Nova localização

O Afilhado mudou-se para aqui.

domingo, 12 de outubro de 2008

Bocas Alheias

Faço aqui uma recolha de textos que encontrei na blogosfera sobre a Disciplina de Voto do Partido Socialista na votação do diploma do casamento gay:

Cambada de maricas, Pedro Correia no Corta-fitas.

O Voto da Vergonha, JRV no Activismo de Sofá.

Quem prescinde da sua consciência, Daniel Oliveira no Arrastão.

A Disciplina (ou cobardia) Partidária, O Jumento n' O Jumento.

Blog Catita da Semana

Escolho para Blog Catita desta semana O Jumento. É difícil escrever todas as qualidades daquele blogue por serem tantas, mas vou tentar: uma aparência muito interessante, toda ela à volta de "burros", "celeiros" e "palheiros"; uma revista de imprensa como em poucos sítios se faz, rubricas como o "Jumento do Dia" que nos levam a visitar o sítio diariamente e ainda um trabalho excelente de recolha de imagens, que já valeram uma censura por parte do Blogger. Por estas razões e muitas outras, O Jumento é o Blog Catita da Semana.

sábado, 11 de outubro de 2008

Desafio

Estou farto, farto de andar por blogs e mais blogs a escrever as mesmas coisas nas caixas de comentários, por isso, escrevo aqui e espero que os envolvidos visitem regularmente o Technorati.
Caros membros do 31 da Armada, do Cachimbo de Magritte, do Blasfémias e de todos os blogues que se auto-intitulam de "direita conservadora", desafio-vos a escrever um post com um, um único argumento válido que demonstre que é eticamente condenável duas pessoas do mesmo sexo assinarem um contrato em que se comprometam a amar-se mutuamente. Quem tiver coragem, que aceite o desafio.

Frases que me deixam a pensar que não sou deste mundo

«Advogando, por crença doutrinária, uma sexualidade responsável a milhões e milhões de pessoas nos cinco continentes, a igreja é a maior, mais importante e mais eficaz organização no combate ao vírus da SIDA. Muito maior e muito mais eficaz que qualquer campanha de qualquer Abraço.» (Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada)

Mortes Convenientes

Há mortes muito convenientes. Joerg Haider, o líder do partido nacionalista austríaco BZO, morreu esta madrugada num suposto acidente enquanto passeava sozinho na sua avioneta particular. Espero bem que haja uma investigação criminal isenta, na qual não sejam tidos em conta os ideais do senhor.

O Tumor Republicano

Sarah Palin foi vista como uma refrescante brisa para a campanha de McCain quando foi escolhida: uma mulher bonita, mãe-de-família, cheia de garra no debate e que agradava à direita mais conservadora americana com as suas posições anti-aborto e pró-armas. Agora revela-se um verdadeiro tumor na campanha, um tumor que ameaça matar tudo aquilo por que passar. Primeiro vieram as gaffes e as entrevistas disparatadas, agora um escandâlo nacional: abuso de poder. Durante o seu mandato como governadora do Alasca, a mrs. Palin teve uma crise familiar: a irmã divorciou-se de forma litigiosa. Que é que esta ávida defensora da família e dos votos sagrados do casamento fez? Mexeu os cordelinhos para que o cunhado fosse despedido da polícia. Como o seu "capanga" que deveria despedir o ex-cunhado se recusou a fazê-lo, foi ele próprio despedido.
São episódios como este, juntamente com o fanatismo religioso e o discurso beligerante que me fazem, cada vez mais, apoiar Obama. Estavas melhor sozinho McCain.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Dia da Vergonha Nacional

Este deveria ser assinalado como o Dia da Vergonha Nacional. Digo isto pelo simples facto de no dia de hoje ter sido dada uma machadada fortíssima na democracia e nos valores de igualdade que se supõe regerem a nossa sociedade. Hoje foi o dia da votação do diploma dos partidos PEV e Bloco sobre o casamento entre homossexuais. Os diplomas foram chumbados pela maioria do PS, PSD e CDS. Neste dia, herói só vejo Manuel Alegre que ignorou o a disciplina de voto e votou de acordo com a sua consciência. Presto-lhe aqui uma sincera homenagem.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Bocas Alheias

A Crise - Uma História Simples, JRV no Activismo de Sofá:

«Recebi há pouco por e-mail uma adaptação tuga da crise actual. O terrível desta história é que, com mais ou menos figurações, demonstra bem o quão tascosos são os mecanismos em que assentam o actual modelo económico.

"O senhor Silva tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide vender a fiado aos seus leais fregueses, quase todos bêbados e desempregados. Porque vende a crédito, aumenta um pouco o preço de cada copo. O gerente do banco local, ousado administrador formado em gestão e com MBA, decide que as dívidas da tasca constituem, afinal, um activo rentável, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o registo dos fiados como garantia..Uns seis executivos de bancos, mais adiante, transformam esses créditos em OVNI, SOS e outros acrónimos financeiros que ninguém sabe exactamente o que querem dizer. Esses adicionais instrumentos alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de títulos na Bolsa, cujo lastro inicial todo o mundo desconhece (o tal livro de fiados do senhor Silva). Esses títulos passam a ser negociados com garantias reais em mais de 73 países..Até que alguém descobre que os bebedolas de Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e a tasca do senhor Silva vai à falência. E toda a cadeia se desmorona."»

Uma coisa leve

Tenho andado para aqui a escrever sobre tanta coisa séria que já fazia falta aqui um videozinho do youtube. Deixo-vos aqui um video de cartoons humorísticos que, apesar de ser uma brincadeira, encerra alguma verdade:

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mais ou menos

O primeiro-ministro, e por associação, o governo, decidiu reduzir para metade (sim, para metade) o IRC nos primeiros 12500€ de matéria colectável das empresas.
Esta medida surge no pacote de medidas de emergência que o governo decidiu implementar para que as pequenas/médias empresas sobrevivessem à crise. Sobre isto gostaria de deixar algumas notas.
Em primeiro lugar, as PME, na sua maioria não estão postas em risco com as oscilações bolsistas, dado o facto de, regra geral, não serem cotadas em bolsa nem terem participações relevantes noutros grandes grupos.
Em segundo lugar, a medida é correcta, mas não no seu todo. É realmente necessário que se baixem os impostos para as pessoas colectivas, de modo a que se atraia investimento e se gere emprego (é uma das estratégias utilizadas pela nossa vizinha Espanha), mas não se deve fazer isso de forma radical para algumas empresas e deixar tudo como está para outras: deveria, sim, baixar-se mas nunca tanto como se baixou (50%). Gostava de saber qual é o imposto que vai subir para que o défice não seja uma brutalidade.
Em terceiro lugar, esta medida é sintomática de uma grande necessidade de mostrar trabalho por parte deste governo. Sempre que surge qualquer crise, maior ou menor, o governo cria um pacote de medidas de emergência que, regra geral, não tem efeito relevante nenhum, apenas uma boa impressão para o eleitorado. A demagogia no seu esplendor.
É por isto que uma medida que, se calhar, em muita gente causa algum agrado, em mim suscita apenas um mais ou menos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Eu não reconheci nada!

Anda a dizer-se por aí que Portugal reconheceu a independência do Kosovo. Eu tenho apenas uma coisa a dizer: a mim, ninguém perguntou nada!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Novas da Blogosfera

Renasceu o País Relativo, depois de uma paragem de algum tempo. Voltou à blogosfera de cara lavada e com mais mãos, nomeadamente, a de Tiago Barbosa Ribeiro que acabou com o Kontratempos, que, como disse no meu comentário ao novo blogue, me deixará saudades dado ter sido o primeiro blogue que acompanhei diariamente. Gosto do estilo, apesar de achar os contribuintes muito agarrados a um partido, muito mais que à própria ideologia, mas é de diversidade que precisamos e é para debater que cá estamos. Deixo-vos aqui a ligação para o Manifesto do País Relativo, um texto simplesmente hilariante. E aos relativos, os meus parabéns!

Conflitos Blogosféricos

O Rodrigo Moita de Deus, do 31 da Armada, escreveu para um blogue do PSD um texto sobre educação. Neste texto, de uma forma muito resumida, RMD culpa os professores pelo mau ensino praticado em Portugal. Existem algumas coisas em que tem razão, mas peca por exagerar.
É verdade que durante muitos anos em Portugal, principalmente nos primórdios da Educação Universal, se viveu um período de extrema carência de professores que permitia que pessoas com o ensino secundário pudessem dar aulas. Essas pessoas que entraram para "tapar buracos" por lá ficaram e hoje em dia, muitos dos professores mais "antigos" são dessa geração, da geração em que se era professor por ser, por oportunidade, por ocasião. Desse grupo de professores cuja idade lhes permite ver a reforma num horizonte próximo muitos há que foram para o ensino por, pura e simplesmente, ser uma profissão com emprego garantido, não por vocação propriamente dita. Mas também é verdade que tudo isso mudou. Hoje em dia já não existe o culto do "Sr. Professor", o que faz com que já ninguém vá para docente em busca de prestígio e reconhecimento. Por outro lado, a oferta é tanta que o mais provável é ir parar ao desemprego, o que afasta muitos potenciais candidatos. Ou seja, neste momento só estuda para professor quem efectivamente quer ser professor. Mas isto é apenas um ponto da vasta argumentação de RMD.
Bons e maus profissionais há em todas as profissões, é um facto inquestionável e nem vale muito a pena debruçarmo-nos sobre este tópico. O que é importante é não fazer o que muitos fazem e pegar numa parte para avaliar o todo.
RMD fala também na questão de os professores competirem com as playstations. Não vou ser atado, perdoem-me a expressão, ao ponto de levar a coisa à letra. É óbvio que foi escrito em tom de graçola de oportunidade, no entanto, há que dizer que se os alunos dão mais importância à playstation que aos professores isso acontece por dois motivos: desinteresse dos alunos e desinteresse dos pais, nunca por falta de atractividade por parte do professor.
Por fim RMD toca num ponto importante: o das manifestações (ou manifs, diz que é moderno dizer assim) e da reinvidicação de direitos por parte da "corporação" dos professores. O autor que se auto-apelida de "Escritor" escreve:

"Porque estão mais preocupados com os seus “direitos adquiridos” que com os miúdos que deviam estar a ensinar. Sim. No meio de todas estas guerras e guerrinhas os alunos e o seu direito a um ensino de qualidade é a última das preocupações.

