (PCP) tem um sistema de negociação com os investidores, no mínimo, peculiar. A verdade é que uma enorme fatia do investimento em infra-estruturas colectivas da cidade é feita por privados. O sistema é muito simples. Se uma grande empresa ou cadeia quer instalar-se na cidade de Almada tem de dar contrapartidas. As contrapartidas são, no mínimo, absurdas.

O Fórum Almada, um enorme centro comercial na cidade, para se instalar, teve de construir para além da estrada de acesso, um túnel e uma enorme rede de estradas à volta.

A Repsol, para instalar uma bomba de gasolina, teve de construir um campo de jogos.

Isto é preocupante, eu questiono-me até se será legal. Para alguém investir é obrigado a dar contrapartidas ou então, pura e simplesmente não investe que a câmara não deixa. É que é de um rídiculo que me deixa boqueaberto a cada novidade destas. Para além dos impostos a que estarão obrigadas, as empresas ainda de têm de fazer a função da Câmara Municipal, investindo nas áreas onde esta deveria investir.

Um moribundo a estrebuchar

Luís Filipe Menezes veio dizer que não avançar com os investimentos públicos seria um erro. Isto é um moribundo a estrebuchar. LFM nunca foi grande coisa na política, não sei quem lhe disse que a opinião dele era valiosa para quem quer que seja. O que eu sei é uma coisa: LFM diz, a seco, que os investimentos públicos são bons, Manuela Ferreira Leite quer os números para averiguar se são ou não bons. É esta a diferença fundamental entre LFM e MFL, um é um populista que diz o que lhe vem à cabeça, outra é uma política responsável que só se pronuncia se tiver conhecimento de causa.

Mais uma coisa, nesta questão dos investimentos públicos. Não é curioso que o pagamento só começa a ser feito em 2014? Façam umas contas e tentem lá descobrir quem, provavelmente, estará a governar a partir de 2014. Pois, provavelmente será o PSD. Mais uma vez o PS (tal como aconteceu com António Guterres) trata de investir à bruta no desnecessário para que quem vier atrás pague. Um bocadinho de decência, por favor.

Já agora: repararam que as iniciais de Luis Filipe Menezes são exactamente ao contrário das de Manuela Ferreira Leite? Presságio curioso...

500 M€ para ter mais um na famelga!

«“A União Europeia está disposta a prometer 500 milhões de euros”, anunciou o comissário para o alargamento, Olli Rehn, durante a conferência organizada cinco meses após a proclamação de independência do Kosovo, no dia 17 de Fevereiro.

Na realidade, essa soma não compreende, porém, mais que um novo cheque de 100 milhões de euros, precisou uma fonte da Comissão. Cerca de 350 milhões de euros de fundos de pré-adesão à União Europeia tinham já sido, com efeito, programados para o período 2008-2011, bem como 50 milhões de euros de assistência macro-económica, ao qual se juntaram outros 100 milhões (...)»

Eu sei que um dos pilares da União Europeia é a promoção da paz no continente. Também sei que o Kosovo é um potencial potenciador de guerra. Mas há mínimos. O Kosovo proclamou uma independência unilateral quando não tinha qualquer sustentabilidade socio-económica e agora nós, os europeus, pagamos a asneirada que eles fizeram? Ajudas de pré-adesão? Por que raio é que eles hão-de aderir? Começo a achar que a UE (e, principalmente a Comissão Europeia) se considera a defensora dos fracos e oprimidos e trata de por em causa tudo pelo bem de rebeldes. Ao estar a ajudar financeiramente um país cuja indepêndencia é unilateral, a UE vai colocar-se contra a Sérvia e os seus apoiantes. A UE nesta situação tinha de ser neutra, tinha de deixar a poeira assentar. Vamos ver o que sai daqui...

É preciso ter lata!

«O secretário de Estado da Educação considerou hoje "maus" os resultados do exame de Matemática no 9º, mostrando-se preocupado por se estar tentar passar a ideia de que 50 por cento de negativas é um bom resultado.(...)»

É preciso ter lata. O senhor Valter Lemos vê as negativas no exame baixarem em 40% e diz que é pouco. Só se nos estiver a dizer que é mesmo pouco por o sucesso ser forjado. Quem sabe...