Penso que isto é um argumento vazio: os professores não são mártires, podem adorar ensinar, mas não têm de abdicar dos direitos que têm (apesar de, pessoalmente, achar alguns absurdos) por causa dos meninos. Têm, como todo o cidadão, o direito a zelar pelos seus interesses.
Apesar de todos estes pontos, concordo numa coisa com RMD, tem de se analisar as questões de fundo e essas são as relativas à educação vinda de casa e à forma como é encarada a Escola em Portugal por parte da maior parte das famílias: um atelier de tempos livres para os adolescentes cheios de hormonas saltitantes. Quando se perceber que esta é a verdadeira base do problema, aí sim, será produtivo dissertar à grande em blogues de nomes pomposos. Até lá, não.

A Verdade

Ainda por aí muita confusão sobre umas certas declarações do ministro das Finanças.
A verdade é que os depósitos de todos nós estão assegurados (o que é um dos motivos pela falta de medo das instituições bancárias) até um limite de 25 000€ por conta, isto é, um indivíduo que tenha 100 000€ depositados, deve reparti-los por quatro bancos, não vá o diabo tecê-las. A revista Visão publica esta semana um artigo muito interessante com várias respostas a possíveis perguntas de todos nós. Mas, para já, não há motivos para grandes preocupações porque os nossos bancos não estão em grande contacto com o "vírus" que provocou a crise, o subprime. Não vamos andar a sofrer por antecipação.

Quem és tu Zé Carlos?


O novo programa dos Gato Fedorento superou todas as minhas expectativas. Foi simplesmente bombástico.
Muita gente pensou, eu incluo-me no grupo, confesso; que os Gato estavam saturados, com uma imagem que já não agradava a ninguém e que gargalhadas já puxava poucas. Este programa de estreia foi a prova do contrário. Com uma criatividade única e um talento para a comédia já inquestionável, os Gato voltam e, quer queiram quer não, com tanto ou mais poder que antes. Ou muito me engano, ou as farpas assanhadas dos Gato vão fazer muita gente pensar em muita coisa. Parabéns, pás!

domingo, 5 de outubro de 2008

Brincadeiras Sérias

Eu começo a achar que aqueles que supostamente decidem os destinos do mundo pensam que estão num jogo, um jogo tipo Capitalismo ou coisa parecida. Eis uma novidade: não, não estão.
O plano Paulson é um maravilhoso exemplo desta falta de análise a priori. O que tem acontecido é tão-só o resultado de uma falha de mercado: os bancos estavam a arriscar demais, pois tinham sempre o estado protector pronto para os salvar no momento do aperto. Esta ideia de se poder arriscar à vontade fez com que os bancos dessem créditos sem qualquer horizonte de retorno e que se criasse, primeiro uma crise de subprime e depois uma crise em toda a Wall Street. A pior coisa que o estado pode fazer agora é dar fundamento à ideia que originou tudo isto: a de que o estado está lá para salvar os bancos que se atiram em queda-livre para a falência. O que iria acontecer sem este plano Paulson seria uma espécie de "purga", isto é, os bancos "doentes" iriam acabar para dar lugar a novos bancos que iriam saber que o excesso de risco é verdadeiramente arriscado. Agora o que vai acontecer é adiar-se indefinidamente o inevitável. E podem ter a certeza que quando esse "inevitável" acontecer, as consequências serão muito maiores que as que sairiam da crise actual.
Pela Europa, esta sombra dos EUA, quer-se fazer o mesmo, valha-nos a Alemanha que sempre é o contrapeso nestas loucuras destes supostos economistas. A Europa sofre cada vez mais uma crise de identidade, querendo copiar os EUA até nas crises. Valha-nos S. Durão!

Blog Catita da Semana

Esta semana decidi atribuir o prémio Blog Catita ao Cachimbo de Magritte. Para além de todo o layout ser bastante bonito, gosto da constante pesquisa por quadros com cachimbos. Pela originalidade, e pela qualidade, tomem lá disto:

Quando isto se tornou uma Coisa Pública

Foi dia 5 de Outubro de 1910 que em Portugal o poder passou de um presente de Deus ao Rei para um presente do povo ao povo. Para o bem e para o mal, viva a República!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Democracia e Pluralismo (2)

Manuel Alegre, esse não me surpreendeu: apresentou-se contra a disciplina de voto. Eis um verdadeiro socialista, eis um verdadeiro democrata. Concorde-se ou não com as suas ideias, e eu não concordo com a maior parte, é de louvar a coragem!

Democracia e Pluralismo

S. Bento cada vez me surpreende mais. A surpresa desta vez veio da bancada parlamentar do PS: vai haver disciplina de voto contra votação dos diplomas propostos pelo BE e pel' Os Verdes. Isto é absolutamente vergonhoso. A bem de manter o poder mantém-se uma situação de negação de direitos fundamentais a pessoas que são apenas isso: pessoas. Mas não é só isto. A bandaca vai ainda mais longe, chegando à hipocrisia de, através do líder parlamentar, dizer que o PS é um partido plurar por abrir uma excepção nesta disciplina de voto ao ex-líder da JS. Gostava de saber o que é que o Tiago Barbosa Ribeiro ou o Miguel Abrantes têm a dizer nesta situação, gostava de saber que tipo de argumentação vão utilizar para defender o indefensável. Não queria entrar em comparações mesquinhas, mas nesta situação considerei a atitude do PSD louvável: o partido é contra, mas os deputados têm total liberdade de voto. Muito francamente, se eu fosse deputado do PS eu faltaria àquela votação. Infelizes esses que querem ditar em democracia.

domingo, 28 de setembro de 2008

Blog Catita da Semana

Esta semana o escolhido para Blog Catita é O Anónimo, de J.M. Coutinho Ribeiro. É um blogue que, como os dois anteriores, alia uma escrita muito boa a um aspecto bastante agradável. É um prazer ler O Anónimo e por isso o nomeio Blog Catita desta semana.

Quem parte e reparte...

...tira sempre a melhor parte, já lá diziam os antigos que nestas coisas nunca se enganavam e raramente tinham dúvidas. Pois o caso é o seguinte: um grupo de pessoas ao longo de décadas andou a pegar no dinheiro de todos e a atribuir casas a custos controlados a pobretanas como o Baptista-Bastos, sem qualquer respeito pelos critérios: a cunha na sua melhor forma. O mais estranho de tudo isto é que ainda não ouvi desmentidos, demissões nem pareceres dos líderes partidários. Porque será?
Cada vez me convenço mais que a classe política portuguesa é toda uma escória que merecia apenas um Marquês que os pusesse num barco a navegar no vazio do Atlântico. É vergonhoso que coisas como esta sejam consideradas "normais" e vão passar, obviamente e como todos os casos que envolvem personagens dessa grande telenovela que é a política nacional, impunes. Querem saber a coisa mais extraordinária de tudo? Eu digo à mesma: os casos anteriores a 1998 nem sequer poderão ir a julgamento por, segundo a lei penal, estarem já prescritos. Cambada, pá!

O poder como fim em si próprio

A democracia está corrompida. E isto não acontece em Portugal, acontece em todo e qualquer lado onde exista democracia. O poder, em vez de ser utilizado como um meio para atingir um determinado fim, o bem-comum, é utilizado como um fim em si mesmo, como um modo de estar na ribalta, de projectar carreiras e de ter pão na mesa. Os princípios ideológicos são apenas máscaras para subir nas sondagens, máscaras que rapidamente se mudam ao sabor da maré. Os progressistas tornam-se conservadores e os conservadores progressistas se necessário, tudo a bem de mais um ponto nas preferências dessa massa difusa a que se chama, no meio, eleitorado. Falo disto a propósito do casamento entre homossexuais. Esta questão é a prova de tudo acima escrito. Existem pessoas no país que se vêem discriminadas, com direitos condicionados pela orientação sexual que tão cedo não verão a situação resolvida pelo simples motivo de a solução não ser "consensual na sociedade". A maioria sobrepõe-se à ética. O poder sobrepõe-se ao bem-comum. E assim vai a democracia, pelas ruas da amargura. Hoje e sempre.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Bocas Alheias

Mandato manchado até ao fim, de Pedro Correia no Corta-fitas.
À beira do fim do mandato, George W. Bush confirmou a sentença de morte de um militar – o primeiro a ser executado desde 1957 nos Estados Unidos, onde é necessária a expressa autorização presidencial para consumar uma sentença capital de um membro das forças armadas, tenha cometido o crime que tiver. Bush desenterra assim uma tradição que estava suspensa desde o mandato do Presidente Eisenhower, o último militar a habitar a Casa Branca. (...)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Muito Valor!

Esta miúda tem muito valor. Conseguiu sair do anonimato, lutando pelo seu sonho: o de cantar. É um exemplo para qualquer pessoa que tenha sonhos. Empenhou-se, foi inovadora e venceu. Palminhas, Ana Free!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Questões Fracturantes

Eu sou a favor da liberdade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não, não sou do Bloco e muito menos dos Verdes. Aliás, penso sinceramente que é incompreensível o posicionamento de alguma da nossa política sobre esta questão. Felizmente vivemos numa democracia em que, em teoria, reina a liberdade, logo, não vejo qualquer fundamento para que a lei não permita um casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. A base é simples: uma lei serve para regular a sociedade, de modo a que uma pessoa ou um grupo de pessoas não cause danos ao resto. No caso do casamento entre homossexuais, não se verifica qualquer dano causado à sociedade, a não ser o mal-estar provocado nos homofóbicos.
Mas, apesar de o casamento entre homossexuais ser uma questão de liberdade e direitos, não se pode colocar, como alguns fazem pela blogosfera, no mesmo saco do aborto. Isto para muitos parecerá estranho, mas, ao contrário da nossa sociedade estereotipada entre "progressistas" e "conservadores", eu sou a favor do casamento entre homossexuais e contra o aborto. E passo a explicar porquê. Enquanto que o casamento entre homossexuais não lesa, tal como disse acima, qualquer terceiro, o aborto já o faz. Muitas pessoas colocam o aborto no pacote dos "direitos, liberdades e garantias", o que é errado. O aborto, ao contrário do casamento entre homossexuais, põe em causa os "direitos, liberdades e garantias" de terceiros, razão pela qual não pode ser uma coisa à margem da lei. Bem sei que muita gente que defende o aborto insurge-se pela liberdade da mulher em fazer o que quiser com o seu corpo, o corpo é dela, logo, dentro dele passa-se o que ela quiser. Falácia. A casa em que estou agora é minha, logo, dentro dela passa-se o que eu quiser, se isso passar por matar alguém, não há problema. Existem muitos outros argumentos disparatados por aí a circular, mas rebatê-los é coisa para ensaio e não para post aqui.
A terceira e última questão fracturante sobre a qual queria escrever é a eutanásia. Sou contra. E o motivo é simples. A eutanásia, como o caríssimo leitor certamente saberá, é a morte medicamente assistida (causada). Ou seja, um doente numa determinada situação pode pedir a um médico que, literalmente, o mate. Para mim é ilegítimo fazê-lo por uma simples razão, o doente pode tratar do assunto sozinho. O que quero dizer com isto é que é ilegítimo que alguém peça para que o matem quando se pode matar a si próprio (o suicídio ainda não é crime). Matar é eticamente condenável para a larga (larguíssima) maioria da população, ou seja, matar alguém, mesmo que doente, deve causar algum transtorno ao profissional de saúde que tem todo o direito a zelar pela sua sanidade mental.
E pronto aqui estão os meus posicionamentos em relação às grandes questões fracturantes que assolam esta ocidental praia lusitana.

Máfia Musical

Ouvi esta música há uns dias e apaixonei-me. É aquilo a que chamo, perdoem-me, arte. A música chama-se "Só Malucos", é dos Black Company com a Adelaide Ferreira. Na música faz-se uma mistura explosiva de hip-hop, tango e uma pitada de fado. Vale a pena ouvir.

Comprar o perfume sem ter o sabonete

Uma coisa que me incomoda num governo é quando este não tem uma estratégia. Incomoda-me muito mais ver um país inteiro sem estratégia. E é assim que vai o nosso há mais de trinta anos. Não existem metas, não existem horizontes, não existem ideias. A governação trata-se tão-só da resolução dos problemas do dia-a-dia. Vem um dinheirito da UE? Vamos ali ao centro comercial ver onde o gastar! E assim se gastam largas somas de dinheiro em aeroportos, em estradas, em planos tecnológicos da treta. Assim se manda dinheiro ao lixo. O problema é que nunca passou por S. Bento alguém que soubesse o que devia fazer. Isto surgiu-me entre outras coisas por causa do programa e-escola/e-escolinha.
Há uns meses atrás alguém no Ministério da Educação teve a feliz ideia de criar um programa super inovador que permitisse aos jovens do 10º ano adquirir um computador "low cost" com desconto no serviço de Internet móvel. Na altura pareceu-me bem, no secundário é fundamental a utilização de computador e se o governo conseguia "arranjar" tais preços, porque não? Depois alargou-se o programa a todo o secundário. Nada de mal a dizer, aliás, ser apenas para o 10º ano deixava toda a gente a pensar "porque raio é que os de 11º não podem?". Depois veio o Carnaval. De um momento para o outro, não só o e-escola se tinha alargado ao ensino preparatório como se tinha criado um e-escolinha para o ensino primário. Campanhas de propaganda e divulgação. "Portugal, Portugal, entrámos finalmente no século XXI!".
Eu não sei se a atribuição de tais computadores foi uma coisa boa ou má. A questão é outra. Este programa vai envolver muitos meios que vão ser fornecidos pelo amável contribuinte (directa ou indirectamente, porque o dinheiro da UE vem, pasmem-se, do IVA pago em todos os países europeus, entre mais outras fontes), logo, é muito sério o que se está a fazer. Está a utilizar-se uma larga quantia de dinheiro num projecto e a não gastar essa quantia noutros, o que implica que o primeiro seja melhor que os outros. O grande problema, como sempre, é que ninguém sabe se o projecto é ou não melhor e isto deve-se ao facto de não ter havido a possibilidade de avaliar a medida. Quando o computador estava disponível apenas no secundário, devia ter-se parado por aí, de modo a analisar como é que o sucesso e a aprendizagem evoluíam: "será que os computadores novos vieram melhorar o estudo dos alunos portugueses?" seria a questão a colocar passados alguns anos de e-escola. Se a tal pergunta a resposta fosse "sim", então, avançar-se-ia para uma nova fase, em que o programa se alargaria ao ensino preparatório e por aí em diante. Se a tal pergunta a resposta fosse "não", então, o programa acabava e utilizavam-se os recursos para outras coisas.
Com toda esta história dos computadores só me vejo a pensar, será que a escola pública portuguesa já está boa o suficiente para irmos para esse patamar? Será que já existem nas escolas os "bens essenciais" para nos lançarmos a comprar os "bens supérfluos". Será que faz sentido comprar o perfume sem ter o sabonete?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Uma pergunta, shô Marx

No Manifesto, Marx e Engels falam mal que se fartam da burguesia. Mas se os proletários tomassem conta do processo produtivo, não se tornariam também eles burgueses? Para além disso, sem burguesia, havia proletariado para ditar? O Marx deixa-me confuso.

Coisas que não entendo

Somos um país pequeno. E não é por termos apenas noventa mil quilómetros quadrados. A nossa pequenez vem do facto de não sermos capazes de ficar contentes connosco próprios, de nos orgulharmos dos nossos feitos e conquistas. Falamos com desprezo dos Descobrimentos, que considero um dos períodos mais importantes da História, comparável à Revolução Industrial ou à Renascença. Poucos ou nenhuns de nós lacrimeja quando ouve cantos dos Lusíadas ou mensagens da Mensagem. Poucos de nós se arrepiam, se levantam e põem a mão no peito quando ouvem A Portuguesa, mesmo que estejam sozinhos no recato do lar. Somos um país pequeno porque não somos capazes de nos orgulhar da nossa grandeza. Não ouvimos os políticos portugueses fazer discursos inflamados a dizer que "conseguimos", a dizer que devemos trabalhar para o país e não esperar o contrário. E não os ouvimos fazê-lo porque sabem que connosco não pega. Mas não foi só isto que me fez escrever este "manifesto ao patriotismo". Foi o facto de desprezarmos os excelentes cientistas portugueses que pelo mundo vagueiam a fazer investigação nas universidades que não são as nossas. Foi o facto de o Pinto da Costa aparecer mais nos telejornais que todos os escritores portugueses juntos. Foi o facto de ouvir constantes notícias sobre fábricas estrangeiras a fechar em Portugal e não ouvir as notícias sobre as fábricas portuguesas que abrem no estrangeiro. Foi o facto de estarmos simplesmente moldados para nos odiarmos, a nós e ao nosso povo, à nossa raça. Desculpem o desabafo, mas estava cá preso e pronto para sair.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Parvoíce

A Deco está a organizar um protesto que vai consistir em não abastecer os automóveis durante o próximo Sábado. Não vejo vantagens, apenas adivinho as bombas de gasolina completamente cheias no Domingo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Blog Catita da Semana

Nesta segunda edição do prémio "Blog Catita", escolhi o Sete Vidas Como os Gatos para vencedor. É um blogue excelente escrito por Rui Vasco Neto, que não se resume apenas às politiquices do costume e que, claro está, tem um aspecto visual irrepreensível. Para além de tudo isto, está a celebrar um aninho, o que é muito bom nos dias que correm. Parabéns!