O Estado da Nação


Como é do conhecimento geral, foi ontem o debate do Estado da Nação no Parlamento. Pautado por constantes intervenções de resposta curta e vazia, como se os nossos deputados fossem adolescentes a "mandar bocas" ("Eu pedia ao senhor presidente que fizesse chegar ao senhor deputado o documento não sei quê"). Sobre o Estado da Nação fiquei a saber pouco, sobre o Estado da Política e dos Políticos, muito. Em todo o debate, os vários partidos políticos deram-nos a conhecer um pouco mais de si.
Da esquerda para a direita:

1. O BE que com tão talentosos oradores (há poucos oradores como Ana Drago, tenha ou não razão no que diz, di-lo muito bem) poderia perfeitamente fazer um discurso interessante do ponto de vista político, trata simplesmente de se enterrar no meio das areias movediças do insulto e de gráficos mal feitos propositadamente. Bem sei que o que Louçã estava a tentar fazer era pegar na analogia com a história para mostrar as falhas da medida, mas foi longe demais, há que dizê-lo. Concordo, apesar de tudo, que provavelmente 25% (apesar de ser a maior Taxa Robin dos Bosques dos países que a praticam, sabe a pouco).

2. O PCP deu-nos mais um cheirinho da demagogia e da política fácil, tão intrínsecas nos seus discursos. Falam constantemente daquilo que todos sabem: o desemprego!, os salários!, as pensões! sem nunca tentarem perceber que milagres, só nos livros do Marx. Houve uma coisa em que concordei com eles, apenas uma, a questão do aumento intercalar das pensões, por uma questão quase de "ética da política". Enquanto que os aumentos dos salários devem ser indexados à produtividade porque é isso que faz o trabalho aumentar o seu valor, os aumentos das pensões devem ser indexados à inflação pois os reformados não produzem absolutamente nada, já produziram, e por não produzirem mais por força das circunstâncias não devem perder qualidade de vida.

3. Os verdes. Que é que estão ali a fazer?

4. A bancada do PS podia ir para casa. Neste momento não há um único deputado socialista que consiga defender tão bem o partido como o próprio PM. No final o líder parlamentar fez um discurso irónico, quase a espicaçar Paulo Rangel, que nesta altura estava com uma cara de poucos amigos. Temos um Parlamento em que o partido da maioria nos seus discursos apenas trata de "gozar" com os adversários, em vez de fazer verdadeira política.

5. Na bancada do PSD houve uma estreia que podia ter sido em grande, infelizmente, não foi. A "folha A4" deverá ficar para a posteridade. O discurso de Paulo Rangel foi bom, tocou os vários sectores sem extremismos ou demagogias. Mas Paulo Rangel cometeu duas ou três falhas que permitiram ao genial orador Sócrates cilindrá-lo como se ele fosse um amador no Parlamento. Não convém que estas falhas aconteçam porque se há coisa que José Sócrates sabe fazer é reduzir ao ridículo qualquer bom discurso. Uma coisa que não lhe ficou bem foi a falta de fair-play político quando rejeitou das mãos da funcionária os documentos que Sócrates lhe enviara e a "cara de mau" durante todo o debate depois de Sócrates ter ridicularizado o seu discurso.

6. O CDS deu-nos mais do mesmo. Mostrou-nos umas facturas absurdas com um discurso que nunca imaginei possível. Ao início parecia uma situação semelhante à apresentada anteriormente sobre o gás butano, afinal, era simplesmente uma factura de Janeiro comparada à factura de Julho, para se chegar à brilhante conclusão que o preço, apesar da baixa do imposto, tinha aumentado. Aposto que ao PM só deu vontade de mandar calar tanta barbaridade.

7. O PM continua a ser a excelência na oratória em pessoa. Com falhas que podiam perfeitamente ser aproveitadas por uma oposição com o mínimo de capacidade, brinca naquele Parlamento como se fosse um educador numa creche. Sócrates de parvo não tem nada. Não é por acaso que vai tantas vezes à casa da democracia. Não tem ninguém à sua altura no debate político e é por isto que, apesar de tudo, tem toda a legitimidade em estar onde está. Sócrates ganhou o que ganhou e chegou onde chegou através do debate político puro e duro. Concordo plenamente com quem diz que Sócrates foi o melhor PM dos últimos quinze anos (aqui e aqui)

Maia sem mochilas, viva o progresso!