Mais houvesse

Manuel Alegre é para mim um exemplo. Não nos ideais, mas na forma de tratar a política. Pertence ao PS desde que o PS existe e nunca se deixou levar por dogmas partidários e nunca esteve presente apenas para marcar presença. É coerente com os seus princípios, os socialistas, e não altera as suas posições apenas afim de agradar à direcção ou ao eleitorado. Mandou uma chapada de luva branca à JS há dias, o que aplaudo, e outra a todos os "progressistas socialistas" quando se opôs à disciplina de voto que a direcção do PS queria impor no debate sobre o casamento entre homossexuais. É refrescante ver que ainda há alguém que não defende posições que não são as suas com argumentos nos quais não acredita e que apenas formulou por encomenda. É bom saber que ainda existe um político na política portuguesa, mais houvesse.

sábado, 20 de setembro de 2008

Uma Semelhança Incoveniente

José Sócrates no comício de rentrée política do PS.


Barack Obama na Convenção Democrata em Denver.

O slogan é o mesmo, a imagem e o tipo de comício também. Eu não percebo muito de marketing, mas a jogada é perigosa e as críticas podem vir de qualquer lado. Tolo, Sócrates, tolo.

Inovações Parlamentares

Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies.

Um deputado social-democrata moderninho diz que a nova lei do divórcio é «uma inovação» no País face à legislação europeia. Pode ser. Mas o espírito das leis é uma coisa – e a aplicação é outra. O legislador (o Parlamento, enfim) devia pensar no assunto em vez de aprovar leis feitas para um mundo ideal onde habitam pessoais ideais e em condições ideais. Nunca é assim. As pessoas concretas, os seus problemas e a maldade habitual acabam por lutar contra as leis para serem mais felizes ou aproveitar-se delas para passarem adiante. Pode ser que eu esteja a ser conservador mas não tenho medo da palavra; simplesmente, basta imaginar divórcios litigiosos concretos (agora exterminados por diploma) para perceber que quem vai sofrer são os mais fracos. Neste caso, as mais fracas.

Médicos a mais?

Joaquim Sá Couto escreve no Portugal Contemporâneo:

Portugal tem médicos a mais. Já sei que esta observação não me vai trazer nenhum prémio de popularidade, mas também não é esse o meu propósito. Portugal tem cerca de 340 médicos por 100.000 habitantes e a média da OCDE é de 310.Temos tantos médicos, em percentagem da população, como a França, a Dinamarca, a Finlândia ou a Itália. A Espanha, aqui ao nosso lado, tem apenas 330 médicos por 100.000 habitantes e os países anglo-saxónicos têm menos. O RU tem 250 e os EUA têm 240. (mais)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sentenças de Morte

A crise dos mercados financeiros que estamos neste momento a ultrapassar é motivo mais que suficiente para preocupar gente da esquerda à direita: existem empresas infalíveis a falir, existem dezenas ou até mesmo centenas de milhar de pessoas no desemprego, existe um completo clima de medo de voltarmos a ter uma quinta-feira negra. Mas existe muito mais que isso.
Por toda a blogosfera, televisão, rádio ou jornais vemos e ouvimos pessoas que de Economia nada sabem (a não ser as contas lá de casa, que por si só já é qualquer coisa, mas não chega) proferir sentenças de morte ao capitalismo e à sociedade tal como a conhecemos. Nos últimos dias fiquei a saber que o ser humano é ganancioso e que esta crise é resultado disso, fiquei a saber que o capitalismo morreu, fiquei a saber que o modelo social actual vai sofrer uma mudança radical, enfim, fiquei a saber que tudo aquilo que conheço passará a ser diferente, eu diria mesmo, desconhecido. Pois, mas é mentira. Tudo isso é mentira. O capitalismo não morreu, teve apenas uma gripe, acontece por causa dos ar-condicionados e das mudanças de estação.
Em traços muito gerais, e para aqueles que dizem que a intervenção do governo americano é a prova de que o marxismo voltou e que só o estado consegue tratar de tudo como deve ser, o que aconteceu foi que o mercado foi infectado pelo vírus do subprime (crédito de alto risco). Este vírus fez-se sentir porque a banca norte-americana começou a conceder créditos a pessoas e empresas que depois não pagaram, como tal, as casas foram penhoradas. Como foram concedidos imensos créditos e imensos créditos ficaram por pagar, acumularam-se casas vazias prontas para um comprador que não existia. A oferta superou a procura e o preço baixou. Como o preço baixou, a venda das casas por parte dos bancos não conseguiu saldar as dívidas, ou seja, houve imensos prejuízos. Com os prejuízos iniciais vieram as falências e os despedimentos actuais. A crise tornou-se maior do que o que era esperado e havia simplesmente duas opções: esperar que uns dias de cama e uns chazinhos tratassem da gripe ou então, a custo, ir ao médico pedir um medicamento. Optou-se pela segunda e o governo federal americano começou a comprar empresas em dificuldades (como a Fannie, o Freddie ou a AIG) e começou a destruir o vírus, de modo a que o mercado ficasse saudável novamente. Neste momento as bolsas já estão em alta outra vez, aliás, o PSI-20 teve a maior subida diária de sempre, o que é um belo indício que as coisas poderão melhorar brevemente. Desculpem desiludir-vos, mas vai tudo ficar como está.

Tesourinhos Cibernáuticos

Estava eu pelo Youtube a ver umas coisitas quando encontrei um fantástico documentário da BBC sobre o período posterior à Segunda Guerra Mundial em Inglaterra, sobre a ascensão dos trabalhistas, sobre as retaliações de Hayek, Fisher e Harris e sobre a fundação do Institute of Economic Affairs. Deixo-vos aqui:

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Economia de Mercado

Como qualquer mercado, o dos produtos petrolíferos tem de ser vigiado e regulado, ainda por cima sendo um mercado, por um lado, tão pouco concorrencial e, por outro, tão importante para actividade económica. Pode dizer-se que o que a Galp e a BP fazem altera completamente os destinos da economia nacional. Apesar disso, não vejo razão para um ministro, neste caso o da Economia, vir dizer que caso as gasolineiras não baixem o preço o governo vai intervir. O governo está apenas a colher a tempestade que semeou quando criou a Taxa Robin dos Bosques. É verdade que, por exemplo, um barril comprado em Abril e vendido ao preço de Junho traria um lucro inesperado para a gasolineira, mas, do mesmo modo, um barril comprado em Junho e vendido em Setembro traz um prejuízo inesperado que tem de ser pago a dobrar porque a empresa não conseguiu arrecadar os "lucros extraordinários" do período anterior. Funciona muito como um ciclo.
Acho perfeitamente aceitável que a autoridade da concorrência se dê ao trabalho de analisar como vão as coisas no mercado dos combustíveis, mas a intervenção do governo deve ficar-se por aí.

Estranhos acontecimentos em S. Bento

Nos últimos dias tivemos dois episódios dignos de referência na Assembleia da República. O primeiro foi o que envolveu Paulo Rangel quando este disse que o PSD iria abster-se de forma construtiva na questão do divórcio por decisão unilateral, tudo porque este diploma tinha umas coisas boas e outras más. Depois veio o PS, mais precisamente o primeiro-ministro, dizer que, apesar de ser a favor, a bancada parlamentar ia votar contra o casamento homossexual por esta questão não constar do Plano de Governo. Tudo isto fez-me lembrar aquele clip dos Gato Fedorento a gozar com as incoerências de Marcelo Rebelo de Sousa a respeito do referendo ao aborto.

Perestroika ao contrário

A Rússia dos anos 90 era uma Rússia que se abria ao mundo. Depois de décadas de uma ditadura comunista e de uma economia planificada e completamente fechada (razão pela qual não sofreu com o crash de 29, por exemplo), era tempo de aquela grande potência se abrir e se tornar mais "ocidental". O período da Guerra Fria estava terminado com a URSS desmontada e o Muro de Berlim derrubado.
Nos últimos anos, aqueles que eram os grandes apoios da Rússia, as nações-satélite, começaram a aliar-se ao inimigo, entrando para a NATO e para a União Europeia, o que foi deixando a Rússia com cada vez menos margem de manobra, motivo da perda de estatudo de superpotência deste vasto território. Apesar disso, a Rússia dos últimos anos, ou melhor, a Rússia de Putin, porta-se como se da URSS de Estaline se tratasse. Não são poucos os casos que o demonstram e basta olhar para a recente invasão da Geórgia (país muito próximo dos EUA) e para a instalação de armamento na Venezuela de Chavez. Não sei onde é que a Rússia quer ir, mas Condeleeza Rice parece ter razão ao dizer que esta está encaminhada «para o isolamento e à irrelevância».

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Uma medida positiva

Anda a ser muito discutida a transferência de algumas competências do Ministério da Educação para as autarquias. Eu acho muito bem que isto avance. Uma gestão descentralizada é, regra geral, melhor que uma centralizada, pelo que legar algumas competências ao poder autárquico só pode trazer benefícios. Claro está que estas competências não podem ser exageradas, devendo resumir-se àquilo que as autarquias conseguem fazer, isto é, gestão das existências (giz, papel higiénico, e essas coisas) e gestão do pessoal não-docente. Numa fase mais avançada de descentralização, vejo as Direcções Regionais de Educação subdividirem-se para fazer entrevistas a todos e a cada um dos candidatos a um lugar como docente, tal como acontece em qualquer lado onde se pretenda bons resultados.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Luciana Abreu

Fala-se muitas vezes de Luciana Abreu com algum desprezo: por ter ganho fama com Floribella, que não é de todo um exemplo de boa televisão, por ter feito os implantes mamários, por ter sido capa da FHM (ou da Maxmen?). Mas, apesar de tudo, há uma coisa que penso ser consensual: o talento da rapariga. Eu atrevo-me a dizer, muito provalmente para choque de muitos que me lêem, que a Luciana Abreu é, actualmente, uma das melhores cantoras portuguesas. Seria para mim bastante agradável vê-la representar-nos no próximo Eurovisão da Canção. Deixo-vos aqui um pequeno clip dela a cantar uma música de Sara Tavares no seu programa infantil (não liguem à parte inicial, é apenas a parte em que ela finge ensinar qualquer coisinha aos miúdos).