«As mochilas podem ter os dias contados. O mote do projecto “Caderno Digital” não é “Aprender sem livros”, mas a sugestão assenta-lhe como uma luva. No início do próximo ano lectivo, os alunos do ensino básico da Maia vão poder aceder a todos os conteúdos leccionados e trabalhos realizados nas aulas através de uma simples pen drive. Todo o peso dos livros e cadernos pode agora ser substituído por uma pequena caneta USB facilmente transportável no estojo, pendurada ao pescoço ou até no bolso.(...)»

Estamos no século digital, isto é inevitável. O antigo transportar de livros que fazia crianças carregar quilos e quilos às costas está prestes a ter um fim. Mais cedo ou mais tarde, o uso do portátil vai estar generalizado (com os programas e-escola) e o mais provavel é que dentro de pouquíssimo tempo os manuais sejam comercializados em formato digital e os cadernos passem a ser extensos ficheiros word. Não sei até que ponto isto pode levar à melhoria do ensino (provavelmente não altera nada) mas, pelo menos, melhora o ambiente. É impressionante a quantidade de papel que os jovens deitam fora no final de cada ano e durante cada ano, já para não falar dos livros que com uma duração de três anos são pura e simplesmente resmas de papel para guardar em estantes empoeiradas.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Les amis européans!

O Presidente Sarkozy anunciou o seu total apoio à reeleição de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia. Verdade seja dita, Durão Barroso agrada mais aos 500 milhões de cidadãos da União Europeia que aos 10 milhões de portugueses. Somos uma terra do catano!

Um mês!

O Afilhado faz um mês. Obrigado a todos o que o visitaram e o comentaram.


[...]
Muitos anos de vida...

Um problema de contornos tenebrosos

As notas dos exames de matemática aumentaram exponencialmente. Isto não é novidade. O exame foi mais fácil que nos anos anteriores. Também não é novidade. Mas há no meio de tudo isto algo que ainda não foi dito: como se vão comportar as médias de acesso ao ensino superior.

Começam hoje as inscrições e, meus amigos, naqueles milhares de futuros doutores há uma boa quantidade de 19 e 20 no exame de matemática. Com estes "notões" o que vai acontecer é que os últimos a entrar nas faculdades ligadas à matemática (como as de medicina, economia, engenharia, etc) vão ter notas de acesso bem mais altas que o comum. Nenhum problema, não fosse o facto de, muito provavelmente, para o ano o exame voltar a ser normal - o pessoal não aguenta a pressão. Ou seja, para o ano alunos de secundário brilhantes (com 18's justos no exame) não vão poder entrar em determinados cursos por causa de alunos médios (que tiveram 20's inflacionados). Isto é um problema bastante grave para alguns cursos/faculdades. Dou aqui o exemplo da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Esta faculdade que só aceita acessos com o exame de Matemática (um dos motivos pelos quais está tão bem cotada) tinha no ano passado uma nota de acesso de 16 valores. Isto com os exames normais. Há dúvidas que isto vai subir a pique? Imagino um cenário em que vai tão difícil entrar para economia como para medicina. Tenho para mim que muitos trajes académicos não vão sair dos cabides...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Jornalismo de qualidade!

Chamem-me desconfiado, mas estou a ver uma entrevista na SIC ao Henrique Medina Carreira, na qual um jornalista expõe algumas das grandes conquistas do Sócrates e o politólogo destrói completamente o edificado. É uma forma subtil de mudar opiniões, sem dúvida!

Uma marca positiva!

Muitas vezes critico fortemente a governação do Engenheiro Sócrates e dos seus compinchas, mas há um aspecto em que lhes tiro o chapéu: a questão energética.

Numa conjuntura de completo choque petrolífero e de previsões catastróficas (há quem diga que o petróleo por barril pode chegar aos 500 USD) Portugal está na linha da frente na busca de alternativas. Em primeiro lugar foram as imensas centrais de produção de energia, tanto eólica como solar que são grandes bandeiras: "as maiores do mundo". São de extrema importância porque a grande maioria das emissões de carbono não são provenientes dos automóveis e restantes meios de transporte, são provenientes da indústria e da produção de electricidade para as habitações e actividades do sector primário e terciário. Depois de neste patamar estarmos numa fase avançada (não é o ideal, mas estamos muito à frente da maioria dos países) o país lançou-se aos amigos automóveis. Com um protocolo com a as fabricantes automóveis Nissan e Renault, está prevista a criação de uma rede de abastecimento de electricidade para os carros (que se estenderá, segundo ouvi nas notícias, a outras marcas, assim que as condições sejam as melhores). Este protocolo tem estado a ser trabalhado desde Maio e é de aplaudir o Ministério da Economia que, pelo menos nesta área, tem provas dadas. Para além disto, o governo juntamente com alguns grandes grupos empresariais tem estado a patrocinar a criação de veículos com zero emissões e está a tentar criar-se uma forma de atrair pessoas para estes veículos, por exemplo, baixando o imposto automóvel:

«(...)"Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30 por cento do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70 por cento uma componente ambiental. O Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente" (...)»

Mas nem tudo são rosas. Não sou um daqueles ambientalistas loucos que andam por aí a anunciar o fim do mundo, mas acho que existem prioridades e a questão da dependência energética é uma delas. Nós poderíamos estar a crescer muito mais se não fosse o petróleo, portanto, tanto do ponto de vista ambiental como económico, uma aposta forte em reduzir esta dependência é extremamente positivo. Acredito mesmo que se o dinheiro do TGV e do aeroporto (que agora se diz não serem assim tão precisos) fosse "desviado" para esta questão, teríamos enormes benefícios no longo prazo. Imagine-se o que seria a não dependência do petróleo. Os impactos seriam tremendos. Começando pela baixa tremenda da inflação (quem tem sido inflacionada, desculpem a redundância, pelo preço do petróleo) até ao crescimento do PIB provavelmente como nunca se viu. É algo a pensar...

terça-feira, 8 de julho de 2008

1000 visitas

O meu menino já passou as 1000 visitas. Isto em mais ou menos três semanas de existência. Estou orgulhoso.

Coisas do oculto, só pode!

Afinal parece que não. Vale e Azevedo não foi preso coisa nenhuma. Foi a Westminster "falar":

«O ex-presidente do Benfica Vale e Azevedo foi ouvido hoje à tarde no tribunal de Westminster e libertado sem fiança, uma vez que o juiz considera não haver risco de fuga, disse à Lusa o advogado Edward Perrott. (...)»

Parece que não é só em Portugal que a Justiça é podre.

«João Vale e Azevedo aguardará assim a decisão do tribunal em liberdade.»

A iminência do conflito

“O regime sionista faz actualmente pressão sobre os dirigentes da Casa Branca para preparar um ataque contra do Irão. Se cometerem essa estupidez, a primeira resposta do Irão será lançar fogo a Telavive e à frota americana no golfo Pérsico.” (...)

É melhor que nos preparemos. Ou muito me engano ou daqui por pouco, muito pouco tempo, vai haver "chatisse" no Médio Oriente. Chatisse nuclear, chatisse petrolífera, chatisse genocída, chatisse para dar e vender. Vai ser um problema para descalçar esta bota...

Estava a ver que não!

«João Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica, foi detido esta manhã em Londres pelas autoridades britânicas, avançou a agência Lusa. Segundo um porta-voz da política britânica, Vale e Azevedo foi detido na na esquadra de Belgravia, em Londres, em cumprimento do mandado de detenção europeu. (...)»

Já era tempo de se prender o Padrinho à portuguesa. Vale e Azevedo é a prova viva que o crime até compensa (durante algum tempo). Quem diria que um ex-dirigente de um clube que não tem propriamente muito dinheiro iria ser detido em Londres, enquanto vivia numa casa de 15 Milhões de euros e se pavoniava pela grande metrópole com um popó de 400 mil euros. Será um prazer ter este "senhor sacana" atrás das grades.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Já vem um bocadinho atrasado, mas pronto...


Não me tinha ainda pronunciado sobre a questão do PCP e da libertação de Ingrid Bettancourt por, na realidade, não ter verdadeiramente uma opinião e a quem não sabe o que dizer, mais vale estar calado. Depois de ter lido por aí umas coisas, acho que devo eu também escrever aqui o que penso.