Neo-Arrastão

Não sou de esquerda. Discordo quase sempre do Daniel Oliveira e do Pedro Sales. Mas adoro um bom debate e acho que é disso que vai haver no novo Arrastão. É uma pena que uma certa parte da blogosfera comece a falar disto como uma corrida ao armamento, como um reforço da esquerda e uma preparação para a guerra ideológica. Isto é um blogue, melhorado, com mais pessoas, mais bonito e é só. Expectativas lá em cima.

do mal o menos

O Lehman Brothers vai declarar falência. Era inevitável, perdeu cerca de 90% do seu valor em bolsa nos últimos meses e as únicas soluções seriam abrir falência, ser comprado por outro banco ou ser nacionalizado como o Freddie e a Fannie. Das três opções a falência parece-me ser a melhor. Apesar de não estar muito por dentro do sistema financeiro americano, as notícias e debates blogosféricos dos últimos tempos permitiram-me algumas luzes e a verdade é que tudo o que se está a passar no mercado americano deve-se à falta de mercado. Para muitos defensores do socialismo, o que se passa na América é a prova do fim do capitalismo e a prova de que o mercado não funciona, mas não é bem assim. O que se passa na América é tão-só a prova de que o mercado tem de ser regulado e muito bem policiado e de que, afinal, não havia assim tanto mercado nos EUA. Para quem não sabe, no mercado existe uma espécie de objectivo último que é a criação do "mercado de concorrência perfeita", que tem como características a homogeneidade (a comercialização de produtos indiferenciados), a atomicidade (todas as empresas terem a mesma dimensão), a transparência (toda a informação sobre o mercado estar ao dispor de qualquer um), a permeabilidade (a possibilidade de entrada de qualquer um no mercado) e a mobilidade (a possibilidade de se mudar de negócio facilmente).
Qualquer pessoa nesta fase poderá facilmente concluir que o sistema financeiro americano não era um mercado de concorrência perfeita, dado o facto de haver "gigantes", como o Lehman ou o Freddie. A existência de gigantes vem tornar uma missão quase impossível a entrada de novos investidores naquele mercado (nunca se questionaram porque é que em Portugal não aparecem bancos novos?), ou seja, deixa de haver atomicidade e permeabilidade.
Neste cenário, o melhor que pode acontecer ao mercado é um gigante abrir falência. Bem sei que trará o caos financeiro, mas o mercado regenera-se e ao faltar o Lehman, outros virão "fechar o buraco". Ou seja, a falência deste gigante vai permitir a criação de um mercado mais permeável e onde as empresas se aproximam na dimensão. Continuo a considerar a nacionalização do Freddie e da Fannie um erro, simplesmente porque aquilo se tratou de tranferir prejuízos privados para prejuízos públicos, obrigando-se os contribuintes americanos a pagar aquela falha do mercado. Pode ser que a partir de agora os americanos percebam que o mercado tem de ser vigiado e bastante para que da próxima a queda não seja assim tão grande.

Leitura adicional: Um Caminho sem Retorno

domingo, 14 de setembro de 2008

Prémio "Blog Catita"

O Afilhado vai passar a atribuir semanalmente um prémio muito honroso: o prémio de "blog catita". Pela blogosfera há já muitos blogues que atribuem prémios à qualidade dos textos, no entanto, ainda não vi nenhum blogue referir-se à estética, ponto que considero importantíssimo para ser leitor assíduo de um blogue. Apresentarei, então, todos os domingos o blogue vencedor.
Nesta primeira semana, o vencedor é um blogue que, para mim, é simplesmente perfeito, aliando uma aparência absolutamente fantástica a uma qualidade inquestionável: Corta-fitas.
Aqui está a estampa:

Coisas da Sábado*

Comprei a revista Sábado há pouco por causa de um artigo que me chamou a atenção: "Como os manuais escolares deturpam factos históricos". Quando li o artigo de cinco páginas não pude deixar de ficar francamente preocupado com aquilo que anda a ser ensinado nas escolas. Para dar alguns exemplos, alguns livros de História de 9º e 12º ano dizem explicitamente que o maccarthismo é comparável ao estalinismo, que os EUA regem-se pelo unilateralismo violento e criam cisões no mundo ocidental, que a Revolução Cultural chinesa teve poucos ou nenhuns mortos, que a globalização veio converter o mundo num "vasto casino, onde as mesas estão repartidas em todas as longitudes e latitudes", assumindo, portanto, as ideias de Maurice Allais; que Fidel Castro não queria o socialismo para Cuba, apenas seguiu esse caminho por causa do bloqueio americano e mais algumas pérolas daquilo a que se pode chamar impor as ideologias privadas dos autores dos livros aos indefesos estudantes que apenas aprendem o que se lhes ensina. Para desmascarar estas enormidades foram convidados pela Sábado alguns profissionais da coisa, entre os quais Maria Filomena Mónica e Luís Aguiar-Conraria que através dos comentários fizeram transparecer a incredulidade que sentiam no momento. É assim que o nosso ensino vai melhorando, autorizando-se livros com cargas ideológicas fortíssimas para serem adoptados nas escolas públicas.

*Título gentilmente cedido pelo JPP.

Ser Ultra-Conservador

A única coisa que me irrita mais nos debates que a rotulação de pessoas como de "esquerda" e "direita" é a rotulação de "progressistas" e "conservadores". Isto acontece principalmente quando se fala do aborto. Um indivíduo que considere o aborto admissível é um indivíduo progressista, voltado para o século XXI, moderno como se dizia no meu tempo. Um indivíduo que se oponha ao aborto é retrógrado e conservador. Não consigo perceber isto. Aquilo que distingue os que defendem e os que não defendem o aborto são diferentes formas de encarar a ética. Um indivíduo que defenda o aborto considera que este é eticamente justificável e vice-versa. Eu, por exemplo, sou contra o aborto por não ver qualquer diferença entre fazer um aborto e matar um recém-nascido, sou, no entanto, liberal (ou, pelo menos, considero-me como tal). Isto tudo vem por causa do que se tem dito sobre Sarah Palin. A candidata republicana a vice-presidente é chamada ultra-conservadora em tom pejorativo por ser contra o aborto, pró-armas, contra o casamento entre homossexuais. Eu, pessoalmente, não gosto da senhora, no entanto, considero que tem total liberdade de ter estes posicionamentos que não são, em nada, errados, apenas diferentes daqueles que ocupam as mentes dos nossos queridos comentadores.

I said so...

Saíram hoje os acessos ao ensino superior. Não há surpresas: todos os cursos cujo exame de admissão é matemática aumentaram a média exponencialmente. Tal como eu havia dito aqui. A lista de acessos para consultar aqui.

sábado, 13 de setembro de 2008

Leituras Blogosféricas

Li alguns textos sobre o 11.Setembro que gostei bastante, por isso, deixo-vos aqui:

Luís Aguiar-Conraria, no Destreza das Dúvidas

José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel

Bernardo Pires de Lima, no Atlântico

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Verdades de La Palisse

«"Em 2009 sem dúvida que sim", disse o governador do banco central português ao ser interrogado sobre se esperava uma diminuição futura do índice de preços na sequência da diminuição do crescimento económico na Europa. A Comissão Europeia reviu quarta-feira, em baixa, as previsões de crescimento económico para este ano, estimando agora 1,4 por cento na União Europeia e 1,3 por cento na Zona Euro. (...)»
Isto foi o que o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, disse em Nice no encontro informal entre ministros das finanças e governadores dos bancos centrais europeus. Veio acrescentar imenso àquilo que já todos sabemos.
O crescimento económico foi reduzidíssimo, quase inexistente, razão pela qual a pressão sobre os preços não vai aumentar. Por outro lado, as grandes fontes de inflação importada estão a perder importância, com os preços do petróleo e dos cereais a ficarem controlados. Por fim, na Zona Euro, aumentaram-se as taxas de juro de uma forma estúpida nos últimos tempos. Receita perfeita para haver uma inflação mínima no próximo ano. E uma arma propagandística tremenda para o PS.
O pior é se saem as contas furadas e se instala uma crise financeira a sério por causa das brincadeiras americanas, ontem foi mais um.