Existem determinados partidos que, pela sua necessidade de ter "crédito" junto do eleitorado, preferem apresentar posições absurdas a assumir que afinal algo naquilo que eles dizem até pode estar menos certo. Isso é o que acontece com o PCP. Percebe-se. No entanto, uma coisa é falarmos sobre uma estrada, uma ponte ou um aeroporto, outra, completamente diferente, é falarmos de vida e de liberdade. Ingrid Bettancourt, juntamente com todos aqueles que estiveram e que ainda estão sequestrados, sofreu um atentado contra a sua liberdade e quase contra a sua vida e nenhuma corrente ideológica por melhor que seja pode justificar isto. O PCP vê nas FARC fiéis aliados e camaradas de luta e até partilha com eles a Quinta da Atalaia no mês de Setembro e isso não pode acontecer. Imaginemos o que seria se agora o PNR (não estou a fazer qualquer insinuação, apenas a dar um exemplo) decidisse apoiar um regime totalitário fascista num qualquer lugar desse mundo fora. Imaginemos o que seria aquele Parlamento. Imaginemos o que seria o Jerónimo e o Bernardino na rua a defender a ilegalização do partido por apoiar regimes que vão contra as liberdades individuais. Não é difícil imaginar pois não?

Defendo um país democrático e com liberdade de pensamento e de expressão. Condeno um país em que partidos com assento parlamentar apoiam organizações que vão contra esses ideais. Acho que já vai sendo tempo de alguém dar uma chapada diplomática ao PCP e fazer com que os seus dirigentes e militantes passem a demarcar-se daquilo que está para além do aceitável e deixem de defender o indefensável em nome de um ideal que não preconiza NADA daquilo que tem sido feito em seu nome...

Ainda mais: até o Fidel e o Saramago se pronunciaram contra... até eles!!

Vinte anos depois...


Há vinte anos...


domingo, 6 de julho de 2008

Os blogues na decisão política

Como hoje estamos cheios de nada de novo, lembrei-me deste assunto no qual já dei por mim a pensar várias vezes.

Hoje em dia, o papel da blogosfera na decisão política é incontornável. Todos podem dizer que a importância é reduzida, mas é uma realidade. Alguns blogues de peso (o 31, o Corta-fitas, o Kontratempos, o Atlântico, o Abrupto, o Jumento, o Blasfémias ou o Arrastão, para dar alguns exemplos) são verdadeiras "bíblias" para algumas pessoas, cada um na sua área política, diga-se.
Estas pequenas páginas de baixo custo, com textos de dimensão reduzida (porque o tempo é escasso), mas muitas vezes ilucidativos, fazem lembrar aqueles jornais de revolução. Quem não ouviu já falar de jornais incisivos contra os regimes, como o L' Ami du Peuple do assassinado Marrat. Não me admira nada que um dia haja um verdadeiro negócio dos blogues, agora até já se avaliam on-line. Imagine-se daqui a uns anos os partidos a comprar blogues por aí de maneira a lavar o cérebro dos infiéis. É um cenário perfeitamente plausível se atendermos ao facto de o Belmiro ter o Público ou o Balsemão ter a SIC (e mais aquela trapalhada toda de antigas estrelas da imprensa).

We'll see...

Ideias Liberais

O EP da Festa do Avante deste ano aumentou de preço. O trabalho voluntário deve estar mais caro...

sábado, 5 de julho de 2008

Os limites da empresa pública

Este post do blogue Ladrões de Bicicletas dá-nos a conhecer que na Nova Zelândia se tem assistido a uma nova "onda" de reforço do Sector Empresarial do Estado (SEE). O autor, João Rodrigues, parece concordar. Eu não.

Existe na nossa actual acepção do que são as funções do Estado uma que dá pelo nome de "Eficiência" (as outras são "Estabilidade" e "Equidade"). Muitas vezes, não é vantajosa para o Mercado a exploração de determinados negócios, há inúmeros exemplos disto. Por exemplo, não existe nenhuma empresa que se dedique a investigação, no abstracto. Mesmo que esta empresa vendesse patentes daquilo que descobre, nunca seria rentável e acabaria com enormes prejuízos. A função do Estado a que chamamos eficiência visa, exactamente, colmatar estas falhas de mercado criando-se empresas públicas que, pela possibilidade de realizarem investimentos a longo (ou extremamente longo) prazo, são opção. Olhem o caso das energias renováveis, a EDP já tem lá uma área para as renováveis, mas ao que sei, as centrais fotovoltaicas ainda foi o Estado que pagou. É aqui que o SEE deve entrar, na supressão das falhas de mercado, para que nada nos falte. Nas outras áreas em que o mercado se consegue mexer bem, o Estado deve apenas assumir a função de regulador, de "polícia", para que nos certifiquemos que as empresas não cometem crimes.

Uma nova onda de aumentar o peso do SEE anda a surgir por aí. Muitos até dão o exemplo do gigante EUA que está a pensar nacionalizar o sector petrolífero. Isto apenas se verifica quando existe algum factor que a isto obrigue, no caso das petrolíferas americanas, acho que não preciso de enunciar quais são esses factores... De resto, deve deixar-se o mercado "andar à vontade" mas com os "olhos" do Estado a controlar os seus movimentos para que não hajam chatisses. Os SEE são regra geral ineficientes, se fossem rentáveis, não tínhamos tido a necessidade de privatizar tanto nos anos 80, certo?

Táxi... diferente!

Imagem via O Jumento.

Já agora: leiam n' O Jumento a parte em que o próprio dedica duas fotografias ao PCP, não transcrevi por ser muito grande mas está bastante bom.

Como a coisa se resolvia!

A taxa de reprovação no exame de Matemática A do 12º deste ano baixou para 7 por cento, contra os 18 por cento do ano passado, numa prova em que a média de notas foi de 12,5 valores. Mas a média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.
A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), indicam os dados oficiais distribuídos hoje à tarde pelo Ministério da Educação (ME).

Quando o exame ficou disponível on-line, vozes de protesto se levantaram contra o "facilitismo". Quando os resultados saíram, vozes se levantaram contra esse mesmo "facilitismo". Apesar de a minha voz não se ter levantado, ela concorda com as que o fizeram. Os exames estão, realmente mais fáceis. Mas a questão de fundo aqui é se os exames estão "fáceis" ou "mais fáceis". Há uma pequeníssima diferença.

Todos sabemos que os exames de Matemática deste ano foram mais fáceis do que os do ano passado. Não sabemos é se os do ano passado não seriam demasiado difíceis (não estou a dizer que eram) e que este ano passaram para a dificuldade desejável. Como podemos saber? Muitos dizem que um exame é apropriado quando o aluno médio o consegue resolver. Ora, os exames dos anos anteriores não eram certamente resolvidos por qualquer aluno médio (a média era de 8 valores, aproximadamente, e a taxa de reprovação de cerca de 20%). Será que isto quer dizer que eram difíceis? Dúvido. Provavelmente os alunos "médios" não o eram, tinham notas fantasma dadas por professores pouco exigentes...

Muitos dizem que este "facilitismo", alegadamente ordenado pela Ministra herself, serve para mostrar estatística a Bruxelas. Não dúvido. É uma obcessão esta competição em Bruxelas. Deviam criar as Olimpíadas das Estatísticas em que os países da União tentavam melhorar os seus "rankings". Se calhar não, seria ridículo.
Este problema de Bruxelas não é novo, vem desde 1 de Janeiro de 1987, e dúvido que nos toque só a nós. Acredito que muitos países façam o mesmo. Eu cá, que de nada entendo, tenho uma proposta. Porque não harmonizar a política de ensino na UE e, por conseguinte, harmonizar os exames que classificam os estudantes. Assim, já não poderia haver "facilitismo ordenado" nem exames "fáceis" ou "difíceis". Não é assim tão absurdo, se temos um Mercado Único em que se pretende que as barreiras sejam anuladas, uma barreira a anular será a diferença na formação e qualificação! Isto resolve-se com a boa velha harmonização! Para rimar, só por isso, pergunto: Porque não?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Há coisas que não entendo

Desde a revolução industrial que se utilizam combustíveis fósseis. Mais de 200 anos depois de os usar, os impactos são óbvios! Para combater o aquecimento global e as alterações climáticas, recorremos a fontes de energia alternativas. Temos uma vasta panóplia à escolha: geotermia, hidroeléctrica, solar, eólica, biomassa, biogás, cinética, e provavelmente mais algumas. Nenhuma destas energias traz qualquer problema, nenhuma interfere com absolutamente nada. Se optarmos pela energia solar, o Sol não acaba. Se optarmos pela energia eólica, o vento não acaba. Se optarmos pela hidroeléctrica, a água não acaba. Como somos extremamente inteligentes (com "somos" refiro-me àqueles em quem votámos para nos reger) utilizamos uma que, sendo "limpa", acaba com as reservas alimentares do mundo e leva à morte à fome África inteira e uma boa parte dos outros continentes.