Que voltem os Jesuítas

O Portugal Contemporâneo é um blogue que me suscita muitos acenos de cabeça. Escrito por conservadores libertários vem, não raras vezes, de encontro ao que penso. No entanto, dois textos dos últimos dias fizeram-me discordar, ao ponto de escrever este post.
Dia 11, ontem, o Rui Albuquerque escreve que a laicização do ensino trouxe um vazio educacional ao nível dos valores que muitas vezes os pais não conseguem preencher devido às circunstâncias da vida: emprego, incompatibilidade de horários, etc. Por isto, propõe um ensino com formação religiosa para que as crianças saibam distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto. Discordo totalmente. Em primeiro lugar, os pais têm o direito de escolher se os filhos podem ou não ter formação religiosa. Por exemplo, porque é que uma família muçulmana a viver em Portugal tem de ver o seu filho educado para o catolicismo? Não faz sentido. Tem tudo que partir da vontade da família. E existe espaço para que se faça a vontade: inúmeras igrejas têm a chamada catequese que dá uma formação religiosa aos jovens rebentos, por outro lado, mesmo na escola, existe a possibilidade de ter aulas de Educação Moral (exactamente a expressão que o Rui escreveu). Percorremos um longo caminho para a realidade actual, em que o estado não nos impõe a nossa religião. Curiosamente este texto até vai contra um que o próprio Rui escreveu há uns tempos, "o caminho da servidão", em que condenava a constante intromissão do estado nos assuntos privados dos cidadãos. Há algo mais privado que a ética e a religião?
Hoje, o Joaquim, muito na linha do que o Rui escreveu ontem, disse concordar com Sarah Palin quando esta defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Disse que tinha mudado de opinião, que anteriormente não defendia tal coisa. O errado no ensino do criacionismo nas escolas públicas está exactamente no facto de ser uma crença religiosa e não uma teoria científica. A teoria evolucionista e da criação do Universo é supra-religiosa, não se relaciona com fé, por isso pode ser aprendida por todas as pessoas. Já a teoria criacionista faz parte da fé cristã e ensiná-la iria contra a vontade de muitas famílias americanas certamente. Questões que o Joaquim enunciou, como: "porquê o mundo?" e "porquê não o nada?", são perguntas para se formular em aulas de Filosofia (acho que na América há disso) e às quais não se deve dar uma resposta como verdade absoluta.
Ensinar os jovens com base em fundamentos religiosos iria só alimentar fanatismos, fechar mentes, e levar-nos de novo para uma Idade Média, onde o progresso e ciência ficariam completamente apagados. É bom que se pense nas consequências de coisas tão simples como o ensino religioso nas escolas públicas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Foi há 7 anos

Morreram mais de três mil pessoas em Nova Iorque faz agora precisamente sete anos. O culpado ainda não foi condenado pelo crime que cometeu.

Um Kosovo Caucasiano

Tudo indicava que esta guerra separatista que já dura há mais de quinze anos ia apenas significar uma mudança de nacionalidade e não a criação de uma nacionalidade. Mas afinal, parece que não. O "presidente" osseta disse que não quer fazer parte da Federação Russa, diz que entenderam mal estas palavras:

“Sim, sem nenhuma dúvida, faremos parte da Rússia e não temos a intenção de criar uma qualquer Ossétia independente, porque a História assim determinou as coisas, os nossos antepassados fizeram a escolha”

A língua é mesmo matreira, eu jurava a pés juntos que isto quer dizer que ele quer integrar a Ossétia do Sul na Rússia, deve ter sido só impressão minha. Enquanto se continua nestes fait-divers a tensão internacional continua. Vamos ver no que vai dar...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Propósito das Nacionalizações Americanas

Relembro um texto que escrevi aqui dia 28.07.08, Um caminho sem Retorno:
«A verdade é que todos os países, mais ou menos liberais, estão demasiado colados à imagem de um estado protector que auxilia em situações de aperto. Esse estado não pode defraudar as espectativas dos amados eleitores e trata de fazer o que se lhe pede. O problema é que tudo isto entra numa tremenda espiral e colocam-se, portanto, sérios problemas.(...)»

a falta de escolha

Na nossa política nacional temos muita falta de escolha, desculpem que diga. Todos os partidos do Parlamento são de esquerda (e não me venham cá com conversas porque a única coisa que faz do CDS um partido de direita é a parte do Catolicismo). Não temos um partido verdadeiramente comunista, que defenda abertamente que é ao estado que compete dirigir toda a economia. Não temos um partido liberal, um único, que defenda abertamente o fim do estado social português. Temos uma alternância de partidos social-democratas que ao fazerem um Bloco Central estariam apenas a formalizar aquilo que já existe de forma informal. Concordo plenamente com o Joaquim do Portugal Contemporâneo e subscrevo a teoria do Síndrome do Canadá. Estamos numa falsa democracia, pois não há escolha, logo vivemos sob uma ditadura social-democrata implícita e instituída na mentalidade e cultura nacional. Era bom que tivéssemos uma verdadeira direita, que não tivesse medo dos fantasmas do passado. Pedro Passos Coelho, vai-te a eles!

O menos mau

Não tenho escrito aqui sobre as eleições americanas porque não tenho estado muito atento aos discursos e às ideias. Mas com o que tenho lido na blogosfera e imprensa, já posso ter algumas ideias. Nesta eleição para o presidente dos EUA não se vai eleger o melhor, vai eleger-se o menos mau.
Barack Obama, esse fenómeno mediático, popular entre os berlinenses, é um messias para a social-democracia europeia: quer aumentar o peso do estado, aumentar o sistema de saúde, aumentar os impostos, aumentar o sistema educativo, aumentar a distribuição de riqueza (tirando boa parte dos rendimentos à classe média, diga-se). Quer simplesmente criar um paraíso europeu no Novo Mundo, coisa que não acredito que vá resultar: a América é mãe e filha do Liberalismo, só sabe existir assim. Aumentar o peso do estado naquela terra poderá trazer sérios problemas.
John McCain, por seu lado, é um americano às direitas: católico, defensor de um estado pequeno e da missão americana para libertar o mundo dos ditadores. Eu até era capaz de acreditar em John McCain se estivesse sozinho ou com uma outra pessoa, no entanto, escolheu Sarah Palin: uma religiosa fanática, que diz que a guerra do Iraque é uma guerra santa, que defende a aprendizagem da "teoria" criacionista nas escolas públicas e outras tantas coisas. Para além disto é pró-armas e cheia de ideias beligerantes, o que vai muito de encontro àqueles líderes islâmicos que tanto criticamos.
No meio disto tudo, vejo-me obrigado a apoiar Obama (sei que ele agradece). Antes uma América europeia durante quatro anos que um mundo destruído em quatro anos.

Especulações e especulações

O suposto aeroporto da Ota foi um El Dorado para os especuladores. Qualquer pessoa que tivesse um punhado de terra naquela terra ganhou dinheiro sem fim. Com a mudança de planos, aqueles que compraram os terrenos a preços exurbitantes viram a vida a andar para trás: sem aeroporto aqueles terrenos valem muito pouco ou nada. É a especulação: uns ganham outros perdem. Mas não, o nosso governo não deixa, para o nosso governo todos têm de ganhar, por isso toca de gastar dois mil milhões de euros (sim, leram bem) em projectos para "compensar" o pessoal do Oeste e Lezíria do Tejo. Tudo para que os especuladores não percam o dinheiro que investiram. É engraçado que o mesmo governo impõe impostos sobre os "lucros extraordinários" da Galp. Há especulações e especulações...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Coisas Estranhas

No "guia do visitante" da Festa do Avante! vinham duas caixas de publicidade: uma dos SMAS de Almada, outra da ECALMA, a empresa de estacionamentos de Almada. Ambas empresas camarárias detentoras de monopólio que torna a publicidade ridícula. A Presidente da Câmara é Maria Emília de Sousa, do PCP. Financiamento mascarado...?

Os milagres estatísticos

A Ministra da Educação, a excelente Maria de Lurdes Rodrigues, prefez um outro milagre. Depois de termos tido os melhores resultados desde não sei quando nos exames de matemática, ficamos a saber que as taxas de retenção foram as mais baixas da última década.
Isto é desastroso. Não a baixa de retenções, que analisada superficialmente é excelente. O problema é que tudo assenta num tremendo facilitismo. Os alunos não trabalham para saber, trabalham para passar. Está já instituído. O que acontece depois é que temos gente nas universidades a não saber escrever um texto ou fazer uma conta. Universitários esses que depois entram para o mercado de trabalho e pela falta de aptência para trabalhar acabam por ir ou para a função pública ou para o centro de desemprego. Mas o mal não é só dos ministros. O mal é de toda a sociedade que só consegue avaliar uma govenação através das famigeradas estatísticas. Crescemos 0.2%? O governo não presta. Os alunos chumbam? Demita-se a ministra. E por isto ficamos. As legislaturas são corridas à estatística e ao charme, às capas maravilhosas que, como todas as outras, não permitem avaliar o livro. Os males da educação não se resolvem com melhorar as estatísticas, resolvem-se, como já disse aqui, com uma mudança de mentalidades para que a educação seja encarada como essencial e não como um atelier de tempos livres.

Adenda: O Mário Nogueira concorda comigo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Avante! 2008

Como já havia escrito aqui n' O Afilhado, fui à Festa do Avante. Quando entrei disse, por brincadeira, "isto 'tá visto, vamos andando". O engraçado é que aquilo que foi dito em tom de brincadeira se revelou uma verdade profunda. A Festa do Avante de 2008 só teve uma coisa diferente em relação ao costume: os cartazes eram verdes, coisa que me surpreendeu.

Estava tudo combinado, ia apanhar um autocarro, depois outro e andar um bocado. Os autocarros vinham cheios de gente em pulgas por ir à Festa Comunista, depois de uma sexta-feira impeditiva. No meio da multidão vinha um velho de placa mal posta de olhos arregalados a mirar a "malta", os "montes de malta" que subia a rua em direcção à portagem, como chamei à entrada. Depois de entrar, desci em direcção ao Palco 25 de Abril e vi, de um lado e do outro, primeiro bancas com o traje neo-hippie dos jovens frequentadores do Avante e, depois, as tendas regionais com comidas tradicionais como a bifana, o hambúrger e o cachorro. Quando cheguei ao Palco, dirigi-me à Festa do Livro onde dei uma volta pela mesa das Edições Avante onde vi A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, do Engels (não me esqueci Al) e procurei A Mãe e a 25ª Hora, sem sucesso. Com o passeio à Festa do Livro feito, voltei para a rua. Encontrei mais uns amigos que tinham acampado na Atalaia e ficámos à conversa durante algumas horas. Hora de Jantar. Fomos à Telepizza (estranho, não?), mas estava cheia de gente, o que nos fez mudar de planos e ir à tenda do Porto. Depois do jantar jantado fomos para o Palco 25 de Abril outra vez onde conversámos na relva a ouvir uma banda famosa que não conhecíamos. Mais à noite iam actuar os Da Weasel. Não fiquei para ouvir, vim embora. Tudo isto no Sábado.


No Domingo decidi ir mais cedo e decidi fazer outro percurso. Fui até ao comboio do Pragal e nos Foros da Amora apanhei um autocarro da Festa do Avante, gratuito para quem tinha o bilhete dos três dias a quem era dado um "passe" e um "guia do visitante" (quem tem uma EP tem tudo). No autocarro gratuito ouvi uma senhora dizer aquele que continua a ser o mais poderoso argumento em defesa do comunismo português, em forma de conto, o que me lembro rezava assim: estava um senhor rico a falar com um analfabeto, o rico tentava convencer o analfabeto que o comunismo era mau, ao que o analfabeto responde, "olhe ele para os trabalhadores não deve ser muito mau, porque vocês os patrões, nenhum gosta dele". Cheguei às 13, com um sol abrasador que me deu o bronze que a Beira roubou. A volta do dia não foi diferente, apenas maior. Comi uma bifana na tenda do Porto (o Porto nesta edição fartou-se de ganhar dinheiro, a tenda era ao lado do palco principal) e vi uma coisa que me deixou a pensar: no "guia do visitante" que me tinham dado havia algumas horas, vinham duas caixas de publicidade, uma era com os SMAS de Almada a outra com a ECALMA, a empresa de estacionamento de Almada, ambas empresas públicas, uma é uma prestadora de serviços sem concorrência, pelo que a publicidade é dinheiro desperdiçado, a segunda é uma empresa pública tipo EMEL, o que faz a publicidade ser absurda. A Presidente da Câmara Municipal de Almada é Maria Emília de Sousa, do PCP. Não faço acusações, apenas constato factos que deixo à consideração dos caros leitores. Depois fui para o Palco 25 de Abril ouvir TerraKota (uma banda interessante com um tema fantástico que todos deviam ouvir com muita atenção "É Verdade"), mas antes da banda aconteceu o que de mais mágico há na Festa, A Carvalhesa começou a tocar e toda a gente começou a correr eufórica para o recinto do palco principal para dançar aquela música. Arrepios. Mais arrepios. É aquilo que falta aos outros partidos todos: aquela alegria quando um hino do partido é entoado, aquela euforia, aquela beleza. É um espectáculo impressionante de se ver. Findo o concerto voltei à Festa do Livro, desta vez para comprar. Um mar de gente. Procurei novamente A Mãe e a 25ª Hora, novamente sem sucesso. Farto de navegar naquele mar de gente, peguei n' A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado e corri para a "caixa". Já debaixo do sol abrasador do Seixal, paraíso tropical em plena Margem Sul, fui para o lago onde estive sentado na relva. De repente começa a ecoar o discurso de Jerónimo de Sousa. Não prestei muita atenção, mas houve algumas partes que me ficaram na cabeça. A primeira coisa foi a resposta de Jerónimo aos críticos que dizem que o Avante atrai muita gente por todos os motivos menos os políticos. O líder comunista disse que ao passo que Manuela Ferreira Leite tinha cem universitários, ele tinha muitos mil a ouvi-lo. Neste momento eu estava a ir a procura de qualquer coisa para comer e reparei que eram mais os que estavam no lago do que os que estavam no palco. Depois também gostei da parte em que ele defendeu Abril e assumiu, como já vem sendo hábito dos comunistas, os louros da Revolução que todos sabem ter sido protagonizada pelas Forças Armadas. Revolução que o PCP quis aproveitar para criar um regime comunista imposto pela força na nossa pacata praia (disto nunca ninguém se lembra, infelizmente). Um pouco depois de todas estas odes à liberdade, celebrou a Revolução Cubana e o comunismo cubano, que como todos sabemos é um exemplo de liberdade e democracia para o mundo. basicamente, a coerência a dominar o discurso. Eram umas sete da tarde quando vim embora.
Assim foi a minha Festa do Avante!.

domingo, 7 de setembro de 2008

Finalmente!

Deve ser o que todos os críticos devem estar a pensar, com alívio: "finalmente vou poder escutar a doutora Manuela Ferreira Leite!", depois do alegado período de silêncio que não foi assim tão silencioso. Ora vamos recapitular:

«No Congresso de Junho questionou as obras públicas projectadas pelo Governo socialista e defendeu que há uma situação de emergência social em Portugal. Em Julho deu entrevistas à TVI e ao “Expresso”, em que insistiu que o Governo informasse como e quando vai pagar as novas obras públicas e defendeu que, devido ao endividamento do país, “não há dinheiro para nada”. Outro tema levantado por Manuela Ferreira Leite, no mesmo mês, numa iniciativa da JSD, foi a política de juventude, que considerou “errada”, dizendo que “não pode ser uma política assistencial, de ajudas, subsídios e patrocínios”. A sua última intervenção pública foi no dia 31 de Julho, logo a seguir à mensagem do Presidente da República sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores. (...)»

Isto foi o levantamento feito pelo Público, ao qual falta a Grande Entrevista dada à RTP onde se deu o célebre caso do "casamento para procriação" e também as crónicas escritas para o Expresso em todas as edições. Perdoem-me os críticos, mas ouviram assim tanto do Louçã, do Jerónimo, do Sócrates ou do Portas? Eu acho que o único que falou mais que MFL foi o sempre oportuno Luís Filipe Menezes, o que é uma pena.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

The Big Brother Is Watching You!

A febre da segurança e do policiamento está a afectar as pessoas em todo o lado. Por cá, mandam-se polícias para as bombas da gasolina, em Londres colocam-se micro-aviões telecomandados a vigiar os movimentos de todos e de cada um:

«The micro-drone is only 3ft wide, weighs less than a bag of sugar and can record images from a height of 1,600ft. It was originally used for military reconnaissance but is now being tested by police. The unmanned aerial vehicle (UAV) had a test flight yesterday and will be operational from next month for a three-month trial. If the experiment works, other forces will follow suit - furthering Britain's reputation as a ''Big Brother society''. This country has more CCTV cameras than the rest of Europe put together and in the past week, two police chiefs have voiced their concern over the levels of surveillance.(...)»

Londres é actualmente a segunda cidade mais vigiada do mundo (a primeira é Pequim), o que contrasta bastante com a ideia de sociedade livre que o Reino Unido transmite para o exterior. Se o facto de ser a cidade mais vigiada da Europa não a torna mais segura, porque é que mais vigilância ainda fará? Ao não se colocarem limites à "segurança", começam a colocar-se limites à liberdade dos inocentes. Numa cidade obcecada com a criminalidade, todos passam a ser suspeitos sem motivo, todos os movimentos são filmados e observados: um grande Big Brother. Por enquanto a Inglaterra ainda é uma democracia, mas com as armas de autêntica espionagem que por lá se encontram, aquela ilha torna-se um paraíso na Terra para um qualquer indivíduo que aspire a ditador e um modelo para o mundo não livre. Esperemos que os ingleses se oponham a tais medidas e que salvaguardem a sua liberdade, ou a que lhes resta, porque a aceitarem o que lhes querem impor, abriram um precedente para o resto do ocidente que ainda toma o Reino Unido como modelo.

EU VOU!

Toma hoje lugar a rentrée política dos comunistas. Não sou comunista mas tenho uma mente aberta e gosto muito de música, por isso vou. Tentarei fazer uma cobertura diária como os camaradas ali do 31 da Armada. Não deixei crescer a barba como o Rodrigo Moita de Deus, mas prometo que vou evitar o laranja e o rosa. Palavra de escuteiro!

O Bom Trabalho de Angola

Angola está um farrapo! É o que me apraz dizer ao tomar conhecimento do que lá se passa. Já todos tinhamos um pressentimento que estas não iam ser propriamente umas eleições, no bom velho sentido da palavra, mas mais uma operação de charme para levar politicos patetas a elogiar o trabalho de José Eduardo dos Santos. O pressentimento tornou-se certeza quando alguns grupos de comunicação foram simplesmente afastados do processo eleitoral, impedidos de aterrar em solo angolano com um microfone que fosse. A certeza inabalável veio quando os nossos deputados foram convidados para observadores na véspera do acto eleitoral.
As certezas de todos nós confirmam-se em verdade. As eleições que seriam um exemplo para África e para o mundo revelaram-se um fiasco. Em primeiro lugar, na CNE (Comissão Nacional de Eleições), entre dez membros, apenas três não estão ligados ao governo ou ao MPLA. Para piorar a situação, o ficheiro informático central de registo eleitoral (que devia estar no poder do CNE) está na posse da Comissão Interministerial para a Preparação das Eleições (CIPE), ligada ao governo.
Depois de um controlo apertado da cobertura mediática das "eleições" que veio reduzir o debate de ideias, o governo certificou-se que nada ia correr mal, tendo sempre o plano B, ou melhor, o plano F para poder dar um "jeitinho" aos números caso não sejam bonitos.