Eu até compreendo que seja mais fácil utilizar os biocombustíveis, aquela história toda dos motores e mais não sei o quê. Mas porque não utilizar biogás? Ninguém morre por se queimarem folhas! - que por acaso já estão mortas... Não podemos passar de cavalo para burro. É verdade que o petróleo era mau por causa do ambiente. Mas os bens alimentares são imprescindíveis e a sua produção não é infinita. Agora temos mais um quintal - Marte - mas ainda não podemos lá plantar beterrabas! É tempo de haver uma conversão dos mecanismos dos automóveis e dos demais veículos para que possam funcionar com base em, sei lá, baterias, por exemplo! De modo a que possam consumir energias que sejam económica, ambiental e humanitariamente (existe?) sustentáveis!

Sarko no seu melhor

(Via Câmara de Comuns)

Num bocadinho antes de uma entrevista para um canal francês, o presidente da França e da UE disse algumas coisinhas interessantes. Vejam aqui.

Um bocadinho de demagogia para a mesa 3!

(...)A promessa do primeiro-ministro é de que irá reduzir estas taxas, mas a medida pode não ter grandes efeitos. Primeiro, porque a lei já isenta de IMI as famílias que preencham duas condições: que tenham um rendimento anual inferior a cerca de 10 mil euros e cuja casa não tenha um valor patrimonial superior a cerca de 50 mil euros. Ou seja, estes contribuintes não irão sentir qualquer diferença.

A lei permite ainda outra isenção. As casas cujo valor patrimonial seja inferior a 157.500 euros estão isentas por seis anos e as casas entre 157.500 e 236.250 euros estão isentas por três anos. Como por lógica os contribuintes de rendimentos mais baixos compram casas de valor mais reduzido, a grande maioria goza de isenção, logo, enquanto a mantiverem, não sentirão a redução de taxas.

Assim, apenas beneficiarão os contribuintes que já perderam a isenção e todos os que compraram casas de valor mais elevado. Refira-se que, segundo números publicados pelo Jornal de Negócios, 70 por cento das casas transaccionados entre 2004 e Janeiro de 2006 estavam isentas de IMI. (...)

É impressionante como se faz propaganda barata assim tão facilmente. Quando vimos o Eng. Sócrates na televisão a anunciar a baixa do IMI ficámos felizes por os efeitos do aumento das taxas de juro já não se reflectirem tanto nas nossas despesas com a habitação. Depois, sabemos que tudo é uma farsa. Pelo menos no que ao IMI diz respeito, nada, ou quase nada, vai mudar. A intenção de previligiar os mais carenciados, se alguma vez existiu, saiu furada.

Quanto ao IRS, penso que a demagogia não veio do PM, mas sim do Público. Ao que parece, com o aumento das deduções deste imposto, as pessoas do terceiro escalão, com rendimentos até aos 13.500€ anuais (cerca de 964€ mensais) apenas pouparão 14€ por mês. Esta ideia transmitida pelo jornal é, em primeiro lugar, pouco profissional (ainda sou do tempo do jornalismo isento), e, em segundo lugar, pouco verdadeira. Repare-se que 14€ por mês numa família com rendimentos de 964€ é um aumento de 1.5% do rendimento mensal. Isto é mais que os aumentos sentidos nalguns anos anteriores, não?

Sempre me intriguei porque é que existe esta coisa de, quando se aumenta 1% de um imposto, há centenas de milhar na rua a protestar. Quando se aumenta 1.5% do rendimento (que deve ser bom...) há centenas de milhar na rua insastisfeitos, porque querem mais. Quando é que alguém vai ficar satisfeito com alguma coisa na nossa pequena praia?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Estou impressionado!

A mais recente novidade vinda do além-mar é um referendo que terá lugar na Madeira, no qual será questionado à população madeirense o que é que esta pensa acerca do papel do Governo Regional e do Governo Nacional na definição dos destinos da Madeira. É bem! Questões que se prendam com a primeira lei da nação, têm de ser tratadas directamente com a população (não se tem feito muito disto no contenent). Tiro o chapéu ao Dr. Jardim, deu uma liçãozinha de democracia aos burocratas de Lisboa.

P.S.: Acho é estranho que o Jardim tenha ido falar de democracia para a Venezuela.

As mentiras do IVA

Como é do conhecimento geral, ontem a taxa normal do IVA baixou de 21 para 20%. Como também é conhecido de todos, houve grande alarido por causa de um ministro às compras e um dentífrico que aumentou de preço. Como isto anda tudo muito confuso, vou tentar confundir um pouco mais.

1. Dado que a única taxa do IVA que baixou foi a normal, é óbvio que numa ida ao supermercado isto não vai ser notado, porque a maioria dos produtos está indexada às taxas de 5 e 12%. Por isto, aquelas passeatas de ontem foram pura demagogia e pura parvoíce, também.

2. Esta história de pagarmos muito IVA não é bem verdade. A maioria das pessoas não sabe, mas o IVA que nós pagamos, serve, em parte, para financiar a UE (nunca se perguntaram de onde vêm aqueles milhões todos?). Ora, é certo e sabido que nós recebemos mais dinheiro do que aquele que damos, por isto, acabamos por pagar, em termos práticos menos. Uma coisa boa nisto é que pelo facto de termos o IVA mais elevado, acabamos por ter uma inflação menor.

3. Muitos dizem que com a descida do IVA, quem ganha são as empresas, que vão absorver o imposto. E depois? Isto é uma análise extremamente superficial. A verdade é que o que vai acontecer é que vai haver mais 500 Milhões de euros a circular por ano. Este dinheiro não vai ficar guardado nos cofres dos empresários, vai circular. Para as PME's é bastante bom absorver o IVA pois, assim, poderão até expandir-se e contratar mais pessoas.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Porque blogo

Na blogosfera não se avaliam as pessoas, mas as ideias!

Leituras de Verão (2)

Dispensa apresentações. É um fantástico livro com uma história empolgante, quase impossível de largar. Sem pontuações exageradas, Saramago consegue que compreendamos tudo e mais, que adoremos aquilo que compreendemos. E se de repente, todos cegássemos?

A Justiça está de Luto


E pronto, o caso vai ser arquivado, aliás, vai ser apreciado pela Procuradoria, e a menina raptada/morta/desaparecida vai ser condenada ao esquecimento. Triste ser a única condenada nesta história toda...

Polónia chama Democracia, Escuto!

Todavia, o parlamento polaco ratificou, logo em Abril, o Tratado destinado a reformar o funcionamento das instituições europeias. Mas para ser definitivamente um dado adquirido, a ratificação tem de ter a assinatura do presidente. (...)

Esta situação está a assumir proporções escandalosamente anti-democráticas. É verdade que a Irlanda não ractificou o Tratado, mas isso deveu-se à vontade da população irlandesa (ou à vontade de quem manipulou a população irlandesa, leia-se aqui) e não à vontade de UM irlandês. Neste caso da Polónia, o Parlamento já aprovou o Tratado, por isso o presidente não tem o direito de, por puro capricho, dizer "ah, agora não quero, já não tem graça...". Ainda não consegui perceber o problema do Tratado, eu gostaria que um opositor me desse uma razão pela qual se opõe. É verdade que o poder dos países mais populosos vai ser reforçado. E depois? Não será isso justo? Não será isso mais democrático, Ó avidos defensores da democracia. Porque raio é que Portugal vai ter mais poder de decisão por pessoa que a Alemanha? Isto para mim justifica-se com a constante necessidade de nos opormos a tudo. A Irlanda não ractificou o Tratado de Nice à primeira, no entanto, é esse Tratado que está agora a regular o funcionamento das instituições e não vejo nada de muito errado, a UE não se desmoronou!

Bem, mas retornando ao presidente polaco, esse senhor devia ter vergonha. Depois de o seu país ractificar um documento com tal importância, ele toma-se por superior e pura e simplesmente diz "não" depois de ter estado em Lisboa a tratar do assunto.