A Frase

«In politics, there are some candidates who use change to promote their careers.And then there are those, like John McCain, who use their careers to promote change.» Sarah Palin, na Convenção Republicana (via Portugal Contemporâneo)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

gente que vou tentando imitar

Estou de férias na Beira e, por um infortúnio, tive de ir às urgências. Um edifício pequeno, velho e sombrio, cheio de gente idosa à espera da enfermeira para levar uma pica ou para fazer um penso. Faço-me acompanhar pelo Rio das Flores (a serem iguais às de Almada, estas "urgências" iriam tomar-me algumas horas) do qual nem duas páginas leio. "Senhor Tiago Ramalho", era o toque de entrada para a consulta. Entrei. "Gosta de Miguel Sousa Tavares", perguntou o médico ao ver o imenso volume pousado em cima da mesa. Respondi que era o primeiro que lia do autor, mas que estava a gostar. Logo me diz que nunca tinha lido o título que me acompanhava mas que tinha gostado bastante do Equador. Conversa puxa conversa (não havia mais pessoas para serem atendidas, o que permitia alguma folga de tempo) e vamos falando de livros. O simpático e aparentemente culto senhor aconselha-me dois livros sobre o nazismo que, segundo ele, eram relatos muito bons, sem as manipulações e inverdades da televisão e dos jornais: A Mãe e 25ª Hora, nunca tinha ouvido falar. Quando chegamos ao Saramago, cuja escrita tanto aprecio, ele refere-se ao Nobel como "o meu amigo Saramago". Amizade que lhe valera uma primeira edição do Memorial do Convento autografada pelo mesmo punho que me autografou em Junho o Ensaio Sobre a Cegueira. Se já estava admirado por estar a falar com um beirão amigo de um ribatejano "exilado" em Espanha, mais admirado fiquei quando esse beirão me disse que o próprio Saramago havia passado ali, em Pinhel, uma semana há pouco tempo atrás.
No caminho de regresso a casa dei por mim a pensar como deve ser engraçado ser amigo íntimo de um grande intelectual, de uma figura importante na cultura a nível mundial, seja um escritor, um pintor ou um cineasta. E o caminho de regresso, que curto não era, ainda me deu tempo para pensar no bom que é haver ainda gente culta, no sentido dado ao termo antigamente, gente cujo conhecimento não é restringido a uma área do saber como a medicina ou a economia, gente cuja curiosidade se alarga a vários temas e ramos do saber, gente com quem dá para ter uma conversa com substância sobre o que for, gente que vou tentando imitar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Regresso (2)

O Activismo de Sofá também voltou! Setembro é o mês dos regressos. Sê benvindo activista!

O Regresso

O Cachimbo de Magritte voltou, depois de um interregno de um mês e meio, cheio de coisas para dizer, coisas que tou cheio de vontade de ler!

Votar em packs

Não percebo muito de leis, mas desde petit garçon que me ensinaram que em Portugal existem três poderes independentes uns dos outros: poder Legislativo, poder Executivo e poder Judicial. O primeiro exercido pelo Parlamento, o segundo pelo Governo e o terceiro pelos Tribunais. Mais ou menos na mesma altura ensinaram-me que Portugal era uma democracia, ou seja, em Portugal é ao povo que é pedido, para o bem e para o mal, para decidir quem exerce o poder. Agora que penso melhor nisso, estou um pouco confuso. E esta minha confusão deve-se ao facto de não elegermos todos os poderes, mas sim uma espécie de "pack" onde vêm incluídos o governo, o parlamento e os tribunais. Nas eleições legislativas, que tal como o nome indica servem para eleger o parlamento, é também decidido o governo. Esse governo decide depois quem vai gerir o poder Judicial. É tudo muito pouco democrático na minha opinião. Porque é que a maioria do Parlamento tem de ser da mesma cor política do governo? Os portugueses podem perfeitamente considerar Sócrates qualificado para governar e não considerar o grupo parlamentar do PS qualificado para legislar.
Com toda esta discussão em torno do novo Secretário, seria bom pensarmos bem em todo o funcionamento da nossa "democracia".

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Programas da manhã

Nestas férias tive a oportunidade de assistir a algumas emissões de programas da manhã, nomeadamente, os programas da Fátima Lopes e do Manuel Goucha. E pareceu-me francamente mal.
Bem sei que o objectivo da televisão é obtenção de audiência, só assim recebem a publicidade de que tanto precisam para subsistir, no entanto, não vale tudo. A banalização do mal neste tipo de programas é brutal. Em todas as emissões temos um conjunto imenso de famílias em sofrimento, de pessoas em agonia, de crianças com doenças incuráveis: o real social em escassas duas horas. Perante tais situações, os apresentadores bondosos e caridosos tratam de chorar, de se "emocionar", de ajudar e de acompanhar a vida de quem sofre. Mas tudo isto tem de ser muito rápido, porque logo a seguir tem de se ir dar dinheiro com um sorriso que toque nas duas orelhas, não vá assustar-se a clientela do telefone (que também dá bom dinheiro). Depois do momento de alegria, novamente semblante carregado para se ir fazer aquilo que melhor se faz nas manhãs da televisão nacional: julgamentos públicos. "Crime diz Ele" e "Crónica Policial" são as rubricas em que inspectores, ou ex-inspectores, tratam de dizer o que pensam e de convencer os outros de que sabem do que falam, com revelações tremendas, com certezas inabaláveis, mesmo que em tribunal o contrário se diga. E assim, com uma brincadeira de duas horas, pessoas são ajudadas, outras difamadas, outras completamente destruídas publicamente. Ainda me lembro de um programa em que Manuel Goucha disse em pleno directo, ao telefone, que se fosse ele a mandar a senhora da chamada nunca mais trataria de uma criança.
Dinheiro honesto? Poupem-me.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Miss Vice

Diz que é candidata. O McCain está aí para as curvas.

Reflexões sobre Teoria Económica

Actualmente, com a extrema-direita proíbida em grande parte do globo e em toda a nossa amada Europa, identifico dois grandes tipos de sociedade: as socialistas e as libertárias. Obviamente, não existe absolutamente nenhuma que respeite ao milímetro tais ideologias, no entanto, tentam aproximar-se. Como em tudo, cada um destes pólos tem os seus "adeptos" para quem o outro modelo é inconcebível e consiste na pior coisa deste mundo. Aos libertários é melhos nem se falar de socialismos e aos socialistas é melhor nem falar de liberalismos, se queremos sair inteiros da discussão. Eu, sabe-se lá porquê, considero os dois sistemas perfeitamente possíveis do ponto de vista económico, a única coisa que me poderá fazer optar por um deles é a ética adjacente a cada um. E este aspecto é, na minha opinião, o mais fracturante de todos.
O socialismo com a sua sociedade sem classes e controlo absoluto da economia por parte do poder central, abdica da liberdade para promover a solidariedade e a equidade. É para os socialistas mais importante a não existência de desigualdades que a própria liberdade (com liberdade, aqui, refiro-me essencialmente a liberdade económica, como poder abrir um negócio ou decidir o que fazer com o dinheiro em vez de deixar o estado decidir). O liberalismo por seu turno, prevê uma sociedade de liberdade, em que cada um pode decidir onde trabalhar, o que fazer ao dinheiro ou até mesmo abrir uma empresa. Numa sociedade libertária, a equidade e a solidariedade social ficam para um segundo plano.
Por mais que se tentem sistemas híbridos como os que vigoram actualmente numa grande parte da Europa e do Ocidente em geral, nunca nenhum vai permitir liberdade económica absoluta e, ao mesmo tempo, a não existência de classes sociais. É simplesmente impossível.

Sobre o Exagero

A política de silêncio da Manuela Ferreira Leite recebeu o meu aplauso no início: depois de dois líderes que não saíam da televisão para dizerem coisa nenhuma, o PSD tem uma líder ponderada e minimamente responsável na área da comunicação, que é tão importante na política de hoje. No entanto, e como sempre ouvi, o que é demais enjoa. Manuela Ferreira Leite, apesar de ter sido sempre discreta, conseguia emitir mais opiniões políticas no período anterior à presidência do que na actualidade. Não acho que ela deva andar aí a fazer comícios e "debates" como os do Bloco de Esquerda, mas não fazia mal nenhum dar uma entrevista para um jornal ou outro de quando em vez. Neste momento estamos todos à espera de uma rentrée como nunca se viu, coberta de suspense e que todos vão ouvir com a máxima atenção e até tirar notas. O problema está exactamente aí. Desde o Sócrates ao Jerónimo todos vão estar à caça do erro e se o discurso corre mal, se as ideias não tiverem importância ou se a argumentação for desmontável Manuela Ferreira Leite pode ver a sua curta carreira como líder partidária evaporar-se num ápice. Ainda estou para ver se esta foi a melhor forma de começar.